27 fevereiro 2024

009-O fim dos rebeldes de Judá - Jeremias Lição 09[Pr Afonso Chaves]27fev2024

LIÇÃO 9 

O FIM DOS REBELDES DE JUDÁ 

TEXTO ÁUREO: “Eis que juro pelo meu grande nome, diz o Senhor, que nunca mais será pronunciado o meu nome pela boca de homem de Judá em toda a terra do Egito, dizendo: Vive o Senhor Jeová!” (JEREMIAS 44.26)

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 42.7-22 

INTRODUÇÃO Jerusalém está destruída, a terra está assolada e o povo completamente abatido, uma grande parte tendo sido levada para Babilônia, e a outra, formada pelos mais pobres da terra, deixados para lavrar e habitar a região que, de outro modo, se tornaria um deserto. E, embora o propósito de Deus fosse o de restabelecer o Seu povo a partir de um restante que voltaria de Babilônia, veremos que as portas da misericórdia divina não estavam de todo fechadas para aqueles que ficaram em Judá. Contudo, ao se mostrarem incuráveis na sua rebelião contra Deus, mesmo depois de tudo o que já haviam passado, essa parcela do povo que havia ficado em Judá apenas confirmava sua verdadeira natureza, e selava o triste e terrível destino que lhes estava reservado, de nunca mais serem chamados povo de Deus. 

I – O ASSASSINATO DE GEDALIAS (CAPÍTULO 41) Na lição passada, explicamos que Jeremias abre um parêntese histórico que se estende do capítulo 40 ao 42, onde nos conta os acontecimentos que se deram após sua chegada a Mizpá e a palavra que o Senhor lhe revelou com respeito a todas essas coisas. Naquela cidade se achava Gedalias, que havia sido constituído pelo rei de Babilônia como administrador da terra após a queda do reino, e que era assistido por uma corte de judeus e um destacamento do exército babilônico. Sem dúvida, essa honra refletia o socorro prestado por seu pai, Aicão, filho de Safã, a Jeremias, quando não permitiu que o profeta fosse entregue nas mãos do povo que pretendia lhe fazer mal; bem como a disposição do próprio Gedalias em se submeter ao domínio babilônico, na esperança de que assim haveria paz para o seu povo (Jr 26.24; 40.9). Mas, apesar da sua sinceridade e boa vontade, Gedalias era visado para mal por alguns daqueles que, rebeldes à voz de Deus, haviam se refugiado nas nações vizinhas quando da queda de Jerusalém, e que agora voltavam para espiar a paz do povo que havia ficado na terra e retomar sua fútil e ímpia resistência contra o domínio babilônico (Jr 40.11-14). Ao passo que outros dos maiorais desses judeus dispersos tivessem dado ouvidos a Gedalias e se unido à sua corte; um deles, Ismael, que era da linhagem real, estava ali incumbido pelo rei dos amonitas de assassinar o administrador submisso a Nabucodonosor (Jr 40.15). Não dando crédito aos alertas de Joanã, um dos maiorais que ficou ao seu lado, Gedalias é morto à traição, seguindo-se um grande morticínio, não apenas dos judeus que o assistiam, como dos caldeus que guarneciam a cidade, e mesmo de alguns dos restantes das dez tribos que se dirigiam a Jerusalém com o propósito de lamentar suas assolações, e que desafortunadamente passavam por Mizpá (Jr 41.1-7). Não fosse a intervenção de Joanã e os maiorais que o acompanhavam, que se encontravam ausentes no momento do morticínio, mas se puseram no encalço do traidor, Ismael teria levado o povo cativo para habitar entre os filhos de Amom, onde não podemos imaginar que fim lhes teria sobrevindo (Jr 41.10-15). Contudo, considerando que o mal já havia sido feito, e temendo que o rei de Babilônia retribuísse a traição com furor indiscriminado contra o restante dos maiorais e do povo de Judá, aqueles judeus, tomados de grande confusão, não viram outra saída senão se dirigirem ao Egito, onde porventura estariam fora do alcance dos caldeus (Jr 41.16-18). Tal decisão não apenas significava tomar um caminho contra o qual Deus já havia alertado diversas vezes; mas se mostraria a pior escolha que eles poderiam tomar em toda a sua longa história de rebelião, com consequências ainda piores do que qualquer punição que o rei de Babilônia pudesse lhes infligir pelo assassinato de Gedalias. 

II – O POVO DESOBEDECE À PROIBIÇÃO DE DESCER AO EGITO (CC. 42 E 43) Chegamos à palavra do Senhor que veio a Jeremias dentro do contexto já definido, para que o povo de Judá, depois de todos os pecados que haviam cometido, não incorresse naquele que selaria, de uma vez por todas, a sua rejeição de diante da face do Senhor. Notemos que, com efeito, tanto os príncipes como o povo, antes de tomarem a decisão fatídica, se voltam para o profeta Jeremias aparentemente ansiosos por saber a vontade de Deus, propondo-se a fazer aquilo que lhes fosse determinado, quer a palavra de Deus fosse boa ou “má” – isto é, uma determinação difícil ou contrária ao desejo dos seus corações (Jr 42.1-6). Mas este é mais um dos muitos episódios de dissimulação do povo para com Deus, e o profeta, embora ciente da indisposição arraigada em seus corações para obedecer à palavra do Senhor, entrega a resposta divina que, mesmo assim, ainda dá sinais da boa vontade de Deus, a ponto de se compadecer dos pecados e misérias de Judá mesmo tendo-a castigado com justiça (e Deus sempre castiga com justiça): “Se de boa mente ficardes nesta terra, então, vos edificarei e não vos derribarei; e vos plantarei e não vos arrancarei, porque estou arrependido do mal que vos tenho feito” (Jr 42.10). Se, porém, fizessem aquilo que realmente desejavam fazer – descer ao Egito – a espada de Nabucodonosor, de que fugiam, os alcançaria certamente (Jr 42.13-16, 19-22). Como o Senhor havia testificado contra eles, assim sucedeu, e o povo, sob o comando de Joanã e os demais príncipes que haviam restado, decidiram descer ao Egito – mesmo que para isto fosse necessário desacreditar a palavra de Deus anunciada por Jeremias, como se ele tivesse falado por incitação de Baruque, que acusavam de colaborador dos caldeus e de desejar ver o mal dos seus conterrâneos. (Jr 43.1-7). Jeremias é forçado a acompanhar a multidão rebelde, mas não sem um propósito de Deus; porque ali ele anuncia, para inquietação dos seus conterrâneos rebeldes, como Nabucodonosor em breve assentaria o seu trono na terra dos faraós, para executar juízos contra os egípcios e os seus deuses (Jr 43.8-13). 

III – O JUÍZO DE DEUS CONTRA OS QUE DESCERAM AO EGITO (CC. 44 A 45) Aos que haviam descido ao Egito e se estabelecido nas suas cidades, o Senhor proclama, neste capítulo, uma terrível palavra de juízo, primeiramente apontando todos os seus pecados, que não apenas eram os pecados de seus pais, mas a estes se acrescentava o grande mal de terem abandonado a terra que o Senhor lhes havia dado sob juramento, assim desarraigando-se a si mesmos de lá, bem como aos seus próprios filhos e descendentes, e tornando-se abomináveis através da idolatria, especialmente pelo culto à rainha dos céus – alguma divindade feminina à qual já prestavam culto em Judá e para a qual se voltavam novamente, não percebendo que todas as desgraças que haviam se abatido sobre eles resultavam dessa afronta ao Senhor Deus (Jr 44.7-8, 15-19). É determinada então a sentença divina contra os rebeldes que desceram ao Egito: seriam consumidos naquela terra, de tal modo que nunca mais haveria no Egito algum judeu que invocasse o nome do Senhor; e os poucos que escapassem da espada ali seriam trazidos novamente de volta à terra de Judá – e, neste caso, não como parte de uma restauração futura, mas enquanto cativos, trazidos de volta por Nabucodonosor, até a terra de onde não deviam ter partido (Jr 44.26-29). Esta seção do livro de Jeremias se encerra então com uma palavra da parte de Deus entregue a Baruque, ainda nos dias do rei Jeoaquim, no sentido de que, embora ele desejasse grandezas – e a descida forçada ao Egito talvez representasse para Baruque motivo de grande aflição – deveria se contentar com a dispensação de Deus, segundo a qual sua alma lhe seria dada por despojo onde quer que ele estivesse (Jr 45). 

