15 agosto 2024

007-Prolonga-se a caminhada no deserto- Lição 07[Pr Afonso Chaves]14GO2024

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LIÇÃO 7 

PROLONGA-SE A CAMINHADA NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto, onde vossos pais me tentaram, me provaram e viram, por quarenta anos, as minhas obras.” (Hebreus 3.7-9) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 14.26-38 

INTRODUÇÃO Chegamos a um dos episódios mais terríveis narrados no livro de Números, onde o destino de toda uma geração do povo de Deus foi determinado a partir de um único, mas terrível, ato de incredulidade e rebeldia, cujo castigo repercute nas Escrituras Sagradas como figura da apostasia e alerta contra o perigo da incredulidade. Na lição de hoje estudaremos como aqueles israelitas chegaram a essa manifestação atroz de rebeldia contra o Senhor, e as lições importantes que podemos extrair desse acontecimento e de seus desdobramentos para nossa instrução. 

I – OS ESPIAS SÃO ENVIADOS À TERRA Poderíamos começar uma análise deste fatídico episódio investigando a razão da própria “ordem de Deus” de espiar a terra de Canaã. Os israelitas achavam-se acampados no deserto de Parã, mais precisamente em Cades-Barneia, nos termos da terra à qual estavam prestes a entrar para possuir em herança. Ora, depois de ter libertado o Seu povo do Egito sob a promessa de levá-los até uma terra que mana leite e mel, e depois de ter oferecido todas as garantias de que os acompanharia ao longo da viagem até fazê-los herdar a terra prometida, por que o Senhor ordenaria que espias fossem enviados à frente do povo – e da própria nuvem que os guiava e os protegia – a ver “que terra é”, se o povo que nela habitava era “forte ou fraco, se pouco ou muito”, e até mesmo se a terra era “boa ou má”?! Pelo contrário, o que o Senhor havia ordenado, nesta ocasião, era que Israel subisse a conquistar, sem medo, a terra que se achava diante de si; mas, ao invés de confiar na palavra Deus, o povo pediu que espias fossem enviados – ao que o Senhor apenas assentiu, determinando que fosse enviado um maioral de cada tribo (Nm 13.1-3, 17-20; cf. Dt 1.19-23). Moisés certamente não tinha nenhuma dúvida sobre a qualidade da terra, nem preocupação com o número e a força do povo que nela habitava, mas a proposta do povo lhe pareceu boa, talvez por considerar que um relato feito por aqueles que viram com seus próprios olhos a terra poderia animar os israelitas, cuja visão espiritual – os olhos da fé – era tão limitada, de maneira que o líder incentiva os espias a examinarem toda a terra, certo de que trariam informações encorajadoras para o povo, inclusive um sinal visível da boa promessa de Deus: “esforçai-vos e tomai do fruto da terra”. E assim, no decurso de quarenta dias, os espias percorrem toda a terra, desde o deserto de Zim, no extremo sul da terra, até Hamate, ao norte (Nm 13.21-25; 34.2-9). Notemos que, de fato, como esperado por Moisés, os espias voltam da sua missão com um relato objetivamente positivo da terra: “Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel, e este é o fruto”; o tamanho e o peso do cacho de uvas do ramo que trouxeram como amostra da abundância da terra causaram tamanha impressão que deram o nome de Escol (isto é, “cacho”) ao vale de onde o cortaram. Contudo, a maioria dos espias via no número e nas cidades fortes dos povos que habitavam aquela terra, e especialmente nos gigantes, filhos de Anaque, não uma dificuldade com chances de ser superada, mas um obstáculo invencível, que nada das coisas boas que os aguardava ali parecia fazer valer a pena enfrentar, a ponto de, quando contrariados por Calebe, que os incita a confiarem no Senhor e na Sua promessa, esses espias não medirem suas palavras diante do povo e externarem sua incredulidade e rebeldia em obedecer à palavra do Senhor, influenciando negativamente toda aquela geração, com as terríveis consequências que se seguiriam (Nm 13.27-33; Dt 1.25-26). 

II – O POVO SE REBELA CONTRA O SENHOR A murmuração e rebelião que haviam começado entre aqueles maiorais logo contaminaram o restante do povo, que deu vazão à incredulidade, latente em seus corações, para aflorar os mesmos pecados. Desta vez, não apenas dirigiram sua revolta contra Moisés e Arão, como se evitassem afrontar diretamente o Senhor; mas não se refrearam de imputar ao próprio Deus o seu “infortúnio”, preferindo voltar à servidão do Egito: “E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa?” (Nm 14.1-4; cf. Ne 9.17). Moisés e Arão lançam-se prostrados, certamente perturbados com as terríveis consequências que resultariam de tamanha afronta, que se mostrava ainda mais do que a murmuração anterior. Mas nem mesmo Calebe e Josué, rasgando suas vestes em sinal de indignação e contrição diante de tamanha insensatez por parte de seus irmãos, e procurando animá-los com a certeza da promessa, conseguiram qualquer coisa, senão incitar seu ódio, instigado pelos maiorais rebeldes, contra os homens de Deus – enchendo assim a medida dos seus pecados e resultando na intervenção e sentença divina que se seguiria (Nm 14.5-10). 

III – O CASTIGO DE DEUS CONTRA OS INCRÉDULOS Mais uma vez, o povo de Israel só não foi totalmente consumido pela ira de Deus em razão da intercessão do profeta, que apela para a glória do nome do Senhor, que seria maior se, ao invés de destruir o Seu povo por causa dos seus pecados, o Senhor o perdoasse e os fizesse entrar na terra prometida (Nm 14.11-20). Contudo, aqueles israelitas, ao demonstrarem tamanha incredulidade na promessa, haviam rejeitado sinais evidentes da graça e misericórdia divina – em outras palavras, haviam se endurecido à voz do Espírito Santo, depois de a terem ouvido diversas vezes. E daqui podemos extrair a importante lição de que só damos realmente ouvidos à voz do Espírito quando perseveramos na obediência, exortando-nos uns aos outros, e não cedendo ao pecado, pelo qual o coração se endurece e se afasta do Deus vivo, e da comunhão com os fiéis (Sl 95.7-9; Is 63.10-11; Hb 3.7-14; 12.15). Assim, embora tivesse perdoado Seu povo para não destruí-los, o Senhor mostraria a diferença entre perseverar em segui-lo e abandoná-lo por incredulidade, tornando uma viagem que poderia ter sido breve em extensa, não porque necessários quarenta anos para conhecerem melhor ao Senhor, mas para que fossem justamente punidos. Aquela geração que, consciente e voluntariamente, infamara a terra prometida e se prontificara a abandonar o Senhor, tombaria no deserto, sem jamais ver a terra prometida; enquanto seus filhos entrariam, não sem terem aprendido, pelos quarenta anos que peregrinariam no deserto, as conseqüências da rebelião, ao mesmo tempo em que conheceriam o Senhor, na providência que os preservaria durante a viagem pelo deserto (Nm 14.28-37; cf. Dt 8.1-4). Ao mesmo tempo, Calebe e Josué são postos como exemplo de perseverança, pela qual se tornaram os únicos daquela geração que entrariam na terra prometida, porquanto creram no Senhor (Nm 14.38; cf. Hb 4.1-9). 

CONCLUSÃO Nossa peregrinação neste mundo é necessária, mas pode ser menos dura, sofrida e extenuante, se não abandonarmos a confiança no Senhor que nos guia pelo deserto e a glória do que nos está reservado, e se estivermos sempre atentos à voz do Espírito de Deus, e não nos endurecermos para dar lugar à desobediência, que pode nos paralisar no deserto, se não nos prostrar definitivamente.

