09 agosto 2022

007-Jesus e a humildade -Ensinos de Jesus Lição 07[Pr Denilson Lemes]09ago2022

  LIÇÃO 7 

JESUS E A HUMILDADE 

TEXTO ÁUREO: “Porquanto, qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Lc 14.11) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 11.25-30 

INTRODUÇÃO Uma das lições mais tremendas e desafiadoras de nosso Senhor Jesus, ministrada primeiramente através do Seu exemplo maravilhoso e depois inculcada nos Seus discípulos, é a da humildade. Embora já tenhamos considerado um aspecto desta virtude como demonstração de genuíno amor ao próximo, há muito o que se dizer em particular sobre a humildade, e suas aplicações em nosso relacionamento com o próximo e com Deus recebem especial atenção em mais de uma passagem dos evangelhos. 

I – APRENDENDO A SER HUMILDE COMO JESUS (MT 11.25-30) Anteriormente, Jesus havia denunciado a incredulidade de cidades da Galiléia como Betsaida, Corazim e Cafarnaum, as quais haviam presenciado a maior parte dos Seus milagres, mas, mesmo assim, não haviam se arrependido para crer no evangelho. Para agravar a perversidade desses judeus, o Senhor os compara com os habitantes de Tiro e Sidom, bem como os de Sodoma e Gomorra, afirmando que, mesmo não tendo o conhecimento que aqueles tinham para identificar os sinais de que o reino dos céus havia chegado, nem sido privilegiados com tão abundante demonstração desses sinais como aqueles foram, esses gentios teriam se convertido ao testemunhar os milagres de Cristo. Assim, o que poderia ter sido uma grande bênção para essas cidades, elevando-as até os céus, como disse Jesus, se tornaria a causa de um juízo mais severo e uma condenação ainda mais terrível para elas (cf. Lc 12.48). Segue-se então a exultação do Senhor sobre a verdade ilustrada neste episódio, de que a salvação, isto é, a revelação de que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, depende, não da capacidade humana, mas da soberana vontade do Pai; e que, ao invés de atentar para aqueles que são ou possuem alguma coisa neste mundo, Deus prefere rejeitar os tais e voltar-se para aqueles que não têm nem são coisa alguma de que se gloriar. Em outras palavras, Deus escolheu salvar os humildes. Isto não significa que os sábios, e ricos, e grandes em qualquer outro sentido mundano, sejam automaticamente excluídos da salvação; apenas que são poucos os que dentre eles que se salvam, pois, enquanto os homens apreciam essas grandezas mundanas, o Senhor as despreza, e para mostrar isto e incutir neles a necessidade de se fazerem humildes, renunciando a toda pretensão à vanglória, Ele salva principalmente os simples, e pobres, e pequenos deste mundo (cf. 1 Co 1.19-21, 26-29; Tg 2.5; Fp 3.4-9). Jesus então convida Seus ouvintes ao exercício dessa humildade sem a qual ninguém herdará o reino dos céus. Primeiro, porque, sendo Ele próprio um sinal de contradição diante de tudo aquilo em que os homens se vangloriam, é rejeitado e odiado pelo mundo, mas aceito por muitos que, não obstante – ou, mais de acordo com a sabedoria divina, justamente por sua condição miserável neste mundo, atenderam prontamente ao chamado do evangelho (cf. Mt 21.28-32; Jo 12.42-43; Is 53.1-4). Segundo, porque Jesus convida a Si e oferece descanso aos cansados e oprimidos – ou seja, àqueles que, afligidos e rejeitados pelos homens devido à sua condição neste mundo, são levados a refletir sobre sua real condição pecaminosa, e, humilhados, anseiam por livramento, perdão e paz com Deus (cf. Ef 2.14- 16; Rm 5.1). E, em terceiro lugar, porque é necessário não somente crer, mas fazer-se discípulo de Cristo, isto é, imitar o exemplo de um Mestre que é manso e humilde de coração, tendo revelado a perfeição desta virtude na obediência à vontade de Deus (cf. Fp 2.5-8; 1 Pe 2.21-24). Não por acaso, os exaltados e soberbos são também chamados nas Escrituras de homens de dura cerviz, pois são incapazes de se curvar e tomar o jugo da obediência a Deus (cf. Sl 75.4-5; Ne 9.16). 

II – HUMILDADE DIANTE DE DEUS (LC 18.9-14) Na presente passagem, temos uma aplicação do que já dissemos no tópico anterior sobre a humildade ser absolutamente indispensável para aquele que deseja entrar no reino dos céus. No caso da parábola, dois homens, um fariseu e um publicano, subiram ao templo com o mesmo intento de se apresentar diante de Deus, mas somente um foi justificado ou aceito por Deus. Notemos que o fariseu não voltou para casa sem justificação por causa de suas obras, que eram, todas elas, atos legítimos de piedade para com Deus. Tampouco por ter se gloriado delas como se fossem atos de sua própria realização, mas antes agradeceu a Deus por cada ato de piedade que praticava. O seu erro estava em confiar em tais obras, em se gloriar nelas, como uma garantia de aceitação diante de Deus; sua segurança não estava na misericórdia e graça divina, mas naquilo que ele era e fazia, e esta vanglória, exaltação ou soberba que, embora disfarçada sob o véu da piedade, é inaceitável aos olhos de Deus (cf. Sl 138.6). Ao fariseu faltou a consciência de sua própria miséria e indignidade diante da glória, santidade e justiça de Deus – consciência esta que o publicano, na ausência de qualquer boa obra que pudesse apresentar em seu próprio favor, mais facilmente (na verdade, pela graça de Deus) pode alcançar e assim admitir que nada o habilitava a ser ouvido, exceto a misericórdia divina: “Tem misericórdia de mim, pecador!” Em suma, humildade é indispensável ao homem que comparece diante de Deus e espera ser aceito em suas petições (cf. Dn 10.12). 

III – HUMILDADE PARA COM O PRÓXIMO (LC 14.7-14) Neste último texto da lição, Jesus desmascara a soberba e exaltação que os fariseus emulavam entre si, um procurando se destacar e receber mais aplausos que o outro; essa ambição decorre da falta de humildade para com o próximo. O fato é que, assim como em relação ao amor, a soberba para com o próximo não é muito diferente da soberba diante de Deus. E, mesmo sob o pretexto de agradar a Deus, o soberbo busca, na verdade, o aplauso e a exaltação sobre o próximo; por isso Jesus disse que a recompensa dos tais já está na glória deste mundo – e por isso não receberão nada da parte de Deus (cf. Mt 6.1-2, 5, 16). Nesta passagem, o Senhor não está condenando as distinções sociais e honrarias que possam ser conferidas entre os homens, mas a atitude daqueles que deveriam se preocupar mais com a glória de Deus e o louvor que vem d’Ele, praticando Seus deveres de piedade com um coração sincero e humilde para com Ele, ao invés de se gloriarem sobre sua religiosidade sobre outros. Naquele grande dia, essa ambição se revelará, e se tornará motivo de grande desonra e humilhação para eles. Assim como no caso da oração, do jejum e das esmolas, o exemplo aqui apresentado por Cristo ilustra a verdadeira atitude daquele que não busca a glória deste mundo, mas humildemente espera e deseja a recompensa que vem de Deus: “Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado serás na ressurreição dos justos”. Em suma, devemos nos conduzir em humildade com o próximo porque nosso Mestre Jesus assim se conduzir em relação a nós, não se exaltando sobre ninguém (cf. Mt 12.16-20), mas antes vindo a este mundo para servir com a Sua própria vida, e assim deixando-nos a lição de que, no reino dos céus, aquele que deseja ser considerado grande deve se fazer servo dos demais (cf. Mt 20.25-28). 

CONCLUSÃO Somos apenas criaturas, que nada temos de realmente grandioso e duradouro para nos gloriar nesta vida, e cuja existência está inteiramente nas mãos de Deus que, embora todo-poderoso e tão grandioso que nem os céus dos céus podem conter, ainda assim atenta para aqueles que são humildes de coração.

