21 maio 2020

008-Os quatro animais e o triunfo dos céus - Lição 08 [Pr Afonso Chaves]19mai2020


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LIÇÃO 8 
OS QUATROS ANIMAIS E O TRIUNFO DOS CÉUS 

TEXTO ÁUREO:
“E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Dn 7.27).

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 7.1-14

INTRODUÇÃO A partir do presente capítulo de Daniel, começaremos a estudar as visões escatológicas recebidas pelo profeta.
Embora o sonho de Nabucodonosor, apresentado no capítulo 2, também seja uma revelação divina sobre os tempos futuros, a partir de agora é que o livro muda o seu estilo de história para profecia.
Como esta passagem já tem sido estudada em diferentes ocasiões e num contexto escatológico mais amplo, aqui propomos fazer uma análise mais limitada ao texto de Daniel.

I – A VISÃO PROPRIAMENTE (VV. 1-16)
Daniel usa as palavras “sonho” e “visões da cabeça” para descrever o que ele viu.
Não há nenhuma dificuldade aqui, se entendermos que uma revelação divina dada enquanto dormimos é uma visão de olhos fechados.
Ao contrário do sonho de Nabucodonosor, não sabemos se esta visão é uma resposta do céu a alguma indagação do profeta, mas é certo que ele logo entendeu tratar-se de uma revelação e, assim que despertou, procurou registrá-las para que não se esquecesse de nada.
E, como no sonho do rei, esta visão também apresenta vários elementos enigmáticos, que o próprio Daniel não compreendeu, até que um ser celestial, presente no mesmo sonho, lhe explicou todas essas coisas.
Em seu sonho, o profeta começa contemplando os ventos vindos de toda a parte (“os quatro ventos do céu”) e soprando sobre o mar grande (o Mediterrâneo?), num sinal de agitação e turbulência.
Então, ele vê subir do mar quatro animais grandes, “diferentes uns dos outros”, não ao mesmo tempo, mas numa ordem definida (“o primeiro... o segundo...”), tanto que esses animais são referidos por sua ordem até o final do capítulo.
Notemos, contudo, que esses animais têm apenas a semelhança de animais conhecidos, apresentando elementos estranhos à natureza em que foram criados, mas necessários ao simbolismo da visão: “o primeiro era como o leão, e tinha asas de águia”, “e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave”, etc.
O quarto, em particular, é completamente “diferente de todos os animais que apareceram antes dele”, de aparência e comportamento assustador, e a visão continua se desenrolando em torno de elementos e eventos associados a este animal.
O próprio Daniel expressa seu interesse em compreender o seu significado e, especialmente, o dos “dez chifres” e do “chifre pequeno” que surgem a partir desse quarto animal.
E acrescenta, na sua descrição do sonho, o detalhe intrigante de que, diante do chifre pequeno caíram três dos primeiros chifres, e que esse chifre pequeno apresentava “olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas” – que são sinais indicativos de poder e visão humana, bem como de arrogância e violência (“grandes coisas” equivale a palavras arrogantes e blasfêmias).
Assim como no sonho de Nabucodonosor, esta visão de Daniel apresenta uma segunda parte que introduz um elemento completamente distinto, mas que intervém e prevalece sobre os elementos da primeira parte. 
Não resta dúvida (e inclusive não há necessidade de explicação posterior) de que o profeta contempla agora a corte celestial, vendo o próprio Deus (“um ancião de dias”) ocupando o Seu trono juntamente com “milhares de milhares, e milhões de milhões” que O servem na Sua presença.
Mas não é apenas uma descrição genérica do trono de Deus; é uma caracterização do Seu tribunal se estabelecendo para julgamento: “assentou-se o juízo, e abriram-se os livros”.
O que se segue, então, é a sentença sendo proferida e executada contra os réus: o quarto animal “é morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo”.
Quanto aos demais, “foi-lhes tirado o domínio”. E, por último, um outro elemento, “um como o filho do homem”, que também comparece ante o supremo juiz, não para ser julgado, mas para ser justificado e recompensado com o que lhe pertence por direito: “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído”.

II – OS QUATRO ANIMAIS, OS DEZ CHIFRES E O CHIFRE PEQUENO (VV. 17-25)
O restante do capítulo se desenvolve em torno da interpretação dos elementos principais do sonho, e o acréscimo de mais alguns detalhes acerca do que Daniel pode ver.
Como as partes da estátua no sonho do rei, o sentido dos quatros animais é o mesmo: “estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da terra”.
E do mesmo modo podemos dizer que se tratam dos reis, ou melhor, reinos (compare com o v. 24) que se sucederam a partir do babilônico, quais sejam: o medo-persa, o grego e o romano.
Mas, antes mesmo de acrescentar maiores detalhes, o anjo contrapõe a esses reinos transitórios o fato mais importante apresentado na segunda parte da visão, de que “os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo o sempre, e de eternidade em eternidade”. 
É a mesma verdade revelada no sonho de Nabucodonosor, de que “o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre” (Dn 2.44).
Quanto aos dez chifres do quarto animal, encontramos a mesma correspondência nos dedos dos pés da estátua, em parte de ferro e em parte de barro, uma vez que o próprio anjo explica: “quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis”; e, assim como no capítulo 2, entendamos dez como referência a muitos, e o fato de serem muitos reinando ao mesmo tempo como sendo na verdade um único reino, embora dividido (compare com Dn 2.41), e correspondendo ao tempo das nações modernas.
Somente o chifre pequeno representa um elemento novo em relação ao sonho do rei, e aqui Daniel acrescenta o detalhe de que: “eis que este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles”.
Segundo a interpretação dada pelo anjo, este chifre caracteriza um “desenvolvimento” final do governo desse quinto reino dos chifres, um governo que “será diferente dos primeiros, e abaterá três reis” e cujo aspecto mais singular será o de se opor contra Deus e os Seus santos: “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei”.

III – O JUÍZO ESTABELECIDO E O FILHO DO HOMEM (VV. 26-28)
O governo tirânico e profano representado pelo chifre pequeno é descrito como o último estágio da sucessão dos reinos deste mundo.
Na interpretação, o anjo acrescenta que está determinado um tempo para esse governo prevalecer em seus intentos: “eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo”. Mas, finalmente, chegará a hora do juízo e Deus o entregará para ser destruído, juntamente com os demais reinos que, embora já privados do seu poder, ainda estariam subsistindo sob alguma outra forma.
Cumprir-se-á então o propósito revelado no sonho de Nabucodonosor, onde a pedra torna-se um grande monte que enche toda a terra; no caso, aqui o reino é dado, na pessoa do próprio Senhor Jesus, o Filho do homem, aos santos do Altíssimo e os reinos deste mundo deixam de existir.

CONCLUSÃO
Embora semelhante ao sonho do rei Nabucodonosor, a visão de Daniel acrescenta o detalhe importante de que a sucessão dos reinos neste mundo, em seu momento final, representa um futuro sombrio para o povo de Deus; mas, ao mesmo tempo, que este povo receberá grande livramento, pois seus inimigos serão aniquilados e o reino dos céus nunca lhes poderá ser tirado.

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13 maio 2020

007-Deus salva Daniel na cova dos leões - Lição 07 [Pr Afonso Chaves]12mai2020

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LIÇÃO 7 
DEUS SALVA DANIEL NA COVA DOS LEÕES 

TEXTO ÁUREO: 
“O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum” (Dn 6.22). 

