12 outubro 2022

003-Isaías - Esperança em tempos de Juízo - Isaías Lição 03[Pr Afonso Chaves]11out2022

 

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LIÇÃO 3 

ESPERANÇA EM TEMPOS DE JUÍZO 

TEXTO ÁUREO: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.” (Isaías 7.14) 

LEITURA BÍBLICA: ISAÍAS 9.1-7 

INTRODUÇÃO Nos capítulos propostos para o estudo da lição de hoje (9 a 12), veremos como, embora a mensagem do profeta fosse de um juízo inexorável, que Judá e Jerusalém certamente sofreriam em razão da sua impenitência; o Senhor também nos deixa vislumbrar, oportunamente, o tempo de uma gloriosa e eterna salvação, para a qual os fiéis deveriam olhar, na certeza de que Deus jamais os abandonaria – ainda que, nas presentes circunstâncias, estivessem experimentando a justa e santa ira de um Deus zeloso que verdadeiramente ama o Seu povo. 

I – A TERRA DO EMANUEL SERÁ LIVRADA (CC. 7-8) Nestes capítulos o profeta nos apresenta um episódio onde o rei Acaz, embora fosse ímpio e perverso, recebe uma palavra da parte de Deus assegurando-o de que, não pela sua própria força ou mérito, mas pela misericórdia e poder divinos, Judá e Jerusalém seriam livradas de uma invasão planejada pela Síria e Samaria – que era motivo de grande aflição para o rei. A resposta de Acaz à oferta: “Pede para ti ao Senhor, teu Deus, um sinal”, é, no mínimo, hipócrita, pois era o próprio Deus quem se propunha realizar um sinal para confirmar a certeza deste livramento e, deste modo, despertar o rei para que este confiasse no Senhor. Assim, a rejeição de Acaz sob pretexto de não tentar ao Senhor apenas revela a sua indisposição de se comprometer com Deus sob qualquer condição. A esta reiteração de impenitência e rejeição ao Senhor, um sinal é dado, agora não ao rei, mas ao remanescente de Judá e Jerusalém – ao povo de Deus – não sobre um livramento imediato, mas à salvação e redenção através do Messias, aqui chamado de o Emanuel (que significa “Deus conosco”), numa clara alusão profética ao fato de que o Cristo, o Salvador, seria o próprio Deus habitando entre nós (cf. 1 Tm 3.16; Jo 1.14, 18), pois assumiria a semelhança do Seu próprio povo através de um nascimento miraculoso (cf. Gl 4.4-6; Hb 2.14-18) – o que serviu de sinal para os fiéis quando esta palavra se cumpriu (cf. Mt 1.18-23; Lc 2.8-12, 25-32). Outro aspecto do sinal está na expressão seguinte, de que manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem, pois Jesus, tendo nascido e crescido como um homem, só se manifestou como o Messias, o Salvador do Seu povo em idade adulta – o que causou grande surpresa para os incrédulos (cf. Mt 13.54-58). De fato, aquela geração de Judá e Jerusalém ainda testemunharia seu livramento das mãos de Israel e da Síria, mas Efraim – isto é, as tribos do norte – não seria apenas castigada, mas destruída pelos assírios (7.8, 16-17), e a terra assolada de seus moradores do mesmo modo que uma navalha rapando todos os cabelos da cabeça aos pés; e de tal modo que o pouco que pudesse ser colhido ou produzido ali já seria uma abundância para os poucos moradores que restariam nela (7.20-22). No capítulo seguinte, o Senhor revela que a própria Judá e Jerusalém seriam até certo ponto assoladas pelos assírios, uma vez que haviam desprezado as águas de Siloé, que correm brandamente – isto é, não reconheceram a paz e segurança que poderiam ter no Senhor enquanto confiassem n’Ele e não seguissem os caminhos dos seus vizinhos, pelo que, antes de testemunhar a manifestação do Emanuel, aquela terra ainda experimentaria o terror das águas turbulentas representadas da Assíria (8.6-8; cf. 2 Rs 18.13-14). Por isso, o profeta desperta os fiéis a permanecerem na lei do Senhor, confiando somente n’Ele e rejeitando os caminhos vãos das nações, porquanto as maquinações dos povos contra a terra do Emanuel certamente seriam frustradas e os fiéis encontrariam em Deus santuário seguro (cf. Sl 46.1-6). 

II – A TERRA ENTENEBRECIDA TAMBÉM SERÁ SALVA PELO EMANUEL (CC. 9-10) Reforçando a esperança dos fiéis, a palavra afirma que Judá e Jerusalém não seriam entregues à escuridão, como seriam Israel ao norte e as nações vizinhas. Mas, por outro lado, deixa uma promessa de salvação que se estende mesmo a estes últimos, que seriam destruídos pela Assíria. A luz também brilharia para esses povos, graças ao reinado glorioso e da abundante salvação do Emanuel: “Porque um menino nos nasceu” (9.1-2, 6-7). Essas nações de fato nunca voltariam do cativeiro assírio, mas, espiritualmente, seriam libertadas da opressão tirânica do pecado pelo Senhor Jesus, que, começando o Seu ministério de salvação precisamente na Galileia dos gentios, depois seria anunciado, pelo evangelho, a todas as nações da terra (cf. Mt 4.13-17; At 26.15-18). Segue-se então uma descrição do poder e majestade deste menino, o Emanuel, cujas qualidades divinas revelam que os fiéis deveriam esperar dele nada menos que a salvação e reconciliação dos céus e da terra com o Pai (cf. Cl 1.15-17); e do reino glorioso pelo qual inaugurará um novo estado de coisas para a igreja que se tornará cada vez mais pleno até a consumação do propósito de Deus para o Seu povo neste mundo (cf. At 3.19-21; 1 Co 15.22-26). Porém, quanto à situação de Israel naquela circunstância, e ao que estava reservado para Efraim num futuro breve, o Senhor manteria Sua mão estendida para feri-los e, como não se voltassem para ver quem os feria (9.13), certamente não escapariam à escuridão – isto é, a desolação final (9.19). No capítulo seguinte, o Senhor assegura aos fiéis daquelas gerações que a Assíria, embora fosse um instrumento em Suas mãos para castigar as nações e os infiéis dentre o Seu povo, seria ela mesma visitada por Deus a seu tempo, em razão da sua soberba e presunção contra o próprio Deus que lhe havia dado poder e autoridade sobre toda a terra (10.5, 12, 15, 24-25). 

III – O REINADO DO EMANUEL SERÁ DE PAZ E RECONCILIAÇÃO (CC. 11-12) Enquanto o capítulo anterior se encerra com um cenário de destruição e assolação, onde os altivos serão abatidos como árvores altas sendo derrubadas; o presente capítulo retoma o quadro futuro do reinado do Messias (11.1-2, 6-9, 16) que, ao contrário da altivez da Assíria e das nações, se manifestaria humilde e despretensioso, tal como um rebento, um ramo novo, mas nobre e digno de toda a realeza, pois que da raiz de Jessé e ungido para ser rei com a plenitude do Espírito de Deus (cf. Mt 3.16-17; Hb 1.8-9). Seu governo, não usando de força ou violência carnal, mas através da Sua justiça e verdade, seria eficaz e levaria não apenas à eliminação de toda a rebelião e iniquidade, mas à reconciliação geral de todos os seus súditos, tanto uns com os outros, como com o próprio Deus – o que é representado pelos animais de toda sorte convivendo em harmonia, e todos demonstrando sujeição e disposição a serem conduzidos a ponto de um menino pequeno poder guia-los (cf. Jo 10.16, 27; At 10.9-15, 28). E, finalmente, a palavra detalha, figuradamente, a restauração dos fiéis, dispersos por todas as terras, e seu retorno do cativeiro como nos dias da libertação de Israel da terra do Egito (11.12-16). Após esses diversos deslumbres da salvação futura, após um breve período de tribulação e angústia, o Senhor fortalece ainda mais a esperança no coração do Seu povo e o convida a olhar e abraçar as promessas, mesmo estando ainda distantes, revelando que eles haveriam de se alegrar grandemente na misericórdia de Deus, e a render graças depois de todas as aflições passadas, porquanto seria abundante a salvação operada em favor do Seu povo, e eles a experimentariam como aqueles que tiram água de fontes abundantes (12.1-6). 