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02 agosto 2022

006-Jesus e o Ministério - Ensinos de Jesus Lição 06[Pr Denilson Lemes]02ago2022

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LIÇÃO 6 

JESUS E O MINISTÉRIO 

TEXTO ÁUREO: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19) 

LEITURA BÍBLICA: LUCAS 5.1-11 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje estudaremos episódios relacionados ao tema proposto, a saber, o ministério da palavra de Deus. Embora muitas vezes apresentado nos ensinos de Jesus em conexão com o chamado mais geral da própria salvação, é importante ressaltar as suas particularidades e implicações para a vida do cristão, seja aquele que cumpre o “ide”, testemunhando de Cristo às almas, seja aquele que possui um chamado específico para pregar, ensinar e dispensar aos seus conservos a boa palavra de Deus. 

I – O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO (LC 5.1-11) Dentre as três versões deste episódio (cf. Mt 4.18-25; Mc 1.16-20), a de Lucas é a única que relata o milagre associado ao chamamento de Pedro, Tiago, João e André pelo Senhor Jesus. Cristo já vinha ministrando aos habitantes da Galiléia e era bem conhecido, inclusive destes que se tornariam Seus primeiros discípulos; notemos essa familiaridade no fato de Jesus servir-se do barco de Simão para ministrar naquele dia, e de este chamá-lo reverentemente de “Mestre”. E, quando são mandados a voltar ao mar alto e lançar as redes, notemos que há uma pronta obediência por parte deles à palavra de Jesus, mesmo ainda não conhecendo que Ele era o Cristo e, portanto, não esperando um milagre – o que Pedro ressalta na observação: “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, porque mandas, lançarei a rede”. E, para surpresa deles, o milagre acontece. Aqueles quatro homens, especialmente Pedro, tanto se alegram como se espantam com o milagre e Pedro, em particular, convencido de que Jesus era muito mais do que um mestre ou profeta, sente sua própria indignidade ante a divindade e santidade do Mestre – à semelhança do que ocorreu com muitos profetas no passado, quando do seu chamamento por Deus e pouco antes de receberem a incumbência para anunciar a palavra divina (cf. Is 6.1-7). Sem a convicção de que era o próprio Deus que os chamava para uma obra de natureza e importância muito superior ao ofício que até então exerciam, eles não teriam atendido tão prontamente à ordem de Jesus para deixar tudo e segui-l’O, e tornarem-se Seus obreiros (cf. Mt 4.22); pois, sem essa convicção, tendemos a deixar que os cuidados desta vida facilmente ofusquem a grandeza e dignidade da obra de Deus (cf. Lc 9.57-62; Jo 21.1-3). As palavras de Cristo: “Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens”, ou, como são dirigidas a Pedro: “Não temas; de agora em diante, serás pescador de homens”, implicam, mais do que um chamado para ser discípulo, um chamado para ser também obreiro de Cristo. Notemos que ambas as coisas estão incluídas num mesmo chamamento, de modo que aquele que verdadeiramente é ministro de Deus possui uma incumbência particular no serviço do Mestre, a qual, se não cuidar para cumpri-la fielmente, ele não apenas será reprovado como obreiro, mas como discípulo de Cristo (cf. 1 Co 9.16; Lc 17.7-10). Por outro lado, o episódio que consideramos aqui ilustra, através do milagre da pesca maravilhosa, quão mais sublime e importante, e certa de sucesso, é a obra do ministério do que qualquer outro empreendimento humano: se antes o seu ofício era o de saciar a fome do corpo, pescando peixes, agora, como pescadores de homens, os apóstolos (assim como todos os que são igualmente chamados) saciariam a fome espiritual das almas, sua necessidade de salvação eterna, puxando-as das trevas deste mundo com a “rede da salvação” do evangelho, e trazendo-as à terra firme do reino dos céus (cf. Mt 13.47-50). E, se aqueles que lançaram suas redes sob a palavra de Cristo tiveram um sucesso tão maravilhoso e inesperado, quão mais abundante será o fruto daqueles que, como nos ensinou o Senhor, trabalham num campo onde há muito para se fazer, mas poucos para atender à demanda espiritual (cf. Jo 4.35-38; Mt 9.36-38). 

II – OS PRIVILÉGIOS DO MINISTÉRIO (MT 10.1-8) Nesta segunda passagem encontramos diversas orientações de Jesus aos Seus discípulos, por ocasião em que estes foram capacitados e enviados para cumprir seu ministério. E a primeira coisa que gostaríamos de destacar aqui é a autoridade e o poder que o Senhor concedeu, não apenas aos apóstolos, mas a todos quantos foram incumbidos do ministério da palavra (vv. 1-8; cf. Lc 10.1-2, 19-20; At 1.8). Esta autoridade e poder significam que, sendo o ministério uma obra divina, e que encontra forte oposição por parte, não apenas de inimigos carnais e visíveis, mas também espirituais; nenhum sucesso teríamos se contássemos apenas com nossas próprias forças e a nossa limitada compreensão do mundo espiritual (cf. At 19.13-16; 2 Co 10.4). Mas, pela nossa instrumentalidade, Deus opera a salvação das almas, concedendo eficácia à palavra da nossa pregação, e até mesmo realizando milagres de ordem material em confirmação a essa palavra, se assim Lhe aprouver (cf. Jo 9.1-3; Mc 16.17-20). Consideremos ainda a providência divina em favor daqueles que atendem ao chamado do ministério (vv. 9-11). Se Deus orienta Seu povo a suprir as necessidades materiais daqueles que servem especial e integralmente nas coisas de Deus (cf. 1 Co 9.7-11, 13-14); quanto mais Ele mesmo proverá o necessário para que aqueles que servem nos interesses do reino dos céus possam fazê-lo sem inquietações. Por outro lado, as palavras consideradas aqui representam também um apelo à confiança no Senhor, que, no pouco ou no muito, nunca nos faltará (cf. Mt 6.33; Lc 22.35; Fp 4.12-13). Por último, queremos destacar, não como um fardo, mas como um privilégio, a oposição que o ministério da palavra “naturalmente” despertará, suscitando perseguições, ameaças e até mesmo riscos à nossa integridade física e material (vv. 16-18, 22, 25, 28). O pecado torna os homens sutis e maliciosos contra aqueles que apregoam o evangelho, levando-os a procurar algo de que acusar e condená-los, tal como fizeram com o próprio Senhor Jesus (cf. Jo 15.18-21); ou a intimidá-los, tal como tentaram fazer com os apóstolos (cf. At 5.17-29, 40-42). A própria morte pelo evangelho pode tornar-se um risco real em diversas situações, como sucedeu a muitos no passado e no presente (cf. At 12.1-2; Hb 11.35-38). Mas este é, de fato, mais um sinal da aprovação do nosso ministério, o qual deveríamos receber com alegria por ter sido julgados dignos de participar da mesma sorte que nosso Mestre (cf. Fp 1.29-30). 

III – A RESPONSABILIDADE DO MINISTÉRIO (MT 24.45-51) Embora esta passagem esteja inserida numa orientação geral acerca da vigilância, em conexão com uma parábola que se aplica indistintamente a todos os que desejam ser aprovados na vinda de Cristo; a pergunta de Pedro feita na ocasião: “Senhor, dizes essa parábola a nós ou também a todos?” (cf. Lc 12.41) leva o Senhor Jesus a explicar que, se os servos – isto é, os discípulos – devem ser achados cumprindo fielmente seus deveres até que o senhor volte, quanto mais o mordomo – isto é, os apóstolos e, por conseguinte, os obreiros em geral – cujos deveres implicam tanto em honra como responsabilidade para com os demais conservos, administrando os bens da casa e orientando as tarefas dos demais. No reino dos céus, a deslealdade ou negligência de um ministro repercute não apenas em sua própria vida particular diante de Deus, mas também naqueles que espiritualmente estão ligados ao seu ministério. Ora, se o servo mau e negligente será castigado pelo prejuízo que causou ao seu senhor naquilo que lhe foi particularmente confiado, quanto maior castigo receberá o servo cuja negligência afetou não apenas o seu serviço, mas também o dos seus semelhantes? (cf. Lc 12.47-48; Tg 3.1). 