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07 agosto 2024

006-Murmuração e castigo no deserto - Lição 06[Pr Afonso Chaves]06ago2024

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LIÇÃO 6 

MURMURAÇÃO E CASTIGO NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “Porém o Senhor disse a Moisés: Seria, pois, encurtada a mão do Senhor? Agora verás se a minha palavra te acontecerá ou não” (Números 11.23) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 11.1-10, 31-35 

INTRODUÇÃO Seria muito agradável se Números prosseguisse na descrição dos preparativos para a viagem com uma história igualmente ordeira e pacífica de obediência e perseverança do povo de Israel em seguir ao Senhor até a entrada final na terra prometida. Ocorre que, como veremos a partir desta lição, este é um livro que narra os muitos reveses pelos quais os israelitas passaram no deserto em razão da sua incredulidade, e como Deus lidou com o pecado deste povo para que estes episódios nos sirvam hoje de instrução e alerta e assim não caiamos nos mesmos exemplos de desobediência. 

I – O POVO VOLTA A MURMURAR CONTRA DEUS Mal teve início a caminhada de Israel pelo deserto e já nos deparamos com um primeiro episódio de manifesta rebeldia do povo contra Deus. Até aqui, tudo parecia estar correndo bem; as tribos haviam sido numeradas e organizadas em torno do tabernáculo, os preceitos para santificação e comemoração do nome do Senhor haviam sido instituídos para observância do povo, e a nuvem de dia e a coluna de fogo à noite era o sinal de que os israelitas precisavam para seguir sua jornada pelo deserto, certos de que o Senhor era com eles em todo o tempo e os guardaria dos perigos do caminho. E, depois de todas as garantias que haviam recebido de Deus, ao invés de confiarem na Sua provisão, os israelitas preferem manifestar sua incredulidade, murmurando, ou mostrando-se descontentes com a sua condição no deserto. O castigo, porém, não tardou, e foi tão severo que o povo precisou clamar a Moisés para que este intercedesse ao Senhor, e só então o fogo que os consumia se apagou (Nm 11.1-3). O texto prossegue mencionando o que poderia ser um episódio diferente, ou maiores detalhes sobre o ocorrido narrado nos primeiros versos do capítulo. O fato é que esta não era a primeira, nem seria a última vez, que os israelitas murmurariam da sua sorte, manifestando sua preferência de ter suas veleidades atendidas no Egito do que ter a provisão de Deus no deserto. Lembremos que, pouco depois de deixarem a terra da servidão, o povo já havia murmurado por não terem carne – e, naquela ocasião, o Senhor não apenas lhes deu carne, mas também fez chover o maná, que os sustentaria até o fim da sua jornada, quando entrassem em Canaã (Ex 16.1-4, 11-15, 35). Mas a lição não havia sido aprendida; o povo fora dominado novamente por um grande desejo de coisas de que não precisava para sobreviver no deserto, e não entendia que estava ali para aprender a depender do Senhor (Dt 8.2-3). Ao invés disso, eles maldisseram o maná e tentaram a Deus, como se estivessem dispostos a trocá-lo pela mesa da servidão, ou como se Ele não pudesse lhes preparar um banquete no deserto (Nm 11.5-6; Sl 78.19-20). A murmuração foi ganhando proporção até tornar-se um clamor geral do povo, dirigido primeiramente a Moisés, como se este fosse culpado pela “aflição” das famílias israelitas e tivesse o dever de encontrar uma solução. E, mesmo tendo já enfrentado situações semelhantes, e sendo um homem manso e paciente como era, e ainda podendo alertar o povo do perigo de estarem murmurando contra Deus, nesta ocasião Moisés sentiu-se desanimado, como se não desejasse que aquilo estivesse acontecendo, ou pudesse estar acontecendo de novo, sob a sua liderança: “pareceu mal aos olhos de Moisés” (Nm 11.10). E, de fato, sua queixa perante o Senhor é de que não se sentia à altura da responsabilidade tão grande de liderar o povo de Israel. Não era falta de fé naquele que o havia chamado e prometido capacitá-lo para esta obra; era mais um sentimento da sua própria limitação enquanto homem, mas que ele, sabiamente, expressou, não diante dos seus conterrâneos, mas perante Deus – o único que poderia ajudá-lo (Nm 11.11-15; Ex 3.10).

II – DEUS DIVIDE A CARGA DE MOISÉS Primeiramente, Deus ouve o clamor de Moisés, e ordena que ele escolha pessoalmente setenta anciãos, dentre aqueles que ele reconhecesse como líderes do povo, anteriormente indicados para a resolução de disputas e causas menores entre os filhos de Israel (cf. Ex 18.19-23). Mas é o Senhor quem os capacitaria a lidar com situações de maior responsabilidade; e, para isto, Deus não dá aos setenta anciãos um espírito diferente do que estava sobre Seu servo, mas diz a Escritura: “tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles” (Nm 11.17). Ou seja, Moisés era plenamente capaz da obra para a qual havia sido chamado, e ninguém poderia auxiliá-lo sem receber uma porção dessa mesma capacidade. Os anciãos receberam o Espírito em um nível profético, talvez para exercer a mesma função que Arão havia exercido em relação a seu irmão até ser incumbido do sacerdócio. De qualquer forma, nenhum desses anciãos, ou mesmo depois deles qualquer outro, jamais se igualaria à capacidade profética de Moisés – exceto o próprio Cristo (Dt 34.10-12; cf. Ex 7.1). 

III – OS MURMURADORES SÃO CASTIGADOS Quanto ao povo que havia chorado por carne, o Senhor também lhes responde, mas de forma alguma condolente com o seu descontentamento. De fato, a ira de Deus havia se acendido contra os murmuradores, pois estes não apenas haviam desejado, como das outras vezes, ter seus apetites saciados, mas rejeitaram o maná, que simbolizava a providência infalível de Deus no deserto, que preferiram trocar pelo pão da servidão no Egito. O povo teria a carne que tanto desejara, não em porção medida, como o maná, de maneira que nada precisasse ser guardado, nem sobrasse, para o dia seguinte; mas sem medida e restrições de coleta, para que eles tropeçassem em sua própria cobiça e, depois de castigados, continuassem comendo por um mês inteiro, até se enfastiarem pelo nojo do objeto da sua cobiça, que havia sido causa de tantas mortes no meio do povo (Nm 11.18-20; cf. Sl 106.15; 1Co 10.6). Na sequência segue-se o relato de outro episódio de murmuração, desta vez dos próprios parentes de Moisés, a saber, seus irmãos Arão e Miriam. Considerando que Moisés encontrava-se em uma situação de grande angústia por causa da queixa do povo; e considerando também a ausência de Jetro, que havia partido de volta para o seu povo; os dois irmãos vêem com maus olhos o fato de a mulher de Moisés ser uma cuxita, ou etíope, e a partir daí julgam-se tão dignos e capazes de liderar o povo quanto Moisés (Nm 12.1-2). De fato, os três haviam sido honrados com a responsabilidade de compartilhar da liderança do povo de Israel, mas pareciam se esquecer de tudo o que o Senhor havia feito exclusivamente pela mão de Moisés, de maneira que o próprio Deus teve de descer até eles, na coluna de nuvem, para lembrá-los de como Ele mantinha uma comunhão única e inigualável com o Seu servo (Nm 12.6-8; cf. Mq 6.4). A rebelião sempre se vale de momentos de aparente fraqueza dos líderes, e muitas vezes manifesta o que há nos corações daqueles de quem menos se suspeita; mas, repreendidos Arão e Miriam, estes caíram em si quanto à sua loucura, e até mesmo depois de haverem se insurgido contra Moisés, este ainda mostrou sua vocação como líder, intercedendo por ambos, para que o Senhor não os consumisse na Sua fúria (Nm 12.10-15). 

CONCLUSÃO Como escreveu o apóstolo, estas coisas foram-nos feitas em figura, para que vigiemos contra a incredulidade, que se manifesta quando murmuramos, e não nos esqueçamos de que é Cristo Jesus quem nos chamou para servi-lo, e de que tudo podemos n’Ele pois Ele nos fortalece para vencermos este mundo e suas paixões, e perseverarmos n’Ele até o fim.