CONCLUSÃO Deus não quer nossa destruição, mas nossa salvação. Mesmo quando é necessário castigar Seu povo, o Senhor o faz com vistas aos bons pensamentos, ao bom propósito que Ele estabeleceu para os Seus, do qual só poderão participar, com alegria e ação de graças, se considerarem o erro dos seus caminhos atuais e atentarem para aqu’Ele que os chama ao arrependimento e à conversão.

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04 outubro 2022

002-Isaias - A Salvação do Remanescente - Isaias Lição 02[Pr Afonso Chaves]04out2022

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LIÇÃO 2

A SALVAÇÃO DO REMANESCENTE

TEXTO ÁUREO: “Mas, se ainda a décima parte dela ficar, tornará a ser pastada; como o carvalho e como a azinheira, que, depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela.” (Is 6.13)

LEITURA BÍBLICA: ISAÍAS 2.1-8

INTRODUÇÃO As circunstâncias em que o profeta se encontrava eram desoladoras, em razão da persistência do povo no pecado, e nos capítulos que ora estudaremos vamos considerar como esse quadro é retratado. Contudo, veremos também que o propósito glorioso de Deus permanecerá firme – haverá abundante salvação e redenção para os povos, mas não sem que antes o Seu próprio povo fosse feito participante dessa salvação, sendo primeiramente quebrantado, e purificado, e então trazido de volta para Deus, ainda que na representação de um pequeno remanescente.

I – VISÃO DA GLÓRIA E SALVAÇÃO VINDOURA (CC. 2-4) Esta segunda visão registrada por Isaías começa com uma revelação do estado futuro de Jerusalém e Judá – isto é, do povo de Deus – quando a glória do reino dos céus seria tão manifesta e abundante que atrairia todas as nações até a casa do Senhor, até Sião. A visão, porém, é para os “últimos dias” – uma referência à plenitude dos tempos, quando Cristo veio a este mundo para restaurar e edificar a Sua igreja e estabelecer o Seu reino com poder, primeiro entre os judeus e, depois, entre as nações às quais o evangelho desde então tem sido levado (cf. Lc 24.47). Assim, o Senhor estaria julgando e repreendendo a muitos povos e, reconciliando os povos com Deus e uns com os outros, ensinando-os a paz (cf. 2 Co 5.18). Porém, a visão é para tempos distantes. Embora seu propósito fosse dar aos fiéis uma esperança quanto os tempos vindouros, a situação em que se encontravam, naquele momento, era de desamparo da parte de Deus, porquanto o povo estava entregue à idolatria (cf. vv. 6, 8). De fato, um dia do Senhor estava por vir, um dia em que o Senhor seria exaltado e Sua glória se manifestaria – mas no aspecto do juízo, e da repreensão e, finalmente, do quebrantamento do povo (cf. vv. 10-12, 20). Prossegue então a palavra, no capítulo seguinte, descrevendo esse terrível dia de castigo, quando o Senhor privaria Jerusalém do sustento, ao mesmo tempo em que mostraria a inaptidão dos seus líderes, os quais procuraram apenas os seus próprios interesses (cf. 3.1-5, 14-15). O quadro é completamente oposto ao que se nos apresenta no início da visão, mas tudo isto resultava da desobediência do povo (cf. 3.8, 11). As palavras seguintes são dirigidas às filhas de Sião, as quais, não obstante o pecado do povo, ainda encontravam lugar e oportunidade para alegria e deleite na exuberância de ornamentos exteriores; mas não seriam poupadas da miséria que acompanharia o cerco e a queda da cidade (cf. vv. 16-17). O capítulo 4 começa fazendo nova referência a mulheres, mas num aspecto figurativo e escatológico que caracteriza os tempos do fim, inaugurados com a vinda de Jesus a este mundo, quando muitos povos (sete mulheres), em meio à desolação e a iminência do juízo de Deus, desejariam e reivindicariam para si o abrigo seguro e a provisão espiritual, e a honra que há no Senhor Jesus, mas, de fato, não se comprometeriam sincera e fielmente com Ele (cf. 4.1). Mas, por outro lado, a visão nos leva novamente a um tempo mais remoto do que os dias do cerco e destruição de Jerusalém; aqui, o Senhor volta a apresentar Sião como o lugar onde, após ter sido purificada e limpa dos seus pecados, seria manifestada a salvação de Deus – em uma nova referência ao estabelecimento da igreja de Cristo como a verdadeira Sião, a verdadeira Jerusalém, onde há livramento para aqueles que nela permanecem juntos ao Renovo do Senhor (cf. At 2.14-21). 

II – PARÁBOLA DA VINHA (C. 5) Ao contrário da visão anterior, neste capítulo nos deparamos com uma lamentação sobre as condições espirituais em que Israel se encontrava no tempo do profeta. Usando de uma parábola, Isaías compara de forma vívida os cuidados de Deus para com Israel como de alguém que planta e cuida atenciosamente de uma vinha; e a ingratidão do povo para com o seu Criador ao desobedecer aos Seus mandamentos com a vinha dando uvas bravas, em lugar de uvas boas (cf. v. 7). Apelando ao bom senso dos próprios judeus, o Senhor teria toda a razão em remover os benefícios concedidos ao Seu povo e abandoná-lo para colher o fruto do seu próprio pecado. Segue-se então uma descrição mais extensa da desobediência e iniquidade praticada por Jerusalém e Judá, onde poderíamos pontuar, entre outros aspectos, a perversa atitude de chamar o bem de mal, e o mal de bem, acobertando os pecados alheios em troca de favores e declarando o ímpio, justo (cf. vv. 20, 21). Mas o Senhor volta a afirmar que o castigo está determinado, e que não haverá arrependimento nem adiamento quanto ao mal determinado, mas certamente serão assolados e levados em cativeiro (cf. vv. 13-16, 26); e que também de modo algum eles escapariam (cf. vv. 29). 

III – APENAS UM REMANESCENTE SERÁ SALVO (C. 6) Na visão deste capítulo, que muitos consideram ter sido a visão inicial, na qual Isaías foi chamado ao ministério profético, o Senhor se lhe apresenta em Sua glória e santidade, enchendo o profeta de temor e consciência quanto à tremenda ofensa representada pelo pecado do seu povo; para em seguida demonstrar Sua graça redentora e purificadora, capacitando então o Seu servo a cumprir a missão divina. Consideremos, em primeiro lugar, a grandeza da visão que o profeta teve do próprio Deus, assentado sobre um alto e sublime trono, e do Seu séquito – ou, de acordo com outras traduções, Suas orlas – enchendo o templo (cf. Dn 7.9); além dos serafins que, mesmo estando constantemente assistindo na presença de Senhor, tanto em seu modo de portar-se como nas palavras que proclamavam incansavelmente, exaltavam a santidade incomparável e inalcançável do Deus Altíssimo (cf. Ap 4.8). Isaías exclama aterrorizado porque, mesmo sendo um homem sincero e piedoso, agora presenciava com Seus próprios olhos a santidade de Deus e, como muitos outros antes dele, sabia que sua estrutura fisicamente fraca e limitada não poderia sobreviver a uma visão tão gloriosa (cf. Ex 33.20; Jz 13.22). Contudo, como nos outros casos, o Senhor não havia se revelado a ele para destruí-lo e, purificando-o pela Sua graça e justiça – representadas aqui pela brasa tirada do altar – Ele capacita o profeta tanto a permanecer na Sua presença como a responder ao chamado divino: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” O profeta então é comissionado a levar a mensagem de juízo, e destruição, contra o seu próprio povo de Jerusalém e Judá; a um povo que, como o próprio Deus adianta, não daria ouvidos à sua palavra, não se converteria, mas antes permaneceria no erro até que o castigo se derramasse completamente e “se assolem as cidades, e fiquem sem habitantes, e nas casas não fique morador, e a terra seja assolada de todo. E o Senhor afaste dela os homens, e, no meio da terra, seja grande o desamparo.” (vv. 11-12). Mas, por maior que fosse a destruição causada, ainda haveria salvação; muitos poderiam, de fato, perecer, a ponto de restar um número ínfimo de sobreviventes – mas estes seriam salvos, quando finalmente se convertessem (v. 13; cf. Is 10.22). 