CONCLUSÃO Consideremos quão grande é a misericórdia e graça de Deus que, como se fosse pouco nos dignar com o chamado de sermos discípulos de Seu Filho Jesus, ainda nos concede a honra de estender esse chamado a outros, e de influenciarmos uns aos outros no exercício deste chamado através do ministério da palavra.

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26 julho 2022

005--Jesus e a hipocrisia religiosa - Ensinos de Jesus Lição 05[Pr Denilson Lemes]26jul2022

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 LIÇÃO 5

JESUS E A HIPOCRISIA RELIGIOSA

TEXTO ÁUREO: “Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” (Lc 12.1)

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 15.1-9

INTRODUÇÃO A partir das discussões de membros da liderança política e religiosa do povo de Israel – isto é, os fariseus e saduceus, escribas e doutores da lei – com o Mestre, podemos facilmente constatar que esses homens eram constantemente confrontados pelos ensinos de Jesus. Esse confronto se dava tanto pelo aparente zelo religioso que alardeavam diante do povo, como pela falta de sinceridade de suas vidas diante de Deus – falta de sinceridade essa que é chamada de hipocrisia e que se evidenciava em diversas atitudes pecaminosas que eles encobriam com o véu da falsa religiosidade, e que o Mestre desmascarou oportunamente, exortando-nos a evita-las como um fermento que corrompe a verdadeira piedade.


I – A HIPOCRISIA DESONRA A DEUS (MT 15.1-9) O primeiro episódio que ilustra o perigo da hipocrisia religiosa é aquele em que os escribas e fariseus acusam os discípulos de Jesus de comerem sem lavar as mãos, supostamente invalidando a tradição dos antigos. A base desta acusação é que os antigos costumes dos israelitas, transmitidos oralmente de pai para filho, ao longo de muitas gerações, eram uma espécie de complemento necessário à correta observância da Lei de Deus, a fim de se evitar qualquer transgressão involuntária. No caso em apreço, a tradição ditava a necessidade de lavar-se muitas vezes para que nenhuma impureza porventura involuntariamente se apegasse ao corpo ou às mãos, e assim contaminasse o interior do indivíduo se este, com as mãos impuras, ingerisse algum alimento (cf. Mc 7.3-4; At 10.14). O Senhor Jesus devolve então a pergunta dos escribas e fariseus apontando uma falta ainda mais grave cometida por eles mesmos (cf. Mt 7.3-5). O Mestre demonstra, pela citação de um caso particular, que a tradição dos antigos contradizia o mandamento de Deus; e que, especialmente nesse caso de contradição, era preferida pelos fariseus e escribas à própria palavra de Deus. No primeiro aspecto, essa tradição se mostrava ser doutrina de homens, e não de Deus, pois a palavra divina não se contradiz. No segundo aspecto, o zelo daqueles líderes ficava desmascarado como hipocrisia religiosa, pois, embora afirmassem louvar a Deus, na verdade O negavam e desonravam, ao preferir a palavra de homens quando esta se opunha ao mandamento (cf. At 5.29). E este é apenas um dentre muitos outros casos que Jesus desmascara como uma prática ou atitude que, embora fosse guardada religiosamente pelos judeus, era contrária ao próprio espírito da Lei de Deus. A faceta da hipocrisia aqui ilustrada revela a terrível realidade espiritual de que o homem tende a buscar aceitação com Deus não em uma sincera disposição do coração que o impulsione a obedecer sem reservas aos mandamentos; mas em uma aparência de religião, enganando-se com a idéia de que ser aceito ou justo aos olhos dos homens é o mesmo que ser aceito e justo com Deus. E, por isso mesmo, ele se sente à vontade para repelir os mandamentos no seu íntimo, fomentando vícios e julgando que a pureza exterior é suficiente aos olhos de Deus (cf. Mt 15.10-11, 17-20; Lc 10.39-40). E, se não bastasse o fato de que o Senhor não aceita a atitude exterior desacompanhada da piedade no coração; esta passagem também revela que, levado por esse tipo de hipocrisia, o homem tende a se cercar de apoios religiosos exteriores criados por sua própria vontade e invenção, sob os mais diversos pretextos de piedade e “melhor” obediência a Deus, os quais não passam de práticas carnais, de verdadeiros ídolos; ou, tal como fermento, de doutrinas humanas que contaminam e invalidam todo esforço de se agradar a Deus (cf. 1 Sm 15.22-23; Cl 2.23; Mt 16.5-12). 

II – A HIPOCRISIA JULGA PELA APARÊNCIA (LC 6.41-46) Esta passagem reúne dois aspectos importantes do ensino de Jesus acerca do perigo da hipocrisia. O primeiro deles se encontra no fato de que o hipócrita tende a apontar e julgar as faltas que vê no próximo, ao invés de considerar os seus próprios pecados e procurar lidar com eles para o seu próprio bem (cf. Lm 3.39; 1 Jo 1.8). Os pecados daquele que é julgado pelo hipócrita são considerados menores (como um argueiro diante de uma trave) porque o que julga vê considera apenas a aparência, não sendo capaz de sondar a disposição do coração – de onde sai aquilo que realmente purifica ou contamina o homem. Assim, ao julgar o próximo, além de presumir um direito exclusivamente divino – há apenas um Juiz, que é Deus – o hipócrita pode estar muito longe da realidade do juízo divino quanto ao próximo e quanto a si mesmo (cf. Lc 18.10-14; Tg 4.12). O erro do hipócrita está em julgar pela aparência, e não segundo a reta justiça, como disse Jesus em outro lugar. Mas a citação: “Tira primeiro a trave...” sugere que o hipócrita negligencia o exame de sua própria consciência, mais fácil de se realizar em relação a si mesmo do que em relação ao próximo; tanto mais porque a comparação que se segue da árvore e seus frutos ilustra claramente que, quando nos julgamos a nós mesmos, a justiça ou impiedade se evidenciam por aquilo que procede do nosso coração, na forma de palavras ou obras, assim como o fruto evidencia o tipo de árvore. O hipócrita, ignorando o testemunho da sua própria consciência, prefere se ocultar na religiosidade que ostenta diante dos homens, pela qual condena os demais e se justifica a si mesmo (cf. Mt 12.34-37; Rm 2.1-3). 

III – OS HIPÓCRITAS SERÃO CONDENADOS POR DEUS (MT 23.1-4) A última passagem da lição é a que mais extensamente ilustra a gravidade do pecado da hipocrisia e a extensão de suas terríveis conseqüências e efeitos. Jesus inicia este discurso reconhecendo a existência daqueles que se incumbem de ensinar a doutrina. Existe o perigo dos falsos profetas, sim, como Jesus adverte em outro lugar; mas aqui Ele chama nossa atenção para aqueles que, embora ensinem a verdade com suas palavras, não a ensinam com suas obras, mas antes a negam. São rigorosos sobre o cumprimento da palavra por parte dos que os ouvem, mas não estão dispostos a cumpri-la por si mesmos (cf. 2 Tm 3.5). Não que os mandamentos de Deus sejam pesados; mas a forma como o hipócrita apresenta a doutrina de Deus não admite compaixão, misericórdia, mas apenas a constante ameaça da condenação para os faltosos (cf. Mt 12.7; 11.29; 1 Jo 5.3). Seguem-se então os ais, isto é, a ira de Deus atraída pela hipocrisia e seu desserviço ao reino dos céus. Consideremos (vv. 13-15) quantos são espiritualmente prejudicados pelo hipócrita, que não entra ele mesmo no reino dos céus por não obedecer à vontade de Deus, e impede outras almas, julgando-as e condenando-as injustamente pelos seus pecados, privando-as de qualquer apelo à misericórdia e perdão divinos. Quantos são os que se enganam com a sua aparência de piedade, enquanto o hipócrita se vale da boa vontade dos mais simples para se beneficiar a si mesmo (cf. 1 Tm 6.5). Como, no seu anseio por promover sua própria autoridade, o hipócrita até consegue trazer novos aderentes à fé, mas estes, com o tempo, aprendem os caminhos da dissimulação, tornando-se mais dignos de condenação do que seus mestres. Enfim, não obstante a hipocrisia ser um pecado que pressupõe o conhecimento da piedade, da religião, do evangelho, e mesmo de Cristo; naquele dia será desmascarada como a atitude daquele que, por praticar a iniqüidade, seja por qual pretexto for, jamais foi conhecido por Cristo (cf. Lc 13.25-27). 