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02 agosto 2024

005-Caminhando com Deus no deserto - Lição 05[Pr Afonso Chaves]01ago2024

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LIÇÃO 5 

CAMINHANDO COM DEUS NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “Segundo o dito do Senhor, se alojavam e, segundo o dito do Senhor, partiam; da guarda do Senhor tinham cuidado, segundo o dito do Senhor pela mão de Moisés” (Números 9.23) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 9.15-23 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje consideraremos alguns momentos relacionados ao princípio da caminhada pelo povo de Deus através do deserto, partindo do Sinai: a importância e o significado da nuvem que indicava o momento de se acamparem e de partirem, prosseguindo a caminhada; a necessidade de sempre lembrar ao povo a solenidade dessa jornada, das alegrias e dificuldades que fossem encontradas no deserto; e a partida em si, ordenada e sob a liderança de Moisés, que em tudo também estava sendo preparado por Deus para conduzir o povo de Israel até a terra prometida. 

I – DEUS VAI À FRENTE DE ISRAEL Os últimos versos do capítulo 9 relatam como a viagem dos israelitas pelo deserto seria conduzida pelo próprio Deus, manifestado visivelmente na nuvem de dia e na coluna de fogo à noite. Era a mesma nuvem e coluna de fogo que seguia à frente do povo desde a sua libertação e saída da terra do Egito, guiando-os e protegendo-os em sua caminhada, seja do calor e claridade ofuscante do sol do deserto durante o dia, seja do frio e escuridão da noite; ao mesmo tempo em que confundia e desbaratava os inimigos de Israel. Era a mesma nuvem que, em meio a relâmpagos e trovões, tremor e sonido de trombeta, havia ressoado a voz do Todo-poderoso e aterrorizado o povo, ao mesmo tempo havia chamado Moisés para subir ao monte e encontrar-se com o Senhor. E, finalmente, era a mesma nuvem que havia consagrado o tabernáculo, enchendo-o de glória no dia em que foi levantado pela primeira vez, e a partir daí permaneceria vinculada ao santuário, de maneira que, achando-se este erguido no deserto, a nuvem se manteria sempre sobre ele, e era dali que ela se alçaria quando fosse necessário que o povo retomasse a caminhada pelo deserto (Ex 13.21-22; 14.19-20, 24-25; 19.16-20; 24.15-18; Nm 9.15-17). A nuvem que acompanhou os israelitas durante toda a sua peregrinação era um sinal visível da presença de Deus no meio deles, e esta forma era adequada para impedir que o povo caísse na idolatria. A nuvem também representava a obscuridade e o mistério inefável da presença de Deus, à qual poucos teriam acesso sob aquela dispensação (Dt 4.15-19; 2 Cr 6.1; Sl 97.1-4). Por outro lado, era uma forma de exercitar a obediência dos israelitas, na medida em que estes, embora não pudessem ver a Deus, deveriam ter plena consciência de que Ele estava verdadeiramente ali. E, de fato, após receberem um sinal ainda mais claro neste sentido – a voz de Deus ecoando aos ouvidos de todo o povo – os israelitas se dispuseram a receber a palavra de Deus e obedecê-la conforme transmitida por Moisés, Seu servo (Dt 5.22-27). Assim, a nuvem – bem como o dito do Senhor através de Moisés – passaria a indicar quando deveria o tabernáculo ser erguido no deserto e as tribos se acamparem ao seu redor, fazendo a sua guarda; e quando deveriam desmontá-lo e dar continuidade à sua viagem (Nm 9.18-23). 

II – CONTÍNUA MEMÓRIA DO POVO PERANTE O SENHOR A fim de assinalar diversas ocasiões que se tornariam recorrentes ao longo da viagem, o Senhor ordena que sejam feitas duas trombetas de prata, para que fossem tocadas de diferentes maneiras por ocasião desses eventos. O propósito de tocá-las era, primeiramente, o de convocar Israel perante o Senhor Deus, isto é, perante a tenda da congregação; depois, de indicar o tempo e a ordem de as tribos partirem do seu acampamento, quando fosse necessário seguir viagem (Nm 10.2-6). As trombetas assinalavam de forma inequívoca a ordem para todo o povo, além de santificar essas ocasiões como solenidades – seja o estar perante o Senhor em santa convocação, seja o estar em marcha pelo deserto. Não por acaso, eram os filhos de Arão, os sacerdotes, quem deveriam tocar as trombetas (Nm 10.7-8). Em segundo lugar, as trombetas seriam também tocadas em tempos de guerra, quando saíssem a batalhar contra os seus inimigos; mas, neste caso, além do efeito de ordem sobre o exército de Israel, o toque teria o propósito de invocar a Deus, apresentando diante d’Ele o momento grave em que Seu povo se encontrava, e como que suplicando Sua intervenção para lhes assegurar a vitória sobre o exército inimigo (Nm 10.9). E, por último, as trombetas deveriam ser tocadas como forma de comemorar as ocasiões de alegria, as solenidades instituídas do culto levítico, bem como os holocaustos e sacrifícios pacíficos oferecidos perante o Senhor, destacando a importância de celebrá-las com ordem e consciência do seu propósito – ao contrário dos demais povos, que comemoravam suas alegrias e festas desordenadamente (Nm 10.10; Sl 81.3-6). 

III – O POVO PARTE NA DEPENDÊNCIA EXCLUSIVA DE DEUS Finalmente, depois de aproximadamente um ano acampados junto ao monte Sinai, o povo de Israel parte pela primeira vez, sob o sinal da nuvem alçando-se de sobre o tabernáculo (Nm 10.11-13; Dt 1.6-7). Segue-se uma descrição da partida das tribos, cada uma segundo a sua ordem, as famílias dos levitas intercalando-se em dois grupos entre as demais tribos, carregando o tabernáculo e os seus utensílios, conforme a incumbência anteriormente atribuída por Deus a cada família. O episódio registrado nos versos seguintes deste capítulo não é fortuito, mas nos mostra como Moisés havia ficado aparentemente sozinho na liderança do povo que estava prestes a partir. Hobabe é o mesmo Reuel ou Jetro, sogro de Moisés, o qual havia saído ao encontro de seu genro quando Israel ainda estava a caminho do Sinai (cf. Ex 18.8-12, 27). Aqui, o escritor sagrado nos informa que ele havia permanecido acampado com os israelitas até o tempo da sua partida do Sinai – provavelmente sendo muito útil ao seu genro com seus conselhos e sabedoria – quando então, mesmo convidado por Moisés a acompanhá-los e testemunhar o cumprimento da promessa de Deus ao Seu povo, ele manifesta sua vontade de voltar a Midiã, a princípio não sentindo-se mais impelido a acompanhá-los do que em ficar na sua terra e com a sua parentela. Embora os midianitas também fossem descendentes de Abraão, o fato é que não haviam recebido a promessa de herdar a terra das suas peregrinações, como os israelitas; mas isto não impediu que Moisés instasse com seu sogro, no esforço de convencê-lo a ficar, pois não apenas seria útil para informá-los das condições dos diferentes lugares do deserto que atravessariam; mas também seria devidamente recompensado, quando Israel alcançasse a promessa de Deus: “E será que, vindo tu conosco, e sucedendo o bem que o Senhor nos fizer, também nós te faremos bem” (Nm 10.32). Sabemos, não por este texto, que Hobabe voltou para sua terra; mas posteriormente encontraremos queneus que eram seus descendentes e que, aparentemente, resolveram acompanhar os israelitas, de modo que, quando chegaram em Canaã, receberam lugar de habitação junto da tribo de Judá (cf. Jz 1.16; 4.11). 