CONCLUSÃO Vimos nesta lição que aqueles que Deus já havia designado como “figos maus” se mostraram de todas as formas possíveis merecedores desta designação, rejeitando todos os apelos e oportunidades de arrependimento e perdão e, eventualmente, sofrendo as consequências finais dos seus pecados. 


21 fevereiro 2024

008-A queda de Jerusalém - Jeremias Lição08[Pr Afonso Chaves]20fev2024

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LIÇÃO 8 

A QUEDA DE JERUSALÉM 

TEXTO ÁUREO: “O Senhor, teu Deus, pronunciou este mal contra este lugar; e o Senhor o trouxe e fez como tinha dito, porque pecastes contra o Senhor e não obedecestes à sua voz; pelo que vos sucedeu tudo isto.” (JEREMIAS 40.2-3) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 52.1-16 

INTRODUÇÃO Chegamos à conclusão de uma etapa do ministério do profeta Jeremias, durante o qual ele teve de anunciar os pecados de Jerusalém e o castigo que se abateria sobre a cidade, resultando em sua destruição e no cativeiro dos que sobrevivessem às agruras daqueles dias terríveis. Chegava o tempo de os ímpios e soberbos colherem o fruto da sua desobediência, impenitência e rejeição que fizeram à palavra dos profetas. Ao mesmo tempo era chegado o momento de Deus mostrar a diferença entre o justo e o ímpio, estendendo sua misericórdia para livrar aqueles que haviam permanecido fiéis e resistido às contradições do povo e dos seus líderes pecadores. 

I – JERUSALÉM É TOMADA E DESTRUÍDA (CC. 39.1-9 E 52) Jerusalém foi mantida sob cerco pelo exército babilônico durante aproximadamente dezoito meses (ou, um ano e seis meses), até que finalmente cedeu, tanto à pressão externa das máquinas de guerra que conseguiram abrir uma brecha em suas até então inexpugnáveis muralhas, por onde a cidade foi invadida; como também à pressão interna da falta de víveres – de fato, a fome talvez tenha sido a pior das aflições do cerco, porque não apenas enfraqueceu fisicamente os homens de guerra de Jerusalém e os seus líderes, como também os abateu moralmente, substituindo aquela ousadia e petulância que os fez resistir ao rei de Babilônia por tanto tempo pelo medo que os fez fugir da luta na primeira oportunidade (cf. Jr 39.1-3; 52.6-7). Nabucodonosor havia incumbido seus príncipes de finalizarem o cerco e a tomada da cidade – cumprindo assim a palavra falada logo no começo do ministério de Jeremias (cf. Jr 1.15) – e havia se retirado para Ribla, ao norte de Israel, onde aguardava a conclusão daquela ofensiva e onde determinaria suas últimas medidas para pôr fim e castigar a rebelião de Judá e Jerusalém. Vemos então a triste sorte do rei Zedequias nos acontecimentos que se seguiram à invasão da cidade; tomado pelo medo do que poderia lhe acontecer – medo esse reforçado pela certeza que o profeta lhe havia dado do que aconteceria por não ter se entregado a Nabucodonosor – o último rei de Judá tenta abandonar a cidade furtivamente, em meio à confusão, durante a noite. Mas a determinação com que os caldeus saem no seu encalço e o apanham mostra que ele estava tentando escapar não de homens, mas da mão de Deus (Jr 39.4-5; 52.8; cf. Ez 12.1-14). Capturado, Zedequias é levado até Ribla, onde tem de ficar cara a cara com Nabucodonosor para receber sua sentença: ver seus filhos e os nobres de Judá serem degolados, mortos, e então ter os seus próprios olhos vazados, tornando-se aquela a sua última e mais terrível visão; e, preso em grilhões, ser levado para Babilônia, onde terminaria seus dias miseravelmente na mesma masmorra de onde seu sobrinho, Joaquim, seria depois libertado, em sinal da futura exaltação da casa de Davi (Jr 39.6-7; 52.9-11, 31-34; cf. Ez 17.22-24). Voltemo-nos para Jerusalém, onde o juízo de Deus ainda se cumpriu com a destruição total da cidade, incluindo o palácio real, o templo, todas as casas e as muralhas (Jr 39.8; 52.12-14); com a deportação para Babilônia do povo que havia restado, incluindo os sobreviventes em meio a toda aquela assolação e os que haviam se entregado antes a Nabucodonosor – esses se uniriam aos que haviam sido levados nos tempos de Jeoiaquim e Joaquim (Jr 39.9; 52.15); com a identificação e captura de outros líderes que haviam contribuído para a revolta e resistência contra a autoridade de Nabucodonosor, e que, assim como os príncipes e nobres de Judá e Jerusalém, foram levados até o rei de Babilônia e mortos diante da sua face (Jr 52.24-27). 

II – A MISERICÓRDIA DE DEUS EM MEIO AO JUÍZO (CAPÍTULO 39.10-18) Dentre o povo que sobreviveu às assolações de Judá e Jerusalém, alguns poucos foram deixados por Nebuzaradã, capitão da guarda do rei de Babilônia, para lavrar e cuidar da terra, para que não ficasse abandonada. Estes estavam entre os mais pobres do povo, e o fato de não possuírem sequer uma porção de terra denota o grau de injustiça que prevalecia entre o povo de Deus; de modo que agora, aqueles que antes tinham muito haviam sido levados de mãos vazias para uma terra estranha, enquanto os que nada tinham recebiam vinhas e campos para daí derivarem o seu sustento (Jr 39.10). Por sua vez, o profeta Jeremias, ainda preso no átrio da guarda quando da queda da cidade, não apenas é libertado, mas, segundo ordens particulares dadas pelo próprio rei Nabucodonosor a seu capitão, é tratado de forma cordial e atenciosa, e eventualmente, sendo-lhe dada liberdade para seguir para onde desejasse, escolhe ficar em Mizpá junto de Gedalias, constituído pelos caldeus como governante sobre os judeus que permaneceram na terra, conforme ainda estudaremos nesta lição (Jr 39.11-14). Notemos ainda como, a seu tempo, tudo aquilo que os homens semearem – mesmo o menor ato de justiça, piedade ou beneficência em meio a uma geração injusta e corrompida, será recompensado por Deus: Ebede-Meleque, o mordomo etíope, estando entre aqueles últimos membros do governo caído de Zedequias capturados pelos caldeus quando da invasão da cidade, recebe um conforto e uma segurança da parte de Deus quanto ao que mais temia e que, de fato, teria sido a sua sorte não fosse por esse ato de misericórdia da parte do Senhor (Jr 39.15-18). 

III – JEREMIAS FICA COM O POVO EM MIZPÁ (CAPÍTULO 40) A partir deste capítulo, abre-se um grande parêntese histórico que vai se encerrar apenas em 42.7, quando a palavra do Senhor veio a Jeremias após a ida do profeta até Mizpá, e após o assassinato de Gedalias. O profeta está nos situando sobre o desenrolar dos acontecimentos após a queda de Jerusalém que o levaram a exortar o povo a não descer ao Egito e, depois, a anunciar o juízo de Deus contra aqueles que o haviam feito. Mas aqui desejamos considerar apenas as circunstâncias detalhadas no capítulo 40, que nos informam como Nabucodonosor e seus príncipes estavam a par da palavra de Jeremias e outros profetas quanto ao destino que aguardava Judá e Jerusalém por desobedecerem ao Senhor Deus e resistirem a Nabucodonosor (Jr 40.1-3). Nebuzaradã propõe ao profeta acolhê-lo como um protegido em Babilônia, mas ao mesmo tempo o deixa livre para escolher o caminho que desejasse. Notemos então como Jeremias prefere permanecer com o seu povo, mesmo nas condições materiais precárias em que a terra se achava, mas agora na certeza de que, sendo Gedalias, governante em Mizpá, leal a Nabucodonosor, o povo estaria debaixo do favor de Deus (Jr 40.4-6, 9-10). Contudo, o profeta teria ainda de lidar com a contradição dos judeus que, não permanecendo na cidade ou na terra quando da sua queda, nem se entregando aos caldeus, haviam se refugiado nas nações vizinhas – nações estas igualmente suspeitas de traição contra Nabucodonosor – de onde aguardavam oportunidade para retornar (Jr 40.7-8, 11-12). Dentre estes não apenas se levantaria aquele que mataria o governante Gedalias, mas também aqueles que incitariam até os mais pobres da terra a descer ao Egito, a fim de escapar à fúria do rei dos caldeus. 

