29 março 2022

001-A Vaidade da vida terrena - Eclesiastes Lição 01[Pr Nilson Vital]29mar2022

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 LIÇÃO 1 

A VAIDADE DA VIDA TERRENA 

TEXTO ÁUREO: “Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (Ec 1.2) 

LEITURA BÍBLICA: ECLESIASTES 1.1-11 

INTRODUÇÃO Dentre os livros sapienciais, também chamados de poéticos, Eclesiastes é o que mais se assemelha a um sermão, uma prédica cheia de reflexões sobre a transitoriedade de tudo aquilo que se faz “debaixo do sol”, exortações a um viver voltado para Deus, que está acima de toda a vaidade da vida terrena, e aplicações práticas sobre diversos aspectos de um viver de acordo com essas considerações. Portanto, dedicaremos o presente trimestre ao estudo deste livro rico em sabedoria divina e preciosos conselhos para nossa vida. 

I – INTRODUÇÃO A ECLESIASTES (VV. 1-2) A palavra eclesiastes significa “pregador”, e o livro recebe este nome em razão de se tratar de um registro das “palavras do pregador” (v. 1), que, segundo ele mesmo se identifica, era também “filho de Davi” e “rei em Jerusalém” (cf. v. 12). Não resta dúvida de que se trata de Salomão, pois este é o rei de Israel que se tornou famoso pela sabedoria que Deus lhe havia concedido (cf. 1 Rs 4.29-34). Ao se apresentar como pregador e instrutor do povo de Israel, Salomão lembra o propósito mesmo pelo qual havia pedido a Deus sabedoria ao invés de riquezas: “A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?” (1 Rs 3.9; cf. Ec 12.9-10). Assim como Provérbios, este livro é considerado sapiencial, porque nele encontramos a sabedoria divina expressa em orientações, conselhos e exortações a um viver de acordo com a retidão e a verdade – em suma, a um viver no temor de Deus (Ec 12.13-14; Pv 1.7). Mas, ao contrário de Provérbios e Cantares, ou mesmo dos Salmos, no livro do pregador a linguagem é mais direta e argumentativa, apresentando-se como um sermão, com começo, desenvolvimento da idéia principal e conclusão com um apelo final aos seus ouvintes e leitores. O tema de Eclesiastes se resume na expressão: “vaidade de vaidades; é tudo vaidade”. A palavra vaidade no contexto do livro significa “o que é fútil, vão, inútil”, e a expressão “vaidade de vaidades” tem o sentido superlativo de “absolutamente fútil, vão, inútil”. Assim, o pregador encabeça o seu discurso afirmando que a vida do homem natural – a vida “debaixo do sol” – não passa de uma tremenda futilidade. Desde as atividades mais ordinárias e cotidianas até os empreendimentos e propósitos mais ousados formulados em seu coração, tudo acaba levando a nada. A sabedoria de tal reflexão se mostrará no desenvolvimento do discurso, onde Salomão apresentará todos os caminhos possíveis para o homem que tenta viver sem se lembrar do seu Criador, provando que em cada um deles a vida acaba se tornando uma coisa vã e nula. Mas, apesar disso, o mesmo sábio nos aponta um caminho melhor, que não apenas dá sentido a esta vida, revelando a razão de ser mesmo das coisas transitórias; mas também nos leva para além do véu desta existência terrena. E este caminho é o do temor a Deus, o qual dispõe da nossa sorte nesta vida e recompensará a cada um segundo suas obras na eternidade (Ec 12.1, 13-14).