CONCLUSÃO Porfiemos por viver o evangelho em sinceridade e verdade, julgando-nos a nós mesmos como estando diante de Deus, sabendo que Ele não olha o exterior, mas sim o interior, e que a Sua vontade é que a Sua palavra seja ouvida, guardada em nossos corações, e aplicada em nossos caminhos. 

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19 julho 2022

004--Jesus e o amor ao próximo - Ensinos de Jesus Lição 04[Pr Denilson Lemes]19jul2022

            
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 LIÇÃO 4 

JESUS E O AMOR AO PRÓXIMO 

TEXTO ÁUREO: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.” (Rm 13.8) 

LEITURA BÍBLICA: LUCAS 10.25-37 

INTRODUÇÃO Alguns dos ensinos mais notórios e surpreendentes de Jesus são aqueles que dizem respeito ao nosso relacionamento com o próximo. Surpreendendo a muitos religiosos que esperavam poder justificar-se diante de Deus à parte e alheios aos seus semelhantes, a máxima exarada no mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” – e demonstrada perfeitamente na obra consumada na cruz – ilustra a importância vital da prática do amor ao próximo, em todas as suas aplicações e aspectos, para aquele que verdadeiramente deseja seguir o Mestre. 

I – QUEM É O MEU PRÓXIMO? (LC 10.25-37) A questão inicial proposta a Jesus pelo escriba não é diferente daquela feita pelo jovem rico, exceto que desta vez a intenção era a de tentar o Mestre, esperando que Ele dissesse algo que destoasse da Lei. O escriba desejava saber o que fazer para herdar a vida eterna e a resposta é extraída pelo Mestre da própria boca do inquiridor: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Há que se destacar que a parte final desta citação não consta na mesma passagem (cf. Dt 6.5; Lv 19.18), mas, ao ser indagado em passagens paralelas, tanto Jesus afirmou como os próprios escribas reconheceram que amar a Deus e ao próximo eram os mais importantes mandamentos, e que esta era a essência da Lei (cf. Mt 22.34-40; Mc 12.28-34). É louvável que este homem tenha admitido que a verdadeira piedade consiste mais numa disposição interior de sinceridade e voluntariedade para com Deus do que em formas exteriores de religiosidade; e considerado que amar o próximo seja um mandamento de quase igual importância. Mesmo assim, ele procura tranquilizar sua própria consciência diante do conselho: “Faze isso e viverás”, e recorre ao subterfúgio de perguntar: “Quem é o meu próximo”, sugerindo o seu desconforto com o fato de que devemos amar a todas as pessoas, sem exceção – e não apenas amar os que nos amam, e odiar nossos inimigos, como dizia a tradição dos antigos. Jesus responde ao escriba com uma ilustração cujo ensino é de que qualquer pessoa é o nosso próximo, mesmo aquele que por qualquer outro motivo seríamos levados a considerar um inimigo; e ao mesmo tempo condena a hipocrisia dos escribas e fariseus, apontando sua falta de compaixão e misericórdia, não com inimigos, mas com seus próprios conterrâneos, a despeito de toda a sua religiosidade (cf. Mt 12.7). Era um judeu, como eles, que descia de Jerusalém para Jericó, e que havia caído na emboscada dos assaltantes; mas nem a religião do levita, nem a ciência do doutor foram suficientes para comovê-los em relação ao seu próximo; ao passo que o samaritano, “vendo-o, moveu-se de íntima compaixão”, e isto a despeito da acirrada aversão que havia entre judeus e samaritanos (cf. Jo 4.9, 20). O escriba admitiu, a contragosto, que o samaritano havia sido o próximo do judeu ferido na estrada, porquanto havia usado de misericórdia; e aqui chamamos a atenção para o aspecto de que amar o próximo significa ser o próximo de outro. Os escribas e fariseus amavam apenas aqueles que os amavam, numa atitude semelhante à de muitos hoje que acreditam ser o sentido do mandamento em pauta; mas a lição aqui é que não devemos amar apenas amigos, parentes ou irmãos na fé; devemos amar a todos os nossos semelhantes, sejam eles estranhos, sejam eles inimigos (como o samaritano poderia ter considerado o judeu, e vice-versa), estando sempre prontos para ser o próximo de qualquer um que precisar da nossa misericórdia e compaixão (cf. Mt 5.43-45; Rm 12.20-21).

II – HUMILDADE, ESCÂNDALOS E PERDÃO (LC 17.1-4) Esta passagem condensa de forma breve o ensino registrado por outros evangelistas, e nela Jesus trata de dois assuntos diretamente relacionados com o amor ao próximo, particularmente no âmbito do amor entre os irmãos. Ora, os discípulos disputavam entre si sobre qual seria o maior deles, e o Senhor repreende essa atitude, ensinando-lhes que a grandeza no reino dos céus está em servir, em ser humilde, e não em ser altivo e desdenhoso em relação ao próximo – ora, somente aquele que ama o próximo é humilde como uma criança (cf. Mt 18.1-5; 20.26-28). O contrário, por sua vez, também é verdadeiro: aquele que não ama despreza, e não se importa se suas atitudes ou palavras servem de ofensa e tropeço na fé para aqueles que crêem (cf. Rm 14.13-15). Jesus afirma ser necessário que os escândalos ocorram porque o amor inevitavelmente esfriará como sinal dos tempos, e com isto se manifestarão aqueles que realmente são sinceros, a despeito das ofensas e escândalos do mundo; e aqueles que não têm o amor de Deus em seus corações (cf. Mt 24.10-13; 1 Jo 2.9-11). A exortação aos discípulos: “Olhai por vós mesmos”, se aplica ao cuidado que devemos ter para evitar o escândalo, isto é, não servir de ofensa ou tropeço aos irmãos; e, caso nos lembremos de que temos algo em que poderíamos escandalizar o próximo, humildemente buscar a reconciliação (cf. Mt 5.25-26; Mc 9.43-48). Por outro lado, quando é o próximo quem nos ofende, devemos instá-lo ao arrependimento e prontamente perdoá-lo; e não condená-lo, tampouco nos permitir o escândalo. O perdão é uma das aplicações do amor que mais ilustra a natureza divina desta virtude, uma vez que só perdoa ao próximo as ofensas cometidas contra si aquele que compreende que foi perdoado, numa escala infinitamente maior, das suas próprias ofensas contra Deus (cf. Mt 18.23-35; Gl 6.1-2; Ef 4.32). 

III – AMAR O PRÓXIMO É AMAR A CRISTO (MT 25.31-46) A importância da prática do amor será claramente revelada na eternidade, conforme ilustrado nesta última passagem da nossa lição. Naquele grande e último dia, quando o Filho do homem vier em Sua glória, o testemunho mais notório dos salvos será o de não apenas conheceram, mas cumpriram o segundo grande mandamento, amando “por obra e em verdade” (cf. 1 Jo 3.17-18). Notemos que os fiéis aqui são celebrados pelo seu amor ao próximo, e não pelo seu amor a Deus, mas isto em nada confunde a importância de ambos os mandamentos; antes, destaca a íntima relação entre ambos os aspectos de uma mesma virtude divina. Primeiro, porque é o próprio Deus quem nos manda amar uns aos outros, porquanto Ele nos ama, e em Jesus temos o exemplo de que devemos amar aqueles que Deus ama (cf. Jo 15.9-12; 1 Jo 4.7-11; 5.1). Segundo, porque, amando uns aos outros como Ele nos amou, seremos reconhecidos como discípulos de Cristo, como aqueles que, amando uns aos outros, amam o próprio Deus (cf. Jo 13.34-35). Terceiro, porque é mais fácil amar o próximo, que podemos ver, do que a Deus, que não podemos ver (1 Jo 4.20). A lógica deste argumento é que, enquanto Deus é todo suficiente, não dependendo de nenhuma demonstração particular de nosso amor para com Ele, daí exigindo a devoção da totalidade do nosso ser; o amor pelo próximo se manifesta em atos particulares, como aqueles ilustrados nesta passagem, e não em uma dedicação integral e exclusiva de Deus. E, por último, porque Jesus, enquanto esteve entre os discípulos, era objeto desse amor “visível” ou de obras, por assim dizer; mas, ausentando-se deles ao voltar para o Pai, não os desobrigou, mas antes apenas transferiu o objeto desse amor d’Ele mesmo enquanto fisicamente presente para os próprios discípulos e fiéis, como Sua representação física neste mundo. 