CONCLUSÃO Mesmo em meio ao derramar de um juízo tão terrível, do qual nenhum daqueles que se fizeram merecedores dele conseguiu escapar, vemos a misericórdia de Deus se manifestando em favor de não poucos, e sendo a causa de o Seu povo não ser totalmente consumido. 

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13 fevereiro 2024

007-Os últimos dias de Jerusalém - Jeremias Lição 07[Pr Afonso Chaves]13fev2024

 

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LIÇÃO 7 

OS ÚLTIMOS DIAS DE JERUSALÉM 

TEXTO ÁUREO: “Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne. Acaso, seria qualquer coisa maravilhosa demais para mim?” (JEREMIAS 32.27) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 38.14-24 

INTRODUÇÃO Aproximamo-nos cada vez mais do fim da primeira parte da profecia de Jeremias, que, à semelhança de outros profetas, dedica o começo do seu ministério a anunciar o castigo de Deus sobre a rebeldia e impenitência do povo. Os capítulos que estudaremos nesta lição transcorrem principalmente nos dias do cerco de Jerusalém, quando a destruição da cidade é uma realidade inegável e ao profeta só resta apelar, ainda que sob grande risco, ao povo e ao rei para que se entreguem aos caldeus, abreviando assim o seu sofrimento e olhando agora para os tempos futuros nos quais Deus promete restaurar o Seu povo e trazê-los de volta àquela terra. 

I – DEUS AINDA FARÁ COISAS GRANDES PELO SEU POVO (CAPÍTULOS 32 E 33) A cidade já se encontrava sob o cerco dos caldeus e Jeremias, por ter anunciado o destino inescapável de Jerusalém e de Zedequias, rei de Judá, achava-se detido no pátio do palácio real. Ali, o profeta recebe a visita de um primo seu, que lhe pede para comprar uma terra que pertencia à família e que cabia a Jeremias comprá-la para que não passasse a outra tribo ou família (cf. Lv 25.25). O profeta não apenas cumpre o seu dever, mas faz isto de forma clara e justa, pesando o dinheiro e fazendo com que se tome por escrito o ato da compra, e isto diante de testemunhas; mas, além disso, entende que há uma mensagem de Deus a ser declarada através deste que, de outro modo, teria sido comum, e talvez até fora dos interesses do profeta, que vinha anunciando a destruição da cidade e a ruína de toda a terra (32.6-12). Ao providenciar que a escritura fosse preservada por muitos anos, o profeta anunciava que ainda se voltaria a comprar e vender em Judá e Jerusalém, pois a atual assolação não significava que o próprio Deus nada mais pudesse fazer pelo Seu povo. Pelo contrário, os dispersos seriam novamente congregados naquela terra e, restaurados à comunhão com o seu Deus, habitariam nela seguramente (32.27-29,37-44). De fato, as coisas que Deus havia proposto realizar para o Seu povo eram grandiosas e inefáveis, mas Ele estava pronto para revelá-las aos que desejassem sabê-las (33.1-3): a restauração de Jerusalém à glória que tinha no princípio, removendo toda insegurança e medo, e dando-lhe tamanha paz e prosperidade que aqueles que a viam em seu estado atual ficariam confundidos (33.6-9); a promessa de que o povo seria governado por um descendente de Davi, que faria justiça e juízo na terra – uma clara alusão ao governo eterno de Cristo Jesus. E, àqueles que afirmavam que Deus sequer havia se esquecido inclusive das casas de Davi e de Arão, o Senhor responde que jamais elas deixariam de exercer o seu chamado sobre o Seu povo eleito (33.20-26). 

II – A DIFERENÇA ENTRE A PERFÍDIA E A FIDELIDADE (CAPÍTULOS 34 E 35) No capítulo 34 encontramos duas mensagens, ambas envolvendo o rei Zedequias. Na primeira, o profeta anuncia, uma vez mais, a queda inevitável da cidade de Jerusalém e a sorte do rei quando este fosse capturado pelos caldeus, com o atenuante de que, ao contrário de muitos príncipes de Judá e dos seus próprios filhos, o rei não seria morto à espada, mas terminaria seus dias em paz (34.1-7). Na segunda, o profeta condena o povo por não cumprir a lei quanto à libertação de hebreus que haviam sido tomados como escravos após seis anos de serviço; e, após terem concertado com o rei para despedi-los livres, voltaram atrás, e mandaram trazer de volta os escravos já alforriados (34.8-11; cf. Ex 21.2). O Senhor não apenas reprova a reincidência na transgressão da lei, mas também a tremenda profanação contra o Seu nome, ao violarem o juramento formalmente selado diante de Deus; pelo que o Senhor os entregaria também, como escravos, aos caldeus (34.15-18, 19-20). A perfídia do povo de Judá torna-se ainda mais vergonhosa quando, no capítulo 35, o profeta prova e dá testemunho da fidelidade dos recabitas. Ordenados a não possuir nem lavrar terras, não beber vinho e a viver em tendas, essa família havia sempre vivido na obediência aos mandamentos de seu antepassado (35.1-10); ao passo que os filhos de Israel, não tendo de viver com estas privações, desobedeceram às palavras do seu Deus (35.13-15). Como prova do quanto o Senhor aprecia a obediência, e a fidelidade, em qualquer relação, aos recabitas é prometido que sempre subsistirão, mesmo vivendo como peregrinos na terra (35.18-19; cf. Ez 17.16-19). 

III – REIS QUE CAÍRAM PELA DESOBEDIÊNCIA (CAPÍTULOS 36 A 38) Uma das últimas tentativas do Senhor em trazer o povo ao arrependimento antes que o juízo se abatesse sobre Jerusalém se deu no reinado de Jeoaquim, quando o profeta foi ordenado a fazer comque suas palavras de castigo fossem redigidas em um rolo de pergaminho e lidas aos ouvidos do povo de uma só vez por ocasião de um jejum proclamado em Jerusalém (36.1-10). Estas palavras chegaram aos ouvidos dos príncipes, os quais se mostraram temerosos e pretenderam anunciá-las ao rei, mas não sem antes exortarem o escriba a se esconder com o profeta e guardarem o manuscrito, declarando as palavras de Deus ao rei apenas de boca (36.14-20). Isto, porém, não o impediu de tomar o pergaminho contendo a Escritura Sagrada e o destruir, em seguida mandando prender Baruque e Jeremias – o que não ocorreu porque o Senhor os havia escondido (36.21-26). O fato é que este Jeoaquim estava destinado a padecer sob condições que as Escrituras não precisam os detalhes, mas aqui indica que seriam humilhantes – mais do que no caso de Joiaquim, seu sucessor, ou mesmo de Zedequias (36.30-31). Avançando novamente para os últimos dias de Jerusalém, temos agora maiores detalhes sobre as circunstâncias do aprisionamento do profeta, em grande parte devido à inconstância e fraqueza moral de Zedequias. Angustiado pelo cerco da cidade, o rei buscava constantemente o profeta (37.1-3), que era claro em reafirmar que o destino de Jerusalém estava selado, e a única salvação estaria em se entregar ao rei de Babilônia. A retirada temporária dos sitiantes dos muros da cidade não significava que não voltariam, e ainda que os judeus ferissem a todo o exército dos caldeus, “cada um se levantaria na sua tenda e queimaria a fogo esta cidade” (37.10). Então, suspeito de cooperar com os caldeus, Jeremias é acusado falsamente, preso e lançado no calabouço, de onde é retirado pelo temeroso Zedequias para, logo depois, sendo o rei pressionado pelos seus príncipes, permitir que o profeta fosse lançado novamente naquele lugar que poderia tê-lo matado rapidamente, não fosse a intervenção providencial de um mordomo, Ebede-Meleque, que mais uma vez conseguiu comover Zedequias (38.1-5, 6-13). Que situação angustiante a deste rei que, instado pelo profeta, da parte do próprio Deus, a se entregar aos caldeus, com todas as garantias de que ele alcançaria misericórdia, e viveria, e sua cidade não seria destruída, nem seria ele entregue aos judeus que desejavam o seu mal; ainda assim não conseguia se desvencilhar do orgulho, nem do medo da reprovação dos seus conselheiros ímpios; mas preferiu guardar consigo aquelas últimas palavras, desperdiçar sua última oportunidade e apenas esperar que o mal chegasse até ele (38.17-23).

