30 julho 2020

005-A piedade no trato para com todos - Cartas Pastorais Lição 05[Pr Afonso Chaves]28jul2020

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LIÇÃO 5 
A PIEDADE NO TRATO PARA COM TODOS 

TEXTO ÁUREO: 
“Conjuro-te, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que, sem prevenção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade.” (1 Tm 5.21) 

LEITURA BÍBLICA: 1 TIMÓTEO 5.1-7 

INTRODUÇÃO 
Depois de avisar Timóteo quanto aos perigos que se avizinhavam da igreja e de despertá-lo ao fiel e constante exercício da sua obra de ensinar e exortar o povo de Deus sob os seus cuidados, o apóstolo Paulo passa a fazer considerações sobre como o jovem obreiro deveria exercer seu ministério em atenção a todos os fiéis. 
Veremos que um bom ministro é aquele que não despreza nenhum grupo da igreja, atendendo às necessidades particulares de cada um de modo que todos possam ser exortados, edificados e consolados pela palavra de Deus. 

I – A PIEDADE PARA COM TODOS (VV. 1-8) 
Quando Paulo exortou Timóteo a se exercitar na piedade, que para tudo é proveitosa (1 Tm 4.8), deveríamos entender esta palavra tanto no sentido de devoção, amor e temor a Deus como no aspecto do amor e respeito para com o próximo, pois são duas coisas interligadas que constituem a essência da verdadeira fé, da verdadeira religião (cf. 2 Tm 3.1-5; Tg 1.27; Mt 22.34-40). 
É conveniente, portanto, que o apóstolo agora estabeleça princípios pelos quais não apenas Timóteo, mas qualquer obreiro possa lidar com os fiéis de modo justo, santo e agradável a Deus, não cometendo o pecado da acepção de pessoas, seja pelo desprezo de alguns ou pelo favorecimento de outros no ministério cotidiano (Tg 2.1-4, 9). 
Mesmo considerando que o obreiro tem o dever de exortar e corrigir a todos, isto deve ser feito num espírito de amor, empatia e respeito, levando em consideração as limitações e necessidades de cada grupo de pessoas: anciãos (ou os mais velhos), jovens (ou os da mesma idade), mulheres idosas e moças. 
Ao longo da sua caminhada em direção à perfeição celestial, o cristão passa por períodos que se destacam por tendências naturais que, através do ensino equilibrado e bem aplicado da sã doutrina, deverão ser santificadas ou contidas e impedidas para que não deem lugar ao pecado (cf. Tt 2.1-6). Outro grupo de pessoas visado pelo apóstolo nesta passagem, e sobre o qual ele ainda se estenderá além dos versos desta seção, são as viúvas. 
Já consideramos em outras lições a grande importância e valor espiritual do cuidado com os pobres na igreja, e aqui Paulo está tratando de mulheres que se encontravam completamente desamparadas, tendo perdido seus maridos e não tendo meios de obter seu sustento (levando-se também em conta o contexto cultural daquele tempo, em que era muito difícil para uma mulher trabalhar por conta própria). 
Assim como em relação aos órfãos, estrangeiros e qualquer outro tipo de pessoas desamparadas neste mundo, Deus não ignora o sofrimento dessas mulheres e sempre provê meios para que as viúvas no meio do Seu povo sejam honradas – o que significa serem materialmente amparadas (cf. Ex 22.22; Dt 24.17-22; Sl 68.5). 
Duas coisas importantes que Paulo também destaca nestes versos é que, primeiro, a verdadeira viúva, digna de ser socorrida pela igreja, é aquela cujo testemunho seja de uma fiel, que “espera em Deus e persevera de noite e de dia em rogos e orações” (v. 5). 
O segundo aspecto é que, se a viúva tem filhos ou netos, ela ainda não está de todo desamparada, e estes devem ser exortados a honrá-la, provendo às suas necessidades e assim cumprindo o mandamento: “honra a teu pai e a tua mãe” (Ex 20.12; cf. Gn 45.9-11; Jo 19.25-27). 
A negligência deste exercício de piedade filial, além de ser contrário à natureza, desagrada a Deus e é reprovado como hipocrisia e apostasia da fé (Mt 15.1-9). 

II – O SOCORRO ÀS VERDADEIRAS VIÚVAS (VV. 9-16) 
Neste ponto, o apóstolo faz menção à inscrição das viúvas como que num rol – um costume que revela quão grande deve ser o cuidado da igreja em conhecer e socorrer os seus necessitados (cf. At 4.34; 6.1; Rm 12.13). 
Mais uma vez, ele lembra Timóteo de que nem todas as viúvas se qualificavam para serem assim reconhecidas pela igreja; as verdadeiras viúvas eram aquelas que, além de completamente desamparadas, haviam tido bom testemunho cristão enquanto casadas e, após dedicarem boa parte de suas vidas a um único marido, agora demonstravam não ter nenhum interesse em buscar uma nova união a fim de poderem se dedicar exclusivamente ao Senhor (cf. 1 Co 7.8, 39-40; Lc 2.36-38). 
Em outras palavras, as verdadeiras viúvas são aquelas que permanecerão neste estado e serão sustentadas pela igreja até o fim de suas vidas. Assim podemos compreender as restrições que Paulo faz às viúvas mais novas ou que haviam demonstrado, por um segundo ou terceiro casamento, a preferência por não permanecer sozinhas. 
Admitidas a uma posição na igreja que representava uma dedicação especial ao Senhor e que exigia a serenidade, sabedoria e paciência que só a muita experiência de vida e maturidade espiritual poderiam garantir, essas mulheres poderiam ser facilmente tentadas por Satanás a atitudes levianas e a romperem com o seu compromisso diante da igreja, causando grande escândalo. 