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 6.1-10 

INTRODUÇÃO O capítulo que estudaremos hoje apresenta outra grande lição de integridade moral e confiança em Deus a partir do exemplo do profeta Daniel. 
Como um episódio ocorrido já na velhice do profeta, veremos que a firmeza e retidão de caráter deste homem permaneceu a mesma desde a sua juventude, e que ele nunca se deixou seduzir por grandezas e louvores, nem se abalou diante de ameaças e perigos. 
E, mais uma vez, veremos que Deus preserva os fiéis na tribulação e reserva o castigo para aqueles que os oprimem sem causa. 

I – A INTEGRIDADE DE DANIEL NA CORTE DE DARIO (VV. 1-10) 
Estamos agora no princípio de um novo império; um novo povo está no poder. O último rei dos babilônios, Belssazar, foi abatido pelo justo juízo de Deus e os medos tomaram a célebre capital do grande império caldeu. 
Dario, o medo, ocupa o trono e um dos seus feitos, conforme registrado nestes versos, é dividir o imenso território legado pelos babilônios em cento e vinte satrapias (ou províncias) e constituir seus respectivos governantes. 
Além disso, ele estabelece três “presidentes” – na verdade, uma espécie de fiscais e representantes do rei para com esses governantes, entre os quais estava Daniel. 
Notamos então que o nosso profeta, embora aparentemente ausente ou distante dos negócios da corte no tempo de Belssazar, ainda retinha sua notoriedade como homem sábio e de espírito excelente, além dos serviços anteriormente prestados aos governantes babilônicos. 
E essa notoriedade teria chegado aos ouvidos de Dario, o medo. Uma diferença entre o episódio que ora estudamos e aquele narrado no capítulo 3, envolvendo os jovens companheiros de Daniel, é que a motivação do decreto que levará este servo de Deus a ser punido injustamente não é devida a alguma excentricidade do rei, mas à inveja e malícia daqueles que conviviam com o profeta e desejavam a sua queda. 
Não podendo encontrar nenhum dolo nas suas ações e no seu serviço ao rei medo, aqueles homens resolveram se valer do fato de que Daniel era um estrangeiro naquela terra, e servia a um Deus estranho tanto aos conquistados babilônios como aos próprios persas. 
O fato é que seu temor e piedade para com o Altíssimo em nada o impedia de servir bem àqueles que haviam sido constituídos como seus superiores (cf. Rm 13.1-7; 1 Pe 2.13-16); só quando “César”, ou aqueles que o assistem, procuram se imiscuir nas coisas que pertencem a Deus e exigir aquilo que não lhes é devido, é que o povo de Deus se vê confrontado e obrigado a responder: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). 
É difícil entender como Dario assinou tão facilmente o decreto proposto pelos seus subordinados, mas sem dúvida houve má fé por parte destes, e o rei não considerou todas as consequências do seu ato. 
Mas é mais interessante observar como Daniel, ao invés de protestar de antemão por sua conduta ilibada, ou valer-se da sua posição para alertar o rei da malícia dos seus conservos e da armadilha que aquele decreto representava para o próprio rei, certamente considerando que aquele era mais um momento de prova e uma oportunidade de testemunhar sua fé no Altíssimo, resignou-se e manteve sua atitude diária de devoção – que era a única coisa que realmente estava em jogo naquele momento.

II – O DECRETO REAL É EXECUTADO CONTRA DANIEL (VV. 11-18) 
Tão logo Daniel cumpre seu dever para com Deus, seus inimigos o descobrem e se dirigem ao rei Dario, praticamente exigindo dele e o obrigando a cumprir a punição do decreto contra o seu servo, que ele mesmo tanto estimava. 
“Ouvindo então o rei essas palavras, ficou muito penalizado” (v. 14), pois nem sempre o abuso da autoridade por aqueles que a detêm se dá por malícia, engano ou propósito iníquo, mas por ignorância, irreflexão ou, no caso em pauta, por indução de maus conselheiros; por isso devemos orar pelos nossos governantes, para que sejam bem assistidos em suas decisões e, em consequência, possamos desfrutar de maior paz e tranquilidade em nossos dias neste mundo (cf. Jr 29.7; 1 Tm 2.1-2). 
Compelido pela natureza das coisas na tradição dos medos e persas, o rei devia se curvar à sua própria autoridade e fazer cumprir o decreto contra Daniel. 
Com muito pesar, ele faz com que um inocente seja lançado na cova dos leões e ali mantido. Pelas palavras do rei, podemos ver que não apenas a sua retidão nos negócios reais, mas a piedade de Daniel era notória: “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará”. 
E, angustiado pela dúvida e incerteza do homem natural, ele volta para seus aposentos, ansiando pelo dia seguinte. 

III – DEUS APROVA A FIDELIDADE DE DANIEL (VV. 19-28) 
No dia seguinte, o rei, sem esperança de que seu servo pudesse ter sido salvo da fome e ferocidade dos leões, volta à cova e pergunta por Daniel. 
E, para sua surpresa e grande alegria, o profeta lhe responde e dá testemunho do poder de Deus e da sua justiça em todo o seu serviço para com o rei. 
A expressão de Daniel: “e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum” prova que Deus não considera como desobediência a recusa dos Seus servos em não se sujeitar a decretos injustos e usurpadores daquilo que pertence exclusivamente a Deus. 
E o próprio rei parece ter entendido isto, pois agora ele manda que aqueles que haviam urdido esse plano tão vil, usando a sua autoridade e poder, sejam punidos por isso. 
O capítulo se encerra de um modo já conhecido e característico de Daniel – com uma carta aberta do soberano medo a todos os povos sob o seu domínio. Nesse escrito, Dario reconhece com serenidade que o Altíssimo é “o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim. 
Ele salva, livra e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões”. E aqui temos um rei poderoso curvando-se voluntariamente (sem precisar de lições mais duras que as de Nabucodonosor) à majestade e soberania de Deus, com consequências benéficas para o resto da vida do já idoso profeta hebreu: “Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa”. 

CONCLUSÃO 
Deus se agrada tanto da retidão nos compromissos para com o próximo e os superiores, como na fidelidade para com Ele. 
Procuremos ter uma consciência íntegra nestas duas coisas e o Senhor nunca nos abandonará nos momentos de prova, mas de alguma forma provará nossa integridade e será glorificado em nós.

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08 maio 2020

006-A queda do Império Babilônico - Lição 06 [Pr Afonso Chaves]05mai2020

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LIÇÃO 6 

A QUEDA DO IMPÉRIO BABILÔNICO 

TEXTO ÁUREO: 
“E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos à tua presença os vasos da casa dele, e tu, os teus senhores, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Dn 5.23). 

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 5.1-12 

INTRODUÇÃO 
Ainda não chegamos na metade do livro de Daniel e já nos deparamos com a informação de que um poderoso império humano, que há pouco na figura de seu rei, Nabucodonosor, contava tantas glórias e sucessos, chegou ao seu fim. 
Na lição de hoje, veremos que, conforme já revelado, os reinos dos homens passam e as suas obras são pesadas e julgadas com justiça pelo Deus Altíssimo. 