CONCLUSÃO Os últimos dias de Jerusalém são um testemunho da longanimidade de Deus e das riquezas da Sua misericórdia, em propor até àqueles que mais parecem desesperados em seus caminhos de impiedade uma solução que, para os que a abraçarem, não apenas valerá toda renúncia ao amor próprio, mas se mostrará uma tremenda reviravolta para melhor que nem mesmo nós seremos capazes de compreender totalmente, senão na eternidade.

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06 fevereiro 2024

006-Quando a Palavra de Deus é contrariada - Jeremias Lição 06[Pr Afonso Chaves]06fev2024

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Lição 6 

Quando a Palavra de Deus é Contrariada 

Texto Áureo: “E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, diz o Senhor, até que a consuma pelas suas mãos.” (Jr 27.8) 

Leitura Bíblica: Jeremias 29.1-14 

Introdução Na lição de hoje prosseguimos com o estudo das mensagens do profeta Jeremias a respeito da destruição de Jerusalém e Judá que se aproximava. Os capítulos que ora analisaremos incluem episódios ocorridos durante o governo dos últimos reis de Judá, e destacam o zelo do profeta em proclamar a palavra de Deus, mesmo com o risco da sua própria vida, e mesmo quando todas as coisas no reino e na cidade de Jerusalém corriam no sentido contrário ao que Deus requeria do povo, e todos se esforçavam por calar o profeta ou desvirtuar e contemporizar a sua mensagem. 

I – Jeremias é Livrado da Morte (Capítulo 26) Estamos no começo do reinado de Jeoaquim. A palavra que o profeta aqui tem de anunciar não é diferente de alertas anteriores, inclusive no que diz respeito ao fim que teriam a cidade e o templo, caso o povo não se arrependesse e se convertesse ao Senhor: “Se não me derdes ouvidos para andardes na minha lei... farei que esta casa seja como Siló e farei desta cidade uma maldição para todas as nações da terra”. Em inequívoca obediência e confiança no Senhor, o profeta se dirige ao pátio do templo, onde se reunia a multidão dos judeus, vindos de toda a parte do reino para adorar, e ali anuncia todas as palavras que Deus lhe havia mandado (26.1-6). Deus ainda estava disposto a se arrepender do mal que havia falado contra eles (26.13); contudo, os sacerdotes e falsos profetas ali presentes, sob o pretexto de uma falsa piedade, ao invés de se considerarem culpados pela destruição anunciada, e pela subversão da cidade e do templo; aproveitaram a oportunidade para tentar dar cabo da vida do profeta, pela sua ousadia em anunciar aquelas palavras, agora diante do próprio templo (26.7-11; cf. At 6.13-15). Embora se afligisse com a situação do povo, Jeremias de modo algum se mostrou fraco nessa situação – o Senhor cumpria Sua promessa de fortalecer o profeta, que por sua vez confiava sua vida nas mãos de Deus, perante quem mantinha uma consciência tranquila (26.14-15). Por isso seu apelo não foi tanto para que sua vida fosse poupada, mas para que os seus conterrâneos não incorressem na injustiça de matar um profeta de Deus, atraindo ainda maior castigo sobre si mesmos (cf. Mt 23.29-35). O julgamento dos príncipes de Judá é mais inseguro do que parece, razão pela qual são apresentados, pelos anciãos, dois casos semelhantes ao de Jeremias; o primeiro envolvendo o profeta Miquéias, que também profetizou contra Jerusalém e o templo, mas o rei Ezequias, ao invés de matá-lo, temeu, e com isto escapou à ira do Senhor; o segundo, mais recente, de certo profeta Urias que, após profetizar as mesmas palavras, atraiu a ira do rei Jeoaquim e foi morto ao seu mando. Este segundo caso pode ter sido mencionado para enfatizar o mal ainda maior que atrairiam sobre si mesmos se o sangue de mais um profeta fosse achado em suas mãos (26.17-23). Mas, de qualquer forma, Jeremias foi salvo das mãos de um povo sanguinário não graças aos príncipes, mas graças a Aicão, filho de Safã, conselheiro ou ministro dos tempos do rei Josias (26.24; cf. 2 Rs 22.12-13). 

II – O Que Deus Anunciou Se Cumprirá (Capítulos 27 e 28)  Os capítulos 27 e 28 envolvem acontecimentos que se deram no início do reinado de Zedequias, último governante de Judá, quando só restava ao profeta anunciar o futuro sombrio que aguardava os seus compatriotas. Com o fim de mostrar a futilidade de tentar resistir ao rei dos caldeus, o Senhor orienta o profeta a executar um ato simbólico junto aos representantes das nações vizinhas de Judá, que vinham a Jerusalém ter com Zedequias. Ao invés de voltarem para casa com uma esperança de libertação, o que eles entregariam a seus respectivos reis era a mensagem de que toda a terra havia sido entregue a Nabucodonosor e seus descendentes pelo próprio Deus de Israel; se aceitassem o jugo do rei de Babilônia, viveriam e prosperariam; se não, seriam completamente assolados (27.1-11). E, ao mesmo tempo, era um alerta igualmente válido para Judá, que do contrário acabaria como as nações rebeldes que não se submetessem ao rei dos caldeus (27.12-17). Ao que parece, esta mensagem impactou de tal forma o povo através do seu simbolismo que os falsos profetas logo começaram a elaborar suas vãs mensagens de esperança utilizando-se da mesma imagem do jugo. Um deles, chamado Hananias, chega a se dirigir diretamente a Jeremias, em público, não para desmentir o profeta, mas para abrandar o rigor da sua mensagem, como se a submissão ao rei dos caldeus fosse uma coisa odiosa aos olhos de Deus, e por isso duraria pouco tempo, pois Deus quebraria o jugo de Nabucodonosor (28.1-4, 10-11). Por prudência, Jeremias não desmente as palavras do falso profeta, embora soubesse, por sua própria experiência e conhecimento da palavra de Deus, que tal mensagem não concordava com as palavras anunciadas pelos profetas desde há muito tempo. Contudo, ao ser informado pelo próprio Deus, Jeremias volta até Hananias e, publicamente, desmente o profeta na cara, além que acrescentar que a servidão representada pelo jugo era muito mais pesada e inescapável que o símbolo poderia significar: “Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia; e servi-lo-ão, e até os animais do campo lhe dei” (28.12-17). 

III – Após o Castigo Haverá Restauração (Capítulos 29 a 31) A mensagem dos capítulos 30 e 31 é dirigida a um povo triste e temeroso pelas assolações que ainda se abateriam sobre Jerusalém, e quebrantado por se encontrar no cativeiro, e para o qual a perspectiva de uma restauração ainda era remota. Por isso o Senhor ordena que Jeremias registre as palavras desta profecia, pois só veriam seu cumprimento as gerações futuras; o tempo agora era de se acomodar à terra do cativeiro, até que o castigo se completasse e então Deus os visitasse e cumprisse o Seu bom propósito sobre o remanescente (29.4-7, 10-11). Só então o jugo de Nabucodonosor seria quebrado, e isto seria simbólico de uma libertação ainda maior, de modo que Judá serviria apenas ao Senhor Deus, “e Davi, seu rei, que lhes levantarei”. Historicamente, os judeus não mais voltariam a ter uma independência política, mas o fato é que, após o cativeiro, eles haviam sido libertos da idolatria e dos caminhos das nações para servirem apenas ao Deus vivo, até que, vindo o Messias, Jesus, essa libertação se completasse na redenção dos seus pecados (30.1-9; cf. Lc 1.68-75; Rm 11.26-27). A restauração é retratada em termos poéticos no capítulo seguinte, onde chamamos a atenção para como Deus promete compensar toda a tristeza causada pelas aflições, necessárias para o quebrantamento do povo, saciando os filhos de Israel com alegria e multiplicando-os novamente (31.8-9, 15-17, 25); e o novo concerto que o Senhor firmaria com o Seu povo – um concerto onde a obediência à lei não mais seria prejudicada pela fraqueza da carne, mas seria como que gravada no interior, através do perdão dos pecados anteriormente cometidos e de um conhecimento de Deus pelo qual Israel verdadeiramente amaria o Senhor e desejaria obedecê-l’O (31.31-35). 