III – O SUSTENTO DOS PRESBÍTEROS (VV. 17-25) 
Tendo já definido as qualificações necessárias ao que deseja o episcopado, Paulo trata agora sobre como Timóteo devia lidar com os presbíteros na igreja sob os aspectos do sustento e da repreensão. Notemos que ele usa mais uma vez a palavra “honra”, como o fez em relação às viúvas, no sentido de “sustento material” – sentido esse amparado pelas citações que faz da Escritura: “Não ligarás a boca ao boi que debulha”, e: “Digno é o obreiro do seu salário”. 
Esta questão parece ser delicada ou discutível para muitos nos dias de hoje, mas o apóstolo não mostra nenhuma dúvida de que a igreja deve sustentar seus obreiros. Se ele mesmo muitas vezes abriu mão desse direito e trabalhou para obter o seu próprio sustento, foi para evitar falsas acusações; contudo, jamais deixou de reconhecê-lo como um direito de fato daqueles que vivem pelo evangelho (cf. 1 Co 9.4-14; Gl 6.6). 
Assim como os demais grupos, os presbíteros (ou obreiros em geral) também podem ser passíveis de repreensão; mas o apóstolo orienta Timóteo a não permitir que a reputação de um obreiro seja arruinada por meros boatos ou acusações infundadas. 
Contudo, se o seu pecado for comprovado, deve ser corrigido diante da igreja, para que todos (inclusive os demais obreiros) tenham consciência da gravidade do evangelho e de que ali é a casa de Deus, para Quem não há acepção de pessoas. 
Por esta causa também o apóstolo orienta Timóteo a ter o cuidado de não impor suas mãos sobre candidatos ao ministério a fim de evitar a admissão de homens ineptos que serão difíceis de tratar quando pecarem. 
Passando a recomendações mais particulares, Paulo orienta Timóteo a tomar os devidos cuidados com a sua própria saúde e a estar atento à manifestação dos pecados de alguns homens antes do juízo, através do que ele poderia discernir aqueles que usavam de engano e hipocrisia na casa de Deus e assim evitar manter comunhão com os tais (cf. 1 Co 5.9-11). 

CONCLUSÃO 
A igreja deve cuidar de todos os seus membros, seja em suas necessidades espirituais ou materiais; alguns precisam ser exortados, outros, socorridos, e outros ainda, repreendidos. 
Todos nós fazemos parte da casa ou família de Deus e Ele nos tem provido de recursos e capacitado com dons para que possamos exercer nossa piedade tanto para com Ele como para com nossos irmãos.

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23 julho 2020

004-Fidelidade no Ministério em tempos de apostasia - Cartas Pastorais Lição 04[Pr Afonso Chaves]21jul2020

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LIÇÃO 4 
FIDELIDADE NO MINISTÉRIO EM TEMPOS DE APOSTASIA 

TEXTO ÁUREO: 
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Tm 4.16) 

LEITURA BÍBLICA: 1 TIMÓTEO 4.1-16 

INTRODUÇÃO 
Um dos motivos que levaram Paulo a se adiantar nos assuntos que tinha a tratar com Timóteo, e a redigir a epístola que ora estudamos, era o surgimento e o avanço da apostasia no meio do próprio povo de Deus. 
Nesta lição veremos como o apóstolo previne seu amado filho na fé contra os caminhos errôneos que muitos tomariam por influência de líderes corruptos e decaídos da graça; ao mesmo tempo em que o exorta a perseverar no seu chamado diante de Deus, cuidando tanto do progresso espiritual seu, como daqueles que estavam à sua volta e sob sua influência. 