II – A VAIDADE DA AÇÃO HUMANA (VV. 3-11) A fim de provar o seu argumento inicial, de que tudo é vaidade, quando considerado sob a ótica daquele que apenas vê as coisas tais como se apresentam debaixo do sol, o pregador começa ressaltando a brevidade da vida humana, brevidade esta que frustra qualquer tentativa de planejar a longo prazo. O homem alcança tudo o que deseja através de muito trabalho e aflição, no suor do seu rosto, apenas para ver suas ações anuladas pela morte, e enfim ser privado de desfrutar de qualquer efeito duradouro do seu trabalho, sem esperança de se recuperar (cf. Jó 1.21; 14.7-12, 14). Esta condição se mostra ainda mais desesperadora frente à ordem natural deste mundo, pois, enquanto aquele que foi criado para se beneficiar e dominar a terra passa como um vento ou o orvalho da madrugada, a própria terra permanece a mesma, inalterada, geração após geração dos filhos dos homens (cf. Sl 90.5-6). Segue-se então a consideração de que, olhando para esta natureza que permanece para sempre de um ponto de vista natural – isto é, sem uma enlevação do pensamento àqu’Ele que criou os céus e a terra e tudo o que neles há – tudo parece tão despropositado como a vida humana, pois não mostra qualquer progresso nem mudança. O sol nasce e se põe, os rios deságuam continuamente, e assim todas as coisas permanecem as mesmas, e aquilo que deveria ser um maravilhoso testemunho da glória do Criador, sem Ele, acaba parecendo algo enfadonho de se contemplar. Sem dúvida, esta é uma clara acusação contra a inutilidade e loucura do ateísmo, tanto antigo como moderno (cf. Sl 14.1). A vida debaixo do sol se torna assim, tanto sob o aspecto da ação humana como de tudo o que sucede na terra, um ciclo sem fim onde tudo se repete, e coisa alguma parece romper essa ordem. Não há um propósito aparente na existência terrena se considerada por si mesma, e nenhum progresso pode ser alcançado sem a consideração por algo ou Alguém que está acima e além deste mundo. Assim, não existe nada de essencialmente novo, as inovações de cada geração podendo ser explicadas pelos mesmos desejos, pelas mesmas inclinações e pelos mesmos propósitos, nunca alcançados com plena satisfação, pelos homens. 

III – A VAIDADE DA SABEDORIA HUMANA (VV. 12-18) O escritor inspirado reforça seu argumento apresentando o seu próprio exemplo. E, no seu caso particular, trata-se de um homem que não teve apenas as aspirações do homem comum. Salomão desejou de todo o seu coração o conhecimento e a instrução mais do que qualquer outra coisa, e, graças às regalias de sua posição como rei, pode se aplicar integralmente a esta busca: “Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém” (cf. v. 16). Contudo, mesmo assim, ele se deparou com a frustração que sobrevém a todos os homens em seus duros e curtos dias de trabalho na terra, pois a busca pelo conhecimento e por entender todas as coisas por si mesmas também é um empreendimento limitado pela morte, e pela infinitude de possibilidades e explicações possíveis para tudo o que sucede debaixo do sol (cf. Ec 12.12). Por outro lado, esta é a vontade de Deus, que a busca pelo conhecimento de tudo o que sucede debaixo do sol fosse uma tarefa desesperadora e impossível de concluir (v. 13), pois a razão final das coisas só pode ser encontrada no Criador, e não nelas mesmas. Notemos que o pregador expressa ter esquadrinhado todas as situações possíveis da vida humana, inclusive a loucura e os desvarios – para não dizer que ele mesmo os experimentou por um tempo (cf. 1 Rs 11.1-6), para então poder dizer que, de fato, não há caminho satisfatório para o homem que deseja simplesmente viver debaixo do sol, indiferente ao seu Criador, mas quanto mais ele descobre e cogita sobre possibilidades, maiores são suas ansiedades e o seu desespero: “E vim a saber que também isso era aflição de espírito” (v. 17). 

CONCLUSÃO Eclesiastes não é um tratado de ceticismo ou a reflexão de um homem distante de Deus; pelo contrário, é uma firme argumentação contra toda a atitude de indiferença para com o Criador que os homens inutilmente tentam alimentar em sua existência neste mundo, mostrando que no fim descobrirão a loucura de resistir àqu’Ele que nos dá todas as coisas como dons da Sua bondade para conosco e que somente Ele pode nos dar verdadeiro propósito para esta vida e felicidade por toda a eternidade.

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22 março 2022

013 - A História de Jacó - Gênesis Lição 13[Pr Nilson Vital]22mar2022


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 LIÇÃO 13 

A HISTÓRIA DE JACÓ 

TEXTO ÁUREO: “E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel.” (Gn 35.10) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 28.10-22 

INTRODUÇÃO Chegamos ao final do trimestre, completando o estudo do livro de Gênesis. Sendo o nosso propósito inicial expor e nos deter com maior minúcia apenas na primeira parte deste livro, pareceu oportuno fazer uma abordagem mais temática sobre a história dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, história essa que constitui o tema do restante do livro de Gênesis. Assim, procuramos destacar os aspectos mais importantes da história de Abraão, depois Isaque, e agora Jacó, a fim de compreendermos como a promessa da redenção, que despontou no princípio, logo após a Queda, manteve-se firme e foi sendo confirmada geração após geração do povo eleito de Deus. 