CONCLUSÃO Deus estava preparando o povo para uma viagem onde o elemento mais importante e indispensável para o seu sucesso não eram os recursos materiais, a capacidade de sobrevivência ou a experiência particular do povo, mas sim a obediência irrestrita à palavra do Senhor e a confiança absoluta na Sua providência, cuidado e misericórdia para guiá-los e protegê-los, bem como para fazê-los chegar e herdar a terra prometida.

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26 julho 2024

004-Celebrando ao Senhor no deserto - Lição 04[Pr Afonso Chaves]24jul2024

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LIÇÃO 4 

CELEBRANDO AO SENHOR NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “2 Que os filhos de Israel celebrem a Páscoa a seu tempo determinado. 3 No dia catorze deste mês, pela tarde, a seu tempo determinado a celebrareis; segundo todos os seus estatutos e segundo todos os seus ritos, a celebrareis.” (Números 9.2-3) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 9.1-14 

INTRODUÇÃO Enquanto se preparavam aprendendo acerca da sua vocação e da santidade do Deus que os havia tirado do Egito e os colocado a caminho da terra que manava leite e mel, o povo eleito não podia perder o senso da glória e grandeza do Senhor dos exércitos, e de que haviam sido trazidos ao deserto para servi-lo. Assim, nesta lição consideraremos o quanto os primeiros capítulos de Números nos apresentam acerca do culto divino e da celebração da glória de Deus pelo Seu povo. 

I – AS OFERTAS AO SENHOR O capítulo 7 faz menção a um evento anterior aos procedimentos e orientações divinas que já estudamos nos primeiros capítulos de Números. Trata-se de quando o tabernáculo foi erguido e montado por Moisés pela primeira vez no deserto e consagrado juntamente com Arão e seus filhos para o ofício sacerdotal; aqui, as Escrituras nos informam que, após a consagração do tabernáculo (e tendo já se iniciado a consagração do sacerdócio, que duraria cerca de sete dias), os líderes das casas de Israel (os mesmos que conduziram a numeração das suas respectivas tribos) haviam apresentado duas ofertas especiais ao Senhor (Nm 7.1-3, 10; cf. Ex 40.1-11; Lv 8.33). Conforme lemos, a primeira oferta seria destinada por Deus ao ministério dos levitas; a segunda, para dedicação ou consagração do altar. Em ambas podemos destacar o interesse e anseio do povo para que o culto divino acontecesse e que nada faltasse para que Deus fosse devidamente adorado e propiciado. Assim, representado por seus líderes, as tribos de Israel apresentaram sua oferta com grande riqueza e abundância (cf. Nm 7.84-88). Do mesmo modo, o capítulo anterior se encerra com a prescrição de como os sacerdotes deveriam abençoar os filhos de Israel e, embora anteceda a descrição das ofertas, corresponde na verdade ao contexto da consagração do tabernáculo e do sacerdócio, quando, apresentadas as ofertas ao Senhor, fogo desceu do céu e Arão e seus filhos saíram do interior da tenda da congregação para comunicar ao povo que Deus lhes era propício para ter misericórdia e dar paz a Israel, e assim conduzilos seguramente, protegidos pelo Seu nome, até a terra prometida (Nm 6.22-27; cf. Lv 9.22-24). Percebemos então como a caminhada pelo deserto requer, antes de tudo, a manutenção da nossa devoção e comunhão com Deus, cuja benção é indispensável para alcançarmos a paz e o repouso reservado para o fim da jornada. O fato de a benção divina ser comunicada pelos sacerdotes muito diz sobre como o devemos buscá-la: cultuando ao Senhor. E isto começa com o reconhecimento de que cada um de nós faz parte desse culto, na medida em que todos nós somos sacerdotes, e que nosso corpo, nossa própria vida, é a oferta que temos de apresentar a Deus, na certeza de que é aceita em Cristo Jesus (1 Pe 2.9; Rm 12.1; Hb 10.19-23). E, na medida em que somos um povo, podemos falar também a importância da comunhão, onde, através da mútua ministração de uns para com os outros, no perdão, na edificação, na consolação, na exortação, é assegurada a benção de Deus de que precisamos para perseverar até o fim (Hb 3.13-14; 10.24-25; Tg 5.16). 

II – O MINISTÉRIO LEVÍTICO A menção inicial deste capítulo às orientações sobre como Arão deveria acender o castiçal (ou candelabro) também remontam à ocasião em que o tabernáculo havia sido consagrado (Nm 8.1-4). Sabemos que o propósito desta peça do mobiliário sagrado era não apenas alumiar o interior da tenda da congregação para que os sacerdotes pudessem ministrar, mas também significar que onde Deus habita, onde há comunhão e favor de Deus, há luz. É também uma figura do próprio povo eleito, no meio do qual Deus habita e sobre o qual Ele faz o Seu rosto resplandecer; como os braços acesos de um candeeiro, assim também a igreja irradia a luz divina e, sob essa luz, presta o seu culto racional a Deus (Sl 18.28; 2 Co 6.14-18; 1 Jo 1.5-7). Depois de serem enumerados para o serviço do tabernáculo, agora vemos os levitas serem oficialmente consagrados para o seu ministério, assim como o foram os sacerdotes. Mais uma vez, destacamos que os levitas, apresentados para servirem ao Senhor em substituição a todo o Israel, eram um testemunho vivo da centralidade do culto divino para a nação (Nm 8.10-18). Notamos aqui também que a determinação da idade mínima de vinte e cinco anos e máxima de cinquenta para o exercício do seu ministério não representa conflito com a informação anterior dos primeiros capítulos, de que deveriam ser contados a partir dos trinta anos. Apenas quer dizer que, antes de assumirem a idade apropriada para militar no serviço mais pesado do tabernáculo – montar, desmontar e transportá-lo pelo deserto – os levitas já deveriam iniciados no ministério de acordo com a sua capacidade e maturidade, assim como aqueles que após os cinquenta anos eram dispensados dessa milícia em razão da sua limitação física permaneciam, não obstante, na guarda do tabernáculo, junto com os demais (Nm 4.3; 8.24-26). 

III – A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA Antes que se completasse um ano após a saída de Israel do Egito, o Senhor orienta Moisés a lembrar o povo de celebrar a Páscoa no seu tempo determinado e, consequentemente, durante todo o tempo da peregrinação pelo deserto, e não apenas quando chegassem em Canaã (cf. Ex 12.25; Js 5.10). Como sabemos, a Páscoa comemorava a libertação dos israelitas do Egito, com o livramento dos primogênitos, e precisava tanto ser recontada como uma história, como celebrada pelo povo segundo o rito divinamente ordenado (Nm 9.1-3). De modo semelhante, a igreja faz da sua redenção o tema da sua celebração e dos seus cultos ao Senhor como também possui uma ordenança própria para comemorar Cristo, a nossa Páscoa, da qual de modo algum podemos nos dispensar, se de fato vivemos por Ele (1 Co 11.23-26). Notemos agora o interesse e zelo daqueles israelitas que, estando contaminados, primeiro consideraram a santidade da Páscoa para reconhecerem que não podiam participar dela na ocasião; mas, ao invés de se dispensarem da sua celebração, levaram seu caso a Moisés, manifestando seu desejo de participar e de permanecerem com o povo de Deus: “por que seríamos privados de oferecer a oferta do Senhor a seu tempo determinado no meio dos filhos de Israel?” (Nm 9.6-8). O Senhor provê então a possibilidade de uma “segunda chamada”, por assim dizer, a ser realizada exatamente nos mesmos moldes da primeira, e em data correspondente do mês seguinte; e a partir daqui vemos o desejo de Deus de que todos nós participemos e celebremos sua salvação: “contudo, ainda celebrará a Páscoa ao Senhor” (Nm 9.10). Por outro lado, a rejeição à celebração do culto divino por aqueles que poderiam fazê-lo, não estando cerimonialmente impedidos, é considerado um ato de apostasia, e seria punido à altura: “tal alma do seu povo será extirpada; porquanto não ofereceu a oferta do Senhor a seu tempo determinado; tal homem levará o seu pecado” (Nm 9.13). 