I – O BANQUETE PROFANO DE BELSSAZAR (VV. 1-12) 
Depois do ocorrido com Nabucodonosor, registrado no capítulo 4, onde a soberba do rei foi abatida por Deus e ele foi levantado como um novo homem, agora reconhecendo que o poder e o reino pertencem ao Altíssimo, e que toda a grandeza do seu império era devida a Ele; o livro de Daniel não relata mais nenhum outro evento relacionado a este rei. 
Sabemos que Belssazar, o último governante de Babilônia, não foi o sucessor imediato daquele rei, pois antes veio Evil-Merodaque, o qual é citado nas Escrituras por ter aliviado o sofrimento do rei Jeoiaquim no ano trinta e sete do seu cativeiro (2 Rs 25.27-30).
Muitos anos se passaram, então, até chegarmos ao acontecimento narrado aqui. O império poderia até parecer o mesmo desde os dias de Nabucodonosor, mas o tempo de Deus se aproximava e as forças humanas necessárias para trazer um fim ao reino da cabeça de ouro começavam a se organizar nas fronteiras orientais do império.
O ato de tremenda insensatez do rei Belssazar apenas mostra a decadência moral do império cujos governantes anteriores, embora cruéis e calculistas, ainda foram capazes de mostrar bom senso e reverência pelas coisas divinas.
Além disso, o comportamento desse último rei de Babilônia revela não ignorância, mas desprezo pelo Deus Altíssimo, cujas obras poderosas haviam impactado tão profundamente o reinado do seu antepassado.
Pois o propósito de Belssazar em mandar trazer os vasos sagrados de Jerusalém, conservados até então nos tesouros da casa real, era expressamente o de profaná-los, usando-os para beber vinho com suas mulheres e concubinas e louvar aos seus ídolos de ouro e prata.
Notemos também que tal atitude, incitada pelo vinho, foi apenas uma forma de revelar o ódio que ele devia nutrir em seu coração por não entender como o seu antepassado havia sido capaz de celebrar e engrandecer um Deus de um povo que havia sido vencido e levado cativo, cujo templo havia sido queimado e cujos utensílios sagrados haviam sido confiscados pelo maior império do mundo (e, no seu entendimento, todos esses atos provariam a superioridade dos deuses babilônicos sobre o dos hebreus).
A resposta de Deus é imediata e, mesmo sem entender o que havia sido escrito pela mão misteriosa, o rei sente propriamente o teor nada agradável do decreto divino: “Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro”.
Belssazar sabia que havia afrontado ao Altíssimo, e que Ele havia visto e respondido a essa afronta.
O banquete acabou ali e, não fosse a rainha lembrar-se de Daniel, o rei e seus generais passariam o resto daquela noite perplexos até se confrontarem com a sua derrocada e morte, que já estava às portas.

II – DANIEL REPREENDE O REI (VV. 13-24) 
Logo que é informado acerca de Daniel, Belssazar manda trazê-lo à sua presença e questiona sua capacidade de lidar com mistérios como aquele que tinha diante de si, oferecendo-lhe riqueza e poder. O profeta, que quando jovem já não buscava tais grandezas, tampouco agora se deixa impressionar e faz o que ele sabia que estava ali para fazer: anunciar o juízo divino sobre o rei de Babilônia e o seu império.
O escrito enigmático era apenas um resumo em palavras chaves do que Deus havia determinado; Daniel devia fazer entender o propósito, a sabedoria e a justiça divina por trás daquelas palavras. Assim o profeta começa lembrando Belssazar do reinado do seu pai, do seu grande poder, da sua exaltação, seu abatimento pela mão de Deus e, por fim, a lição aprendida com tudo isso: Nabucodonosor “conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens, e a quem quer constitui sobre ele”.
Contudo, o atual rei preferiu desprezar esse testemunho do seu antepassado e não glorificar o Deus dos hebreus; e, mais ainda, afrontar o próprio Altíssimo.
Belssazar, portanto, era inescusável; ele poderia reconhecer o Altíssimo como o Deus dos deuses e Senhor dos reis, e prosperar no seu reinado (talvez adiando a queda do império babilônico); mas preferiu agir contra toda a razão e atrair a fúria daquele em cuja mão estava a sua própria vida.

III – A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO E O SEU CUMPRIMENTO (VV. 25-31)
Daniel passa a interpretar a síntese da sentença divina contra o rei.
A mão misteriosa havia escrito sinais indecifráveis e que certamente não correspondiam à escrita de qualquer idioma conhecido.
O que o profeta faz, sob a iluminação divina, é dar o sentido desses sinais em aramaico, que era a língua comum do império babilônico.
As palavras que em nossas bíblias foram transliteradas tal qual se pronunciam em aramaico bem poderiam ser traduzidas como: “contado” (MENE), “pesado” (TEQUEL), e “e dividido” (U-FARSIM). 
O sentido é que Deus havia definido um termo para o reino de Belssazar – seu reino não duraria para sempre, como não durou o de Nabucodonosor.
A repetição da palavra “contado” talvez seja uma alusão aos vários tempos definidos por Deus na vida de uma pessoa, de um povo e do mundo; no caso, o reinado de Belssazar já havia esgotado todos os tempos de Deus e ele já havia feito tudo o que devia ter feito, por isso chegava ao fim.
Em consequência disso, já podia também ser “pesado” – julgado em todas as suas obras, para receber uma sentença de aprovação ou reprovação.
E a sentença era “dividido”, ou seja, seu reino seria quebrado e diminuído em sua glória, além de tirado do seu povo para ser entregue “aos medos e aos persas”.
Começava a se cumprir o juízo do reino de Deus, representado na pedra, sobre os reinos deste mundo, representados na estátua (Dn 2).
O capítulo termina com uma breve e indiferente declaração de como em uma noite caiu o maior império que o mundo já conheceu e em seu lugar se levantaram os medos e persas, vindos dos planaltos iranianos, para ocupar o seu lugar, ainda que também transitório, na sucessão dos grandes impérios do mundo.
Enquanto Belssazar encontrou o seu fim naquela mesma noite, Dario assume o trono para exercer um papel mais semelhante ao de Nabucodonosor, pois também será agraciado com a oportunidade de conhecer e celebrar a grandeza do Deus Altíssimo.

CONCLUSÃO
A exaltação e a queda do império babilônico nos ensinam preciosas lições sobre como devemos ser humildes e agradecidos a Deus, e não usar dos bens que Ele nos concede para fomentar atitudes contrárias à Sua glória.
Deus é bom e misericordioso para com todos, e de diferentes formas Ele revela a Sua glória aos homens, cobrando no devido tempo e de forma justa toda indiferença, desprezo e afronta.

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30 abril 2020

005-A soberba do rei Nabucodonosor é abatida - Lição 05 [Pr Afonso Chaves]28abr2020

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LIÇÃO 5 
A SOBERBA DO REI NABUCODONOSOR É ABATIDA 

TEXTO ÁUREO:
“Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4.37).

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 4.4-17 

INTRODUÇÃO 
O presente capítulo do livro de Daniel apresenta-nos uma preciosa lição sobre o poder de Deus e a misericórdia de Deus para com o homem, mesmo quando este se encontra cegado pela soberba e não consegue reconhecer que tudo o que ele é e possui provém do Todo-poderoso.
E o que torna esta lição ainda mais impressionante é que aqui ela é transmitida pelo próprio rei Nabucodonosor, depois de tê-la finalmente aprendido de uma forma que certamente jamais esqueceria.