CONCLUSÃO Como no passado, hoje vivemos um tempo que, à luz das Escrituras, prenuncia o juízo para a iniquidade e impenitência que predomina não só no mundo, mas mesmo entre o povo de Deus. Estejamos entre os vivos de Jerusalém, perseverando no caminho da obediência e justiça, pois é o próprio Deus quem nos assegurou que bem irá ao justo. 

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27 setembro 2022

001-Isaias - o profeta da salvação - Isaias Lição 01[Pr Afonso Chaves]27...

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 LIÇÃO 1 

ISAÍAS – O PROFETA DA SALVAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela, com justiça. Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.” (Is 1.27-28) 

LEITURA BÍBLICA: ISAÍAS 1.1-9 

INTRODUÇÃO Iniciamos um novo trimestre de estudos das Escrituras Sagradas, desta vez voltando-nos novamente para os profetas – aqueles pelos quais Deus falou no passado muitas vezes e de diversas maneiras, e de cujas mensagens podemos extrair tantas aplicações pertinentes aos tempos em que estamos vivendo. Mais especificamente, abordaremos a profecia de Isaías, que é um livro extenso para ser estudado capítulo a capítulo; mas, mesmo assim, ainda podemos selecionar as passagens mais importantes e necessárias para compreendermos as particularidades da mensagem deste profeta e extrair preciosas lições para nossa edificação e instrução no conselho de Deus. 

I – O CONTEXTO DE ISAÍAS Isaías é um dos mais antigos profetas canônicos – isto é, aqueles que consignaram sua mensagem por escrito e cujos livros chegaram até nós no corpo das Escrituras Sagradas (houve outros além daqueles que temos na Bíblia, mas seus escritos não chegaram até nós – cf. 2 Cr 9.29). Conforme apresentado na introdução do livro, este profeta ministrou ao povo de Judá e Jerusalém durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias – o que faz dele um contemporâneo de Oseias, Amós e Miquéias (cf. Os 1.1; Am 1.1; Mq 1.1), bem como de Joel, Obadias e Jonas. Em termos cronológicos, ele profetizou aproximadamente entre os anos 750 e 700 antes de Cristo, e o seu ministério foi um dos mais longos, e seu livro, o mais extenso do gênero – daí sua posição inicial na seção dos livros proféticos. Isaías era filho de Amós, e acredita-se que tenha sido de linhagem real ou exercido algum ofício junto à realeza de Judá, pelo fato de seu livro apresentar as crônicas do reinado de Ezequias (cc. 33-36). Durante o período inicial do seu ministério, Isaías assistiu a decadência do reino de Israel, ao norte, cujos últimos reis se sucederam no trono através de golpes e traições, e, pelo seu desinteresse e negligência à palavra de Deus, apenas apressaram o fim de Israel. Os assírios, em franca ascensão como um império que subjugaria até o Egito, rapidamente despojariam e conquistariam também as dez tribos do norte, levando seus habitantes para longe, de onde nunca mais voltariam a constituir uma nação (cf. 2 Rs 15.19-20, 29; 17.1-6). Por sua vez, o reino de Judá também trilhava o mesmo caminho, chegando a ser ameaçado pela presença assíria às portas de Jerusalém, mas graças à piedade e ao governo justo do rei Ezequias, não sofreria a mesma sorte de sua irmã – ao menos, por enquanto. Porém, a rebeldia e impenitência da nação continuaria a se acumular, não obstante as reformas e avivamentos sob os reinados de Ezequias e Josias, e, próximo ao fim do seu ministério, Isaías testemunharia os primeiros sinais do fortalecimento da nação que seria incumbida por Deus de aplicar o castigo a Judá – os caldeus (cf. Is 39). 

II – A MENSAGEM DE ISAÍAS Embora Isaías não apresente suas mensagens em ordem cronológica, é possível dividir o livro em duas grandes seções, cada uma tratando principalmente de um assunto. Na primeira seção, que vai do capítulo 1 ao 39, a mensagem é sobre o juízo de Deus, primeiro contra Judá e Jerusalém, pela sua rebeldia e impenitência; depois contra as nações, que haviam também pecado contra Deus e o Seu povo. Em outras palavras, esta seção reafirma que o ímpio não ficará impune, mas receberá a recompensa das suas mãos (cf. Is 3.11-12). Na segunda parte, que vai do capítulo 40 ao 66, a mensagem é sobre a salvação de Deus, quando o povo, quebrantado e humilhado pelo castigo, seria reavivado e trazido de volta do cativeiro para participar da glória do reino de Deus. Aqui temos um rico testemunho do senhorio e primazia de Deus, e da inutilidade dos ídolos; bem como promessas sobre ampla e abundante salvação, não apenas para Israel e Judá, mas para todos os povos (cf. Is 40.1-2, 5). Esta é, de fato, a parte mais extensa da sua mensagem, de modo que Isaías é, como seu próprio nome indica, um profeta da salvação (Isaías significa “salvação do Senhor”). Uma das características particulares mais notáveis da mensagem de Isaías é o fato de ser ele o profeta que apresenta o maior número de testemunhos acerca do Messias – isto é, o Ungido através do qual Deus operaria a salvação do Seu povo. Isaías anuncia tanto o nascimento, como também os sofrimentos e o sacrifício, e ainda o reinado eterno e glorioso do Messias, tudo para a glória de Deus e para o benefício de Seu povo – o que lhe valeu o título de profeta evangelista, ou profeta messiânico. 

III – A TRANSGRESSÃO DE JUDÁ A título de exemplificação, consideremos alguns aspectos da mensagem de Isaías presentes já no capítulo inicial do livro. A profecia se inicia denunciando a ingratidão de Judá e Jerusalém (aqui referidos como “Israel”), pois Deus os havia exaltado, mas, ao pecarem e darem as costas ao seu Criador, eles haviam se mostrado abaixo até do nível dos animais de criação, que jamais se rebelam contra os seus benfeitores (vv. 1-3). E, mesmo depois de assolados por diversos castigos de Deus (cf. vv. 5-8), em nada haviam melhorado seus caminhos, de modo que o próprio Deus argumenta ser inútil acrescentar novos castigos, visto que continuariam a se rebelar. De fato, o povo já havia padecido tanto em razão dos seus pecados, que, não fosse a misericórdia de Deus, já teriam sido aniquilados antes mesmo da assolação final trazida pelos assírios e depois pelos caldeus (v. 9). Segue-se uma repreensão à hipocrisia daqueles que viviam à maneira de Sodoma e Gomorra, mas queriam honrar a Deus com os seus lábios, como se isto fosse o suficiente para o Senhor ouvi-los e socorrelos nas aflições pelas quais passavam (vv. 10-15). O único culto aceitável ao Senhor é o da obediência, do arrependimento e da correção dos caminhos tortuosos do pecado; se assim o fizessem – e ainda havia tempo para isto – eles seriam não apenas ouvidos pelo Senhor em suas petições, mas respondidos e sobremaneira abençoados; do contrário, não sofreriam mais castigos, mas apenas um único e definitivo mal: “sereis devorados à espada” (vv. 16-20). O capítulo se encerra denunciando os príncipes e juízes do povo, responsáveis pela queda da nação na idolatria e indiferença em relação aos castigos anteriores. Contudo, o Senhor promete purificar e remir Sião, e isto de tal forma que os pecadores – aqueles que haviam feito a cidade ser envilecida aos olhos das nações – seriam destruídos, e os que voltassem a habitá-la o fariam através de juízo e justiça – uma alusão à destruição da cidade e da terra pelos caldeus, ao cativeiro do povo, e ao seu retorno, sob os medo-persas, para voltarem a ser uma nação (vv. 21-28). 

CONCLUSÃO Isaías é um livro que, apesar das muitas repreensões e alertas de Deus aos pecadores quanto ao castigo vindouro, testifica abundantemente da misericórdia e graça de Deus, que foi especialmente manifestada no evangelho, na pessoa bendita do Messias – nosso Senhor Jesus. Um privilégio ainda maior do que ter retornado do cativeiro após sofrer a terrível punição sob os caldeus, é podermos ter sido resgatados dos nossos pecados pelo Salvador, que tomou sobre Si o castigo que nos era devido, e nos trouxe de volta para Deus e nos fez participantes do Seu reino.