I – A APOSTASIA NO FIM DOS TEMPOS (VV. 1-5) 
Os primeiros versos deste capítulo devem ser entendidos à luz do contexto imediatamente anterior, estudado na lição passada. 
Ali vimos que o apóstolo Paulo considerava importante e urgente inteirar Timóteo sobre como lidar com os negócios da igreja porque esta é a “casa de Deus”, e porque a missão dela é ser “coluna e firmeza da verdade”. 
E esta verdade não é nada menos que o grandioso mistério de Cristo manifestado em carne, e anunciado e recebido tanto na terra como nos céus. 
Contudo, por mais notória, incontestável e imutável que seja essa verdade, a igreja – e especialmente seus obreiros – não pode presumir que sua pregação sempre será pura e perfeita, ou que seus membros sempre serão íntegros e fiéis. 
Daí a advertência do apóstolo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé”. 
O mesmo Espírito que havia revelado o mistério da salvação aos seus apóstolos e profetas (Ef 3.4-6) também o fez em relação a um “mistério da iniquidade”, uma atuação diabólica que se manifestaria nas igrejas na forma do abandono (apostasia) da fé, ou da corrupção da sã doutrina (isto é, heresias) – no que alguns se revelariam como falsos crentes e falsos obreiros; e isto não em um futuro distante, mas num período que, embora chamado de “últimos tempos”, estava às portas daquela geração (cf. At 20.29-30; 2 Tm 3.1; 4.3; 2 Ts 2.1-7; 1 Jo 2.18; 2 Pe 3.1-4). 
Notemos como o mal causado na igreja é ainda maior quando os seus agentes são aqueles que deveriam promover o seu maior benefício – ou seja, através de obreiros que se renderam a ambições pessoais, sufocando todos os protestos da sua própria consciência, até que esta se cauterizou. 
Paulo os chamou, em outro lugar, de emissários de Satanás (2 Co 11.13-15), pois passam a atuar de modo sutil e capcioso, apresentando seus ensinos perversos sob algum pretexto aparentemente piedoso ou humilde, mas, na realidade, suas palavras só produzem nos ouvintes satisfação carnal e um falso senso de salvação (Cl 2.20-23). 
Os dois exemplos que ele cita: “proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares”, são proibições relacionadas a algumas das muitas dádivas de Deus ao homem para esta vida, e que, se os infiéis abusam, os fiéis sabem “usar delas com ações de graças” (cf. Ec 9.7-9; Rm 14.6-8). 
Embora seja válido abster-se voluntariamente dessas coisas como meios de se aplicar mais ao reino de Deus, em si mesmas elas não são um fim, nem possuem qualquer virtude inerente – seja solteiro ou casado, abstêmio ou não, cada um tem o seu chamado e tempo oportuno da parte de Deus (cf. 1 Co 7.5-8, 28-35). 
Paulo acrescenta então o argumento de que, pelo conhecimento da palavra e pela oração, o homem faz o uso apropriado (e que agrada a Deus) de todas essas coisas, pois ele é capaz de dar graças àqu’Ele que as provê (cf. Tt 1.15). 

II – O EXERCÍCIO DA PIEDADE (VV. 6-10) 
A sã doutrina não poderia então ser preservada na igreja, e assim esta cumprir o seu papel tão glorioso, se não, através de constante vigilância e esforço ativo dos fiéis – principalmente dos seus obreiros. 
E esse cuidado se traduz, no ensino da sã doutrina: “propondo estas coisas aos irmãos”, seja na exposição e refutação da heresia: “mas rejeita as fábulas profanas e de velhas”. 
Embora não seja possível precisar de que tipo de fábulas o apóstolo está tratando, considerando sua ocorrência em uma expressão anterior (1 Tm 1.4) e no presente contexto, podemos considerar que se tratam das tradições dos antigos sobre as quais os judeus (e os judaizantes nas igrejas) fundamentavam suas práticas excêntricas; para Paulo, não passavam de contos, tão ordinárias e desprovidas de respaldo divino quanto qualquer outra lenda contada entre os gentios. 
Ao invés de envolver-se no emaranhado de contendas e hipóteses inúteis que tais fábulas suscitavam, Timóteo devia exercitar-se em piedade. 
Aqui o apóstolo faz uma comparação que encontramos em outras passagens, a dedicação e o esforço constantes exigidos pela chamada divina – particularmente ministerial – comparando-se ao quanto é requerido dos participantes de uma competição física, inclusive desembaraçando-se de coisas que possam diminuir o seu desempenho ou impedi-los de alcançar o prêmio (cf. 1 Co 9.24-27). 
Se o exercício físico demanda tanto esforço e constância para resultar em pouco proveito – ou seja, benefícios transitórios e somente para esta vida – quanto mais a piedade, que para tudo é proveitosa, resultando em benefícios tanto para esta vida como para a eternidade? 
Esta parece ter sido uma comparação comum entre os irmãos, que Paulo mais uma vez confirma ser verdadeira à luz da palavra de Deus e da experiência sua e de Timóteo: “Porque para isto trabalhamos e lutamos”. 
Nosso comprometimento e dedicação em servir a Deus deveria se fortalecer ante a perspectiva de que trabalhamos para o Deus vivo, que beneficia a todos os homens (dando a cada um o fruto do seu trabalho) – e especialmente aos fiéis, estendendo sua graça e amor eterno aos eleitos e reservando uma recompensa gloriosa para todos os que cumprirem fielmente o seu chamado, cf. 2 Tm 1.12; 2.4-5). 