Conclusão Os episódios que estudamos nesta lição apontam todos num mesmo sentido – Deus cumprirá a Sua palavra, a Sua terrível palavra, mesmo que nações, reis e profetas não queiram e dissimulem sua inquietação com falsas esperanças e alianças vãs. Mas felizes serão aqueles que crerem na palavra do Senhor e esperarem na Sua misericórdia.

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30 janeiro 2024

005-Repreensão aos reis e profetas de Judá - Jeremias Lição 05[ Pr Afonso Chaves]30jan2024

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LIÇÃO 5 

REPREENSÃO AOS REIS E PROFETAS DE JUDÁ 

TEXTO ÁUREO: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor.” (JEREMIAS 23.1) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 23.1-8 

INTRODUÇÃO Apesar de angustiado pela situação crítica do seu povo, pois seria melhor ser mensageiro de boas novas do que das duras palavras que Judá e Jerusalém precisavam ouvir naquela ocasião; o profeta mantém-se firme e fiel ao seu chamado, ainda que isto lhe custe muita inquietação e mesmo sofrimento físico. E, quanto mais se aproxima o tempo do terrível castigo, mais incisivo torna-se Jeremias tanto em declarar como se dará a assolação do seu povo, como também em apontar, dentre os pecadores, aqueles sobre os quais pesava maior culpa por tamanha desgraça. 

I – O SOFRIMENTO DE JEREMIAS E O DO POVO DE JUDÁ (CC. 20 E 21) A esta altura do seu ministério, Jeremias já havia anunciado diversas mensagens declarando a ruína de Jerusalém e de Judá, bem como apontado as causas dessa destruição nos pecados e na impenitência do povo. Reprovados em sua falsa piedade, privados das suas vãs esperanças e alertados quanto ao terrível castigo que os aguardava, os judeus rapidamente começaram a manifestar sua desaprovação às duras e intransigentes palavras do profeta. E, sendo já alvo de uma conspiração para matá-lo por parte dos seus concidadãos de Anatote, Jeremias agora é confrontado por uma autoridade em Jerusalém – Pasur, uma espécie de líder dos serviços do templo, e também falso profeta – que, incomodado com a palavra de Deus, manda castigar Jeremias e o prende no cepo, para humilhá-lo publicamente. Mas, ao invés de quebrar a determinação do profeta, o que ele consegue é selar a sua própria sorte: como falso profeta que anunciava paz a pecadores, Pasur e seus amigos veriam suas palavras caírem por terra, quando chegassem os dias do cerco da cidade e, ao contrário de paz, tivessem de confrontar, de todos os lados, o terror causado pelos caldeus (20.1-6). No capítulo seguinte, temos um episódio que, ao que tudo indica, ocorreu já nos dias do cerco da cidade, e que revela a lamentável cegueira espiritual do povo mesmo quando as palavras do profeta estavam se cumprindo aos seus olhos. Ao invés de finalmente compreender que estavam sendo castigados por Deus, Zedequias, último rei de Judá, fazia o povo resistir inutilmente a Nabucodonosor, e envia um certo Pasur – não o mesmo do capítulo anterior – para consultar ao Senhor através de Jeremias, na esperança de que Deus ainda operasse “segundo todas as suas maravilhas e o faça retirar-se de nós” (21.1-2). Mais uma vez, o profeta tem de lembra-los que Deus era contrário a Judá e Jerusalém, e a Sua vontade não era livrá-los, e sim entrega-los nas mãos dos seus inimigos: “Porque pus o rosto contra esta cidade para mal e não para bem, diz o Senhor; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele a queimará a fogo”. O próprio rei e aqueles que sobrevivessem às aflições não escapariam ao mesmo destino daqueles que haviam morrido e ainda morreriam durante o cerco (21.3-7, 10). Se realmente desejavam livramento, tudo o que poderiam esperar era ter a própria vida por despojo, mas isto se, ao invés de lutarem, eles se entregassem a Nabucodonosor (21.8-9). 

II – O CASTIGO DA CASA REAL E DOS FALSOS PROFETAS (CC. 22 E 23) No final do capítulo 21, o profeta faz um apelo à casa real, para que exercesse a justiça antes que a fúria do Senhor a consumisse; isto não contradiz a situação crítica e inescapável nos dias do cerco da cidade, mas apenas relembra uma mensagem de Deus dirigida aos reis de Judá num momento anterior. Assim, no capítulo 22, essa mensagem é apresentada de forma mais extensa e contextualizada. Se, ao Lições da Escola Bíblica Dominical 1º Trimestre de 2024 10 invés de oprimirem o povo, os últimos reis de Judá tivessem exercido a justiça, o Senhor os teria estabelecido com honra, e o palácio real (a “casa de cedro”) continuaria sendo sua residência (22.1-4). Porém, como insistiam em distorcer o direito do povo, do mesmo modo que o templo não livraria a cidade da destruição, o palácio de cedro não lhes serviria de abrigo (22.5, 13-16). De fato, Jeoacaz (aqui chamado Salum), filho de Josias, já havia sido levado pelo faraó para o Egito, e ali morreria (22.11-12; cf. 2 Cr 36.1-4). Do mesmo modo seu irmão, Eliaquim (aqui chamado Jeoaquim), instituído no trono pelo mesmo faraó, há pouco havia morrido e, embora tivesse reinado em Jerusalém, ao menos na morte não teria a honra de ser sepultado ali (22.18-19; cf. 2 Cr 36.5-6; 2 Rs 24.1, 6). E, subindo ao trono seu filho, Jeconias (ou Joaquim), tão perverso e vil quanto seus antecessores, não teria sorte melhor, mas antes seu destino já estava selado e terminaria seus dias em Babilônia (22.24-30; cf. 2 Cr 36.9-10). Devido ao seu governo perverso e injusto, os reis de Judá haviam se tornado como pastores que prejudicavam de toda a forma as ovelhas do rebanho de Deus (23.1-2). Mas, após visitar sobre esses maus pastores as suas maldades, o próprio Senhor sairia em busca das ovelhas, e isto faria não através de homens, mas de um renovo justo, um descendente de Davi que reinaria com justiça, e que salvaria todo o povo de Deus – uma clara alusão a Cristo Jesus, o bom e verdadeiro pastor, que deu a Sua vida por todas as ovelhas do rebanho (23.3-6; cf. Ez 34.10-16, 23-24; cf. Jo 10.11, 14-16). “Quanto aos profetas”. Assim prossegue o capítulo 23, agora Jeremias se dirigindo àqueles que, sendo reputados como porta-vozes da vontade de Deus, haviam trazido adultério e maldição sobre a terra, cometendo e incentivando outros a pecarem, e isto não em nome de um falso deus, mas em nome do Senhor (23.9-14). Apressavam-se em falar a visão do seu próprio coração para tranquilizar os pecadores, como se Deus pudesse ser “despistado” pelo simples fato de o pecador demonstrar interesse pela palavra do Senhor, quando esta é apresentada falsamente como se lhe fosse favorável (23.17-24). Enfim, eles haviam se feito, com suas palavras de mentira, um peso mais insuportável do que as próprias palavras de Deus, de modo que, depois de serem castigados, seriam de tal modo desmentidos e reprovados que se lembrariam mais do prejuízo que suas palavras lhes causaram, do que ameaças de castigo que haviam recebido da parte de Deus (23.33-40). 

III – UMA ESPERANÇA PARA OS QUE FORAM LEVADOS CATIVOS (CC. 24 E 25) Após um curto reinado, Jeconias (Joaquim) é levado preso para Babilônia, juntamente com um séquito de príncipes, ferreiros e carpinteiros de Jerusalém. Essa deportação de modo algum humilhou os que ficaram, mas antes gerou neles um falso sentimento de que haviam sido poupados por Deus, além de uma crescente revolta e anseio por resistir ao domínio babilônico, que resultaria na aliança de Zedequias com o Egito. O Senhor então revela a Jeremias, mediante a visão simbólica dos dois cestos de figos, que aqueles que foram levados em cativeiro, embora fossem tão pecadores como os que haviam ficado na terra, seriam alvo da misericórdia e graça de Deus, e eventualmente se converteriam, e então voltariam para a terra de Israel. Por sua vez, os que haviam ficado em Jerusalém morreriam e seriam visitados no seu pecado para nunca mais serem lembrados nem restaurados do cativeiro (24.1-10). O capítulo 25 reforça a esperança de uma restauração, pois aí temos uma carta especialmente dirigida àquela parcela do povo levada em cativeiro antes da queda de Jerusalém. O Senhor confirma o propósito corretivo do cativeiro, e anuncia que o caminho para a restauração do povo seria preparado em setenta anos, quando Babilônia, após ter servido de instrumento para castigar Judá e as nações, beberia ela mesma o cálice das suas abominações, e seria visitada com destruição (25.1-7, 11-13, 27-29). 