I – UM RELATO DO REI NABUCODONOSOR (VV. 1-18) 
O texto que ora estudamos não foi escrito por Daniel, nem por qualquer outro profeta hebreu.
Trata-se do relato feito pelo próprio rei Nabucodonosor acerca de uma experiência com Deus que, sem dúvida, foi a mais marcante de todas as outras narradas neste livro.
Esse documento poderia ser uma carta que a princípio circulou por todo o império e, eventualmente, veio a ser incluída pelo próprio Daniel em seu livro.
Mais uma vez, não temos nenhuma referência cronológica, mas os acontecimentos aqui narrados naturalmente se encaixam na sequência dos capítulos anteriores e servem de conclusão para tudo o que até aqui se disse sobre as experiências de Nabucodonosor com o Deus dos hebreus.
Nabucodonosor começa identificando-se e cumprimentando os povos sob o seu domínio, e em seguida explica o propósito da sua carta e engrandece o Deus Altíssimo. Podemos dizer que a confissão: “O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” resume o motivo deste relato constar no cânon sagrado, pois é a verdade que o rei aprendeu, embora somente depois de dura, mas necessária lição.
Não que, depois disso, Nabucodonosor tenha abandonado os deuses de seus pais para servir unicamente ao Deus verdadeiro, pois ele ainda os menciona como seus deuses (v. 8).
O propósito divino era que este homem – o mais poderoso da terra naquela ocasião – reconhecesse que há um Deus dos deuses e Senhor dos reis, a quem ele devia a sua glória e reinado; e que isto ficasse registrado para instrução do povo de Deus.
Nabucodonosor é chamado de servo de Deus, sim; mas isto mais enquanto agente da vontade divina (cf. Jr 25.9) do que como um indivíduo piedoso e temente a Deus.
Voltando, porém, à narrativa, Nabucodonosor conta como teve um sonho que, embora pudesse lembrar para contá-lo aos seus sábios e adivinhos, ninguém foi capaz de interpretá-lo, exceto Daniel, introduzido por último na presença do rei.
Evidência de que o evento aqui narrado é posterior ao primeiro sonho (capítulo 2) é que Daniel é chamado de “príncipe dos magos” (Dn 4.9) e reconhecido como um homem de sabedoria divina.
O rei então conta o sonho enigmático ao jovem profeta e aguarda a sua interpretação, que certamente ele daria, como já havia feito em outra ocasião.

II – DEUS ADVERTE O REI EM SONHO (VV. 19-27)
Daniel compreende, pela mesma graça que já havia operado nele antes, o significado do sonho do rei..
Em primeiro lugar, notemos que mais uma vez é Nabucodonosor, e não o seu reino com os seus sucessores, que é pessoalmente representado como a árvore grande e frondosa, que abriga todos os animais – assim como a cabeça de ouro da estátua (“Tu és a cabeça de ouro”, Dn 2.38).
Embora o império tenha se prolongado após a sua morte, é particularmente a ele que Deus havia incumbido de levar avante a execução dos propósitos divinos neste mundo e por isso recompensado com equivalente glória e majestade por tê-los cumpridos fielmente; de modo que seus descendentes apenas desfrutaram da grandeza já estabelecida.
Por sua vez, o abrigo e a proteção oferecidos pela árvore lembra que, mesmo estando debaixo de um governo duro que não poupava rebeldes, os povos que se submetessem voluntariamente ao jugo babilônico estariam assegurados e continuariam subsistindo (cf. Jr 27.8, 11-12).
Contudo, a menção das glórias que Deus havia concedido a Nabucodonosor não é apenas uma repetição do que já havia sido revelado no sonho anterior; é uma preparação para a advertência seguinte, onde o rei é achado em falta pela sua soberba e pertinácia (considerando que ele já havia recebido dois fortes testemunhos – o sonho da estátua e o livramento dos três jovens hebreus da fornalha ardente).
Como muitos outros reis do passado, Nabucodonosor havia se enchido de soberba, confiado em seu próprio poder, e havia chegado o tempo de Deus lidar com esse seu pecado.
Com grande espanto, Daniel explica o sentido da segunda parte do sonho: não somente o domínio e a glória real, mas até aquilo que o menor dos seus servos possuía – a humanidade – ser-lhe-iam tirados.
Notamos, porém, neste juízo de Deus, vários sinais da Sua misericórdia para com este homem: primeiro, em avisá-lo de antemão (o sonho se cumpriria em um ano, v. 29); em adverti-lo, através de Daniel, quanto aos seus pecados, pelos quais deveria buscar expiação (v. 27); e em definir um tempo para o castigo, ao cabo do qual Nabucodonosor receberia de volta o entendimento e a glória do seu reino, e se levantaria como um novo homem, confessando que “o céu reina”.

III – CUMPRE-SE O SONHO (VV. 28-37) 
O rei passa então a narrar como todas estas coisas se cumpriram, e que isto se deu por ocasião de um “extravasar” da sua soberba:“Não é esta a grande babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?”
Talvez tivesse dito isso diante de sua corte, de seus generais, de emissários de algum outro reino; não sabemos.
Mas tal expressão trouxe à tona o que havia em seu coração e foi a “gota d’água” que faltava para fazer o seu cálice transbordar diante de Deus.
O rei literalmente tornou-se uma criatura sub-humana, incapaz de continuar no palácio ou mesmo no convívio com seres humanos.
É interessante notar que, mesmo privado de suas faculdades mentais e, portanto, podendo ser facilmente tirado do trono por um golpe de Estado (o que era comum naqueles tempos), seus conselheiros e generais o mantiveram sob proteção até que, quando voltou ao normal, mandaram buscá-lo novamente.
Passado o tempo determinado por Deus, como relata o rei babilônico, “levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento”, não apenas de um homem, mas de um homem que sabe quem é o Deus Altíssimo, e que o Seu poder é absoluto e soberano.
A impressão que temos das últimas palavras de Nabucodonosor registradas neste livro é de que estamos diante de um homem humilde, sensato e que teme ao Deus que pode chamar a juízo a todos, grandes e pequenos, quando Ele quiser – que é aquilo que realmente diferencia o homem dos outros animais (cf. Dn 7.4; Ec 12.13-14).

CONCLUSÃO
A soberba é um pecado que surge pela falta de compreensão acerca do que somos e de que toda grandeza e poder provêm de Deus, não de nós mesmos.
Aprendamos a mesma lição que Nabucodonosor aprendeu, atentando para o seu caso, e lembrando que Deus “pode humilhar aos que andam na soberba”.

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23 abril 2020

004-A fidelidade de Deus durante a provação - Lição 004 [Pr Afonso Chaves]21abr2020

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LIÇÃO 4 
A FIDELIDADE DE DEUS DURANTE A PROVAÇÃO 

TEXTO ÁUREO:
“Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus” (Dn 2.28).

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 3.13-26 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos o único episódio narrado por Daniel envolvendo diretamente apenas seus companheiros no cativeiro e no temor ao único Deus verdadeiro. Veremos como eles também se destacaram na coragem para resistir ao pecado e na confiança de que o Senhor atenta para aqueles que O temem. Aqui também se mostra com mais nitidez a truculência dos reinos deste mundo, na ocasião representados pelo reino babilônico e seu mandante, Nabucodonosor. 