I – DEUS CONFIRMA O CONCERTO EM JACÓ Não obstante escolhido desde o ventre de sua mãe para ser aquele em quem haveriam de se cumprir as promessas feitas a Abraão, Jacó somente foi reconhecido como o descendente eleito após a ocasião em que sutilmente tomou o lugar de seu irmão Esaú, recebendo a bênção do primogênito – cujo direito já havia adquirido, comprando-a daquele que a havia desprezado. Entendendo que o filho menor haveria de ser o seu herdeiro espiritual, Isaque despede Jacó para a terra de seus pais – Harã – ao mesmo tempo em que confirma sua bênção anteriormente outorgada, confiando-o ao Senhor, para que Ele confirmasse para com seu filho a promessa feita a Abraão, do mesmo modo que havia sido confirmada para com Isaque: “E Deus Todo-poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; e te dê a bênção de Abraão” (Gn 28.3-4). Assim, Jacó parte da casa de seu pai a fim de encontrar o seu lugar no propósito divino, ainda misterioso para o jovem, mas que ele compreenderia melhor após uma longa estadia na terra de Harã. Para os fins do nosso estudo, é de importância fundamental a visão registrada ainda no capítulo 28. Ainda no começo da longa jornada que tinha pela frente para chegar até a terra entre os rios, Jacó resolve pernoitar num local ermo onde não dispunha de nada mais confortável que uma pedra por cabeceira. Mas é naquela rústica acomodação que o Senhor Deus se lhe manifesta, revelando que aquele jovem não apenas era o Seu escolhido para herdar a benção de seus pais, mas também que o Todopoderoso estava e continuaria estando nos acontecimentos de sua vida, operando muitas vezes e de forma maravilhosa – daí a visão de anjos subindo e descendo continuamente por uma escada. De fato, somente a operação divina poderia explicar como situações ou circunstâncias tão inusitadas como aquelas pelas quais Jacó passou e haveria de passar puderam vingar ou prosperar em seu favor, ao mesmo tempo em que frustraram as expectativas dos que se lhe opunham. E essa é a natureza das maravilhas de Deus – somente aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir são capazes de percebê-las onde quer que se manifestem (cf. Jo 1.50-51). Sob a luz dessa visão, podemos explicar brevemente que todo o tempo da hospedagem de Jacó junto de seu tio Labão foi de adversidades contrabalanceadas pela intervenção divina: o fato de ter que trabalhar mais tempo do que o combinado a fim de desposar Raquel; o afinco e a renúncia aplicadas na proteção do rebanho de seu sogro, ao mesmo tempo em que este procurava meios de não deixa-lo prosperar e tornar-se independente; a disputa entre suas mulheres que procuravam tornar-se uma mais amada que a outra, dando-lhe mais filhos; tudo isto redundou em amadurecimento espiritual para Jacó. Ali, ele aprendeu a confiar e a depender ainda mais do Senhor Deus, testemunhando a misericórdia divina em seu favor, na medida em que os seus opositores eram frustrados em seus esforços para diminui-lo, até que eventualmente esses mesmos que o aborreciam não desejavam mais perde-lo do seu alcance (Gn 30.27). Consideremos também a paciência e resignação de Jacó debaixo dessas circunstâncias, somente deixando o seu lugar mediante orientação do Senhor (Gn 31.10-13). 