CONCLUSÃO Com a perspectiva de que os maiores responsáveis pelas assolações do povo de Deus eram seus reis, profetas e sacerdotes, a destruição de Jerusalém seria uma forma de cortá-los do meio do povo e preparar a terra para que, quando os cativos, convertidos pela graça de Deus, voltassem, não caíssem novamente sob a tirania, a injustiça e o engano de falsos pastores.

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23 janeiro 2024

004-Quando o castigo é a única solução - Jeremias Lição 04[Pr Afonso Chaves]23jan2024

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LIÇÃO 4 

QUANDO O CASTIGO É A ÚNICA SOLUÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Eis que estou forjando mal contra vós e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações” (Jr 18.11) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 18.1-10 

INTRODUÇÃO As mensagens que estudaremos nesta lição confirmam o propósito de Deus, já apontado em textos anteriores, de castigar o Seu povo, não obstante todos os esforços para fazê-los se arrependerem dos seus pecados. A condição de Judá era aparentemente irrecuperável, o castigo sendo o único meio de por fim ao desvario da nação. Muitas considerações já feitas no estudo dos primeiros capítulos de Jeremias poderiam ser repetidas, não sem proveito; mas, ao invés disso, procuraremos destacar novos aspectos nessas mensagens que, do mesmo modo, contribuirão para nossa edificação e crescimento no conhecimento de Deus e de nós mesmos. 

I – O ORGULHO E O DESENGANO DE JUDÁ (CC. 13 E 14) No capítulo 13, encontramos o profeta se envolvendo com a mensagem de Deus em um aspecto já conhecido em outros profetas. Jeremias é instruído por Deus a comprar e utilizar um cinto – certamente à vista do povo – e depois levá-lo até o Eufrates e enterrá-lo próximo às águas do rio. Depois de muito tempo, o profeta é ordenado a voltar ao local, desenterra o cinto, e ei-lo apodrecido e imprestável. Então, o Senhor desvenda o significado simbólico e profético desse ato: “Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá” (13.1-9). Assim como um cinto atado aos lombos, Judá havia desfrutado de íntima comunhão e sido muito útil para Deus; mas a desobediência do povo havia transformado o que deveria ser motivo de honra em pretexto para soberba. Nada mais poderia abater essa soberba, senão o cativeiro além do rio Eufrates, onde, reduzidos a nada, veriam como haviam se tornado inúteis para Deus (13.10-11). Uma segunda mensagem ilustra como o povo de Judá estava tão confiado de que o castigo não o alcançaria que a parábola do profeta: “Todo odre se encherá de vinho” é recebida como uma declaração positiva de que Judá teria ainda maior alegria e deleite. Mas aqui o odre se enchendo de vinho aludia ao torpor e embriaguez moral ou espiritual do povo que, como castigo pela sua impenitência, seria ainda maior quanto mais se aproximasse o castigo, de tal modo que, quando chegasse o tempo, os pecadores seriam apanhados como ébrios em uma noite escura (13.12-13, 16). Notemos que, ainda neste capítulo, encontramos apelos ao arrependimento, ao mesmo tempo em que é cada vez maior a desesperança com um povo intrinsecamente maligno: “Pode o etíope mudar a sua pele ou o leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” (13.20-22, 23). A mensagem do capítulo 14 se dá no contexto de uma grande seca que havia se abatido sobre a terra, provocando grande sofrimento tanto a homens como animais pela falta de água e comida. O profeta reconhece o castigo de Deus e não nega os pecados de Judá que haviam atraído tamanha repreensão; mas, comovido com a aflição do seu povo, suplica pela misericórdia do Senhor (14.1-9). O Senhor responde, mas no sentido de que não os socorreria, e seria em vão Jeremias interceder por eles; ao que o profeta alega que o povo era enganado pelos “profetas”, que o faziam acreditar que haveria paz. Nada, porém, justifica o desengano de Judá, pois os profetas não falavam da parte de Deus – sugerindo que o povo podia deduzir que sua condição pecaminosa não resultaria em paz, mas em castigo, enquanto não se arrependessem (14.10-16). Ao invés de interceder, melhor seria que Jeremias se lamentasse sobre a destruição do seu povo, que certamente viria (14.17-22). 

II – APESAR DOS SEUS SOFRIMENTOS, O PROFETA SERÁ GUARDADO (CC. 15 E 16) No capítulo 15, prosseguindo em seu arrazoamento com o Senhor, o profeta tem de se resignar à revelação de que nem mesmo os maiores intercessores do seu povo seriam ouvidos pelo Senhor desta vez; mas com isto ele se lamenta por ter de anunciar uma mensagem tão dura, que o fazia ser hostilizado pelos seus conterrâneos (15.1-3, 10); ao que o Senhor lhe responde que o fortaleceria para enfrentar o tempo da calamidade, e que nesse tempo ele seria buscado pelos seus inimigos para que intercedesse em seu favor (15.11). Em seguida, o profeta indaga sobre sua sorte em meio à assolação do seu povo, e recebe de Deus a garantia de que teria sua vida por despojo, se tão somente se conservasse apartado do mal, e não cedesse a qualquer compromisso com os pecadores (15.15-21). A fim de ilustrar as calamidades que se abateriam sobre a nação, o Senhor mais uma vez toma o profeta e suas ações como exemplo, impondo-lhe restrições particulares – seja para que este não se casasse nem tivesse filhos, em alusão à morte pela espada e pela peste que acometeria os que nascessem na ocasião em que Judá fosse assolada (16.2-4); para que não frequentasse casas de luto, com isto sinalizando a chegada de um tempo em que os mortos não teriam quem os pranteasse, nem os enterrasse (16.5-7); tampouco frequentasse casas de festa e banquete, em sinal de que o Senhor faria cessar todo motivo para alegria e comemoração (16.8-9). 

III – A SOBERANIA DE DEUS SOBRE OS HOMENS (CC.18 E 19) Este capítulo 18 de Jeremias se assemelha em muitos aspectos ao seu paralelo em Ezequiel, pois aqui temos um claro testemunho de que Deus é soberano sobre as Suas criaturas, ao mesmo tempo em que lida com elas de acordo com a justiça (18.1-6). Ilustrando esta lição com a imagem de um oleiro trabalhando sobre o barro, o Senhor compara o Seu poder sobre Israel e sobre todas as nações ao do artesão sobre a sua matéria prima – tanto num caso como no outro, o destino da obra criada (o vaso, ou Israel) depende da vontade e do propósito daquele que a criou (o oleiro, ou Deus). De acordo com a vontade e o propósito de Deus, se o pecador se arrepender e agir em conformidade com a justiça, o vaso preparado para ira, para usar a linguagem paralela do apóstolo, se desfará; mas, caso o homem se desvie da justiça, a obra, ou o vaso para louvor e salvação é que se desfará nas mãos do Oleiro (18.7-10; cf. Rm 9.21-24; 2 Tm 2.19-21). E, de fato, naquela circunstância era Judá que estava sendo preparada como um vaso para ira, mas, caso se arrependesse, certamente essa obra se desfaria, e o povo seria refeito como vaso para louvor (18.11). Contudo, quando passamos para o capítulo 19, a terrível constatação de que o povo que havia escolhido ser vaso para desonra permaneceria nesta condição até o fim é ainda mais clara do que no anterior. Jeremias é ordenado a tomar uma botija de barro e, após anunciar o castigo de Judá e Jerusalém aos ouvidos dos anciãos, a quebrar o vaso aos seus olhos (19.1-10). A imagem e a simbologia do vaso do oleiro sem dúvida são as mesmas aqui; mas o fato de a botija de barro, uma vez quebrada, não poder mais ser refeita, ao contrário do vaso ainda moldável na roda do oleiro, reafirma que a nação já havia desperdiçado todas as oportunidades de arrependimento, e nada mais poderia curá-la do seu coração endurecido pelo pecado, restando apenas seguir até o fim o caminho que havia escolhido (v. 11; cf. Ap 22.11). 