III – ORIENTAÇÕES PARTICULARES (VV. 11-16) 
As recomendações acima aplicavam-se não apenas a Timóteo, mas a todos os obreiros das igrejas – de fato a todos os fiéis – por isso ele devia mandá-las e ensiná-las. Paulo ainda o exorta a não permitir que sua autoridade e capacidade fossem medidas pela sua idade jovial e aparente inexperiência, mas pelo seu exemplo de cristão, de ministro do evangelho: “na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”. 
Timóteo também devia sempre se lembrar das evidências do seu chamado divino, de onde poderia extrair grande incentivo e confiança para prosseguir sua obra. 
Quanto às exortações finais, queremos destacar a grande repercussão de um ministério fiel e dedicado: “para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos”, pois o obreiro fiel obtém reconhecimento da igreja, ao mesmo tempo em que traz aos fiéis maior segurança quanto à sua idoneidade e chamada divina; “fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”, porque o ministério é um dos talentos que o Senhor distribui aos Seus servos, e do qual pedirá contas naquele dia; e porque pelo bom desempenho em granjear esse talento outros podem ser impulsionados a entender e trabalhar para cumprir a sua própria vocação. 

CONCLUSÃO 
Convém que ocorram na igreja apostasias e todo tipo de perversão incompatível com a sua natureza divina, mas o zelo e a dedicação de obreiros verdadeiramente comprometidos com o Senhor são defesas poderosas contra esses males, garantindo que a igreja não sofra maiores prejuízos e nem seja impedida de cumprir a sua missão.

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16 julho 2020

003-A Igreja e o Ministério - Cartas Pastorais Lição 03[Pr Afonso Chaves]14jul2020

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LIÇÃO 3 
A IGREJA E O MINISTÉRIO 

TEXTO ÁUREO: 
“Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.” (1 Tm 3.14-15) 

LEITURA BÍBLICA: 1 TIMÓTEO 3.1-16 

INTRODUÇÃO 
Assim como o apóstolo Paulo tinha grande cuidado com a preservação da sã doutrina e da oração nas igrejas, conforme estudamos nas lições anteriores; na lição de hoje veremos que ele igualmente se preocupava com aqueles que estavam à frente dessas e de outras atividades essenciais à ordem e vida espiritual da comunidade cristã – a saber, os presbíteros e diáconos. 
E, para que a igreja verdadeiramente seja beneficiada por aqueles que a lideram, e não prejudicada, é necessário que os aspirantes ao ministério sejam exemplares modelos de vida cristã. 

I – A EXCELÊNCIA DO EPISCOPADO (VV. 1-7) 
Neste capítulo, o apóstolo passa das considerações mais gerais que havia feito em relação à conduta de homens e mulheres na igreja à definição das características espirituais e morais daqueles que deveriam servir no ministério. 
No princípio, quando a multidão dos discípulos ainda se concentrava em Jerusalém, a responsabilidade de conduzir os negócios da igreja incumbia aos apóstolos (At 2.42; 4.33- 34). 
Pouco depois, o crescimento daquela primeira comunidade e das suas necessidades levou-os a escolher alguns irmãos para auxiliá-los na importante tarefa de servir às mesas (At 6.1-4). 
Mas é durante a primeira viagem missionária de Paulo que vamos encontrar pela primeira vez a menção a irmãos escolhidos e consagrados como presbíteros das igrejas (At 14.23). 
Esses presbíteros (palavra que em grego significa “ancião”, e às vezes assim se traduz em nossas bíblias) também são chamados de bispos (do grego, “supervisores”). 
O primeiro título parece indicar a sua experiência na palavra e no testemunho; ao passo que o segundo refere-se mais à sua função: na ausência dos apóstolos, eram aqueles que assumiam a condução dos fiéis na oração e no ensino da palavra, aconselhando, orientando e cuidando da igreja, tal qual pastores do rebanho de Deus (cf. At 20.17, 28; 1 Pe 5.1-4). 
Quando Paulo confirma a veracidade do dito (talvez comum entre os primeiros cristãos) de que a obra do presbitério (ou episcopado, como aqui é chamada) era uma “excelente obra”, certamente ele tem em vista a grande honra e o privilégio incomparável de servir à igreja de Cristo; mas também a tremenda responsabilidade a qual nem todos estão preparados (e por isso nem todos são chamados) para assumir. 
Convém, portanto, que o aspirante à excelência do ministério (ou que já esteja nele) se faça como que digno dessa obra, através de um caráter ou conduta igualmente excelente; além do que é da natureza do seu chamado que os pastores ensinem o povo de Deus não apenas por palavra, mas por obra e testemunho, animando os fracos e corroborando os que estão firmes na fé (cf. Hb 13.7; 1 Tm 4.12, 16). 
A primeira qualidade citada pelo apóstolo é a mais abrangente: “que o bispo seja irrepreensível” – ou seja, que cuide para não incorrer em qualquer atitude que mereça censura ou reprovação. “Marido de uma mulher” não significa que tenha que ser casado, mas que deve ser absolutamente fiel a uma só esposa – o que implicava em estabelecer a monogamia como único modelo de relacionamento conjugal aprovado por Deus, com exclusão de todas as suas perversões, por mais comuns ou aceitas que fossem na sociedade de então. 
“Hospitaleiro” abrangia muito mais do que uma “recepção calorosa” a convidados ou visitantes em casa; significava abrigar, socorrer e suprir as necessidades dos pobres e aflitos – enfim, relacionava-se mais com “caridade”. 
“Apto para ensinar”, não necessariamente como um professor, mas sabendo usar a palavra de Deus para aconselhar, repreender e corrigir, de acordo com a necessidade dos fiéis (cf. Tt 1.9). 
Dentre os vícios que devem ser notados: “Não dado ao vinho”, pois o abuso levaria não só ao escândalo, mas ao pecado da embriaguez; “não espancador”, consequência natural do vício anterior.
Notemos ainda que deve cumprir seu papel na estrutura familiar – mais uma vez confirmando que a igreja deve enaltecer os papéis distintos de homem, mulher, pais e filhos. 
“Não neófito”, ou seja, imaturo na fé, pois poderia facilmente se apegar à honra e se esquecer da responsabilidade da sua posição, como o fez Satanás. 
E, por último, mas não menos importante, “que tenha bom testemunho dos que estão de fora”, pois isto revela que não vive a fé cristã apenas na igreja – do contrário, poderia ser afrontado, envergonhado pela sua má conduta e desfalecer completamente da fé. 