CONCLUSÃO Se amamos a Deus, que amemos também uns aos outros e ao próximo como a nós mesmos, para que assim a semelhança de Cristo Jesus, que amou o mundo e os Seus até o fim, seja contemplada em nós e o Pai seja glorificado naqueles que não apenas falam, mas vivem o amor de Deus.

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12 julho 2022

003-Jesus e a Fé - Ensino de Jesus Lição 03[Pr Denilson Lemes]12jul2022

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 LIÇÃO 03 

JESUS E A FÉ 

TEXTO ÁUREO: “Porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá — e há de passar; e nada vos será impossível” (Mt 17.20) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 8.5-13 

INTRODUÇÃO Há muitas ocasiões registradas nos evangelhos em que o Senhor Jesus ensina importantes aspectos da fé. Na lição de hoje consideraremos algumas das passagens mais representativas sobre o assunto, e veremos que, embora a fé ilustrada nos evangelhos seja simples e fácil de compreender, ainda assim Jesus chama nossa atenção para importantes aspectos dessa virtude, sem os quais qual não é possível caracterizá-la como um verdadeiro dom de Deus. 

I – UM EXEMPLO DE GRANDE FÉ (MT 8.5-13) Vários episódios narrados nos evangelhos ilustram a atitude de indivíduos que vieram até Jesus em busca de socorro ou salvação e, por manifestarem, de diferentes maneiras, uma fé verdadeira, foram atendidas por Cristo. Um desses episódios ocorreu quando Jesus estava em Cafarnaum; um centurião romano cujo servo, muito querido, encontrava-se enfermo, dirige-se ao Senhor em busca da cura. Os judeus incentivam o Mestre a atender o seu pedido, pois, apesar de ser um gentio, eles acreditavam que o centurião fosse merecedor do milagre, em razão da sua piedade. Contudo, ele havia enviado os judeus para que rogassem em seu favor por ter se considerado indigno de se aproximar de Jesus – o que ele reafirma quando fica sabendo que o Mestre estava a caminho de sua casa (cf. Lc 7.6-7). Certamente tendo ouvido falar dos milagres de Jesus, o centurião via em Cristo uma autoridade que não apenas era de natureza diferente da autoridade política e militar dos romanos, mas muito superior à sua – daí a sua humildade perante o Senhor, mesmo pertencendo Ele a um povo que se encontrava sob a autoridade de Roma. E então conclui acertadamente que, se um centurião, que não era a patente mais alta do exército romano, era obedecido pelos seus servos e soldados, os quais faziam cumprir a sua palavra; quanto mais aqu’Ele que tinha poder sobre as doenças e demônios seria prontamente obedecido, se tão somente dissesse uma palavra para que seu servo fosse curado. Jesus se maravilha com as palavras do centurião, e exalta essa demonstração de fé como algo excepcional, mesmo em relação aos israelitas, entre os quais vinha pregando, ensinando e fazendo milagres. Podemos destacar, antes de tudo, que a primeira característica dessa fé recomendada por Cristo está no senso de poder e grandeza que o centurião vislumbrou na pessoa de Jesus, ao mesmo tempo em que, diante d’Ele, sentiu sua própria pequenez e indignidade. Enquanto a maioria dos judeus só manifestou algo dessa percepção quando presenciaram Jesus realizando algum milagre, o oficial romano, tendo apenas ouvido falar de Jesus, creu nos Seus milagres e entendeu que eram sinais de que Ele havia sido enviado por Deus (cf. Lc 5.8-9, 26; Jo 4.48; 20.29). Além disso, notemos que ele teve esperança de ser atendido mesmo não merecendo o milagre, o que implica sua fé na misericórdia do Senhor Jesus. Por fim, a comparação da autoridade menor, isto é, a do centurião, com a maior, isto é, a de Cristo, implica na admissão de que Jesus não apenas podia curar o servo doente, mas podia fazê-lo à distância, pela Sua mera palavra – se tão somente assim o desejasse. Esses são elementos fundamentais de uma fé genuína, e são mais de uma vez ilustrados em outros episódios dos evangelhos – fé no poder de Deus, para quem nada é impossível; e na Sua vontade, segundo a qual Ele faz aquilo que deseja, e por isso podemos ter esperança de sermos atendidos naquilo que pedirmos conforme a Sua vontade (cf. Lc 1.37; Mt 8.2; Mc 9.23). 

II – UM EXEMPLO DE UNANIMIDADE NA FÉ (MT 9.1-7) O segundo episódio que propomos para estudo destaca a atitude de fé de um grupo de pessoas – precisamente, cinco: um paralítico deitado numa cama e os quatro homens que o trouxeram a Jesus (cf. Mc 2.3). O Senhor, considerando o ato de fé conjunta e unânime em favor da causa do paralítico, embora não o tenha curado logo de início, declarou o perdão dos seus pecados, e exortou-o a se animar, porquanto a causa da sua punição física havia sido removida, e, mesmo ainda enfermo, agora podia ter uma boa consciência para com Deus, na certeza de alcançar favor e misericórdia para o futuro. Mas a fé daqueles homens foi recompensada além das suas expectativas, quando, após ser questionado quanto à autoridade com que perdoava pecados, o Senhor Jesus ainda o curou a paralisia daquele homem. O que queremos destacar neste episódio, porém, é o fato de que Jesus atentou para a fé de daqueles homens, numa indicação de que uma fé genuína não produz benefícios apenas para o que crê, mas também para outros, quer participem dessa fé por si mesmos ou não. Basta lembrar do exemplo do centurião, que pela fé alcançou a cura do servo; e de outros casos semelhantes (cf. At 16.31-34). Não significa que o paralítico não tivesse fé como os seus companheiros, ou que não poderia ter sido encontrado pelo Salvador como aquele que jazia no tanque de Betesda, por exemplo. Contudo, este caso foi registrado de modo a ilustrar que a unanimidade entre aqueles que crêem pode alcançar grandes benefícios da parte de Deus em favor até mesmo daqueles que não têm fé suficiente para receber o que buscam (cf. Tg 5.14-15; Mt 18.18-20). 

III – DOIS CASOS DE FALTA DE FÉ (MT 17.14-21) Na passagem em apreço, Jesus é instado pelo pai de um jovem endemoninhado a curar seu filho. Anteriormente, ele havia trazido o menino até os discípulos, mas estes não conseguiram curá-lo. Após repreender severamente a incredulidade daqueles que, talvez por este fracasso dos discípulos, duvidavam do Seu poder (cf. Mc 9.16-19), Jesus manda trazer o jovem, repreende o demônio, e o menino é imediatamente curado. Mas a primeira lição de fé aqui não está na conversa particular que se seguiu entre Jesus e os discípulos, mas, antes mesmo do milagre, nas palavras trocadas entre o Senhor e o pai do menino (cf. Mc 9.21-24). Aflito demais pela condição de seu filho, desesperado ante a incapacidade dos discípulos de solucionarem o seu problema, o pobre homem revela sua hesitação em crer no poder de Jesus: “se tu podes fazer alguma coisa”, ao que Jesus responde que a dificuldade não estava n’Ele, mas no próprio homem: “Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê”. Deus pode e quer socorrer aqueles que O buscam; contudo, a resposta de Jesus revela que essa busca deve ser por fé, e o pai do menino até o último instante lutava e oscilava entre fé e incredulidade (cf. Hb 11.6; Tg 1.6-7). Após o milagre, os discípulos questionam por que não conseguiram expulsar o demônio, como das outras vezes (cf. Lc 10.17). Inicialmente, a resposta de Jesus não é muito diferente daquela que foi dada ao pai do menino: “Por causa da vossa pequena fé”. Mas, neste caso, o Senhor não nega que os discípulos tivessem alguma fé, mas antes os incentiva dizendo que mesmo uma fé como um grão de mostarda é capaz de realizar grandes coisas – de fato, uma fé genuína sempre obterá uma resposta de Deus, mesmo quando se mostre pequena. Contudo, há situações onde só é possível alcançar o que se busca através da perseverança nessa fé – perseverança esta representada aqui na oração e no jejum (cf. Mt 7.7-11; Lc 18.1-8). 