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20 setembro 2022

13-Jesus e a sua Paixão - Ensinos de Jesus Lição 13[Pr Denilson Lemes]20ago2022

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 LIÇÃO 13 

JESUS E A SUA PAIXÃO 

TEXTO ÁUREO: “Desde então, começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.” (Mt 16.21) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 20.17-28 

INTRODUÇÃO Nesta última lição do trimestre propomos estudar algumas passagens onde Jesus fala aos Seus discípulos acerca da Sua paixão – isto é, dos Seus sofrimentos que começaram ao ser Ele entregue nas mãos dos líderes dos judeus e que culminaram na Sua morte na cruz do Calvário. E, ao avisar Seus discípulos de antemão, o Mestre queria tanto prepara-los para que não fossem escandalizados quando estas coisas acontecessem, como também ensiná-los sobre como em tudo isto se cumpriria o propósito inefável de Deus, pelo qual a salvação do Seu povo seria eternamente assegurada. 

I – JESUS ANUNCIA SUA PAIXÃO (MT 20.17-19) Esta é uma das três ocasiões onde o Senhor Jesus faz menção aos Seus sofrimentos e à Sua morte, seguida pela Sua ressurreição – sendo esta a última e mais próxima do tempo em que estas coisas aconteceram. O relato de Marcos acrescenta que os discípulos estavam atemorizados na medida em que se aproximavam de Jerusalém, e isto sem dúvida reflete o receio deles de que os líderes dos judeus pudessem fazer algum mal contra o Mestre (cf. Mc 10.32; Jo 11.7-8). É verdade que o próprio Senhor, por algum tempo, evitou subir à Judéia devido a esta mesma animosidade dos Seus opositores, que desejavam matá-l’O. Porém, enquanto os discípulos desejavam proteger e impedir que o Mestre caísse nas mãos de Seus inimigos porque pensavam que a Sua morte representaria o fim de todas as esperanças deles; o próprio Jesus sabia que havia vindo a este mundo para morrer, e, embora isto somente devesse acontecer quando chegasse a Sua hora, não se expunha desnecessariamente ao perigo – como que tentando a Deus (cf. Jo 7.1-6; Mt 4.6-7). Mas, a fim de preparar os Seus discípulos para aquela hora terrível, o Senhor mostra, ao avisálos de antemão, que não somente estava ciente das coisas que estavam para acontecer, mas que tais coisas não despertavam n’Ele o mesmo temor que nos discípulos, pois Ele estava disposto a enfrenta-las, e que isto não havia sido revelado para interromper a jornada deles até Jerusalém (cf. Lc 12.50; 13.32- 33). Além disso, a revelação da paixão de Cristo aos discípulos não tinha o propósito de incitá-los a tentarem impedi-la, pois tudo fazia parte do propósito divino, conforme anteriormente anunciado pelos profetas (cf. Lc 18.31, 34) – embora somente depois da ressurreição eles tenham compreendido a inevitabilidade e o bem maior alcançado pela morte de Cristo (cf. Lc 22.49-50; 24.25-27, 44-47). 

II – JESUS ANUNCIA A PAIXÃO DOS SEUS SEGUIDORES (MT 20.20-28) Na continuação da mesma passagem, vem à tona o desajuste dos discípulos – ou pelo menos de alguns deles – com o sentido do discurso anterior. Enquanto o Mestre apontava para os sofrimentos que Ele deveria padecer inevitavelmente e em breve para se conformar à vontade de Deus, dois discípulos se aproximam expressando tanto seu interesse exclusivo em sua exaltação pessoal no reino de Deus – como se já tivessem esquecido que o caminho para a exaltação no reino dos céus passa pela renúncia e pelo levar da cruz (cf. Mt 16.21-26); como também a presunção de que poderiam se equiparar ao Mestre, assentando-se à Sua direita e esquerda. Se para assentar-se em Sua própria glória, o Senhor deveria trilhar o caminho do sofrimento e da cruz, porque deveria ser diferente para os discípulos? Daí a resposta: “Não sabeis o que pedis”. Mas, mesmo apresentando a Sua própria cruz – aqui comparada a um cálice e um batismo (cf. Jo 18.11; Rm 6.6) – os discípulos se mostram inabaláveis em sua presunção, incapazes de imaginar as implicações de sua resposta: “Podemos”. Mas, assim como se beneficiariam da morte de Cristo, mesmo não compreendendo sua importância a princípio, do mesmo modo era necessário que fossem feitos semelhantes ao Mestre, trilhando o mesmo caminho da cruz, mesmo não compreendendo isto por ora – e acrescentamos que, nas pessoas destes dois discípulos, o Senhor deixa uma lição para todos nós (cf. Jo 12.23-26; Rm 8.36-37). Por outro lado, Jesus também corrige estes discípulos, condenando o sentimento carnal que os levou a considerar que o reino de Deus seria de tal natureza que poderiam se sobrepor aos seus semelhantes, preferindo-se em honra a si mesmos. E, a partir da instrução sobre humildade e amor ao próximo contida nas palavras desta correção – assunto que já consideramos em lição anterior – chamamos a atenção para a explicação do propósito divino na morte de Cristo, pela qual não apenas o próprio Senhor entraria na Sua glória, mas muitos outros seriam eternamente beneficiados com a salvação (cf. Jo 3.16; Hb 5.8-9). 

III – JESUS INSTITUI O MEMORIAL DA SUA MORTE (MT 26.26-29) Enquanto celebravam a Páscoa seguindo o rito instituído através de Moisés (cf. Ex 12.3-11; Mt 26.17-20), Jesus aproveita esta oportunidade simbólica do que estava para acontecer e se cumprir quanto à Sua morte para instituir um ato mais simples, mas igualmente simbólico, e mais apropriado ao fim dos tempos, onde as coisas anteriormente prefiguradas em sombras agora são manifestas na sua imagem exata, uma vez que se cumpriram, e que agora serviria como um memorial, uma recordação ou lembrança daqu’Ele que é o Cordeiro de Deus, que morreu por nós, e que é, portanto, a nossa verdadeira páscoa (cf. Jo 1.29; 1 Co 5.7; 1 Pe 1.18-20). Procurando ser breves sobre um assunto que poderia se estender em diferentes direções, visamos apenas o propósito do memorial da morte de Jesus. Ao instituir este ato como uma prática constante na vida dos Seus discípulos (cf. 1 Co 11.23-35), o Senhor manifestou Seu desejo de que Sua morte fosse comemorada, isto é, lembrada solenemente na assembleia ou congregação dos fiéis, primeiramente, como uma morte sacrificial: daí o uso distinto de dois elementos, o pão e o cálice (ou o fruto da vide), que fazem alusão direta à forma da morte de Cristo, onde não apenas Seu corpo, embora não tivesse nenhum osso quebrado, foi moído, ferido e aviltado; mas também Seu sangue foi vertido profusamente (cf. Is 53.5; Jo 18.33-34). Depois, esta comemoração inclui o aspecto de que todos nós fomos feitos participantes desses elementos: tomando do pão e bebendo do cálice, confessamos e corroboramos nossa fé de que estamos entre aqueles pelos quais a apresentação do corpo e do sangue de Cristo, em oferta sacrificial a Deus, alcançou e assegurou o supremo e glorioso dom da vida eterna. Daí também a tremenda profanação daqueles que participam do ato levianamente, como se desprezassem a igreja de Deus, adquirida através deste sacrifício, ou como se pudessem dispor do benefício da vida eterna como bem entendessem (cf. Jo 6.53-57; 1 Co 11.27-29; Hb 10.26-29). 

CONCLUSÃO Encerramos assim mais um trimestre de estudos, onde nosso propósito foi o de abordar passagens dos evangelhos contendo ensinamentos de Jesus, mas que fugiam ao escopo dos assuntos propostos em trimestres anteriores, onde contemplamos o Sermão do Monte, a Vida de Jesus, as Parábolas e os ensinos registrados no Evangelho segundo João. Assim, nossa compreensão dos Evangelhos certamente tem se beneficiado e enriquecido grandemente com mais esta oportunidade de estuda-los de modo particular, embora a fonte e o tesouro contido nesta porção da Biblia – como em todas as outras Escrituras – seja inesgotável e sempre será possível voltar a ela com novas propostas de estudo.