II – A IMPORTÂNCIA DO DIACONATO (VV. 8-13) 
Embora ali não sejam assim chamados, é certo que os sete varões escolhidos pelos apóstolos para servir às mesas foram os primeiros diáconos (do grego, “servidores”) da igreja. O cuidado com os órfãos, viúvas e demais necessitados no meio do povo de Deus sempre foi considerado um importante negócio (cf. Gl 2.10) – afinal, de que outra forma testemunhamos que somos discípulos de Cristo, se não nos amando uns aos outros, não só por palavra, mas por obra (1 Jo 3.17-18)? 
A importância desse serviço, ao mesmo tempo em que o ministério da oração e da palavra também exigem muita dedicação dos seus obreiros, tornou conveniente a instituição de diáconos – homens de caráter irrepreensível e verdadeira piedade que possam cuidar desta obra de natureza igualmente espiritual (cf. 2 Co 8.1-7).
As qualidades que o apóstolo define para os candidatos ao diaconato são mais ou menos parecidas com a dos presbíteros, e as que especifica no caso daqueles são igualmente desejáveis para os aspirantes ao episcopado, como: guardar o mistério da fé em uma consciência pura; serem primeiramente provados – ou seja, examinados, para ver se sua conduta e caráter realmente correspondem ao modelo apostólico; e a boa posição e confiança na fé que alcançarão, se servirem bem e fielmente. 

III – A NATUREZA DIVINA DA IGREJA (VV. 14-16) 
Embora pretendesse encontrar novamente Timóteo, quando poderia instrui-lo pessoalmente sobre esses e outros assuntos, o apóstolo também sabia que imprevistos poderiam acontecer e que seu jovem discípulo não poderia ficar à mercê da sua ausência para cumprir sua missão. 
Ele considera que Timóteo não pode esperar, muito menos se arriscar a cuidar inadequadamente dos negócios da igreja, porque eles dizem respeito à casa de Deus. Ou seja, as coisas da igreja não eram suas, mas de Deus, e a ele cabia apenas dispensá-las ou administrá-las da melhor forma, cuidando para não causar prejuízo ao dono da casa, pois Ele é vivo e não se deixa defraudar (1 Co 4.1-5; Mt 24.45-51). 
Além disso, a comparação da igreja à “coluna e firmeza da verdade” define seu caráter ou missão, e isto acrescenta ainda maior gravidade e cuidado no trato de tudo o que diz respeito aos seus interesses. 
À igreja foi confiada a verdade do evangelho, que ela sustenta através do seu testemunho; e essa verdade não é um simples rumor ou notícia incerta, mas consiste num grandioso mistério divino cuja revelação repercutiu por toda a criação, movendo céus e terra: “Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima, na glória” (cf. Hb 12.18-29). 

CONCLUSÃO 
Não é pequena a tarefa daqueles que são chamados a servir no ministério, muito menos dispensável; mas é uma honra que não se pode comparar a qualquer outra deste mundo e que, por isso, exige dos que a aspiram a mais profunda convicção e o mais forte senso de comprometimento com aqu’Ele que os chamou para esta obra.

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09 julho 2020

002-A Igreja e a prática da oração - Cartas Pastorais Lição 02[Pr Afonso Chaves]07jul2020

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LIÇÃO 2 
A IGREJA E A PRÁTICA DA ORAÇÃO 

TEXTO ÁUREO:
“Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.3-4). 

LEITURA BÍBLICA: 1 TIMÓTEO 2.1-7 

INTRODUÇÃO 
Como explicamos na aula anterior, as epístolas pastorais contêm orientações apostólicas tanto para a vida cristã em comunidade como para o cumprimento da chamada ministerial. Muitas vezes esses dois aspectos podem ser facilmente distinguidos, mas não é o caso da passagem que estudaremos hoje. 
O assunto desta lição é pelo que, por que e como os crentes devem orar quando se reúnem – um assunto pertinente a todos os cristãos, ainda que, ao orientar a prática deste importante componente das nossas reuniões, o apóstolo requeira atitudes distintas de determinados grupos na igreja. 