I – A REBELIÃO DO REI CONTRA DEUS (VV. 1-13) 
Embora o texto comece abruptamente, fazendo menção ao rei de Babilônia e não citando nenhuma data, não é difícil perceber que existe uma sucessão e conexão deste episódio com o capítulo anterior. Se não, vejamos: o rei mandou fabricar e erguer uma estátua de ouro de proporções assustadoras (30 metros de altura e 3 de largura!) – o que nos faz lembrar da estátua com a qual ele havia sonhado e que, apesar de também ser assustadora, tinha somente a cabeça feita de ouro.
Mediante a interpretação dada por Daniel, o rei poderia muito bem não estar de acordo com o fim do seu império e a decadência da sua glória.
Consideremos também que a estátua seria consagrada como objeto de adoração para todos os povos do império, representados pelos seus governantes e príncipes, vindos de toda a parte até a província de Dura, onde o ídolo havia sido levantado – contrariando também o que havia sido revelado em sonho a Nabudoconosor, de que a glória e o poder do seu império vinham de Deus, e não dele mesmo, e, portanto, somente o Deus dos deuses e Senhor dos reis é que merecia o louvor. Concluímos, então, que essa estátua representa a rebelião do rei babilônico contra o domínio absoluto de Deus e Seus decretos.
Em outras palavras, ele não consegue aceitar a verdade revelada no sonho que teve – que um Deus, que ele nunca conheceu, seja mais poderoso que os seus deuses, dispondo dos reinos deste mundo conforme a Sua vontade, entregando o poder e a autoridade a quem Ele quer.
Esta ideia era estranha aos povos do passado, pois, embora acreditassem que os reis recebiam seu direito de governar a partir dos deuses, a glória dos deuses, por sua vez, aumentava na medida em que os reis eram bem sucedidos em suas conquistas.
Por isso, os deuses jamais dariam o direito de governar a um estranho e a derrota ou conquista de um povo por um rei estrangeiro significava a derrota dos seus próprios deuses diante de deuses estranhos. Mas o sonho de Nabucodonosor, interpretado por Daniel, revelou que havia um Deus que permanecia o mesmo e indiferente a essas reviravoltas de poder entre os homens e seus deuses, pois era Ele mesmo quem transferia o poder de um povo (e de um “deus”, por assim dizer) para o outro.
E, o que era ainda mais terrível, que Ele mesmo ergueria o Seu próprio reino em oposição aos reinos dos homens, e que a seu tempo destruiria a todos, restando Ele só como único governante universal e eterno.
Notemos ainda um aspecto característico da insensatez e rebelião dos reinos deste mundo – aqui representado tão vividamente em Nabucodonosor: libertar-se das amarras e ataduras de Deus não é apenas um sonho particular do rei, mas um ideal que deve ser reverenciado por todos os seus subordinados, sob pena de terrível castigo.
O homem natural é corrompido pelo poder em qualquer medida, fazendo-o iludir-se com a possibilidade de obter poder absoluto; aqueles que se opõe a esse projeto são vistos como rebeldes, e devem ser destruídos (Sl 2.1-3, 10-12; compare com Ap 13.4, 12, 15). 

II – A CONFIANÇA DOS JOVENS HEBREUS (VV. 14-23) 
Hananias, Misael e Azarias são denunciados por não adorarem aos deuses de Nabucodonosor nem à sua estátua de ouro, o que desperta o furor de um rei que, pouco antes, havia confessado, ainda que não por sincera convicção, que o Deus dos hebreus é Deus dos deuses e Senhor dos reis.
Admitindo a possibilidade de que os jovens não haviam desobedecido ao mandado real conscientemente, ele lhes dá uma segunda chance de se curvarem e mostrarem que não se opunham ao seu projeto de poder.
Mas, sabendo tratar-se de indivíduos do mesmo povo de onde procedia Daniel, cujo Deus era aquele contra o qual o rei dirigia a sua afronta, este acrescenta: “mas, se não a adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro da fornalha de fogo ardente.
E quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?”. São palavras de homens iludidos pelo domínio que exercem sobre os seus semelhantes, ignorando que o poder de Deus pode se manifestar de forma mais real e eficaz do que jamais poderiam imaginar (cf. Ex 5.1-2; 9.13, 14, 23-24, 27-28; 2 Rs 18.28-30; 19.35-37).
A resposta dos jovens revela, em primeiro lugar, que eles se rebelaram, não contra o poder real, mas contra a arbitrariedade daquela ordem e o desafio que representava à sua obediência e fidelidade para com Deus (cf. At 5.29).
A expressão: “Não necessitamos de te responder sobre este negócio” indica a grande confiança deles de que aquele era um momento de prova, onde o que estava em jogo não era argumentar com o rei, mas testemunhar que, seja qual fosse o desfecho da situação, Deus permaneceria todo-poderoso e soberano, e nada que o rei fizesse mudaria este fato.
Deus tanto poderia livra-los da destruição iminente como poderia não querer intervir na história, mas isso não O diminuiria em nada, nem mudaria quem Ele é.
Eis a razão pela qual os jovens se mostram inegociáveis em sua posição: “E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”. 

III – A FIDELIDADE DE DEUS PARA COM OS SEUS (VV. 24-30) 
Os companheiros de Daniel foram lançados na fornalha de fogo, certamente; mas o livramento foi mais maravilhoso do que se tivesse vindo antes disso.
Se não tivesse vindo, Deus seria glorificado pela fidelidade dos Seus servos em preferir entregar seus corpos a servir ou adorar algum outro deus (v. 28; cf. Lc 12.4-5); mas a forma como tudo se resolveu é mais relevante para o tema de Daniel, pois é uma demonstração viva e palpável do controle e soberania de Deus sobre a história dos homens.
Para o assombro de Nabucodonosor, os jovens permaneciam intactos dentro da fornalha, vivos e de pé dentro do fogo, sem mostrar nenhum sinal de sofrimento.
E, como sinal divino, o rei pode ver junto deles o quarto homem – certamente um anjo de Deus, enviado para executar o livramento dos Seus servos (como ele mesmo interpreta).
Chamados para fora e examinados, todos os presentes constatam a perfeição do livramento divino – o que arranca da boca do rei nova expressão de reconhecimento ao Deus Altíssimo, e leva-o a baixar um decreto como que prestigiando o “Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego” acima dos outros deuses; mas bem sabemos que, se alguma lição foi aprendida (ao menos, o texto não volta a falar da estátua de ouro), Nabucodonosor ainda teria de lidar com a sua terrível soberba e presunção. 

CONCLUSÃO 
A lição principal desta aula é uma das mais essenciais da Escritura: Antes temer a Deus do que aos homens, ainda que isto custe a própria vida.
Contudo, na prática, muitos por bem menos abrem mão do que é devido a Deus para agradar aos homens, esperando que somente serão provados neste mandamento quando o temor a Deus custar a sua própria vida.

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16 abril 2020

003-Daniel e a revelação do sonho do rei - Lição 03 [Pr Afonso Chaves]14abr2020

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LIÇÃO 3
DANIEL E A REVELAÇÃO DO SONHO DO REI 

TEXTO ÁUREO:
“O segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei; mas há um Deus no céu, o qual revela os segredos” (Dn 2.27-28). 
LEITURA BÍBLICA: DANIEL 2.13-24 

INTRODUÇÃO 
O capítulo 2 do livro de Daniel apresenta conteúdo de grande importância para a compreensão do tempo escatológico; e nesse sentido realizamos, em um trimestre anterior, o estudo da parte final deste capítulo, em conexão com outras passagens escatológicas das Escrituras.
O escopo do presente estudo não ignora a revelação profética feita em sonho a Nabucodonosor e interpretada por Daniel; mas procuraremos destacar outros elementos do contexto – particularmente aqueles que lançam luz sobre o caráter do jovem profeta e as circunstâncias do fato aqui narrado. 