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13 setembro 2022

012-Jesus e o tributo, a ressurreição e a divindade do Messias - Ensinos de Jesus Lição 12[Pr Denilson Lemes]13set2022

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LIÇÃO 12 

JESUS E O TRIBUTO, A RESSURREIÇÃO E A DIVINDADE DO MESSIAS 

TEXTO ÁUREO: “E ninguém podia responder-lhe uma palavra, nem, desde aquele dia, ousou mais alguém interrogá-lo.” (Mt 22.46) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 22.15-22 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje prosseguiremos com o estudo de diferentes temas abordados por Cristo nas discussões provocadas por diferentes grupos dentre os judeus. Embora divididos entre si, esses grupos eram capazes de deixar de lado as diferenças quando o propósito era se opor a Cristo e tentar infamar Seu ministério. Veremos, porém, que nenhuma astúcia ou sutileza forjada por esses homens prevaleceu contra o Mestre, mas antes todos foram calados de forma tal nenhum outro argumento lhes restava, senão aquele pelo qual revelariam o quanto eram inimigos de Deus, e da verdade. 

I – A QUESTÃO DO TRIBUTO (MT 22.15-22) As palavras iniciais destes versos poderiam ser objeto de um estudo mais profundo, pois ilustram a malícia dos fariseus ao se dirigirem ao Senhor como se fossem não apenas simpatizantes dos Seus ensinos, mas como se estivessem de acordo e dispostos a cumprir tudo o que Ele lhes ensinasse. Mas, devido à brevidade de espaço, voltemo-nos para a questão proposta, cuja resposta Jesus sabia muito bem que, independente de qual fosse, seria distorcida por aquelas serpentes em Seu desfavor. Se afirmasse ser lícito pagar tributo a César, poderiam entender uma negação da própria esperança dos israelitas, de que o Messias viria para libertá-los do jugo dos seus opressores – jugo esse representado pelo tributo; se negasse tal licitude, poderiam acusa-lo de sedição perante as autoridades romanas – por isso haviam levado consigo os herodianos, como testemunhas de qualquer palavra de rebelião contra César que esperassem ouvir do Mestre. O fato é que, segundo a Lei, somente Deus tinha o direito de receber tributos de Israel (cf. Ex 30.13); mas, nas atuais circunstâncias, o imperador romano reivindicava para si esse tributo, o que para os judeus era tanto uma usurpação do direito divino como a imposição tirânica de um jugo sobre um povo que devia ser livre para servir, como filhos, ao seu único e legítimo Rei, o Deus Altíssimo. Por isso também, em outra ocasião, quando interrogado sobre o mesmo tributo, o Senhor responde que os reis da terra não cobram tributos de seus filhos, mas dos estranhos, e assim só paga as didracmas em submissão voluntária à condição do Seu próprio povo, o qual veio salvar, e para não escandalizar os cobradores, que ignoravam a realidade do reino de Deus (cf. Mt 17.24-27; Gl 4.4-5). Mas a resposta de Jesus inclui muito mais do que os fariseus “desejavam” saber: ao apresentar uma moeda romana como moeda com que pagavam o tributo a César, eles mesmos admitiam ter se submetido ao jugo romano e estarem conformados com isso, de modo que pagar o tributo a César apenas simbolizava a sujeição deles a Roma em tudo o mais (cf. Jo 19.12-15). Em outras palavras, esse imposto era devido a Roma, pois os judeus haviam assumido a dívida com o império (mesmo que a contragosto, cf. Rm 13.6-7). Por outro lado, na resposta de Jesus encontramos também o ensino de que o fato de estarmos debaixo de jugo humano não implica em violação da nossa liberdade em Cristo Jesus, desde que essa liberdade, pela qual não estamos mais sujeitos à servidão do pecado, não seja negociada ou entregue aos homens (cf. 1 Co 7.20-23; Ef 6.5-9; At 5.29).

II – A QUESTÃO DA RESSURREIÇÃO (MT 22.23-33) O próximo ardil é lançado pelos saduceus, uma facção que afirmava não haver ressurreição, nem espírito, nem anjo (cf. At 23.8). A questão parece ter sido proposta ou para que Jesus apoiasse o erro dessa seita, ou para expor a suposta contradição na crença da maioria dos judeus, através do que poderiam considerar um argumento irrefutável, já que se baseava na determinação de Moisés – entendase, o legislador inspirado por Deus. O “caso” proposto parecia não ter solução moral, se a ressurreição tivesse realmente de acontecer. Na primeira parte da resposta, Jesus expõe a ignorância dos saduceus quanto às Escrituras Sagradas – as quais os fariseus, por outro lado, bem faziam de examinar – pois eles só erravam de forma tão crassa quanto àquela que era a esperança do povo judeu porque desprezavam as Escrituras (cf. Jo 5.39; At 24.15); bem como também aponta a incredulidade destes homens, ao rejeitarem o testemunho das mesmas Escrituras quanto ao poder de Deus – razão pela qual inevitavelmente se tornaram verdadeiros escarnecedores das promessas de Deus, o qual pode subjugar todas as coisas à Sua vontade e propósito, inclusive nossos corpos mortais (cf. 2 Pe 3.1-6; Fp 3.21). Em seguida, o Senhor passa à questão propriamente, solucionando a suposta “contradição” da lei do levirato com a esperança na ressurreição ao explicar qual será a natureza daqueles que hão de ressuscitar naquele dia: “serão como os anjos no céu”, ou seja, através da ressurreição, os fiéis serão revestidos da imortalidade e já não terão a necessidade de perpetuar a espécie, pois não podem mais morrer (cf. Lc 20.35-36; 1 Co 15.51-54). E, depois de refutar o argumento saduceu, o Mestre desmascara a insensatez da seita em sua rejeição à esperança da vida eterna, citando uma das expressões mais queridas dos hebreus para designar o Deus verdadeiro: “Eu sou o Deus de Abraão, e Isaque, e Jacó”, numa citação específica a Êxodo (Ex 3.6), quando o Senhor diz a Moisés que havia descido para libertar Seu povo em atenção à promessa feita aos patriarcas, já falecidos na ocasião. E o argumento aqui não é que estes homens, tendo andado com Deus neste mundo, agora estavam conscientes num paraíso – o que, ao invés de favorecer, militaria contra a necessidade de ressurreição – mas porque, estando mortos, no pó da terra, contudo restava a esperança, confessada por eles mesmos, e confirmada por certo pelo próprio Deus, de que eles haveriam de voltar à vida (cf. Hb 11.13-16; At 2.29). 

III – A QUESTÃO DA DIVINDADE DO MESSIAS (MT 22.41-46) A próxima questão, na verdade, é proposta pelo próprio Jesus, mas tendo em vista a crença errônea e limitante dos fariseus e saduceus de que o Messias haveria de ser o Filho de Davi num sentido estritamente humano, e nada mais que humano (cf. Mc 12.35; Lc 20.41). Certamente por causa desta falsa concepção é que muitos deles rejeitavam a Jesus, julgando-O pela aparência e até mesmo por ignorarem Suas origens como legítimo filho de Davi (cf. Mt 13.54-56; Jo 7.41-42). Ao citar o salmo onde Davi chama o Cristo de Senhor, fica evidente que Ele não apenas é superior a Davi, mas de uma excelência ainda superior à do rei de Israel – logo, é um rei ainda maior que Davi, tendo existido antes do filho de Jessé, embora viesse a se manifestar depois dele, e ao qual se sujeitariam todos os reinos da terra (cf. Sl 2; Is 45.23; Lc 1.32-33). 

CONCLUSÃO Em conclusão a esta série de disputas, os fariseus e saduceus foram calados em suas insinuações maliciosas e interpretações inconsistentes das Escrituras. A doutrina de Deus é clara e coerente, contudo, isto não significa que seja necessariamente compreendida pela maioria. De qualquer modo, o erro está naqueles que pretendem alcançar a verdade, sem se dispor ao exame cuidadoso das Escrituras, e alheios à realidade do Deus vivo, que é todo-poderoso e faz tudo conforme o Seu propósito. 