CONCLUSÃO A mensagem de Jeremias continua atual para os nossos dias, ilustrando como o pecado pode se arraigar no coração a ponto de cauterizar os sentidos e não permitir que o homem vislumbre o fim para o qual está sendo precipitado, nem perceba a misericórdia e boa vontade de Deus, que o chama até o fim ao arrependimento, pois quer antes que ele viva, e não morra.

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18 janeiro 2024

003-Lamento e reprovação à desobediência - Jeremias 03[Pr Afonso Chaves]16jan2024

 

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LIÇÃO 3 

LAMENTO E REPROVAÇÃO À DESOBEDIÊNCIA 

TEXTO ÁUREO: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.23-24) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 9.1-14 

INTRODUÇÃO Depois de considerar a rebeldia do povo de Judá e o terrível castigo que se abateria sobre a nação, e que de nada adiantaria invocar o nome do Senhor, se não houvesse sincero arrependimento; o profeta apresenta novas razões para temer o pior que estava por vir, pois os pecados de Judá eram grandes e não podiam ficar impunes. Veremos que a consideração desses pecados despertava em Jeremias um profundo sentimento de empatia e compunção pelo povo, mas ao mesmo tempo o horrorizava e fortalecia em seu coração o desejo de que Deus manifestasse logo a Sua justiça. 

I – A SABEDORIA ESTÁ EM CONHECER O SENHOR E OS SEUS CAMINHOS Embora acreditassem que, por terem o templo de Deus entre eles, ao mesmo tempo em que ofereciam incenso à rainha dos céus e passavam seus filhos pelo fogo no vale de Hinom, praticamente às portas de Jerusalém, nutrindo assim uma falsa e ímpia esperança de proteção contra qualquer mal que pudesse se abater sobre eles; o Senhor já havia dito que a terra seria assolada, e todos os lugares que consideravam sagrados seriam profanados (8.1-3). Mas neste capítulo oito queremos chamar a atenção para a tristeza e decepção expressas pelo profeta – num reflexo do próprio desapontamento de Deus pela condição decaída do Seu povo. A contínua apostasia de Judá refletia uma ignorância, uma falta de sabedoria inexplicável, inferior até mesmo ao comportamento instintivo mais básico dos animais: “Cairão os homens e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão e não voltarão?” (8.4-7; cf. Is 1.3; Sl 49.20). Como podia ser este um povo especial dentre todas as nações, a propriedade peculiar do Senhor, que se gloriava em ter a Lei como guia, quando até os mais entendidos entre eles se entregavam às paixões mais vis dentre as nações, e não se envergonhavam de cometer as maiores abominações; e ainda insistiam acreditar e proclamar a paz na desobediência? (8.8-15). A lamentação que significa fraqueza, mas revela uma grave reflexão sobre a situação desesperada de Jerusalém e Judá; ao invés de ele mesmo criar falsas expectativas, Jeremias é realista e não vê motivos para se consolar, ou esperar uma melhora na situação do povo. Usando os argumentos que os pecadores apresentavam para justificar sua falsa segurança (e respondendo também aos que já haviam sido levados em cativeiro), o profeta reafirma que seria em vão esperar que o Senhor protegesse Sua morada (Jerusalém), quando o povo havia introduzido falsos ídolos ali; seria inútil contar com as virtudes e bênçãos proverbiais da terra da promessa, quando eles se haviam feito incuráveis pela sua impenitência, e desprezado toda oportunidade de salvação (8.18-22). O que restava então era chorar pelos mortos, que certamente seriam numerosos, mas até mesmo o profeta se via em dificuldade para isto, pois estava no meio de um povo impenitente que, ao invés de se juntar a ele na sua lamentação e pranto, preferia se deleitar e festejar no pecado (9.1-3, 4-6). Seu desejo, portanto, era se isolar daquele povo, porventura indo às terras já assoladas pelo castigo de Deus, e esperar que, numa situação onde nada mais pudesse mudar a sentença de juízo, alguém reconhecesse a justiça de Deus por ter assolado a terra (9.10, 13-14, 23-24). 

II – JUDÁ TROCOU O SENHOR PELOS ÍDOLOS E QUEBROU A ALIANÇA Aqui o Senhor mostra como o povo de Judá se havia feito incircunciso entregando-se às vaidades e superstições das nações vizinhas, que não conheciam ao Deus vivo que criou os céus e a terra, mas serviam aos ídolos fabricados por suas próprias mãos. Quando chegasse o tempo da visitação sobre as nações, os ídolos se mostrariam inúteis e incapazes de livrá-las, mas o Senhor seria exaltado pelos Seus juízos (10.1-15). E, ao fazer esta denúncia contra os deuses das nações, vemos aqui, ao mesmo tempo que a esperança de uma destruição não completa, uma não menos terrível declaração da gravidade do pecado cometido por Judá, pois o mal vindo do Norte para destruir as nações assolaria todas as suas cidades (10.20-23). Ao que o profeta clama ao Senhor para que castigue o Seu povo com medida, deixando o derramar completo da Sua ira para as nações que não O conhecem nem entendem os Seus caminhos (10.24-25). Uma segunda palavra dirigida a Israel (Judá) chama a atenção de Jeremias para o fato de que, havendo firmado um concerto com os pais, estes foram infiéis ao seu juramento, e não deram ouvidos à voz do Senhor, mas não escaparam ao castigo divino, conforme estabelecido nas próprias palavras do Concerto (11.2-5). O profeta agora é ordenado a lembrar aos seus conterrâneos o teor destas palavras, e o destino dos seus pais desobedientes, e a denunciar a conjuração, isto é, o esquema de traição em que o povo de Judá havia se envolvido, ao se voltarem para os ídolos das nações e quebrantarem o concerto de Deus (11.6-13), o que justificava o terrível castigo que estava prestes a acomete-los, e do qual não escapariam, pois, embora fossem amados por Deus, e plantados para produzir fruto, haviam se desviado de tal forma que seriam como que incendiados (11.15-17). 

III – A CONSPIRAÇÃO CONTRA O PROFETA Jeremias então é informado pelo próprio Deus de uma conspiração contra a sua pessoa, em razão das duras palavras que estava anunciando ao povo, mas o que lhe causa maior consternação é saber que os que desejavam mata-lo eram seus próprios conterrâneos, moradores de Anatote (11.18-23). Isto desperta a indignação do profeta, que não somente clama pelo castigo contra os seus conspiradores – o que o Senhor confirma que fará quando da visitação de Judá e Jerusalém – mas também questiona até quando terá de suportá-los prosperando em seus caminhos e na sua oposição à palavra do Senhor (12.1-2). O profeta estava seguro da sua inocência e sinceridade para com Deus; por certo, era acusado de desejar o mal do seu povo, e a origem divina das suas palavras era questionada no sentido de que não se cumpririam, e ele não veria o fim deles (12.3-5). Mas a resposta do Senhor a Jeremias é que, se isto lhe parecia difícil de suportar por muito tempo, o que ele faria se soubesse que seu próprio pai e irmãos estavam entre os que o aborreciam pelo seu ministério profético, dissimulando seu descontentamento com palavras boas que diziam na presença do profeta? Pois era exatamente este o caso – os da própria família de Jeremias tornando-se seus inimigos, e assim o profeta sendo orientado a não confiar nos homens, pois deles receberia apenas oposição e sofrimento (12.6; Mt 5.11-12; 10.36; 24.9; cf. Mq 7.5). 

CONCLUSÃO Nesta lição aprendemos que nada podemos esperar dos homens, pois, se o pecado não os impede de trair e abandonar o próprio Deus, que só deseja o seu bem e a sua salvação, que constrangimento terão em perseguir aqueles que denunciam os seus caminhos perversos? Esperemos apenas no Senhor, que é aqu’Ele que pode salvar e que, na ira, pode se lembrar da misericórdia.