CONCLUSÃO Celebrar ao Senhor pela nossa salvação faz parte da nossa chamada, tanto individualmente como povo eleito. Seja Israel no passado, seja a Igreja no presente, é celebrando ao Senhor que nos manteremos caminhando pelo deserto e chegaremos à terra prometida, pois a alegria do Senhor é a nossa força.

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19 julho 2024

003-Santificando a caminhada no deserto - Lição 03[Pr Afonso Chaves]17jul2024

 

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LIÇÃO 3 

SANTIFICANDO A CAMINHADA PELO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “Porque eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus, e para que sejais santos; porque eu sou santo.” (Levítico 11.45) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 5.1-10 

INTRODUÇÃO Nesta lição estudaremos orientações adicionais transmitidas ao povo de Israel no sentido de prepará-los para a travessia do deserto em direção à Terra Prometida. Depois de organizar o povo de Israel de acordo com as forças de cada tribo para a guerra, o seu lugar em relação ao santuário e o seu chamado para ser um povo santo, o Senhor Deus determina algumas formas práticas de lembrá-los sempre da sua vocação particular dentre todos os povos, e não permitir que a rotina da caminhada os impedisse de aperfeiçoarem sua consagração a Deus. 

I–NA SANTIDADE HÁ DIFERENTES RESPONSABILIDADES Já vimos como os levitas foram separados por Deus para auxiliarem diretamente à família de Arão, isto é, aos sacerdotes, nos serviços do santuário; e como esta separação era uma forma de compensar o serviço divino devido por toda a nação de Israel, cujos primogênitos haviam sido salvos do destruidor por ocasião da Páscoa no Egito. Depois de organizar o assentamento das três famílias levíticas – Coate, Gerson e Merari – em torno da tenda da congregação, agora, no capítulo 4, vemos ser novamente tomada a conta dos filhos de Levi, mas desta vez levando em consideração aqueles aptos a servir no seu ministério: “da idade de trinta anos para cima até aos cinquenta anos será todo aquele que entrar neste exército, para fazer obra na tenda da congregação” (Nm 4.3). O Senhor então designa a cada uma das famílias levíticas para transportar uma parte da tenda da congregação, quando desmontada para acompanhar as caminhadas do povo de Deus. Ao encargo dos filhos de Coate, em particular, foi incumbido o transporte do mobiliário mais representativo do culto divino: a arca do testemunho, a mesa da proposição, o castiçal, o altar do incenso e o altar do holocausto; enquanto a casa de Gerson deveria levar os diferentes tipos de véus e coberturas do santuário e do pátio; e os filhos de Merari, as colunas, bases, varais, tábuas e cordas – todos itens instrumentais para a montagem da tenda e do pátio (Nm 4.4-14, 24-26, 29-32). Notamos aí não apenas uma distinção de serviços, mas também de responsabilidades. Enquanto nos véus, coberturas e nas peças constituintes do santuário não encontramos uma restrição do seu manuseio por parte das famílias incumbidas do transporte, em relação ao mobiliário, nem mesmo os coatitas, seus carregadores oficiais, poderiam tocá-lo ou sequer visualizá-lo diretamente, sob pena de profanarem a santidade de Deus representada por esses itens: “os filhos de Coate virão para levá-lo; mas no santuário não tocarão para que não morram” (Nm 4.15). Para evitar que isto acontecesse, os sacerdotes deveriam providenciar a limpeza, cobertura e encaixe dos varais em cada peça do mobiliário, bem como o posicionamento de cada carregador junto aos móveis dentro do santuário, antes de qualquer outra etapa do desmonte da tenda da congregação. Aqui há uma importante lição sobre como Deus requer de todos a santidade no Seu serviço, mas para cada um, segundo o seu chamado particular, a santidade pode implicar em mais ou maiores responsabilidades, com maiores consequências para aqueles que as negligenciarem. O Senhor não requer de nós nada além daquilo que nos confiou, e não nos impõe responsabilidade maior do que aquela que não possamos cumprir; mas, se não vigiarmos e não formos zelosos na execução da Sua obra, podemos ser achados em falta, e certamente teremos de responder pela nossa negligência (Mt 25.14-19; Lc 12.42-26). Além disso, não estamos sozinhos em nossa batalha diária pela santificação; o Senhor nos ensina o que convém fazer, falar, pensar, do mesmo modo que os sacerdotes guiavam a cada família na execução do seu serviço sagrado (Nm 4.19; Rm 8.9, 14). 

II – NA SANTIDADE NÃO PODE HAVER IMPUREZA  A santidade requerida do povo, já amplamente regulamentada em Levítico, em grande parte dizia respeito aos relacionamentos pessoais, nos quais era necessário que soubessem distinguir o santo do profano e honrar a Deus com o modo santificado de agir cada um em relação ao seu próximo. No capítulo 5, dois aspectos importantes sobre a natureza dessa santidade são ilustrados. No primeiro caso, o Senhor apresenta duas situações que ensinam como o pecado é incompatível com a santidade divina: sejam as formas de contaminação física da lepra, dos fluxos e do contato com os mortos, que de uma ou outra forma apontavam para a morte; seja pela situação daquele que, tendo pecado contra o próximo, se fizesse culpado enquanto não expiasse pela sua culpa. Tanto a expulsão da congregação como a necessidade de resgate representavam um impedimento à comunhão com os santos que precisavam ser devidamente reparadas, se o israelita desejasse voltar a participar da santidade de Deus (Nm 5.1-7; Hb 12.12-15). No segundo caso, quando da suspeita de adultério, fazia-se necessário comprovar se a santidade de Deus havia sido profanada, para que a mulher culpada sofresse a maldição que a separaria do restante do povo; ou se era inocente e fosse então reparada, pelo próprio Deus, pela suspeita sofrida, sendo então abençoada com semente como recompensa pela sua fidelidade. Esta lei mostra como a santidade é incompatível com a hipocrisia e dissimulação – isto é, com um comportamento ou uma aparência de conduta que não sejam condizentes com o espírito de santificação (Nm 5.12-15, 28, 29-31; Ef 5.3-6; 1 Ts 5.22-23). 

III – A SANTIDADE PODE SER APERFEIÇOADA No capítulo 6, temos a lei do nazireado – isto é, a lei que regulamentava como o israelita poderia se separar para uma maior dedicação a Deus durante um determinado período. Notamos, em primeiro lugar, que, mesmo todo o povo de Israel sendo santo ao Senhor, e todos chamados a viver de acordo com as leis que definiam essa santidade, ainda havia oportunidade para a busca de um maior grau de santificação por parte de um israelita, desde que houvesse nele vontade ou desejo de se consagrar a Deus – em uma previsão de que muitos, no espírito da mesma graça que somente se derramaria abundantemente sob o Novo Concerto, anelariam por se dedicar a Deus mais do que lhes era requerido por obrigação legal e teriam no voto de nazireu essa oportunidade, ainda que para essa consagração fosse necessário viver de acordo com um rigor semelhante ao daquele imposto aos sacerdotes. (Nm 6.2- 8; Hb 8.8-11; Rm 12.1-2; 2 Tm 2.19-21). 

CONCLUSÃO Santidade é o que define a caminhada da Igreja neste mundo, não importa por quanto tempo cada geração e cada um de nós tenha para percorrer nesta jornada. Desde que busquemos sempre crescer na graça de Deus, a fim de cumprir melhor o nosso chamado e cultivar mais ricamente os talentos que Ele nos confiou, essa santidade se aperfeiçoará cada vez mais, até que finalmente veremos o Senhor.