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06 setembro 2022

011-Jesus, o Sábado e o Casamento- Ensinos de Jesus Lição 11[Pr Denilson Lemes]06set2022

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LIÇÃO 11 

JESUS, O SÁBADO E O CASAMENTO 

TEXTO ÁUREO: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado” (Mc 2.27) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 12.1-13 

INTRODUÇÃO Muitos ensinos de Jesus registrados nos evangelhos foram ocasionados por questões levantadas pelos fariseus e saduceus, ora em um zelo sincero de averiguar a consistência da doutrina de Cristo, ora com uma intenção maliciosa de encontrar em Suas palavras algo de que pudessem acusa-lo. Alguns desses ensinos já foram examinados em lições anteriores, a partir das diferentes passagens relacionadas nos evangelhos. Na lição de hoje e na próxima, estudaremos assuntos avulsos, igualmente importantes, mas cujos ensinos de Jesus a respeito foram registrados de forma mais sucinta ou pontual. 

I – JESUS É MAIOR QUE O SÁBADO (MT 12.1-8) Da leitura bíblica, que inclui dois episódios sobre o sábado, examinaremos apenas o primeiro, onde os discípulos caminhavam com Jesus num dia de sábado pelas plantações e, estando eles com fome, começaram a colher espigas para comer, ao que os fariseus os acusam de fazer o que não era lícito no dia de sábado. Ora, o que a lei proibia o povo nos sábados era de trabalhar – isto é, de se ocuparem com os seus afazeres ordinários, a fim de que pudessem se voltar, sem inquietação ou cuidado, para o culto e as coisas de Deus, assim aprendendo a ser santos através da santificação de parte do seu tempo (cf. Ex 20.8-11; Is 58.13-14). A acusação dos fariseus, portanto, era exagerada e baseada numa superstição, além de ignorar o princípio que Jesus explica através da argumentação que se segue. Para responder aos caluniadores, o Senhor primeiro cita o exemplo de Davi que, fugindo da fúria de Saul, veio ao tabernáculo, que se encontrava em Nobe, e, estando ele e seus homens com fome, pediram pão, mas, não havendo outro, o sacerdote lhes deu dos pães da proposição sem que isto constituísse em transgressão, seja de Davi e seus homens, seja do sacerdote. O argumento é de que, mesmo havendo uma lei expressa proibindo estranhos de comer o pão sagrado, o sacerdote considerou que a necessidade de Davi e seus homens – isto é, a mesma fome dos discípulos que acompanhavam a Cristo e só tinham à mão as espigas para serem colhidas – justificava a exceção, em ação de misericórdia (cf. Ex 29.33; 1 Sm 21.1-6). O segundo argumento é de que os sacerdotes no templo imolavam animais e realizavam outros atos que, embora auxiliares ao culto divino, constituíam-se em trabalho. Ao dizer: “Pois eu vos digo que está aqui quem é maior que o templo”, Jesus não apenas afirma que segui-l’O era uma causa tão santa quanto servir no templo, e, se a santidade do templo isentava os sacerdotes de culpa, quanto mais aqueles que seguem a Cristo, que é o Filho de Deus e, por conseguinte, maior que o templo – tanto maior que a casa é o Filho daqu’Ele que a edificou (cf. Jo 2.16; Hb 3.4-6). E, mais adiante, ao acrescentar que “o Filho do homem até do sábado é Senhor”, Ele quer dizer que não os fariseus não podiam acusar os discípulos de transgressão, quando estes estavam a serviço do mesmo Senhor que havia instituído o Sábado – afinal, o verdadeiro propósito do sábado jamais foi o de impedir que o homem se aproximasse de Deus, mas sim propiciar-lhe a ocasião para isto. E o que seria mais de acordo com o este propósito do que seguir ao Filho do homem: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado” (Mc 2.27), ou receber Seus benefícios precisamente no sábado, como o episódio de cura que se segue ilustra perfeitamente (cf. Lc 13.10-16). 

II – O CASAMENTO É INDISSOLÚVEL (MT 19.1-9) O assunto tratado nesta passagem é ocasionado pela pergunta capciosa dos fariseus: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” Como qualquer uma das respostas possíveis seria entendida e distorcida maliciosamente, e o que realmente estava em foco não era a questão da permissão para se divorciar, e sim a inviolabilidade do casamento; Jesus elucida, a partir do relato da criação dessa instituição, que, primeiro: o matrimônio é a união de um homem e uma mulher, não duas ou três; e, segundo, que essa união é perpétua, para toda a vida: “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”. E, diante desses princípios, o divórcio constituía uma visível violação do mandamento de Deus (cf. Ml 2.13-16), a ponto de os próprios fariseus demandarem de Cristo uma explicação para a concessão mosaica: “Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” Ocorre que, assim como em relação ao sábado, os fariseus preferiam viver por uma concessão circunstancial que lhes agradava mais do que viver pelo mandamento, cuja prática não agradava às suas concupiscências. Mas Jesus aqui os desmascara, explicando que o divórcio havia sido permitido, não instituído, apenas para satisfazer à sua dureza de coração – a mesma dureza pela qual, como os fariseus bem deveriam se lembrar, Israel foi castigado por Deus no passado. Desejosos de manter a prática do divórcio, eles simplesmente confessavam ser iguais aos seus pais que foram rejeitados por Deus, condenando-se a si mesmos. Somente agora o Senhor pode responder adequadamente à pergunta, sem o risco de ser mal compreendido. O fato é que, a partir da doutrina estabelecida na criação, fica evidente que o divórcio não é uma opção dentro do casamento, pois a união conjugal não pode ser dissolvida pelos homens (entenda-se: somente Deus pode fazê-lo, pela morte); por isso, qualquer que repudiar sua mulher, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério (cf. Mc 10.11-12; Lc 16.16- 18; Rm 7.1-3). A exceção relativa à fornicação apenas ocorre na citação de Mateus com o fim de acrescentar que, neste caso, o divórcio ainda será um mal, mas de menor conseqüência, visto que a infidelidade conjugal já aconteceu, e não foi ocasionada pelo divórcio – como ocorreria em qualquer outro caso. De qualquer modo, o casamento permanece indissolúvel e o caminho de Deus para os cônjuges, se não desejam permanecer sozinhos, passa pela reconciliação (cf. 1 Co 7.10-11). 

III – NEM TODOS SE CASAM (MT 19.10-12) Na sequência, os discípulos mostram sua compreensão limitada da importância e bênção representada pelo casamento, ao afirmar a inconveniência da condição de indissolubilidade dos laços conjugais, a ponto de considerarem melhor o estar solteiro do que casar-se. Jesus mostra a insensatez desta consideração, ao explicar que, pelo contrário, poucos são capazes de viver o “celibato” (que é como se denomina o estar solteiro); de fato, somente aqueles a quem isto foi concedido por Deus. O ser humano não deve rejeitar aquilo que Deus lhe concedeu para ser, não um fardo, mas uma fonte de felicidade e realização, na medida em que recebe este dom com ação de graças e fidelidade. Por outro lado, nem todos receberam este, mas sim outro dom, e em nada são inferiores aos demais; antes, sua condição como solteiros – se esta é, de fato, a vontade e o dom de Deus para com eles – deve ser recebida como um chamado para desfrutarem de igual realização e felicidade, na medida em que, se lhes foi concedido se absterem do matrimônio, usarem esta “liberdade” para melhor servir nas coisas de Deus (cf. 1 Co 7.7-9, 17, 25-35). 

CONCLUSÃO Estudamos dois assuntos a princípio distintos, mas que implicam ambos em uma compreensão mais adequada do conselho de Deus do que aquelas que tanto os religiosos do tempo de Cristo como muitos de nossos dias interpretam de acordo com o seu desejo pecaminoso de agradar a Deus ao mesmo tempo em que agradam a si mesmos e atendem às suas concupiscências.  