I – O SONHO DE NABUCODONOSOR (VV. 1-12) 
O episódio narrado neste capítulo parece ser uma primeira amostra do que havia sido dito sobre Daniel ter recebido de Deus “entendimento em toda a visão e sonhos” (Dn 1.17). Na verdade, ele e seus companheiros já haviam surpreendido o rei e a corte quando examinados ao término daqueles anos de estudo.
Mas agora, eis que surge a oportunidade de revelar que essa excelência não provinha deles mesmos, mas do Deus de Israel, cujo conhecimento não tem limites, e alcança aquilo que os sábios e adivinhos não podem alcançar, descobrindo o que está oculto no coração e declarando coisas futuras que os homens sequer são capazes de imaginar.
A narrativa mostra como uma coisa tão comum e até mesmo desprezada em nossos dias – um sonho – tornou-se motivo de convulsão em toda a Babilônia. A preocupação do soberano caldeu poderia parecer um simples capricho, mas, considerando os costumes dos povos e das épocas, acreditava-se que os deuses comunicavam com os homens através de sonhos, bem como de agouros e de várias formas de adivinhação; os reis, em particular, esperavam receber avisos, orientação ou aprovação divina para suas empreitadas (Ez 21.21-22).
Não era por acaso que ele tinha à sua disposição muitos magos, encantadores, astrólogos e caldeus – além e devido ao seu conhecimento e sabedoria mundana, estes homens eram considerados também os intérpretes da fala enigmática dos deuses (v. 2; comparemos com Gn 41).
Assim, o que pode ter levado Nabucodonosor a requerer dos seus intérpretes oficiais não apenas o sentido, mas a declaração do próprio sonho, era o forte senso de que se tratava de algo importante, divino, e por isso ele precisava saber.
A resposta desses homens revela a nós (como revelou ao próprio rei) o logro da sabedoria e religião pagã, e é uma confissão de que nada tinha de divino: “Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne” (v. 11). É também uma tácita reprovação à superstição popular que até os dias de hoje recorre a várias formas de adivinhação (cf. Dt 18.9-14; Is 8.19-22; Jr 10.2).
Nabucodonosor se sentiu ludibriado, pois esta era uma questão divina, e os que deviam cuidar de tais assuntos mostravam-se incapazes e ainda tentavam usar de evasivas. Começa então a se formar o cenário ameaçador da grande matança, onde finalmente entrarão Daniel e seus companheiros. 

II – DANIEL BUSCA A DEUS E RECEBE A REVELAÇÃO (VV. 13-24) 
Os quatro jovens hebreus eram vistos como os demais sábios de Babilônia; embora temessem ao único Deus verdadeiro e certamente não comungassem com as práticas supersticiosas que já haviam  causado tanto sofrimento para o seu povo, a ciência babilônica em que eram instruídos estava permeada de conceitos religiosos – naquele tempo, não havia separação entre “ciência” e “religião”. Por isso, eles parecem estar entre os primeiros a serem buscados pelo capitão constituído para executar o decreto do rei. Mas Daniel, com sua fala prudente e arrazoada (e certamente com a mesma graça e misericórdia de Deus que já o havia assistido), pede tempo para ele e seus amigos.
Tempo era o que parecia não haver, pois os oficiais se apressavam para executar o mandado real (v. 15), mas o jovem profeta pode voltar para casa e reunir-se com seus companheiros para cuidarem daquela questão de vida ou morte. Seguindo o exemplo de José, Daniel e seus companheiros se uniram em clamor àqu’Ele que podia revelar tão grande mistério, e assim salvar tanto as vidas como as reputações de Seus servos da infâmia de embusteiros religiosos que certamente recairia sobre eles se tudo tivesse acabado aqui.
E Deus, cuja morada realmente é mais excelsa que a dos homens, mas olha para o pobre e abatido de espírito e revela o oculto aos que clamam a ele (Is 66.1-2; Jr 33.2-3), atendeu à súplica dos jovens hebreus – o que encheu Daniel de gratidão e de estarrecimento ante a grandeza do sonho e do seu significado (vv. 19-22). 

III – O SONHO E SUA INTERPRETAÇÃO (VV. 25-49) 
Voltando ao palácio, Daniel é rapidamente introduzido à presença do rei, que lhe pergunta sobre sua capacidade própria, mas recebe em resposta um testemunho do poder de um Deus até então desconhecido de Nabucodonosor, mas que, apesar disso, havia lhe revelado algo durante a noite e se importado com os pensamentos do soberano, tão impressionado com suas conquistas e glórias (vv. 29- 30).
O profeta então “reconstitui” detalhadamente o sonho – um sonho altamente simbólico e enigmático. Em resumo, o rei sonhou com uma estátua de aparência assustadora e imponente, cuja cabeça, peito e braços, ventre e coxas, pernas, pés e dedos eram feitos, respectivamente, de ouro, prata, bronze, ferro e ferro misturado com barro.
Na sequência, eis que surgia uma pedra cortada de forma sobrenatural, que feria a estátua nos pés e os estilhaçava – ao que todas as demais partes da estátua também se desfaziam em pó e eram levadas pelo vento.
A pedra então restava sozinha, tornava-se um grande monte e enchia toda a terra. Sendo ainda mais sucintos na interpretação do sonho, podemos dizer que Deus mostrou a Nabucodonosor que a glória do seu reino fora dada por Deus, mas não duraria para sempre, pois haveria de dar lugar a uma sucessão de outros reinos, fortes em algum aspecto, mas inferiores em glória, e todos limitados pelo tempo. Esta é a representação da estátua.
Por outro lado, concomitante a essa sucessão de reinos, o próprio Deus também estabeleceria um reino, o qual teria um começo simples, sem aparência, mas eventualmente se tornaria o mais glorioso, pois venceria os demais, conquistaria o mundo todo e ainda duraria para sempre. Esta é a representação da pedra.
Hoje, milhares de anos depois de Daniel e Nabucodonosor, graças à revelação posterior das Escrituras e a outras fontes de informação, podemos dizer que a visão trata da sucessão dos reinos babilônico, medo-persa, grego, romano e das nações modernas – nesta sequência; e do estabelecimento do reino de Deus, formado por homens de toda a tribo, língua e nação, agregados pela fé em Cristo Jesus, a pedra eleita, o rei dos reis e vencedor dos reinos deste mundo (cf. At 4.11-12; Ap 11.15; 19.11-21).
Assombrado com a grandeza de tudo o que Daniel havia dito, o rei de Babilônia compreende ao menos parte da mensagem e, além de exaltar a Daniel e seus companheiros, glorifica a Deus e reconhece de momento que Ele é o “Senhor dos reis” (v. 48).
Veremos, porém, nos próximos capítulos, que esta lição só seria aprendida por Nabucodonosor a duras penas. 

CONCLUSÃO 
Quando revela coisas ocultas e futuras, Deus mostra o Seu poder e controle sobre tudo e todos, não apenas para que compreendamos o Seu bom e sábio propósito, mas para que os que O temem confiem mais n’Ele e os ímpios se arrependam e não confiem na vaidade das glórias deste mundo.

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09 abril 2020

002-A integridade resoluta de Daniel - Lição 02 [Pr Afonso Chaves]07abr2020

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LIÇÃO 2 
A INTEGRIDADE RESOLUTA DE DANIEL 

TEXTO ÁUREO: 
“E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn 1.8). 

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 1.8-21 

INTRODUÇÃO 
Na lição de hoje entenderemos melhor um dos aspectos excelentes do caráter de Daniel: sua integridade moral e espiritual, a qual demonstrou com grande resolução e confiança em Deus. Também consideraremos a importância de momentos críticos de prova da integridade como este pelo qual passou Daniel e seus companheiros, e como nossa firmeza e prudência em tais momentos agradam a Deus. 