I – A IGREJA DEVE ORAR POR TODOS (VV. 1-2) 
Juntamente com a pregação da palavra, a oração é uma das características mais importantes da vida cristã em igreja (cf. At 2.42; 8.4; etc.). 
Assim sendo, Paulo iniciou sua epístola a Timóteo lembrando-o de que ele havia sido deixado em Éfeso principalmente para assegurar a pregação da sã doutrina nas igrejas sob o seu cuidado, repreendendo os maus obreiros e proibindo qualquer perversão da palavra de Deus. 
E agora, antes de passar a outros assuntos, o apóstolo se sentia compelido a tratar da prática da oração nas igrejas: “que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graça”. 
O uso de diversas palavras para denotar a prática desse dever indica que o objeto a ser proposto para oração não é casual, nem pouco importante, mas deve ser de contínuo interesse da igreja, os crentes perseverando e velando sobre isso com ações de graças diante de Deus (cf. Cl 4.2). 
Segundo a orientação do apóstolo, os crentes, quando reunidos, devem orar “por todos os homens”. Certamente, “todos” aqui não significa: “de forma geral e indefinida”, nem “todos e cada ser humano”; mas, sem dúvida, inclui muito mais do que os crentes, seus familiares e suas necessidades particulares. Paulo apresenta então um exemplo: “pelos reis e por todos os que estão em eminência”. As autoridades políticas também não são todos os homens, mas representam um grupo de pessoas que ocupavam uma posição distinta das demais na sua relação com a igreja. De fato, esses poderes foram constituídos por Deus para manter a ordem e a paz da sociedade (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.13-14), e essa estabilidade e segurança deve ser desejada pela igreja e buscada em oração (cf. Jr 29.7), pois, como diz o apóstolo, desta bênção depende o exercício da liberdade cristã em uma vida quieta e sossegada. 
Assim sendo, o exemplo citado por Paulo deveria ser suficiente para entendermos que a igreja deve orar por todos os tipos ou classes de homens: por crentes e incrédulos; pobres e ricos; amigos e inimigos; governados e governantes. A razão disso vamos entender nos versos analisados no próximo tópico. 

II – DEUS QUER SALVAR A TODOS (V. 3-7) 
Apesar de podermos encontrar diferentes motivos para orar por determinados grupos de pessoas, como fez Paulo em relação às autoridades políticas, o apóstolo explica que orar por todos é bom e agradável diante de Deus porque Ele quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. 
Notemos então que não é somente pelo testemunho da palavra, mas também – e podemos até dizer: antes – pela oração é que a boa vontade de Deus para salvar os homens se realizará (cf. At 4.24-31; Ef 6.18-19; Mt 6.10). 
Muitos podem não entender porque Deus, na Sua vontade soberana, escolhe um e rejeita o outro; mas a igreja confessa, ao orar por todos, que Ele não faz acepção de pessoas, mas pode salvar e salva o pecador independentemente de sua raça, língua ou posição social (cf. At 10.34-35). 
O apóstolo apresenta ainda um segundo argumento para reforçar o dever da oração comunitária em favor de todos os homens: a unidade de Deus e do Mediador entre Deus e os homens. Embora muitos se façam deuses ou assim sejam declarados pelos homens, o fato é que existe somente um Deus, que é criador de tudo e de todos e, por isso, nenhum tipo de pessoa, nenhuma das suas criaturas, pode ser considerada excluída do chamado à salvação (Mc 16.15; At 2.39; Rm 3.29). 
Do mesmo modo, foi para dar-se a si mesmo em preço de redenção por todos que Jesus Cristo veio ao mundo como homem – pelas circunstâncias terrenas e em razão das promessas, judeu, é verdade; mas isto não exclui que, pela encarnação em si e pelo propósito divino, ele tivesse assumido a carne e o sangue que são comuns a toda a espécie humana (Jo 1.10, 14; Hb 2.14-15). Cf. At 17.24-28; 1 Co 8.5-6. 
E esta também é uma nova oportunidade para Paulo apresentar o seu próprio ministério como argumento em favor da doutrina proposta, pois, assim como Deus e Cristo Jesus são um só para todos os homens, do mesmo modo ele havia sido constituído apóstolo e doutor não apenas para os judeus, mas para os gentios – ou seja, para os povos e nações do mundo todo (cf. At 9.15). 