II – JACÓ SE ENCONTRA COM DEUS Assim, Jacó reúne suas mulheres, seus filhos e todos os seus bens, e parte de volta para Canaã. Esta viagem também representa uma experiência importante na vida do patriarca, pois é quando ele recebe dois grandes livramentos da parte de Deus – um, de seu tio Labão, que poderia tê-lo feito voltar para Harã, não fosse o próprio Deus tê-lo prevenido: “Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem nem mal”. O outro, de seu irmão Esaú, que bem poderia ter se aproveitado da visível fragilidade da casa do seu irmão para vingar-se do ocorrido anos atrás, uma vez que os edomitas já haviam se tornado fortes. Apesar da grande aflição que se abateu sobre o patriarca, não foi menor a influência de Deus sobre o desenrolar dos acontecimentos (cf. Gn 32.1-2). Jacó não apenas achou graça aos olhos de Esaú, mas também conseguiu sabiamente despedi-lo adiante para a terra do sul, aproveitando-se da oportunidade para passar à terra das peregrinações de seus pais e ali permanecer. Foi, porém, durante a madrugada que antecedeu esse encontro tão angustiante para Jacó que ele teve uma das suas maiores experiências com Deus. A Escritura descreve que, junto ao vau de Jaboque, o patriarca, tendo ficado para trás, “lutou” com um varão até a alva. Este varão, conforme lemos, era o próprio Deus, manifestado ou representado através de Seu anjo, e estava ali para provar Jacó na sua perseverança e determinação por prevalecer, manifestada ainda no ventre de sua mãe. E, tendo prevalecido com Deus naquele momento misterioso, foi abençoado e recebeu o nome de Israel, isto é, “aquele que luta ou prevalece com Deus”, ou “que é como um príncipe de Deus” (cf. Os 12.3-4). 

III – JACÓ ABENÇOA SEUS FILHOS A próxima etapa da história de Jacó corresponde ao tempo das suas peregrinações pela terra de Canaã, onde não faltaram as turbações causadas por alguns de seus filhos – das quais aquela que resultou na falsa notícia de que José, o filho de sua velhice, havia sido morto por alguma fera, sem dúvida foi a mais desoladora, levando o patriarca a uma tristeza que ele consideraria jamais abandonar até a morte (cf. Gn 37.35). Mas, enquanto Jacó passava seus anos na tristeza causada pela separação do filho predileto, José era exaltado por Deus na terra do Egito, até tornar-se o segundo após o faraó. Era a providência divina atuando em favor da nação eleita, preparando José para ser o instrumento de Deus para trazer o Seu povo até o Egito, onde os filhos de Jacó se tornariam uma grande nação, conforme prometido e anunciado muito tempo atrás a Abraão (cf. Gn 50.20). Assim, com grande alegria, mas não sem buscar a orientação do Senhor, Jacó desce ao Egito com toda a sua família (cf. Gn 46.1-5). Ali, os filhos de Jacó começaram a se multiplicar grandemente – o que para o patriarca era um claro sinal de que chegaria o tempo de partirem novamente de volta para a terra das suas peregrinações. Ele expressa então o desejo de ser sepultado com seus pais, pois morreria na mesma confissão de ser um peregrino em terra estranha e na mesma esperança de que Deus proveria um lugar melhor para sua habitação (Gn 47.27-31). Como um último testemunho de sua fé, o patriarca reúne seus filhos para abençoá-los no tocante às coisas futuras – assim como o fez Isaque (cf. Hb 11.20- 21) – e profeticamente anunciar os desdobramentos da história do seu povo, inclusive mencionando a vinda do Messias, prenunciado no cetro que não se arredaria de Judá (uma referência à monarquia davídica) até que viesse Siló, isto é, aquele a quem o cetro pertence por direito (cf. Lc 1.32-33). 

CONCLUSÃO Gênesis se encerra com os filhos de Jacó – agora não mais setenta e tantas almas, mas um povo muito numeroso – exatamente onde deveriam estar para que as promessas de Deus continuassem se cumprindo. A bênção profética do patriarca, seu sepultamento na terra de Canaã e o pedido de José para que seus ossos fossem levados para lá quando Deus visitasse o seu povo – tudo apontava para a certeza de que tudo o que havia sido prometido aos pais se cumpriria. E o tempo para que tudo se cumprisse estava chegando.

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15 março 2022

012 - A História de Isaque - Gênesis Lição 12[Pr Nilson Vital]15mar2022



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LIÇÃO 12 

A HISTÓRIA DE ISAQUE 

TEXTO ÁUREO: “E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele.” (Gn 17.19) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 21.1-12 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje continuaremos o estudo das gerações da linhagem eleita por Deus, considerando ser este o tema da segunda parte do livro de Gênesis. Tendo destacado importantes aspectos da chamada de Abraão e das promessas de Deus envolvendo sua descendência, veremos como esse legado espiritual foi transmitido a Isaque por seu pai, e como foi confirmado por Deus através de acontecimentos um tanto semelhantes àqueles que assinalaram a jornada de fé de Abraão. 