PARA USO DO PROFESSOR

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09 janeiro 2024

002-Quando o povo recusa a salvação - Jeremias Lição 02 [Pr Afonso Chaves]09jan2024

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LIÇÃO 2 

QUANDO O POVO RECUSA A SALVAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os teus maus pensamentos?” (Jeremias 4.14) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 7.1-16 

INTRODUÇÃO Tendo já introduzido os temas principais da profecia de Jeremias, prosseguiremos aqui considerando como Deus fala através deste profeta sobre a recusa do povo de Judá em aceitar a Sua proposta de reconciliação; sobre a sua obstinação no pecado e na impenitência; sobre o juízo divino, já determinado e do qual de modo algum escapariam se não se arrependessem; e das suas falsas e vãs esperanças. A fim de facilitar a distribuição da lição em tópicos, faremos um estudo mais temático abrangendo os capítulos 4 a 7, ao invés de seguirmos o texto na ordem em que se nos apresenta. 

I – DEUS AINDA ESTÁ DISPOSTO A PERDOAR Encerramos a lição anterior comentando sobre a disposição de Deus em perdoar e receber o Seu povo de volta, curando-os de suas muitas aflições; mas desde que se convertessem de coração, e não O servissem apenas da boca para fora. Uma verdadeira conversão significaria confessar o Senhor como único Deus e renunciar aos ídolos e seus altares; bem como reconhecer a justiça dos castigos que já haviam padecido pela sua desobediência e rebelião (3.22-25). Quem mais haveria de ganhar por voltar-se para Deus seria o próprio povo, que assim deixaria de “semear entre espinhos”, e evitaria a indignação que, uma vez derramada, seria como fogo que não poderia ser apagado (4.1-4; 6.8). Esta palavra nos lembra que, embora misericordioso e paciente, o Senhor não tem o culpado por inocente e que, sem arrependimento, o pecador não escapará ao castigo (cf. Na 1.2-3). O desejo de Deus é que o ímpio se converta, e viva, e mesmo na circunstância descrita por Jeremias, ainda que tivesse de castigar todo um povo rebelde, o Senhor perdoaria qualquer um deles que praticasse a justiça e buscasse a verdade (5.1-2; cf. Ez 18.4, 23). Contudo, em lugar de uma verdadeira conversão, o que se via entre eles era uma falsa piedade, e uma dureza de coração até diante dos maiores castigos de Deus, e a indiferença para com a Palavra tanto entre os pobres e ignorantes como entre os grandes e entendidos. De fato, todo o povo sabia o que Deus pedia deles, porque os profetas anunciavam e ensinavam a Palavra como atalaias tocando buzinas, de modo que ninguém podia se dar por desavisado; mas eles simplesmente não queriam obedecer (5.3-5; 6.16-17; cf. Mq 6.8). O Senhor antecipa então ao profeta que, apesar de todos os Seus esforços para avisá-lo e desviá-lo do seu caminho mau, o povo de Judá era contumaz e obstinado – não correspondia e não se deixava purificar, nem mesmo considerando que os castigos anteriores deviam ter servido para afastar o pecado de seus corações (6.29-30; cf. Lc 13.6-9; Tg 1.2-4; Hb 12.4-11). O propósito de Deus, já revelado no início da chamada de Jeremias, se confirma: o juízo virá sem falta, e o povo nada fará para mudar essa situação; seria inútil qualquer outro esforço, e o próprio profeta é orientado a não orar mais pelos seus conterrâneos (4.8, 28; 7.16). 

II – O JUÍZO SERÁ TERRÍVEL, MAS JUSTO, E NÃO SERÁ FINAL Ninguém ignorava a ameaça representada pelos caldeus à terra de Judá; e, logo no início do seu ministério, o profeta havia recebido a visão de que o mal sobre o seu povo viria do norte. Considerando então a gravidade dos pecados de Judá e a sua indiferença ante a diligência e insistência de Deus por convertê-los, é dado ao profeta um vislumbre do juízo a ser executado através da poderosa e violenta nação liderada por Nabucodonosor, já despertado com o intento de punir Judá e Jerusalém (4.5-7; 5.15-17; 6.22-24). Restava então somente lamentar pela tragédia que se abateria sobre essa terra, ou evitá-la antes que o exército caldeu chegasse – já que ninguém se arrependia, porventura alguém temeria o Senhor ao menos para atender ao alerta para escapar para longe (6.1-6; cf. Ex 9.20-21). O quadro da assolação do povo de Deus pelas mãos de uma nação ímpia e idólatra lhes parecia incompreensível e vergonhoso; mas, considerando que haviam abandonado o Deus vivo que lhes era tão chegado como nenhum dos ídolos das nações para os quais Judá e Jerusalém haviam se voltado, como puni-los de outra forma, senão entregando-os nas mãos dos seus inimigos, e assim mostrando – inclusive às nações pagãs – que foram destruídos porque abandonaram o Senhor Deus de seus pais (5.5- 9, 19-22; cf. Ez 36.17-20)? É especialmente sobre isto que o profeta se lamenta porque, conhecendo o Senhor, poderiam ter evitado esse juízo, mas, como loucos, fizeram de tudo para merecê-lo (4.19-22). Mas, finalmente, consideremos que, embora determinado, e terrível na sua execução, este juízo não seria final – o propósito de Deus não era fazer de Judá o mesmo que havia feito com as dez tribos do norte (Israel). A assolação seria grande e desesperadora o suficiente para aniquilar qualquer esperança vã de livramento e esmagar toda a presunção e obstinação; mas, ainda assim, não seria final (4.27; 5.10, 18). E, nestas breves palavras, percebemos a indicação de uma revelação ainda a ser desvendada através de Jeremias, mas já conhecida em outros profetas, acerca do remanescente que se converteria ao Senhor e voltaria para a terra após o cativeiro em Babilônia. 

III – AS ILUSÕES E FALSAS ESPERANÇAS DE UM POVO REBELDE Em grande parte responsáveis pela obstinação do povo no pecado, os falsos profetas são aqui denunciados pela primeira vez de uma forma breve, antes de uma acusação mais ampla em um momento posterior da profecia de Jeremias. Primeiramente, ao enganarem o povo com palavras de paz, lançavam descrédito sobre os profetas verdadeiros, que anunciavam a necessidade de arrependimento ante a iminência do juízo, e com isto os falsos profetas levavam o povo a desprezar a palavra de Deus (5.12-14). Mas, como um aspecto do castigo de Deus, esta seria uma forma de trazer ainda maior confusão sobre o povo de Judá e Jerusalém, pois, diante do terror e da espada, os enganadores seriam desmascarados, e os pecadores seriam apanhados na sua malícia (6.13-14; cf. Dt 13.1-5). Outro grande tropeço para que não se convertessem verdadeiramente ao Senhor era a vã esperança de que, por ser a cidade onde se achava a casa de Deus, o lugar que Ele havia para ali fazer habitar o Seu nome, nenhum mal sobreviria a Jerusalém, pois o Senhor jamais destruiria o Seu templo. E, por certo, era ali que, segundo a promessa do próprio Deus, eles haveriam de encontrar perdão, socorro e livramento de quaisquer males; mas quando e se tão somente se convertessem dos seus maus caminhos (7.2-7; cf. 2 Cr 7.12-14). Do contrário, alegar a santidade do templo como proteção contra a impiedade seria um discurso vão, como a tragédia que se abateu sobre o santuário em Siló, nos tempos de Samuel, justamente em razão do pecado dos sacerdotes e do povo (7.12-14; cf. 1 Sm 4.4-11). O Senhor desejava habitar não em uma casa feita por mãos de homens, mas com e no meio do Seu povo; para o que eles precisavam ser santos (Ex 25.8; Lv 20.26). Contudo, queimando incenso à rainha dos céus e sacrificando seus filhos nos altos de Tofete, Judá havia se contaminado e afastado Deus do meio deles; nesta circunstância, o templo servia apenas para alimentar a superstição do povo, e seria inútil para evitar a destruição, da qual inclusive faria parte (7.17-18, 31-34). 

CONCLUSÃO A profecia de Jeremias nos ensina, nos capítulos estudados nesta lição, que o Senhor é longânimo e paciente, e Sua misericórdia se estende além da razão e medida humana, não havendo limites para o quanto Ele pode perdoar. Mas ninguém pode enganar a Deus, pois Ele conhece os corações e sabe quando o arrependimento é verdadeiro e sincero, ou quando consiste apenas de palavras vazias.

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