III – A NECESSIDADE DE ORDEM PARA A ORAÇÃO (VV. 8-15) 
Tendo definido por quem e por que a igreja deve orar, o apóstolo passa a tratar do modo como os crentes devem conduzir suas reuniões. E, se Deus não discrimina ninguém quanto à salvação, isto não pode ser tomado como pretexto para abolir toda a distinção natural definida pelo próprio Deus. 
Pelo contrário, a igreja deveria dar testemunho dessa ordem divina pelo exemplo. Assim, tanto a oração como a pregação, por representarem elementos essenciais do culto público, devem ser conduzidas pelos homens da igreja e assistidas pelas mulheres. 
Talvez aqui haja uma questão cultural no que diz respeito à expressão dessa liderança na oração por meio do levantar das mãos; mas o ponto é que, seja qual for a atitude exterior, só são dignos de conduzir a oração pública aqueles que vivem em santidade (este é o sentido de mãos santas) e que estão em paz com o próximo (Hb 12.14). 
As mulheres, por sua vez, também devem participar da oração (cf. At 1.14), mas com o cuidado de se ataviarem em traje honesto, com pudor e modéstia. A mulher santa que deseja orar e ser ouvida por Deus deve se lembrar de que Ele não olha para o exterior, mas para o interior (1 Sm 16.7), agradando-se de boas obras e de um espírito manso e quieto (1 Pe 3.3-6). 
Se não cuida do seu interior, a mulher pode ter aparência que aos olhos dos homens pode ter valor, mas para Deus não vale nada. Por estarem relacionadas, o apóstolo passa facilmente da oração para a pregação, sendo ainda mais incisivo nesse ponto em relação às mulheres: não permito, porém, que a mulher ensine. 
Ele não se estende muito aqui, mas podemos considerar que as razões para a proibição são as seguintes: aprender em silêncio está mais de acordo com a sujeição devida ao marido – sujeição essa inerente ao papel da mulher definido na criação, de auxiliar o homem e ser guiada por ele (1 Co 11.8-9; Ef 5.22-24). 
E não foi por essa sujeição a Adão e sua liderança que Eva foi enganada, caindo em transgressão, mas precisamente quando agiu em desacordo com esses princípios. A sujeição tornou-se em castigo que se perpetuaria na ordem natural (Gn 3.16), mas a mulher ainda pode cumprir o mandato divino estabelecido no princípio por meio da procriação, e assim salvar-se por realizar o seu propósito enquanto mulher e, perseverando na fé, amor e santificação, salvar-se enquanto membro do corpo de Cristo, tal como o homem (Gl 3.28). 

CONCLUSÃO 
A igreja deve compreender que é testemunha da vontade de Deus em salvar o homem em todos os aspectos da sua existência, tanto redimindo-o dos seus pecados e conservando-o para a vida eterna como restaurando sua dignidade e mostrando-lhe a posição que ocupa na criação de Deus, somente onde poderá ser realmente feliz.

PARA USO DO PROFESSOR
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Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

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02 julho 2020

001-Timóteo e seu ministério - Cartas Pastorais Lição 01[Pr Afonso Chaves]30jun2020

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LIÇÃO 1 
TIMÓTEO E SEU MINISTÉRIO 

TEXTO ÁUREO: 
“Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia, conservando a fé e a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio na fé” (1 Tm 1.18-19). 

LEITURA BÍBLICA: 1 TIMÓTEO 1.1-7 

INTRODUÇÃO 
Neste trimestre voltamos para o Novo Testamento no propósito de estudar as chamadas cartas pastorais, quais sejam: 1ª e 2ª Timóteo e Tito. São três missivas relativamente breves, enviadas pelo apóstolo Paulo a dois dos seus mais estimados cooperadores no evangelho. À primeira vista, cada uma delas parece tratar de assuntos diferentes e em um contexto específico; mas a característica comum que permite reuni-las num grupo distinto de cartas é o fato de que todas elas contêm, além da pura e sã doutrina, conselhos e diretrizes preciosas tanto para a vida cristã em comunidade como também particular e, especialmente, para aqueles que, sendo chamados por Deus para servir à igreja, desejam cumprir o seu ministério com fidelidade e honra. 

I – TIMÓTEO, UM VERDADEIRO FILHO NA FÉ (VV. 1-2) 
De todos os cooperadores do apóstolo Paulo, Timóteo é o mais citado em Atos e nas epístolas paulinas. Nós o encontramos pela primeira vez durante a segunda viagem missionária do apóstolo; enquanto este passava por Derbe e Listra (cidades da Licaônia, uma região na parte oriental da Ásia Menor), “eis que estava ali um certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia que era crente, mas de pai grego, do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e Icônio” (At 16.1-2). Desde a infância, havia sido criado por sua avó e sua mãe nos princípios da religião judaica e, provavelmente, por ocasião da primeira passagem de Paulo por aquela região, tanto sua avó e sua mãe, como também depois o próprio Timóteo, receberam a fé em Cristo Jesus (cf. 2 Tm 1.5; 3.14-15). O bom testemunho que aquele jovem havia alcançado da comunidade cristã era um bom sinal do seu chamado para a obra do ministério e, por um discernimento mais claro quanto à vontade de Deus, Timóteo é “separado para o ministério” pela imposição das mãos dos anciãos e de Paulo (cf. 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6; compare com At 13.1-3). Como não havia sido circuncidado, mesmo sendo filho de mãe judia, ele é submetido ao rito mosaico a fim de evitar falsas acusações por parte dos judeus. A partir de então, Timóteo se tornará um fiel cooperador do evangelho, trabalhando com Paulo até o fim do seu ministério (2 Tm 4.9, 21). Dentre os diversos testemunhos que dá a seu respeito, o apóstolo o recomenda pelo seu cuidado em imitá-lo em todas as coisas (2 Tm 3.10-12); por zelar sinceramente pela glória de Jesus Cristo (Fp 2.19-22); por estar alinhado com a doutrina e os modos apostólicos (1 Co 4.17). Enfim, Timóteo é o seu verdadeiro filho na fé, e ambas as epístolas estão cheias de expressões revelando o cuidado paternal do apóstolo com esse jovem para que ele guardasse a fé e cumprisse o seu ministério, como o próprio Paulo havia feito (1 Tm 4.16; 2 Tm 1.14). 