I – PRIMEIROS TESTEMUNHOS DA FÉ DE ISAQUE O relato bíblico é mais breve sobre a vida de Isaque do que em relação a seu pai, mas é possível afirmar que o contato com as coisas de Deus ocorreu muito cedo na sua vida. Afinal, Isaque nasceu num lar edificado sobre a fé e o milagre, e Abraão, no cuidado de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardassem o caminho do Senhor, para agirem com justiça e juízo (Gn 18.19), havia instruído seus filhos no testemunho acerca do Deus Todo-poderoso que o havia chamado e feito grandiosas promessas. Consideremos que, por esta causa, até mesmo Ismael, embora não tenha sido gerado por promessa, como o foi Isaque, mesmo tendo sido afastado do convívio com seu pai Abraão, levou consigo o testemunho da bênção e misericórdia de Deus, das quais ele mesmo e sua mãe Agar foram alvo, para transmiti-lo à sua descendência, que também se tornaria uma grande nação (cf. Gn 16.9-12; 17.20; 21.17-21). Sem dúvida, não foi diferente com Isaque, que, crescendo junto de seu piedoso pai, aprendeu a imitá-lo no amor e obediência a Deus, sabendo também que um dia assumiria o lugar de Abraão na sucessão de herdeiros da promessa divina. O episódio mais notável da infância ou juventude de Isaque sem dúvida é aquele registrado no capítulo 22, pois foi ali que tanto o testemunho de fé de Abraão foi selado (cf. Hb 11.17-19), como também o patriarca recebeu uma última confirmação da promessa divina (cf. Hb 6.13-17). Isaque pode testemunhar a fidelidade de Deus à Sua palavra tanto no juramento como no livramento e substituição pelo cordeiro provido para o holocausto. Notemos que nesta passagem encontramos também indicações da piedade exemplar do jovem Isaque, como sua familiaridade com o culto divino, a confiança na provisão divina, e a submissão à atitude inesperada do pai de amarrá-lo para ser imolado (Gn 22.7-9). A próxima etapa preparatória para Isaque poder cumprir seu propósito nos planos de Deus foi o arranjo do seu casamento. A importância da narrativa sobre Abraão ajuramentando e enviando seu mordomo até a Mesopotâmia, a terra de seus pais, para buscar uma mulher para seu filho, e a providência divina manifestada no encontro do piedoso servo com Rebeca, que era da casa de Naor (irmão de Abraão), mostra o cuidado do patriarca em não contrariar a palavra de Deus, que em Noé havia amaldiçoado os filhos de Canaã, destinando seus descendentes a se tornarem servos dos semitas. Acrescente-se o fato de que, das palavras que Deus já havia comunicado a Seu servo, uma delas dizia respeito à eventual destruição dos cananeus (cf. Gn 15.16-21). Aqui também encontramos, mais uma vez, uma referência à piedade de Isaque, agora espiritualmente mais maduro, acostumado à oração: “E Isaque saíra a orar no campo, sobre a tarde” (cf. Gn 24.63). Notemos que Rebeca é de algum modo impressionada pela aparência do homem de Deus, mesmo antes de saber quem era aquela figura que vinha ao encontro da caravana, de tal modo que desce do camelo em sinal de reverência; e, em seguida, informada de que se tratava de seu futuro marido, ela se cobre com o véu – como era o costume de uma jovem ao ser apresentada pela primeira vez a seu esposo. 