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11 julho 2024

002-A Preparação e organização do povo - Lição 02[Pr Afonso Chaves]11jul2024

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LIÇÃO 2 

A PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO POVO 

TEXTO ÁUREO: “E os filhos de Israel fizeram conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés; assim, assentaram o arraial segundo as suas bandeiras; e assim marcharam, cada qual segundo as suas gerações, segundo a casa de seus pais.” (Números 2.34) 

LEITURA BÍBLICA: NÚMEROS 1.1-3, 47-50; 3.6-9 

INTRODUÇÃO O povo estava prestes a iniciar sua jornada até a terra prometida, mas antes era necessário que Israel entendesse sua vocação como povo eleito e a ordem que lhe convinha como nação santa e reino sacerdotal. Somente quando todos estivessem organizados, cada tribo ciente da sua posição e do seu papel na congregação, é que o povo de Deus estaria preparado para partir e enfrentar os obstáculos que encontraria no deserto. E isto certamente se reflete na configuração da Igreja de Cristo, com importantes lições para aplicação neste tempo presente. 

I – DEFININDO O POVO DE DEUS Em vista da viagem que o povo tinha à sua frente, o livro de Números se inicia relatando que o Senhor Deus ordenou a Moisés que realizasse um censo – uma contagem exata dos israelitas que haviam saído do Egito e chegado ali, aos pés do monte Sinai. Tratava-se, de fato, da contagem apenas dos homens de vinte anos para cima, considerados aptos para a guerra – cuja soma total foi de “seiscentos e três mil e quinhentos e cinqüenta” (Nm 1.2-3, 45-46; cf. Ex 12.37). A primeira coisa que notamos na maneira deste alistamento determinado por Deus é que, para chegar a esse número foi necessário, primeiro contar os israelitas “segundo as suas gerações, segundo a casa de seus pais, conforme o número dos nomes de todo varão”, para o que toda a congregação foi reunida a fim de que cada tribo declarasse sua linhagem particular (Nm 1.18). O fato de agora a nação estar unida sob o senso de ser o povo eleito não “diluiu” as distinções tribais, mas antes uniu todas de tal modo que cada uma, cumprindo sua função particular, contribuiria para a realização do propósito divino (Gn 17.6; 49.28; cf. Ap 7.4-8, 9-10). Outro aspecto a se destacar é a caracterização do povo de Deus como um povo guerreiro, sua força medida pelo número daqueles que estavam “aptos para a guerra”. Não que os israelitas devessem confiar na força do braço, mas sim no Senhor, que é varão de guerra e combate, e vence as batalhas do Seu povo (Ex 14.13-14; 15.3). Isto, porém, não diminui o fato de que o povo de Deus vive neste mundo em confronto com inimigos, e Israel só poderia vencê-los com armas em mãos, a vitória sendo sempre garantida pelo Senhor (Ex 17.8-13; Gn 22.17; cf. Ef 6.11-13). Por fim, neste capítulo devemos considerar também o fato de Levi não ter sido contado nesta ocasião como as demais tribos, pois sua finalidade não era servir à guerra. Não que fossem incapazes de lutar ou pegar em armas para atender às demandas da justiça divina, mas aprouve ao Senhor designar a tribo para servir no Tabernáculo: “eles levarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; e eles o administrarão e assentarão o seu arraial ao redor do tabernáculo. E, quando o tabernáculo partir, os levitas o desarmarão; e, quando o tabernáculo assentar no arraial, os levitas o armarão” (Nm 1.50-51; cf. Ex 32.25-29). 

II – ORGANIZANDO O POVO DE DEUS Mais do que informar o número exato de israelitas disponíveis para a guerra, o recenseamento do povo segundo suas casas serviria também para organizar as tribos enquanto acampadas em torno da tenda da congregação, bem como para ordenar sua marcha durante a jornada pelo deserto. Designados para guardar o santuário, os levitas se acampariam entre as demais tribos e a tenda da congregação, a fim de guardá-la contra a profanação de intrusos ou curiosos (Nm 1.53). Cada tribo, por sua vez, ficaria acampada no entorno imediato do acampamento dos levitas, de acordo com a posição determinada por Deus e sob a clara identificação das bandeiras de suas casas (Nm 2.2). Estando três tribos assentadas ao oriente da tenda, três ao sul, três ao ocidente e três ao norte, quando necessário retomar a jornada, nesta mesma seqüência deveriam desmontar suas tendas e partir, enquanto os levitas tomariam seu lugar de marcha entre as tribos do sul e do norte – ou seja, ficando no meio das fileiras de Israel (Nm 2.16-17). Com isto, o povo de Israel não seria mais uma “multidão”, mas um exército organizado. Não seria mais um povo que não sabia para onde estava indo, perdido no deserto; mas uma nação ciente da sua identidade e cuja organização refletia sua preparação para as dificuldades a serem encontradas e a certeza quanto ao seu destino. Essa organização refletia, de fato, a sabedoria e providência de Deus, que faz todas as coisas com um propósito, e cujo povo deve, à sua semelhança, entender qual é a sábia vontade de Deus e ser previdente em sua caminhada neste mundo (Nm 2.34; cf. Lc 14.28-30, 31-32; Ef 5.15-17). 

III – SANTIFICANDO O POVO DE DEUS Tendo definido e organizado o povo de Israel conforme suas tribos, e separado Levi para o serviço do Tabernáculo, o Senhor Deus determina de forma mais clara e pontual as funções desta tribo. Lembremos que Arão e seus filhos já haviam sido chamados para a função sacerdotal; em vista disso, os levitas agora passariam a assisti-los no exercício das suas funções exclusivas. Ao mesmo tempo, podemos ver na separação dos levitas não apenas uma provisão material de auxiliares para os sacerdotes; mas uma forma de enfatizar que todo o Israel, e não apenas Arão e seus filhos (e agora os levitas) deveria ser santo ao Senhor. Toda a nação deveria ser de reis e sacerdotes, e isto é simbolizado pelo fato de os levitas serem dados agora como uma oferta por todos os filhos de Israel, especialmente em compensação pelos primogênitos salvos da morte no Egito (Nm 3.6-9, 12-13). Inclusive a contagem dos levitas que se dá nesta ocasião tem em vista essa necessidade, para o que o Senhor ordena que Moisés também conte os primogênitos de Israel e, em vista de estes somarem um número um pouco maior que o de levitas, determina que sejam resgatados por uma oferta em valor monetário (Nm 3.39, 40-43, 46-47). Isto nos lembra também o fato de que a tenda da congregação representava a habitação de Deus com o Seu povo – o lugar em que o Todo-poderoso se aproximava do povo, ainda que este era imediatamente representado pelos sacerdotes (Ex 25.8). Vimos que a tenda era erguida no meio das tribos acampadas, assim como era levada, quando desmontada pelos levitas para a viagem, no meio das tribos em marcha. Em razão dessa proximidade de Deus do Seu povo, não apenas os sacerdotes deveriam ser estritamente santos; não apenas os levitas; mas todos deveriam santificar o Senhor, segundo o seu pertencimento a uma das tribos de Israel (Lv 20.7; cf. 1 Pe 1.15-16). 

CONCLUSÃO Assim como Israel no passado, o povo de Deus hoje está em caminhada pelo deserto deste mundo, e para chegar ao seu destino final – a terra prometida onde terá descanso – deve sempre se lembrar de que essa jornada exige preparação e organização, sabendo o que se requer de nós e tendo certeza do que nos espera na eternidade.