I – A CORTE DO REI DE BABILÔNIA (VV. 3-7) 
Por ocasião do princípio do cativeiro dos judeus em Babilônia, antes mesmo da queda de Jerusalém, aquela cidade já era o centro econômico e político do mundo oriental antigo; a palavra de Deus falada através de Jeremias havia se cumprido e os últimos redutos de resistência àquele que havia sido constituído soberano sobre as nações estavam sendo esmagados pelo seu exército. 
Despojos de guerra, tesouros de templos e palácios saqueados, artistas, sábios e artesãos de todos os ofícios estavam sendo levados (como cativos ou voluntariamente) para a grande capital do império, aumentando sua opulência e tornando-a tal como Deus a mostraria depois a Daniel – a cabeça de ouro da estátua. 
Daniel e seus companheiros encontravam-se em Babilônia como cativos, não como convidados; talvez até não estivessem em cadeias como o rei Joaquim, mas sua situação não era muito melhor, pois faziam parte da nobreza real e podiam ser vistos pelos caldeus como potenciais causadores de motim e revolta entre os milhares de judeus que já estavam no cativeiro (v. 3; cf. 2 Rs 25.27). Contudo, de repente estão entre os escolhidos para serem trazidos à corte de Nabucodonosor. 
Esse procedimento, em si, era normal nas cortes reais antigas; membros da nobreza ou da família real de um reino vassalo eram “adotados” para se tornarem cortesãos, pelos mais diversos motivos, como: aumentar o prestígio do rei, pela diversidade de povos representados entre os que o assistiam; servir de penhor da benevolência ou do pacto entre os dois reinos; ampliar o número de indivíduos capazes de servirem às necessidades da administração real. Além disso, ensinar esses cortesãos a viverem de acordo com os costumes da corte era uma forma de perpetuar e ampliar a cultura “dominante” – uma espécie de “universalismo”, como aquele praticado depois por Alexandre, o Grande. 
Mas, em relação ao nosso profeta e seus companheiros, sua escolha para que se lhes ensinassem “as letras e a língua dos caldeus” (v. 4) representa algo de mais importante e dramático. 
Daniel e seus companheiros estão diante de um verdadeiro processo de “aculturação”, onde eles deveriam abandonar, se esquecer de tudo aquilo que pudesse impedi-los de serem iguais aos caldeus, não apenas no conhecimento, mas também na prática e nos costumes. E isto incluía suas crenças, que entre os povos antigos era um fator determinante para todos os demais aspectos da cultura. 
Por isso seus nomes, que celebravam o poder e a majestade de Deus, foram trocados por outros que citavam os ídolos babilônicos (v. 6-7). 
Ademais, as iguarias e o vinho do rei que são determinados como a porção desses jovens não representam apenas comida e bebida da melhor qualidade, mas é outro elemento de aculturação e paganização, pois os banquetes reais envolviam sacrifícios, libações e louvores aos deuses (v. 5; cf. Dn 5.1-4). 
Em poucas palavras, as Escrituras insinuam que esses jovens não deveriam apenas conhecer intelectualmente a cultura e a religião babilônica, mas também viver de acordo com ela, celebrando seus deuses todos os dias em seus nomes, em suas refeições. 

II – A FIRME RESOLUÇÃO DE DANIEL (VV. 8-14) 
Além de Daniel e seus três companheiros, outros jovens hebreus foram escolhidos para serem preparados como cortesãos de Nabucodonosor. 
E, aparentemente, nenhum deles objetou ao novo estilo de vida determinado pelo rei; afinal, como mencionamos na lição passada, esses jovens haviam sido privados dos confortos de uma vida abastada e se tornaram cativos em terra estranha; agora, naturalmente veriam esta situação como a chance de uma reviravolta, de aliviar a dor das perdas que haviam sofrido, ou, quem sabe, um sinal de que o tempo do cativeiro seria breve. 
Considerando, porém, que a situação exigia que ele se contaminasse – ou seja, quebrasse sua fidelidade para com Deus – Daniel viu aqui uma oportunidade de afirmar sua lealdade ao Senhor, mesmo que tal afirmação envolvesse um grave risco para sua vida. 
“Daniel propôs em seu coração não se contaminar” sugere que ele se achava diante de um dilema; o rei determinou, e ele não podia simplesmente escolher não se contaminar. 
Mas também ele não podia – e não queria – abrir mão do que tinha de mais precioso, e que nem a privação dos bens deste mundo lhe havia tirado – sua integridade para com Deus. 
Mas Deus, na Sua grande benevolência e misericórdia, atentou para o propósito de Daniel e providenciou uma saída para que nem o rei fosse contrariado, nem a pureza deste jovem fosse contaminada. 
Diante de um homem poderoso como Aspenaz, chefe dos eunucos, ele achou “graça e misericórdia”, e com simplicidade e sabedoria conseguiu perduadi-lo a experimentá-lo a ele e seus três companheiros durante dez dias, apenas com legumes e água, ao invés dos manjares e do vinho do rei (vv. 12-14). 
Aqui notamos que a fé de Daniel não era presunçosa, mas segura para saber que um breve período seria suficiente para provar o seu ponto, e não esgotar a paciência do eunuco; e humilde para entender que o caminho de Deus passava pela submissão aos limites que lhe haviam sido impostos. 

III – O VALOR DA INTEGRIDADE (VV. 15-21) 
Não fosse o cuidado e a providência de Deus para com aqueles que o temem, tal pedido seria negado, pois como aqueles que participam de uma refeição frugal poderiam parecer melhores ao rei do que aqueles que se banqueteiam com carne e vinho? 
Mas os dez dias se passaram e os jovens foram achados em condições de prosseguir com a sua abstinência, pois o que o mordomo mais temia – que o rei os achasse tristes ou desnutridos – não aconteceu (v. 15-16). 
Seus nomes continuariam sendo pagãos, seu aprendizado continuaria sendo nas letras e ciência dos caldeus, sua aparência sem dúvida seria “babilônica”; contudo, sua integridade pessoal estava guardada e aprovada, ainda que para aquele momento, pois outras provas viriam. 
Mas certamente o cuidado de Daniel para se manter incontaminado diante de Deus foi recompensada naquela ocasião; pois, diante do escrutínio do rei, “não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei”. 
Particularmente a Daniel, o Senhor havia concedido um dom excelente, que se mostraria útil em mais de uma ocasião, não apenas para a honra do Seu servo diante dos maiorais da terra, mas também para salvar as vidas de muitos (v. 17). 

CONCLUSÃO 
A integridade do nosso coração para com Deus é a coisa mais preciosa que temos; é o bom tesouro que devemos guardar a todo custo, mesmo quando envolve coisas, em outras circunstâncias, poderíamos apreciar ou desejar. 
Todas essas coisas um dia poderão faltar, mas nossa integridade é para aqu’Ele que jamais faltará, e é através dela que alcançamos de Deus a paz e a segurança de que precisamos para chegarmos até o fim da nossa peregrinação neste mundo.

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02 abril 2020

001-Daniel o profeta dos nossos dias - Lição 01 [Pr Afonso Chaves]31mar2020

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LIÇÃO 1 

DANIEL, UM PROFETA DOS NOSSOS DIAS 

TEXTO ÁUREO: 
“E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará” (Dn 12.4). 