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30 agosto 2022

010-Jesus e o Espírito Santo - Ensinos de Jesus Lição 10[Pr Denilson Lemes]30ago2022

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 LIÇÃO 10 

JESUS E O ESPÍRITO SANTO 

TEXTO ÁUREO: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3.11) 

LEITURA BÍBLICA: ATOS 1.1-8 

INTRODUÇÃO Um dos ensinos de Jesus constante em diversas passagens dos evangelhos diz respeito à promessa do Espírito, feita por Deus através dos Seus profetas. Esta promessa é tão importante no contexto da salvação que o Filho de Deus veio ao mundo para revelar e consolidar através da Sua obra que João, o precursor, anunciou o Cristo principalmente como “aquele que vos batizará com o Espírito Santo”. Do mesmo modo, ao encerrar Sua obra, o Senhor deixou os discípulos com a certeza de que esta promessa brevemente se cumpriria, pois somente na posse deste dom maravilhoso é que a igreja poderia exercer o Seu papel como o corpo daqu’Ele que foi “ungido com o Espírito Santo e com poder”. 

I – O ESPÍRITO SANTO SOBRE JESUS (LC 4.14-21) A primeira das muitas passagens que poderiam ser apresentadas como ponto de partida para um estudo sobre a relação do Espírito com Cristo é esta, onde, ao ler a passagem do profeta Isaías que diz respeito ao servo do Senhor, ungido com o Espírito para realizar a obra de Deus com autoridade divina (cf. Is 61.1-3), o Senhor Jesus afirma claramente que esta palavra havia se cumprido n’Ele. Na verdade, tendo já realizado vários milagres, a declaração de Cristo visava não apenas estabelecer um ponto inicial a ser provado, mas uma razão para as maravilhas já realizadas – maravilhas essas que Seus conterrâneos, embora não pudessem negar, viam com dúvida e até desprezo, em razão de conhecerem a “origem” e criação de Jesus. Não era porque o poder de Deus em Cristo fosse limitado, mas, devido à incredulidade do povo, manifestada primeiramente entre os nazarenos, estes haviam sido privados e outros, que estavam distantes, seriam contemplados com muitos sinais e maravilhas (cf. Mt 13.54-58). Voltando-nos para a palavra do profeta, a expressão: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu” é uma clara referência à unção com óleo ministrada aos sacerdotes e reis no passado, a qual simbolizava a investidura com poder e autoridade para realizarem a obra de Deus (cf. Ex 40.14-15; 1 Sm 16.13). Ora, o Messias, sendo aqu’Ele que restauraria todas as coisas, assegurando a salvação eterna do povo eleito, não poderia realizar uma obra de tão grande envergadura sem esta unção do Espírito. Mas, diferente de Arão, Davi, e outros que O “antecederam”, por assim dizer, na obra de Deus, Jesus, por ser o Filho, possui o Espírito na Sua plenitude desde a eternidade (cf. Cl 1.15, 19; 2.8; Hb 1.9); além disso, antes mesmo da fundação do mundo, Ele já havia sido designado, isto é, ungido por Deus para exercer o Seu reinado de salvação sobre os homens (cf. Pv 8.23; Sl 2.1-8; 1 Pe 1.20). No limiar dos tempos, ao vir a este mundo e iniciar Seu ministério por ocasião do batismo de João, esta unção foi anunciada por revelação ao precursor, o qual, por sua vez, testemunhou à multidão (cf. Mt 3.13-17; Jo 1.30-34; 3.34). 

II – O ESPÍRITO SANTO BLASFEMADO PELOS FARISEUS (MT 12.22-32) Neste episódio temos uma clara demonstração do poder da unção divina sobre Cristo, quando Ele expulsa um demônio de cegueira e mudez de uma pessoa, e de tal modo esta é curada que toda a multidão se maravilha com o sinal e exclama: “Não é este o Filho de Davi?” Ao ouvir isto, os fariseus, não podendo negar o milagre, atribuem-no ao “príncipe dos demônios”, implicando que Jesus estaria associado a Belzebu e, em outras palavras, Seus sinais não passariam de embustes para enganar o povo. Jesus repreende e expõe a malícia deles, explicando, primeiro, que Satanás jamais faria algo para dividir e enfraquecer o seu reino – ora, os milagres de Cristo devolviam a saúde física dos enfermos e libertavam os oprimidos do domínio do diabo, redundando tudo isto em louvor a Deus. Ademais, os filhos dos fariseus também expulsavam demônios (ou ao menos tentavam) e, se estes o faziam em nome de Deus, por que no caso de Jesus seria diferente? Tratava-se de um julgamento injusto da parte deles. A única conclusão possível era que Jesus operava pelo Espírito de Deus, e isto era um claro sinal de que o reino de Deus, que segundo as promessas traria grande libertação para o povo, havia chegado. Usando de uma comparação, o Senhor explica que não poderia ser de outra maneira, uma vez que Satanás, através do pecado, mantinha o povo de Deus sob dura tirania, e jamais entregaria voluntariamente o seu despojo. Por isso, vindo Jesus, com o poder e a autoridade conferida pela unção do Espírito, saqueou os tesouros “do diabo”, por assim dizer, e tomou para si as almas, que por direito de criação já Lhe pertenciam, mas pelas quais se dispôs a pagar o preço infinito da Sua própria vida, assim travando grande combate para nos salvar (cf. At 10.36-38; Cl 2.13-15; Lc 10.17-18; Hb 2.14-15). Mas, embora seja absurda a ideia de lutar contra o próprio reino, os escribas e fariseus, ao não darem apoio e testemunho aos milagres de Cristo, automaticamente estavam se posicionando como inimigos do reino de Deus, pelo qual tanto ansiavam e de que se consideravam herdeiros, e que deveriam ser os primeiros a identificar e acolher. E esta não era uma ofensa qualquer, pois, tendo testemunhado os sinais de que este reino havia chegado, e podendo determinar que Jesus operava pelo dedo de Deus (como os magos de faraó, no seu parco conhecimento de Deus, puderam testificar diante dos sinais de Moisés), eles voluntariamente (talvez por malícia, ou por inveja) ofenderam o Espírito. Jesus afirma que esse tipo de ofensa não pode ser perdoada, ao passo que qualquer outro tipo de pecado será perdoado aos homens (havendo arrependimento, naturalmente). Uma coisa seria proferir uma ofensa contra Jesus por conta de Sua aparência, ou conduta entre os homens – coisa que os fariseus já faziam – mas outra completamente diferente era desprezar ou rejeitar a graça apresentada claramente na doutrina, nas palavras e nos milagres de Jesus – que não eram d’Ele propriamente, mas do Pai (cf. Jo 14.11). É o que as Escrituras também chamam de pecar voluntariamente – é a rejeição à graça de Deus, quando esta já confrontou nosso coração de forma inequívoca (cf. Hb 10.26, 29). 

III – O ESPÍRITO SANTO SOBRE OS DISCÍPULOS (ATOS 1.1-8) Nesta passagem encontramos o Senhor Jesus instruindo Seus discípulos quanto à promessa feita por João e exortando-os a se prepararem para receberem em Si mesmos o Espírito Santo. Até então, era o próprio Jesus quem, estando presente com os discípulos, havia sido o Consolador, e a Verdade, apoiando-os e fortalecendo-os para que perseverassem ao Seu lado. Mas, tendo de voltar para o Pai, finalmente se cumpriria a promessa, e o Espírito encheria e habitaria os discípulos de tal modo que o Senhor estaria com eles para sempre (cf. Jo 14.16-18, 21, 23; At 5.32). A partir deste texto, podemos aprender duas lições importantes. Primeiro, que a promessa diz respeito a um derramar abundante – de fato, um batismo – do Espírito sobre todos os que crerem, completando ou selando a obra de salvação iniciada pela pregação do batismo de arrependimento com João (cf. At 2.38-40; Ef 1.13; Jo 7.38-39; At 10.45-48). E, em consequência dessa plenitude de virtude e graça do Espírito de Cristo em suas vidas, os fiéis são capacitados a produzir fruto, isto é, a viver segundo a vontade de Deus, e a dar testemunho do evangelho e, inclusive, realizar as mesmas obras que Jesus e os apóstolos realizaram, segundo os dons distribuídos pelo Espírito àqueles que forem úteis na igreja (cf. Gl 5.18, 22-25; Jo 15.4-7; 1 Co 12.7-11, 28; Ef 4.7-13). 