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04 julho 2024

001-Peregrinação do Povo de Deus no deserto - Lição 01[Pr Afonso Chaves]02jul2024

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LIÇÃO 1 

PEREGRINAÇÃO DO POVO DE DEUS NO DESERTO 

TEXTO ÁUREO: “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.” (1 Coríntios 10.11) 

LEITURA BÍBLICA: 1 CORÍNTIOS 10.1-13 

INTRODUÇÃO Dando início a um novo trimestre, propomos estudar a jornada do povo de Israel através do deserto rumo à terra de Canaã. Vamos nos dedicar especialmente à análise dos acontecimentos narrados no livro de Números, mas não dispensaremos destaques importantes em Êxodo, Levítico e Deuteronômio; ao mesmo tempo em que procuraremos não perder de vista o significado e atualidade desses acontecimentos para o povo de Deus na atualidade. E, nesta primeira lição, falaremos sobre aspectos gerais dessa história e da sua mensagem. 

I – NÚMEROS E O DESERTO Apesar do título pelo qual é denominado em nossas bíblias, o livro de Números trata de muito mais coisas do que apenas recenseamentos do povo de Israel. Não que essas listagens não tenham a sua importância para estabelecer o contexto e o significado de outros acontecimentos narrados neste livro; mas é necessário chamar a atenção para o fato de que se trata de um livro também conhecido simplesmente pelo título “no deserto” (Nm 1.1), pois nele encontramos, ainda que não exclusivamente, a narrativa dos acontecimentos que sobrevieram a Israel durante sua longa peregrinação pelo deserto em direção à terra de Canaã. O apóstolo Paulo, ao rememorar importantes episódios dessa jornada (1 Co 10.1-13), faz referência primeiramente a Êxodo, pois a partida do povo é narrada neste livro; mas segue exemplificando as transgressões e as repreensões no deserto citando inequivocamente Números. A palavra “deserto”, que aparece mais vezes também neste livro do que em qualquer outro da Bíblia, evoca, em primeiro lugar, o fato de que Israel ali se encontrava por ter sido libertado do cativeiro na terra do Egito – fato este lembrado logo no primeiro verso já referido: “no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da sua saída da terra do Egito”. O deserto representa então um marco na realização das promessas de Deus, no sentido de que não apenas o povo havia sido finalmente libertado da escravidão no Egito, mas havia se encontrado com o seu Deus a fim de conhecer e servir àqu’Ele que lhes daria em herança a terra da promissão (Ex 3.7-8, 12, 16-18). O povo chegara aos pés do Sinai no terceiro mês após a sua saída da terra do Egito, e ali permaneceu por quase um ano (Ex 19.1; Nm 10.11). Durante este período, o Concerto foi firmado e a Lei proclamada, o Tabernáculo foi edificado e a família de Arão consagrada para o sacerdócio. Como preparação para o prosseguimento da jornada pelo deserto, o texto de Números começa descrevendo a organização estabelecida por Deus para a viagem, seja enquanto acompanhassem a coluna de nuvem e de fogo, seja enquanto estivessem acampados em torno da tenda da congregação (Nm 2.34; 9.15-23; 10.33-36). Assim, o livro de Números relata a maior parte da caminhada de Israel pelo deserto, destacando os principais eventos desde que partiram do Sinai (ou Horebe) até chegarem às planícies de Moabe, no decurso de quarenta anos – dos quais trinta e oito passaram em castigo, rodeando o monte Seir, de maneira que, da geração que saiu do Egito, chegaram ao fim da jornada apenas Josué e Calebe, e Moisés, o qual, não obstante, após anunciar suas últimas palavras ao povo, foi recolhido por Deus sem poder entrar na terra prometida (Nm 26.63-65; 27.12-14; cf. Dt 1.1-2, 46; 2.1-3, 14). 

II – LIVRAMENTO E PROVISÃO NO DESERTO É verdade que a travessia pelo deserto para chegar à terra prometida poderia ter sido evitada em troca de um caminho mais curto, mas aprouve a Deus fazer dessa jornada uma etapa necessária para cumprir a sua promessa de dar repouso ao povo. O confronto com os belicosos filisteus logo no início da sua jornada poderia facilmente ter desanimado os israelitas, ao passo que as dificuldades encontradas no deserto e as provisões da graça de Deus para vencê-las os preparariam e os ensinariam a confiar no Senhor, e não em si mesmos (Ex 13.17-18; Dt 8.2-5). Várias eram as dificuldades apresentadas pelos diferentes desertos atravessados por Israel – o terreno acidentado, o clima árido, os animais peçonhentos e a falta de recursos mínimos para alimentar a multidão, entre a qual havia muitas crianças e idosos, além dos rebanhos. Mas já nos primeiros dias após a saída do Egito, o Senhor proveu as necessidades essenciais do povo – pão na forma do maná que choveria durante quarenta anos no deserto, até que entrassem finalmente em Canaã e pudessem colher os primeiros frutos da terra; e água brotando da rocha (Ex 16.1-4, 13-16, 35; 17.1, 5-6). Ora, o apóstolo Paulo considera essas demonstrações da provisão de Deus em favor de Israel uma figura da graça manifestada em Cristo Jesus, primeiramente, comparando o livramento do povo e sua passagem pela nuvem e pelo mar, sob a condução de Moisés, ao batismo, pelo qual todos os que cremos, hoje, somos identificados com o corpo de Cristo, isto é, a igreja. Depois, ao chamar o manjar e a água que manava da pedra de comida e bebida espiritual, Paulo quer dizer que do mesmo modo hoje somos supridos em Cristo Jesus abundante e suficientemente em nossas necessidades espirituais para que possamos vencer as tentações, assim como Israel venceu as dificuldades do deserto. Deste modo, o deserto de Israel equivale ao mundo onde a igreja peregrina, as tentações constituindo em provas da nossa confiança e amor a Deus que só venceremos se vigiarmos e lembrarmos que, com a tentação, o Senhor provê o escape e graça suficiente (Tg 1.2-5; Hb 4.14-16; 1 Pe 5.6-9; cf. Jo 17.15-17). 

III – PROVAÇÃO, REPREENSÃO E JUÍZO NO DESERTO Outro aspecto a se considerar quanto ao propósito da caminhada de Israel pelo deserto é indicado no texto já citado: “para te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não”. A jornada pelo deserto revelou a dureza do coração dos israelitas que haviam sido libertados do Egito; revelou que não foram as dificuldades exteriores que o fizeram cair – porquanto Deus suprira todas elas – mas sim a maldade do seu coração, isto é, a indisposição em obedecer ao Senhor. Um propósito havia sido dado, uma promessa havia sido feita, a qual seria suficiente para não se desesperarem do deserto e para prosseguirem a jornada; mas facilmente eles buscaram em aparentes dificuldades pretextos para expressarem seus desejos mais vis; pelo que foram reprovados, castigados e julgados no deserto, onde a maioria pereceu (Os 11.1-4; Sl 78.40; Hb 3.17-19). O fato de terem entrado em Canaã somente dois, Josué e Calebe, de uma geração inteira que havia participado da mesma graça para vencer os desafios do deserto, serve então de alerta para nós que hoje também temos ouvido a voz do Espírito Santo e nos tornado participantes da graça de Deus pelo evangelho. A promessa de Deus é generosa: “resta ainda um repouso para o povo de Deus”, e o convite de Deus é positivo: “procuremos, pois, entrar naquele repouso”; mas o aviso para que vigiemos, tendo cuidado para não ofender essa graça pela nossa negligência ou desobediência, é igualmente expresso: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia” (cf. Hb 3.7-14; 4.1-11). 

CONCLUSÃO Que possamos, ao longo deste trimestre, reconhecer nossas falhas na nossa obediência e sinceridade para com Deus, a fim de atentarmos mais prontamente à voz do Espírito Santo e assim fazer cada vez mais firme e segura nossa perseverança na fé, até que entremos naquele repouso.