CONCLUSÃO A fé apresentada e ilustrada nos evangelhos sinóticos não é diferente da fé revelada nas demais Escrituras; seu fundamento é o poder e a vontade de Deus, sua esfera de ação é tanto particular e individual como pode mover a muitos pela unanimidade dos que crêem, e sempre obtém de Deus uma resposta que surpreende nossas expectativas.

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05 julho 2022

002- Jesus e a renúncia - Ensinos de Jesus Lição 02 [Pr Denilson Lemes]05jul2022


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 LIÇÃO 2 

JESUS E A RENÚNCIA 

TEXTO ÁUREO: “Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 16.21-28 

INTRODUÇÃO Na lição anterior, estudamos a salvação no seu aspecto geral, conforme ilustrado em algumas passagens dos evangelhos, e finalizamos fazendo menção à renúncia, como um aspecto negligenciado por muitos que procuram entrar pela porta estreita, mas que por causa disso naquele dia se verão do lado de fora. Portanto, na lição de hoje nos deteremos mais sobre este tema em particular, que no ministério de ensino de Jesus recebeu a devida consideração como um pré-requisito indispensável àquele que deseja seguir a Cristo e herdar a vida eterna. 

I – A RENÚNCIA E O EXEMPLO DE CRISTO (MT 16.24-28) O contexto desta passagem é a confissão de Pedro de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Louvando a graça do Pai por revelar essa verdade tão sublime a Simão, o Senhor ordena que eles mantenham segredo, e explica que, antes, seria necessário que Ele padecesse muito, e fosse morto, para então ressuscitar e assim entrar na Sua glória. Pedro, então, manifesta sua indignação com essas palavras, sem dúvida movido por um zelo natural para com o Mestre, que de modo algum merecia padecer, ainda mais de forma tão brutal e injusta. Mas o Senhor discerne, por trás das boas intenções do apóstolo, uma instigação de Satanás a não obedecer à vontade de Deus; pois o instinto de autopreservação, a que o homem naturalmente cede ante o risco da morte, opunha-se diametralmente à vontade do Pai para com o Filho. Satanás sabe o quanto o homem natural ama a si mesmo e a sua própria vida, sendo capaz de abrir mão de tudo o mais para preservá-la (cf. Jó 1.9-11; 2.4-5). Discernindo o tropeço que Satanás propunha lançar em Seu caminho, Jesus repreende o adversário e vence essa tentação (cf. Mt 26.39; Jo 12.27). Mas, a fim de que não nos horrorizemos com a idéia de morrer segundo a vontade de Deus, o Senhor então explica que todos aqueles que desejam ser Seus discípulos devem trilhar o mesmo caminho (cf. Jo 12.26; 1 Pe 2.21). “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e sigame” significa que esse é um caminho voluntário, onde é necessário negar-se a si mesmo, ou seja, abrir mão do amor próprio, do ter a vida por preciosa e não merecedora daquilo que criaturas mortais e pecadoras merecem; entender que o discípulo não é maior nem melhor que o Mestre – se Jesus, o Filho de Deus, sofreu e padeceu ao assumir a nossa semelhança, quanto mais nós, que estamos sujeitos a essa condição tão frágil e enferma enquanto estivermos neste mundo (cf. Fp 2.7-8). Mas, mais do que negar-se a si mesmo, é preciso tomar a cruz e seguir a Cristo; devemos estar dispostos a ser reduzidos a nada e perder tudo especialmente em conseqüência de nosso amor a Cristo e ao evangelho. Aquele que segue a Cristo é odiado por causa da verdade, assim como o Mestre, e tentado a aceitar a amizade do mundo, sob a condição de abrir mão do amor a Deus (cf. Jo 15.18-20; 1 Jo 2.15-17). Tomar a própria cruz e padecer com Cristo, na consciência de que esta é a vontade de Deus, é um dom (Fp 1.29-30). A conclusão é que, aquele que amar a sua própria vida neste mundo a perderá eternamente; e aquele que abrir mão desta vida por causa de Cristo, ainda que morra, viverá eternamente. Os interesses que o homem busca nesta vida se desfarão na morte, e a sua alma – isto é, o mesmo homem considerado sob o ponto de vista da eternidade – se perderá. Mas, renunciando por amor a Cristo, o proveito para a alma será a vida eterna. De fato, estará tendo proveito, ou lucro incomparavelmente maior, ao trocar esta vida passageira pela vida eterna (Mt 10.28; 2 Tm 2.11; Ap 2.10). 

II – A RENÚNCIA E SUAS DIFICULDADES (LC 14.25-35) A próxima passagem começa com uma colocação polêmica, mas fácil de entender à luz do que já estudamos. Jesus não está nos mandando abandonar a afeição natural por nossos familiares para que possamos segui-l’O; mas, embora não seja normal, nem desejável, ter nos familiares nossos opositores ou inimigos, é preciso considerar que pai, mãe, filhos e amigos também podem se opor ao evangelho e tentar nos impedir de abraçá-lo. E, quando o amor a Deus e a obediência ao evangelho são condicionadas à aprovação dos homens, essa atitude expressa uma inclinação carnal, tão condenável quanto o amor próprio (cf. Mt 10.34-36; Lc 12.51-53). Ter de renunciar à aprovação ou à afeição daqueles que amamos é uma das grandes dificuldades encontradas por aqueles que desejam seguir a Jesus, mas o evangelho não encobre essa verdade. Somente os insensatos se iludem com a idéia de encontrar apenas alegrias e facilidades, sem atinar com a grandeza do reino de Deus e o quanto se requer do homem em comprometimento e sinceridade (cf. Lc 16.16). Seguir a Cristo é como construir um edifício – o que pode demorar e exigir muitos gastos, mas a grandeza e utilidade do edifício concluído é que motiva o construtor a trabalhar até o fim; ou como uma guerra, que causa fome, doenças, morte, põe os homens uns contra os outros, mas aquilo que está em disputa justifica a determinação de o rei seguir com o conflito até o fim. Assim a recompensa do evangelho é grandiosa, mas para aqueles que envidarem esforços em servir a Cristo, ainda que sob as maiores penalidades, até o fim (cf. Mt 10.22; Hb 10.35-39). 

III – A RENÚNCIA É INEGOCIÁVEL (LC 9.57-62) Nesta última passagem, temos o relato de três homens que desejaram seguir a Cristo, mas foram impedidos por diferentes dificuldades. O primeiro, identificado também como um escriba (Mt 8.19-22) estava pronto a seguir a Cristo de imediato, mas a palavra de Jesus: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, sugerem que ele, acostumado a um trabalho tranqüilo, honrado por todos e bem remunerado, talvez não estivesse tão consciente das dificuldades pelas quais Jesus e os discípulos passavam, e certamente não suportaria receber o mesmo tratamento recebiam do mundo (cf. Jo 12.42-43). O segundo parece que tinha o pai em idade muito avançada ou por alguma outra causa na iminência de morrer, e considerava muito difícil deixá-lo, sabendo que este poderia partir na ausência do filho. Se o dever ordinário para com aqueles que amamos de algum modo nos obsta de fazer a vontade de Deus (e, no caso deste discípulo, importava que ele seguisse literalmente a Cristo), consideremos que há tarefas que outros podem realizar, ao passo que o chamado do evangelho é particular e único (cf. Lc 10.39-42). Por último, aquele que se propõe seguir a Cristo, mas pede uma dispensa temporária para fazer algo que cumprir o seu dever para com Cristo nesse período, recebe talvez a mais dura repreensão: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus”. Olhar para trás significa falta de resolução em seguir a Cristo; propor-se ou iniciar a fazê-lo, mas depois desviar a atenção para outros interesses incompatíveis com a natureza do evangelho (cf. Mt 13.22; Lc 17.32). 