II – AS GERAÇÕES E PEREGRINAÇÕES DE ISAQUE A expressão “estas são as gerações” assinala o momento em que o patriarca vê o Senhor cumprir a promessa em relação a multiplicar sua descendência. Assim como no caso de Abraão, as circunstâncias que envolveram a concepção dos filhos de Isaque foram bastante peculiares e semelhantes àquelas pelas quais seu pai havia passado; a começar com Rebeca, sua mulher, que era estéril (assim como Sara). Tendo já um testemunho do poder de Deus nesse sentido, e certo de que a promessa em relação à sua descendência se cumpriria, Isaque orou insistentemente ao Senhor, e o Senhor ouviu suas orações (Gn 25.21). É interessante notar que Rebeca concebeu e deu à luz dois filhos, assim como Sara, contudo, no caso de Jacó e Esaú, eram gêmeos que haviam nascido com uma pequena diferença de tempo e numa relação que prenunciava propósitos divinos diferentes para cada um deles – propósitos estes que, assim como no caso de Ismael e Isaque, não corresponderiam às aparências e pressuposições humanas. Mais uma vez, prevaleceria a soberania divina sobre a vontade dos homens (cf. Rm 9.10-13). No demais, antes de passar ao momento em que os mistérios de Deus em relação a Jacó começam a ser desvendados, a narrativa apresenta de forma sucinta as peregrinações de Isaque, que praticamente andou nas mesmas pisadas de seu pai. Notamos que a experiência de Abraão em descer até o Egito foi evitada por Isaque, quando a fome tornou a se abater sobre a terra de Canaã, porquanto orientado pelo próprio Deus a permanecer ali. O texto do capítulo 26 também destaca a humildade do patriarca, ao mesmo tempo em que assinala sua aflição em vista do casamento de Esaú – o filho preferido – com duas mulheres dos filhos dos heteus (Gn 26.34). 

III – O FILHO DA PROMESSA É REVELADO A eleição de Jacó como o filho escolhido para herdar a promessa aparentemente permaneceu velada a Isaque que, considerando o fato de Esaú ter nascido primeiro, e, portanto, sendo este naturalmente o primogênito, e o seu gosto pela caça, que também agradava ao patriarca; esperava que chegaria o momento de Esaú tomar o lugar do pai na liderança da linhagem (cf. Gn 25.27-28). Ocorre, porém, que a eleição de Jacó havia sido revelada a Rebeca, e coube a ela agir contra toda expectativa humana para que se cumprisse a palavra de Deus em seu filho preferido. Não entraremos na discussão sobre os meios humanos usados para isto, pois a própria Escritura não julga, apenas narra o ocorrido. O fato é que, como Deus havia prometido, Jacó herdou a bênção do primogênito e Isaque, ainda que estarrecido com a sutileza do filho, não voltou atrás em sua palavra: “Veio o teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção” (Gn 27.35). A revelação feita por Esaú de que a primogenitura havia passado a Jacó, e posteriormente a lembrança feita por Rebeca de que Jacó ainda era solteiro, não tendo tomado mulher dentre as filhas dos cananeus, apenas confirmou a natureza profana de Esaú e sua rejeição para herdar as promessas (cf. Hb 12.16-17). Concluindo que o Senhor havia escolhido a Jacó, prontamente Isaque confirma sua bênção sobre o filho e o encaminha à terra de seus parentes a fim de tomar uma esposa, para que, do mesmo modo que o patriarca, o filho pudesse se preparar para que a promessa de Deus se cumprisse nele e assim ele viesse a ser o pai de uma grande nação (Gn 28.1-5). 

CONCLUSÃO Como herdeiro daquele que foi o amigo de Deus, Isaque seguiu as mesmas pisadas de seu pai Abraão, tornando-se o herdeiro da bênção divina. Na sua experiência particular com o Senhor, ele aprendeu a não ter a própria vida por preciosa, nem a se apegar às aparências e ao que é terreno, pois os caminhos de Deus são mais elevados que os nossos e por isso nem sempre podemos entendê-los, mas é certo que Ele sempre cuida daqueles que n’Ele confiam. 

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08 março 2022

011-A História de Abraão - Gênesis Lição 11[Pr Nilson Vital]08mar2022


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LIÇÃO 11 

A HISTÓRIA DE ABRAÃO 

TEXTO ÁUREO: “Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.” (Hb 11.8-10) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 12.1-3, 13.14-17, 15.4-7, 17.3-8, 22.15-18 

INTRODUÇÃO Tendo completado o estudo da primeira parte de Gênesis, propomos encerrar o trimestre apresentando um resumo da segunda parte deste livro, chamando a atenção para a revelação particular de Deus à família eleita de Abraão, Isaque e Jacó, bem como para a Sua grandiosa promessa de estabelecer um concerto ímpar de benção e salvação com essa linhagem – concerto este que a seu tempo se estenderia ao mundo todo através da pregação do evangelho de Cristo Jesus. E na presente lição começamos por analisar os principais termos da promessa feita a Abraão, declarada em diversos momentos da vida do patriarca. 