CONCLUSÃO Consideremos o quanto dependemos do Espírito Santo para em tudo agradarmos a Deus, e cuidemos para não aborrecê-lo nem rejeitar a graça deste dom que nos foi concedido em Cristo Jesus, e que é o penhor de que sempre viveremos com Ele, seja aqui ou na eternidade.

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23 agosto 2022

009-Jesus e a Sua Vinda - Ensinos de Jesus Lição 09[Pr Denilson Lemes]23ago2022

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 LIÇÃO 9 

JESUS E A SUA VINDA 

TEXTO ÁUREO: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.” (Mt 24.42) 

LEITURA BÍBLICA: MATEUS 24.1-14 

INTRODUÇÃO Um evento aguardado por toda a nação de Israel, e mesmo pelos discípulos, ainda que andando na companhia de Jesus e testemunhando os sinais de que o reino de Deus já havia chegado, era a vinda ou manifestação do Messias em glória e poder. De fato, o próprio Senhor os orientou a aguardar essa manifestação, mas ao mesmo tempo os alertou de que eles enfrentariam muitas contrariedades a essa esperança, e por isso deveriam se preparar para que, quando finalmente Ele se manifestasse em glória, não fossem considerados indignos e assim excluídos eternamente do reino dos céus. 

I – SINAIS DA VINDA DE JESUS (MT 24.1-14) Este longo discurso, que será a passagem estudada na lição de hoje, tem início com a pergunta dos discípulos feita a Jesus: “Dize-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Embora esperassem que o Cristo ainda se manifestaria ao mundo com grande glória, os discípulos ficaram intrigados com a profecia de que o templo seria destruído – um evento catastrófico para qualquer israelita – e isto os leva a pensar também no próprio fim do mundo (cf. Lc 21.7). Na resposta que Jesus lhes dá, serão considerados então esses três assuntos, embora, conforme ainda explicaremos, estejam intimamente relacionados. Nestes primeiros versos, o Mestre está falando de uma forma geral sobre os sinais indicando a proximidade desses acontecimentos. Notemos, em primeiro lugar, que, ao contrário do que os discípulos (e talvez muitos de nós hoje) poderiam esperar, a pregação do evangelho não produziria uma transformação no mundo tal que o tornaria melhor ou mais receptivo para uma manifestação gloriosa do reino de Deus. Pelo contrário, a mentira religiosa continuaria a lavrar através de falsos cristos e profetas, mantendo no erro os que rejeitaram a verdade em Cristo Jesus (cf. 2 Ts 2.9-12). A paz entre as nações continuaria a ser uma utopia, ou um pretexto para o mundo não se curvar ao Rei dos reis (cf. Dn 9.26; Sl 2.2; 1 Ts 5.3). A humanidade continuaria a experimentar os efeitos da corrupção e decadência introduzidos no mundo pela Queda, como doenças, fomes e desastres “naturais”. Tudo isto, porém, seria o princípio das dores, pois, para os seguidores de Cristo, a condição seria especialmente agravada, uma vez que o mundo se tornaria opositor e perseguidor, ora declarado, ora tácito, do reino de Deus (cf. Jo 16.33; 2 Tm 3.12). Assim vemos que, embora esperassem receber honra, autoridade e prestígio por serem seguidores de Cristo, os discípulos não contavam com a verdade paradoxal de que o caminho para essa glória no reino passaria pela sua rejeição e abatimento neste mundo (cf. 2 Tm 2.11-12; Tg 1.12; 1 Pe 4.12-13). Mas notemos também que Jesus ressalta que o reino dos céus, embora não tenha aparência exterior, no âmbito espiritual – isto é, no âmbito da eternidade – prosperaria grandemente, pois, de fato, almas dentre todos os povos seriam alcançadas pela pregação e agregadas à “pedra cortada sem mãos”, formando aquele grande monte da visão de Daniel que, eventualmente, dominaria o mundo todo – quando restará somente o reino de Deus e os justos que o herdarão por toda a eternidade (cf. Lc 17.20-21; Dn 2.44; Mt 13.41-43). 

II – A VINDA DE JESUS EM JUÍZO E GLÓRIA (MT 24.15-31) Na sequência, o Senhor descreve o evento da destruição do templo em conexão com a Sua vinda gloriosa, e isto não é difícil de entender. Para os primeiros discípulos, que pertenciam àquela geração que passaria pela transição do antigo para o novo concerto, do culto das sombras e figuras para o novo culto espiritual e verdadeiro, ou real; a destruição do templo em Jerusalém representava muito mais do que um evento histórico – era uma catástrofe que na verdade indicaria o fim de Israel como nação ou povo de Deus. Para os fiéis, seria um claro testemunho de que, tendo o Messias vindo e sido rejeitado pelo Seu povo, os judeus haviam se tornado indignos de manter o status de povo de Deus, sendo portando rejeitados como nação e nada mais tendo o que fazer com o aparato religioso que haviam recebido de Deus no passado – pelo logo até isto lhes seria tirado (cf. Hb 8.13; Mt 23.37-39; 1 Ts 2.14-16). O alerta de Jesus para os Seus discípulos é no intuito de que evitassem a aflição e destruição que se abateria sobre o povo hebreu nos dias do cerco da cidade de Jerusalém (cf. Lc 23.28-31). Na verdade, o evento da destruição de Jerusalém e da dispersão da nação judaica tem grande conexão com a vinda de Jesus, pois ilustra, em “pequena” escala, o que acontecerá com as nações naquele grande dia (cf. Lc 21.24; Rm 11.21). Ao contrário do que muitos dizem e esperam, a vinda de Jesus em grande glória não será para manifestá-lo como o Messias esperado pelos judeus, nem como Salvador do mundo, pois para isto Ele já veio, e por isto o evangelho é pregado hoje; para aqueles que creram aquele dia será de grande refrigério e alegria, de fato; mas, para os que hoje O rejeitam, será de grande lamento e desespero, pois verão que aqu’Ele que desprezaram é, na verdade, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (cf. Hb 9.28; Jo 14.1-3; At 2.17-21; 3.19-21; Ap 1.7). 

III – A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA (MT 24.36-42) Por fim, consideremos a preciosa lição que o Senhor nos ensina sobre a vigilância, ante a realidade dos sinais da Sua vinda e do grande terror que aquele dia será para os incrédulos e os que não forem achados dignos do reino de Deus. Não importa a nós saber o dia e a hora – tal conhecimento pertence apenas ao Pai; mas importa não nos conduzir como os incrédulos que, se não creram naqu’Ele que já veio para salvar e cujo evangelho é pregado ao mundo; tampouco crerão e se prepararão para uma vinda futura (cf. Lc 17.26-30; 2 Pe 3.1-7). Este será, de fato, o juízo de Deus sobre tais pessoas – permanecerem alheias aos sinais da vinda de Seu Filho, como o foram em relação ao evangelho; de tal modo que a vinda de Jesus será para elas um evento que causará grande surpresa, apanhando-os despreparados, como de um ladrão de noite, ou como o laço de uma armadilha (cf. 1 Ts 5.2; Lc 21.35). Deste modo, o Senhor Jesus nos orienta a vigiar, o que nada mais é que viver sempre considerando e lembrando que somos súditos, e cooperadores, e herdeiros do reino de Deus, e cuidar para que o nosso interesse neste reino e na sua justiça tenha sempre a primazia em nossos corações (cf. Mt 6.21, 33; Cl 3.1-2). É não deixar que as preocupações desta vida e as concupiscências pecaminosas nos dominem e entorpeçam nosso entendimento, tornando-nos indolentes com as coisas de Deus (cf. Mt 13.22; 1 Co 7.29-31). E, considerando a força com que as tribulações se abateriam sobre os Seus discípulos, e a sutileza dos engôdos deste mundo, e quão fraca é a nossa condição, o Senhor nos exorta a fazer uso de um instrumento indispensável ao cumprimento do dever da vigilância: a oração (cf. Mc 13.33; Mt 26.41; 1 Pe 4.7). 

CONCLUSÃO A lição prática mais importante sobre o tema “a vinda de Jesus”, sem dúvida, é a vigilância; não há como aguardar apropriadamente a vinda de nosso Senhor, e sermos achados em condições de aprovação e louvor, sem a prática regular deste dever, fortalecida por constante oração.

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