CONCLUSÃO Só é verdadeiro discípulo de Cristo aquele que renuncia a tudo, isto é, prefere a Cristo mais do que tudo, até a própria vida, estando disposto a abrir mão para não perder a Jesus. Não quer dizer que devemos ativamente nos desfazer de todas estas coisas, mas estar prontos para abrir mão de tudo, quando e se de algum modo essas coisas se interpuserem em nossa caminhada para o céu.

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28 junho 2022

001- Jesus e a Salvação - Ensinos de Jesus Lição 01 [Pr Nilson Vital]28jun2022

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LIÇÃO 1 

JESUS E A SALVAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mt 18.11) 

LEITURA BÍBLICA: LUCAS 19.1-10 

INTRODUÇÃO Durante este trimestre, vamos nos voltar para os evangelhos e aprender diretamente com nosso Mestre Jesus. Seu ministério de ensino foi tão notório e abrangente quanto foram os Seus milagres, por isso há muito mais para aprendermos sobre o reino de Deus e seus mistérios, além do que já estudamos, em outras oportunidades, no Sermão do Monte e nas Parábolas. E, nesta primeira lição, propomos examinar particularmente três passagens onde o Senhor elucida importantes verdades acerca da salvação. 

I – A CONVERSÃO DE ZAQUEU (LC 19.1-10) Zaqueu era um chefe dos publicanos, isto é, daqueles que coletavam impostos dos seus concidadãos para Roma. Também era rico. Mas a passagem narra como este homem de baixa estatura, desejando tão avidamente ver a Jesus, mas impedido pela multidão, fez algo inusitado – ao menos para alguém do seu status. E o que conseguiu foi não apenas ver a Jesus, mas ser notado por Ele, chamado pelo nome e instado a preparar pousada para o Mestre em sua casa. Ao obedecer prontamente à voz de Cristo, e recebê-l’O com grande alegria, Zaqueu estava não apenas oferecendo hospedagem para Jesus, mas atendendo ao chamado para a salvação. Assim, podemos dizer que esse encontro ilustra o chamado eficaz do evangelho, pois todo aquele que vem a Cristo não será lançado fora, e aquele que ouve a Sua e é dos Seus, prontamente a reconhece e o Segue (cf. Mt 9.11; Jo 6.37; 10.27-28). Não compreendendo a graça de Deus manifestada para com aquele homem, os judeus murmuravam porque Zaqueu, sendo publicano, era considerado um grande pecador, indigno da salvação. Se era prática comum dos publicanos cobrar além do que era devido aos seus compatriotas (cf. Lc 3.12-13), as palavras deste homem revelam que ele havia se convertido de uma vida de avareza, e agora se propunha voluntariamente a reparar o dano causado a outros, restituindo aqueles que tivessem sido defraudados por ele com a devida compensação; bem como dar aos pobres metade do que de fato era seu. Não há verdadeira salvação sem arrependimento, isto é, sem que haja admissão de culpa por parte do pecador, e disposição em abandonar o mal e praticar o bem, produzindo frutos dignos de arrependimento (cf. Mt 3.8-10). O testemunho de Jesus confirma a veracidade da conversão e das intenções de Zaqueu, mas ao mesmo tempo indica que toda essa demonstração de arrependimento havia sido produzida por obra da graça de Deus, da salvação que havia alcançado o coração daquele homem. Do mesmo modo que Abraão, Zaqueu primeiro fora perdoado e justificado pela fé naquele que o havia chamado, e essa fé agora se manifestação no seu testemunho e firme propósito de praticar boas obras (cf. Ef 2.8-10; Tg 2.14, 17, 21-24). Consideremos ainda a contradição dos judeus, inflados em sua justiça própria, ao desprezar a salvação em Cristo Jesus e ao mesmo tempo murmurar contra aqueles que a aceitavam, por serem estes injustos. Mas para isto o Filho de Deus veio ao mundo, pois o desejo de Deus é antes salvar, e não destruir os pecadores (Mt 18.11-12; Jo 3.17; Ez 18.23). 

II – O JOVEM RICO (MT 19.16-26) Passamos agora para o episódio onde Jesus é abordado por um jovem de posição social destacada (cf. Lc 18.18) e também rico, assim como Zaqueu. Reverentemente e disposto a aprender com Cristo como um mestre vindo de Deus, o jovem pergunta: “Que bem farei para herdar a vida eterna”, manifestando o entendimento equivocado de que a salvação deveria ser alcançada através de boas obras. E, de fato, o Senhor responde no mesmo sentido: “Guarda os mandamentos”, pois Ele não veio acrescentar nem tirar nada à Lei, na qual Deus já havia prometido a vida eterna ao homem que guardasse todos os mandamentos (Lv 18.5). Contudo, assim como a maioria dos judeus, este jovem media a justiça divina apenas pelo aspecto exterior dos mandamentos; bem como nutria um falso conceito acerca da sua própria impecabilidade: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” O fato que ele parecia ignorar é que o mandamento é amplíssimo, e espiritual, condenando o pecado ainda nos recessos do coração, e a própria Lei testifica que ninguém é capaz de alcançar a justiça pelas obras, todos sendo considerados transgressores (Tg 2.10-11; Gl 3.10-11; Rm 7.7-8). A fim de corrigir o jovem e fazê-lo entender que sua obediência à lei estava longe de ser perfeita, o Senhor traz à luz o seu amor pelas riquezas. Embora a Lei não proíba a posse de riquezas, somos ensinados por Cristo que qualquer que ponha seu coração nelas viola o primeiro mandamento, que diz: “Não terás outros deuses diante de mim” (cf. Mt 7.19-21, 24; Cl 3.5). O jovem percebe, com tristeza, sua transgressão, ao se ver incapaz de abrir mão das riquezas pela vida eterna que tanto almejava, e assim de seguir a Cristo, em testemunho do Seu amor a Deus. Este episódio ilustra, como Jesus explica na sequência aos Seus discípulos, que não apenas aos ricos, mas aos homens em geral, é muito difícil – ou melhor, impossível – serem salvos, posto que a confiança nas riquezas, ou o amor aos vícios, impede-os de amar a Deus de todo o seu coração. A salvação é um milagre de Deus – um milagre de graça e misericórdia (Ef 2.4-7). 

III – SÃO POUCOS OS QUE SE SALVAM? (LC 13.23-27) Nesta passagem, o Senhor Jesus responde a alguém que desejava saber se são poucos os que se salvam; não podemos determinar a intenção desta pergunta, mas, a partir da pregação e do ensino de Cristo – basta apenas considerar os dois casos já estudados – é possível afirmar que o reino dos céus não é de todos. Ao invés de satisfazer a curiosidade por trás da pergunta, o Senhor usa a figura da porta estreita para ressaltar que a salvação é individual, e não depende da escolha, por assim dizer, de outros; mas cada um deve se aplicar a entender, encontrar e trilhar esse caminho, e entrar por essa porta, por si mesmo. A figura também alude ao aspecto, já estudado, de que é difícil aos homens entrar no reino dos céus, porque a salvação requer renúncia. Na ilustração seguinte, do pai de família começando a fechar a porta, e muitos ficando do lado de fora, temos a verdade de que muitos se enganam quanto ao seu nível de comprometimento e renúncia pelo evangelho de Cristo, folgando com sutilezas do pecado que, naquele dia, descobrirão que não são aceitas pelo pai de família. A palavra “porfiar”, nesse caso, implica em perseverança na santificação, em vigilância e oração (cf. Mt 26.41; Lc 21.34). 

CONCLUSÃO Jesus ensinou que a salvação é obra da graça de Deus, que se manifesta livremente no coração dos homens, não por merecimento nem dignidade pessoal, mas apesar e mesmo contra toda expectativa dos pecadores. Nenhuma piedade, nenhum esforço ou feito humano se iguala a essa graça. Aqueles que confiam em si mesmos serão frustrados pelo próprio fracasso em cumprir às demandas da justiça divina, mas os que renunciam a si mesmos e confiam naqu’Ele que os chamou serão surpreendidos pela poderosa e eficaz salvação de Deus.