LEITURA BÍBLICA: DANIEL 1.1-7 

INTRODUÇÃO 
Neste trimestre estudaremos o livro do profeta Daniel. Diferente dos demais profetas que legaram a nós os seus escritos, este registra tanto as visões recebidas da parte do Senhor como também episódios maravilhosos ocorridos durante sua estadia de longos anos em Babilônia.
Os relatos nem sempre envolvem sua própria pessoa, mas são todos de grande instrução e esclarecimento sobre os modos de Deus agir com os homens – sejam aqueles que O temem mesmo nas circunstâncias mais difíceis, sejam os que O desprezam e insultam, até serem alcançados pela Sua mão poderosa e impactados pela realidade e poder do Seu reino que é sobre tudo e todos. 

I – CONTEXTO HISTÓRICO DE DANIEL 
Daniel é conhecido como um dos “profetas do cativeiro”, pois viveu durante esse que foi um dos períodos mais sombrios da história de Israel.
As dez tribos do norte já haviam sido desoladas e seu povo espalhado pelas terras além do rio Eufrates; o próprio império assírio, que havia executado tal destruição, já havia sucumbido e dado lugar ao poderio cada vez maior dos babilônios.
Jeoiaquim, filho de Josias, havia sido coroado pelo faraó egípcio como rei de Judá em lugar de seu irmão, Jeoacaz (cf. 2 Cr 36.4-5) e, poucos anos depois, Nabucodonosor conquistava tudo o que pertencia ao Egito (cf. 2 Rs 24.7).
Tendo se submetido por três anos, Jeoiaquim resolve se rebelar contra o jugo dos caldeus, e recebe uma rápida resposta: Jerusalém é sitiada, o rei preso e humilhado e, morto, é sucedido por seu filho, Joaquim (cf. 2 Cr 36.6-8; 2 Rs 23.36) que é conduzido preso a Babilônia e, junto dele, os utensílios da casa de Deus e, ainda, “todos os príncipes, e a todos os homens valorosos, dez mil presos, e a todos os artífices e ferreiros” (2 Cr 36.9-14; 2 Rs 24.8-16).
Em seu lugar, Nabucodonosor estabeleceu Zedequias como regente em Jerusalém e Judá, o qual ficaria no trono por onze anos, até que este se rebelaria novamente e a cidade seria finalmente destruída (cf. 2 Cr 36.10-13; 2 Rs 24.17-20; 25.1-2).
Daniel e seus companheiros viveram, então, durante esse período turbulento pelo qual o povo de Deus teve de passar e, ao que tudo indica, teriam sido conduzidos cativos para Babilônia antes mesmo daquele contingente levado depois juntamente com o rei Joiaquim.
Isto significa que estes jovens vieram a Babilônia bem no começo do reinado de Nabucodonosor, viram o aumento e a glória do seu império e, no caso específico de Daniel, presenciou a diminuição desse poder nas mãos dos seus sucessores, até ser entregue aos medos e persas – isto no decurso de aproximadamente 70 anos (cf. Jr 25.11; 27.6-7).
Ali em Babilônia, nosso profeta exerceu a função de estadista de grande prestígio e posição até o começo do reinado de Ciro, o persa, quando então teria se retirado da vida pública, mas não do seu chamado profético (Dn 1.21; 10.1).

II – O CARÁTER DE DANIEL
O livro traz poucas informações pessoais sobre o profeta. Seu nome, Daniel, significa “Deus é o meu juiz”. Quanto à sua genealogia, sabemos apenas que era da nobreza de Judá (v. 3), assim como seus três companheiros.
E, como nobres que eram, certamente viveram de acordo nos seus primeiros anos em Jerusalém – o que explica a sabedoria, cultura e habilidades adquiridas para servirem aos reis de Judá em funções administrativas ou de liderança.
Embora não possam ter exercido seus talentos onde esperavam, seu preparo não foi em vão; na sábia providência divina, tudo isso foi útil para que pudessem ser escolhidos e estar na corte do rei de Babilônia, tornando-se participantes e testemunhas das grandes coisas que Deus realizaria ali. Mas o que torna este profeta tão admirável são as indicações que a Escritura faz do seu caráter excelente – sua santidade, humildade, piedade e altruísmo.
Notamos, primeiro, que certamente não lhe faltou na infância a instrução no temor de Deus, pois que ainda jovem se mostra desapegado de prazeres terrenos, quando privado deles em razão do cativeiro, e incorruptível quando se lhe oferece nova oportunidade de desfrutá-los na corte do rei caldeu (vv. 5, 8).
Vemos que, apesar das ovações e dos presentes de que é rapidamente cercado, não confia em si mesmo, mas rende a Deus toda a glória de suas capacidades e sucessos (Dn 2.26-28).
Depois, sua determinação em recorrer ao Senhor em oração, súplicas e jejuns, tanto em momentos cruciais como no seu costume cotidiano, consciente de que Deus não os havia abandonado naquela terra estranha (Dn 2.17-18; 6.10; 9.1-3; 10.1-3). 
E, por último, mas não menos importante, sua consideração por seus irmãos em aflição, tanto ao buscar o bem dos que estavam ao seu alcance como ao se afligir pelo sofrimento do seu povo em geral (Dn 2.49; 9.19).

III – CARACTERÍSTICAS E PROPÓSITO DO LIVRO 
O livro de Daniel é classificado como profecia, tal como Isaías e Malaquias. O próprio Senhor Jesus se refere aos escritos do “profeta Daniel” (Mt 24.15). Mas podemos acrescentar que há diferenças notáveis entre o teor da profecia de Daniel e dos demais profetas.
Daniel não é chamado “oficialmente” para exercer o ministério profético, dirigindo-se a Israel e Judá por meio de profecias exortativas e corretivas em nome do Senhor; sua comunicação com Deus é mais pessoal, particular, no nível de “visões” ou “sonhos” de coisas que certamente acontecerão.
O escopo das profecias também é mais amplo, alcançando muitas gerações futuras, desvendando o propósito de Deus para com o Seu povo e o mundo até a consumação dos tempos (por isso são muito estudadas no âmbito escatológico).
E, se considerarmos que as narrativas têm o propósito de corrigir o erro e exortar ao reto caminho, assim como as narrativas dos livros históricos, vemos que aqui Deus se volta do povo em geral para cada indivíduo em particular, incitando-o a imitar o exemplo de fidelidade de seu amado servo Daniel.
O propósito do livro, além da exortação à fidelidade, é o de revelar a soberania e o domínio absoluto de Deus sobre todas as coisas. O tempo passa e com ele passam as gerações, os homens e os povos, e o seu poder é dado a outros; mas Deus permanece o mesmo e o seu reino é eterno e incontestável. Deus quer que Seu povo reconheça essa realidade, mesmo quando se encontra sob o jugo da tirania e impiedade, pois, passada a poeira a que os reinos deste mundo serão reduzidos, o reino dos céus permanecerá eternamente.
E aqueles que se opoem e não entendem isto podem ser levados a reconhecer e se dobrar diante do Rei eterno com grande quebrantamento (Dn 2.21; 4.34-37; 6.26; 7.27).

CONCLUSÃO
O estudo de Daniel não envolve apenas profecia, ou compreensão escatológica. Veremos que, além dessas visões serem muito pertinentes ao nosso tempo, há muito que se aprender sobre como sermos fiéis a Deus em circunstâncias onde parecemos estar sozinhos e quando ser fiel significa grande risco para nossas vidas.

PARA USO DO PROFESSOR:

AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
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