II – TIMÓTEO E SUA MISSÃO (VV. 5-11) 
Evidentemente, a epístola foi enviada a Timóteo enquanto este se achava em Éfeso, a principal cidade da província romana chamada Ásia, e de onde o evangelho se propagou por toda a região durante uma prolongada estadia de Paulo nessa cidade (At 19.10). Após a saudação, ele relembra seu cooperador da razão pela qual o havia deixado ali, quando de partida para a Macedônia: “para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina”. Como cooperador de grande confiança e espelhando tanto a integridade moral como a pureza doutrinária do apóstolo, Timóteo estava em Éfeso para atuar não como um pastor, porque pastores as igrejas locais já tinham (cf. At 20.17, 28); mas sim como o evangelista que era, pregando e ensinando a sã doutrina (2 Tm 4.1-2), e com autoridade apostólica para organizar e disciplinar a vida das igrejas, bem como a de seus obreiros (do mesmo modo que Tito em Creta, cf. Tt 1.5), e assim suprir a ausência de Paulo enquanto este atendia às necessidades de outras igrejas. Naquele tempo, mesmo as comunidades cristãs predominantemente gentílicas conviviam muito de perto com o judaísmo, seja através das críticas e da argumentação de judeus incrédulos, ou na dificuldade que muitos judeus crentes tinham de abandonar aspectos transitórios da lei e até mesmo minúcias da tradição dos antigos (At 21.18-21). Era preciso ser sensível a essa fraqueza da nação israelita (como o próprio Paulo demonstrou várias vezes ser) e promover a compreensão mútua entre judeus e gentios na sua forma de devoção ao Senhor Jesus; mas a sã doutrina não podia ser maculada por fábulas e genealogias intermináveis (ou seja, pela tradição judaica) que não produziam nenhuma graça e edificação nos ouvintes. Os obreiros que se entregavam a essa deturpação da palavra de Deus, o apóstolo os considera desviados do seu chamado, e Timóteo devia discipliná-los. Consideremos ainda os apontamentos doutrinários que Paulo faz a respeito da natureza e uso da lei, que esses obreiros não compreendiam de modo algum, pois a verdadeira finalidade da lei é “o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida”, e não contendas. Ora, a lei cumpre esse fim ao revelar a natureza pecaminosa do homem em toda a sua perversidade, provando sua culpa e justa condenação. Assim ela o prepara para o evangelho da glória do Deus bem-aventurado, que é a experiência da graça no coração e na consciência do pecador, que crê na remissão e perdão dos seus pecados e agora pode amar àqu’Ele que o amou primeiro (Rm 3.19-26; 5.1-5). Enfim, não é preciso entrar em debates intermináveis sobre a lei, quando a sã doutrina nos leva tanto a compreender como a alcançar o sentido pleno da lei.

III – TIMÓTEO E O EXEMPLO DE PAULO (VV. 12-20) 
Enquanto obreiros que haviam perdido o seu chamado de vista se gloriavam em si mesmos e se consideravam doutores da lei, o apóstolo de Jesus Cristo representa um contraste notável ao expressar seu senso de indignidade ante a grandeza do seu chamado, tanto mais ao levar em conta sua conduta passada em relação à igreja: “a mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e opressor” (compare com 1 Co 15.9). Mas Paulo também considera que o seu caso particular é uma poderosa demonstração da eficácia do próprio evangelho que pregava, como se o seu chamado ao ministério tivesse brotado “naturalmente” a partir da sua própria experiência da salvação, constrangendo-o a demonstrar o mesmo cuidado pela pregação do evangelho e pela perseverança na fé até o fim (cf. 1 Co 9.16, 23). Este é, de fato, o modelo de um verdadeiro chamado para a obra do ministério: falsos obreiros nada mais são que falsos crentes, privados do coração puro, da boa consciência e da fé sincera a que o apóstolo se referiu – se fracassam no ministério, é porque antes fracassaram na fé, muitas vezes de modo tão terrível quanto o de Alexandre e Himeneu, citados no final do texto. Daí a exortação de Paulo a seu amado filho Timóteo, para que milite pelas profecias acerca do seu ministério, antes de tudo, cuidando em conservar “a fé e a boa consciência” (cf. 1 Tm 1.14), sem as quais nenhum obreiro poderá ser achado em honra naquele dia, tampouco se gloriar no evangelho que prega.

CONCLUSÃO 
Os conselhos inspirados que encontramos nesta e nas demais epístolas pastorais geralmente são considerados pertinentes apenas a obreiros; mas entendamos que aqueles que são chamados por Cristo são propostos à igreja como exemplos a serem copiados, se não na sua obra particular, com certeza no seu trato e conduta, na sua fé e devoção ao Senhor e no amor pela Sua palavra.

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