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28 junho 2024

013-Lições na família de Jacó - Família Lição 13[Pr Afonso Chaves]25jun2024

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LIÇÃO 13 

LIÇÕES NA FAMÍLIA DE JACÓ 

TEXTO ÁUREO: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.” (Romanos 9.8) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 25.31-34 

INTRODUÇÃO Na presente lição, queremos falar a respeito de alguns acontecimentos relacionados à história de Jacó. Como as dos demais patriarcas, a maioria das experiências daquele que seria chamado Israel (o que luta com Deus) se dão num contexto fortemente familiar, envolvendo seu irmão Esaú, seus pais Isaque e Rebeca e os membros da família que ele próprio veio a estabelecer pela graça e misericórdia de Deus. E, naturalmente, podemos extrair importantes lições desses relacionamentos. 

I – UMA DISPUTA ESPIRITUAL ENTRE IRMÃOS Fala-se muito sobre o relacionamento conturbado entre Jacó e seu irmão gêmeo Esaú; no entanto, precisamos ter cuidado em nossos juízos sobre os episódios desse relacionamento, para não cometermos injustiça contra aquele de quem as Escrituras dá testemunho de ter agradado a Deus (Hb 11.9). Não significa que Jacó tenha sido perfeito em todos os seus caminhos, mas é preciso lembrar que o objetivo primário da história sagrada é mostrar como Deus escolheu Jacó, e não Esaú, para ser o depositário da promessa feita anteriormente a Abraão e Isaque. Essa eleição divina é de fundamental importância para compreendermos a atitude de Jacó em relação a seu irmão, e como as consequências da disputa e do relacionamento conturbado entre ambos resultaram providencialmente na realização do propósito divino (Gn 25.21-23; Ml 1.2-3; Rm 9.10-16). Sendo, pois, essa disputa entre irmãos sinalizada já no ventre de Rebeca, e depois quando do nascimento dos gêmeos – pelo fato de Jacó nascer agarrado ao calcanhar de seu irmão (daí seu nome Jacó, que significa “suplantador”, “o que toma o lugar do outro”); é no primeiro incidente envolvendo ambos, já crescidos, que se revelará a disposição de um pelas coisas terrenas e do outro pelas coisas espirituais. Jacó, tendo se tornado um homem simples, habitando em tendas, não tinha o mesmo interesse que seu irmão Esaú por grandes feitos e demonstrações de força e perícia física – o que era um indicativo do caráter de cada um. No caso de Jacó, era o mesmo tipo de simplicidade que havia feito de Abraão e Isaque peregrinos na terra, predispondo-os a evitar contendas por coisas materiais e a esperar nas promessas de Deus (Hb 11.13-16; Gn 13.7-9; 26.12-17). Esaú, por sua vez, na sua abordagem “prática” da vida, mostrou-se tão desinteressado e incapaz de mensurar a grandeza das promessas divinas – das quais deveria ser o herdeiro, por sua condição natural de primogênito – que preferiu trocálas para satisfazer um apetite carnal. Este episódio revela então que a disputa entre ambos não era natural, mas de ordem espiritual – enquanto um amava as coisas de Deus, a ponto de valorizá-las sobre qualquer bem ou esforço material; o outro as considerava inferiores às necessidades mais básicas do corpo – o que era o mesmo que desprezá-las (Gn 25.29-34). O episódio seguinte dessa disputa nos mostra a importância da participação dos pais no desenvolvimento espiritual dos filhos, bem como na percepção de conflitos desta natureza, orientandoos quanto à prioridade do reino dos céus sobre os cuidados desta vida. Não cabe a nós julgar o apreço que Isaque mantinha pelos talentos “mundanos” de Esaú, a ponto de o patriarca apenas tardiamente compreender que Deus havia escolhido Jacó para ser o primogênito; mas sem dúvida a importância que Rebeca dava à simplicidade e interesse de Jacó pelas promessas foram indispensáveis para que ele tivesse essa atitude de “lutar com Deus” para receber a benção que lhe estava destinada. E, como no caso anterior, é no desenlace dos acontecimentos que se seguiram que vemos se manifestar esse conflito entre irmãos não apenas na ordem familiar, mas em um plano espiritual. Esaú, ao invés de aprender a lição de que havia errado ao desprezar a primogenitura e de que agora era punido ao ter sua benção “tomada” por Jacó; passou a odiar seu irmão, mostrando com isto que era do maligno (Gn 27.30-34, 41; cf. Hb 12.16-17; 1 Jo 3.12). Por outro lado, notemos que mesmo Isaque reconhece a soberania divina em não ter escolhido segundo a carne, assim como a mão da providência divina em tudo o que havia acontecido, confirmando sua benção sobre Jacó e livrando-o das mãos do odioso Esaú (Gn 28.1- 4). 

II – BENÇÃOS EM MEIO A DIFICULDADES Fugindo da fúria de seu irmão Esaú, mas sob a benção de seu pai e com a certeza de que o Senhor o guardaria e prosperaria durante sua estadia em Harã, Jacó chega à casa de seu tio Labão, conhece sua prima Raquel e ali se dispõe a se estabelecer sob o acolhimento e proteção dos seus parentes. Contudo, Labão percebe no parentesco com Jacó algo a ser usado em proveito próprio e, com engano, procura manter não apenas Jacó trabalhando para si, mas também suas filhas e seus netos ao seu alcance. Mesmo amando apenas Raquel, Jacó sofre o dano a que fora induzido por seu tio, trabalhando sete anos por Leia e mais sete por Raquel, mantendo assim a sua palavra (Gn 29.18, 20- 30). Depois, pressionado pelos ciúmes de suas mulheres e pelo trabalho penoso no campo, Jacó ainda cumpre seus deveres maritais, e Deus o abençoa com os filhos que futuramente se tornarão os cabeças das doze tribos de Israel. Por fim, quando se vê livre para voltar à sua terra e trabalhar pela sua própria casa, ao invés de resistir à oferta de seu tio, aceita-a de boamente, trabalhando por um salário que Labão, por sua vez, irá mudar diversas vezes. O Senhor, porém, faz seu servo prosperar mesmo injustiçado, miraculosamente tirando de Labão todo o seu rebanho e entregando-o a Jacó nos próprios termos em que aquele ajustava com este (Gn 31.22-24). E, mesmo tendo de fugir às escondidas para sua terra, Jacó o faz sem nenhuma intenção de prejudicar Labão, no que o Senhor o abençoa e o guarda contra as más intenções do tio; de maneira que ambos acabam por se despedir em paz (Gn 31.43-52). 

III–UMA PRUDENTE RECONCILIAÇÃO O inevitável reencontro de Jacó e Esaú ensina uma importante lição sobre reconciliação, e sobre como devemos buscá-la mesmo quando a parte ofendida não se mostra totalmente aberta ao perdão, ou quando suas intenções não parecem sinceras. Embora Esaú representasse uma contrariedade no caminho de Jacó, que deveria ser superada para que o patriarca pudesse descansar na benção alcançada com muito esforço e sofrimento; sua luta afinal era com Deus, e não com seu irmão. Por isso consideramos o encontro com o anjo no vau de Jaboque o momento decisivo nesse episódio; após prevalecer com o Senhor, e assim ter seu nome mudado para Israel, o patriarca havia confirmado sua posição diante de Deus e podia ficar face a face com seu irmão. Sem perder a prudência e não se deixando iludir pela atitude receptiva de Esaú, Jacó viu naquele encontro mais do que uma oportunidade de reconciliação, mas um livramento de Deus, pelo que abriu mão de grande riqueza em favor de Esaú, como se este representasse o próprio Deus que o havia salvado (Gn 33.8-11). 

CONCLUSÃO Aprendemos com Jacó a ser pacientes diante das contrariedades que muitas vezes podem se levantar inclusive por parte de nossos familiares, em razão da nossa esperança em Deus e da nossa indisposição em usar de meios contenciosos para fazer valer nossas razões. Deus conhece melhor os corações, portanto, busquemos sempre o caminho da reconciliação, pois, se em algo formos prejudicados, é Ele quem nos justificará.

PARA USO DO PROFESSOR

AUTORIA 
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO 
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira


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