PARA USO DO PROFESSOR

AUTORIA 
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.
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21 junho 2022

013- A Excelência do amor conjugal - Cantares Lição 01 [Pr Nilson Vital]21jun2022

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LIÇÃO 13 

A EXCELÊNCIA DO AMOR CONJUGAL 

TEXTO ÁUREO: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu” (Ct 6.3) 

LEITURA BÍBLICA: CANTARES 1.1-11 

INTRODUÇÃO Cantares de Salomão é considerado um dos livros mais controversos da Bíblia, em razão do modo como retrata o amor conjugal, e das dificuldades para se entender a mensagem de Deus neste livro, que o faz pertencer ao cânon sagrado. Como reservaremos apenas uma lição para o estudo deste livro, nosso objetivo será explicar o sentido geral do livro, estabelecendo pontos importantes para compreendermos esta belíssima poesia e o seu propósito singular como parte das Escrituras Sagradas. 

I – CANTARES, UM POEMA SOBRE O AMOR CONJUGAL Cantares é também chamado cântico dos cânticos, no sentido superlativo de “o mais excelente cântico”, o mais belo cântico de Salomão (cf. 1 Rs 4.32). Trata-se de um livro poético e, como tal, podemos esperar encontrar na sua linguagem muito do paralelismo característico da poesia hebraica (lembrando que o paralelismo bíblico consiste na repetição, não de sons, mas de ideias que “rimam” entre si). Há uma abundância de referências a costumes e aspectos da vida nos tempos bíblicos, em comparações inusitadas que mal seríamos capazes de apreciar hoje com a mesma mentalidade e sentimento de um hebreu daqueles tempos remotos; mas, estando familiarizados com muitos desses aspectos graças ao contexto mais amplo fornecido pelas Escrituras, podemos ler Cantares e ainda apreciar muito da beleza poética e dos sentimentos expressos no texto. Cantares é uma poesia que conta a história de amor entre Salomão e sua mulher, identificada no texto como sulamita (Ct 6.13). Se é verdade que este rei teve muitas mulheres e concubinas, não resta dúvida de que ele também teve um primeiro amor, do qual resultou o seu primeiro casamento – aquele que deveria ter sido o único, uma vez que os demais são fruto de alianças políticas com povos estrangeiros e, conforme Deus já havia alertado, mais tarde se revelariam prejudiciais para o próprio rei (cf. Dt 17.17; 1 Rs 11.1-3). Pois bem, Cantares é um poema celebrando esse primeiro e genuíno amor, cujo ápice se encontra na união íntima do casal. O texto começa com uma espécie de antecipação, onde ambos expressam suas alegrias, impressões e desejo de um pelo outro (Ct 1.2-2.7); um possível encontro de ambos, talvez lembrado por ela, a partir do que ela percebe que ainda não o tem consigo (Ct 2.8-3.5); segue-se o casamento, onde um passa a pertencer ao outro, e consuma-se a união – este é considerado o coração do livro (Ct 3.6-5.1); na última sessão, após negar-lhe um pedido, ela tem de buscá-lo e o encontra novamente, e o amor e compromisso de ambos são reafirmados (5.2-8.14). Não há nada de estranho em ser este o tema de um livro inteiro da Bíblia. Embora ao longo da história tanto judeus como cristãos tenham procurado entender Cantares num sentido estritamente alegórico ou tipológico, o fato é que o amor conjugal é um tema do interesse divino. Há pouco aprendemos com o mesmo Salomão, em Eclesiastes, que o casamento é uma das coisas boas, ou dons, que Deus concedeu aos homens para serem desfrutados nesta vida debaixo do sol (Ec 9.9). A própria união física e íntima entre o homem e a mulher no casamento é celebrada neste livro, porque somente assim o amor conjugal é consumado e ambos se tornam uma só carne (Gn 2.23-25). O problema é que o pecado e a perversão moral da sociedade constituem um grande empecilho para a abordagem deste tema com serenidade e pureza, de modo que muitas vezes só conseguimos tratar de assuntos que constituem “tabus” usando termos mais didáticos e cuidadosos, como os de Paulo se dirigindo aos coríntios, os quais provinham de um contexto permissivo e precisavam aprender os rudimentos de questões como estas (1 Co 7.28). Acrescente-se que conceitos religiosos e de falsa piedade introduzidos no meio do povo de Deus ao longo da história não apenas incentivaram o celibato como uma forma de santificação, mas deram à intimidade física do casal um caráter secundário, ou uma função meramente reprodutiva, rejeitando qualquer outro aspecto dele derivado como pecaminoso – numa distorção demoníaca do ensinamento bíblico (cf. 1 Tm 4.3-5). 

II – A SANTIDADE DO AMOR CONJUGAL À luz do quanto foi dito sobre o tema e o propósito de Cantares, podemos afirmar que, antes de procurar algum sentido alegórico ou tipológico nas suas imagens, precisamos entender o que ele ensina literalmente sobre o amor conjugal. A relação íntima entre um homem e uma mulher é uma coisa santa e louvável, desde que fruto da união conjugal; ao passo que, fora desse vínculo, é considerada uma profanação (cf. 1 Ts 4.3-6; Hb 13.4). E o livro de Cantares de modo algum prejudica esta verdade, uma vez que ambos os protagonistas não se entregam a uma paixão desenfreada, mas acalentam o amor de um pelo outro até que possam realizá-lo legitimamente. Notemos que somente após o casamento Salomão é convidado a desfrutar de intimidade com a sulamita – intimidade esta representada pelas figuras do jardim ou manancial. Antes disso, ela é como um jardim fechado, ou um manancial selado (Ct 3.11; 4.8, 12, 16; 5.1; cf. Pv 5.15-18). Outro aspecto notável do amor conjugal evocado no poema (particularmente na última divisão, conforme propomos no tópico I) diz respeito ao perigo a que o casal se expõe quando um se recusa ao outro; assim como, no poema, a amada descobre que uma breve demora em atender à voz do amado resultou na sua ausência, lembremos que o apóstolo também admoesta os casais a não se defraudarem um ao outro (Ct 5.2-6; 1 Co 7.3-5). Apercebendo-se do risco de sofrer novamente pela sua ausência, a sulamita sai em busca desesperada pelo seu amado até encontrá-lo, quando reafirma seu amor e não se permite mais abandoná-lo (Ct 6.2-3; 7.10-13; 8.6-7). 

III – O AMOR CONJUGAL É FIGURA DO AMOR DE CRISTO PELA IGREJA Seremos mais breves neste tópico porque a tipologia do relacionamento entre Cristo e a igreja no casamento não é coisa inédita em nossos estudos, nem de difícil compreensão; mas nem por isso é de menor importância que o casamento enquanto tal. Como a intimidade conjugal é a expressão mais ilustre da união entre um homem e uma mulher, ela representa adequadamente, na linguagem humana, o mistério da comunhão espiritual, profunda e indissolúvel de Deus com o Seu povo (Ez 16.8; Jr 2.2-3; Is 54.5) – comunhão esta selada por Cristo Jesus, revelado como o Salvador da igreja, a qual é o Seu corpo e a Sua esposa (Ef 5.22-23, 25-27, 32; Ap 19.7-8). Assim, a exaltação do amor conjugal em Cantares também deveria ser interpretada figuradamente como uma exaltação do amor de Cristo pela Sua igreja e por seus membros em particular. A intimidade conjugal ilustrada em Cantares nos remete à entrega total que o Senhor Jesus fez da própria vida na cruz em nosso favor, isto é, dando Sua carne e Seu sangue por nós, em nosso lugar. Neste ato do mais puro e sublime amor, Ele se doou por nós diante de Deus, que O aceitou e nos aceitou n’Ele, como se no Calvário tivesse sido consumado um casamento, um pacto indissolúvel do qual fazemos parte por misericordiosa graça (2 Co 5.14-15; 1 Co 6.16; Ef 5.30), de modo que agora bem podemos dizer como a sulamita: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. 

CONCLUSÃO A intimidade conjugal reafirma o caráter perpétuo e indissolúvel do casamento, selando o amor de ambos os cônjuges no coração um do outro, fortalecendo-os para enfrentarem e vencerem juntos as adversidades da vida e exaltando ainda mais o casamento como um dom maravilhoso de Deus ao homem e uma sublime alegoria do nosso relacionamento com o glorioso Esposo da Igreja.

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