I – A CHAMADA DE ABRAÃO Mesmo que Abraão, a princípio chamado Abrão, tenha sido um descendente da linhagem abençoada de Sem, e mesmo que pudesse já conhecer a história dos seus antepassados piedosos, sua experiência espiritual mais profunda tem início com a chamada divina registrada no capítulo 12. Estando ainda em Ur dos caldeus, onde habitava com seu pai e familiares, aquele que se tornaria o pai da fé e pai dos crentes recebeu uma revelação pessoal do Deus Todo-poderoso: foi-lhe revelado que, através dele, o Senhor cumpriria um propósito de implicações para toda a humanidade, de modo que este homem seria grandemente exaltado como aquele por quem a benção de Deus alcançaria todas as famílias da terra. Em contrapartida, esta chamada envolvia uma renúncia, que incluía abandonar tanto a segurança da convivência com seus familiares como da terra do seu nascimento, e sair, sob a palavra daqu’Ele que o havia chamado, em direção a uma terra que ainda haveria de lhe ser indicada. Abraão pode ter contemplado este chamado com a mesma perspectiva do seu antepassado Noé, quando este foi avisado do dilúvio e ordenado a construir a arca para salvar a si mesmo e ao remanescente do mundo antigo. Mais uma vez, o Todo-poderoso começaria algo novo e Abraão fora escolhido tanto para ser o instrumento da realização dos propósitos divinos como para tornar-se, através da sua experiência pessoal com Deus, o pai de todos aqueles que desejam andar nas mesmas pisadas de fé e assim alcançar igual testemunho de que agradam a Deus (cf. Hb 11.2). Portanto, existem dois aspectos a se considerar na chamada de Abrão: um deles é o das promessas concernentes à redenção da humanidade através primeiramente do povo que seria formado a partir do patriarca, e cujo representante perfeito é Cristo Jesus, o verdadeiro descendente que faria a benção de Abraão chegar a todos os que crêem, judeus e gentios (cf. Gl 3.13-14, 16, 26-29). O outro aspecto é o do testemunho de fé do patriarca, que pela graça de Deus foi capaz de compreender realidades transcendentes acerca do Criador e do Seu sublime propósito de salvação e vida eterna para o homem, e assim foi capaz de confiar em todas as promessas de Deus, mesmo diante das maiores adversidades e aparentes contradições (cf. Rm 4.16-22). 

II – A TERRA PROMETIDA A ABRAÃO Mais de uma vez após sua chegada a Canaã, o patriarca é informado por Deus de que aquela terra ser-lhe-ia dada – para ser preciso, não a Abraão, mas aos seus descendentes, quando fosse chegado o tempo de desapossar os povos que até então a habitavam e o direito à sua fosse entregue aos descendentes de Abraão (cf. 12.7, 13.14-17, 15.18-21, 17.8). Embora seja inegável o caráter literal desta promessa, e a sua realização fosse indispensável para que o povo israelita pudesse cumprir sua missão de ser o depositário das promessas e oráculos divinos até que a verdadeira posteridade chegasse, notemos que o usufruto desse direito divino sempre esteve condicionado à obediência e conformação ao caráter dos israelitas como povo santo – isto é, enquanto fizessem jus à designação de “filhos de Abraão”, não apenas na carne, mas no espírito (cf. Dt 28.58, 63; Rm 9.6-8). Por esta causa eles foram diversas vezes privados da sua herança, como no terrível castigo do cativeiro assírio e depois na deportação para Babilônia, e por fim no cerco e destruição de Jerusalém durante o ano 70 d.C., que resultou numa dispersão do povo judeu que durou quase dois mil anos (cf. Lc 21.24). A recente restauração do povo judeu à sua terra representa um memorial da fidelidade de Deus a Abraão, sem dúvida, mas ao mesmo tempo constitui um pálido reflexo de uma realidade mais sublime e que em nada se relaciona com o atual Estado de Israel. Em Cristo Jesus, o verdadeiro descendente de Abraão, todos herdam igualmente o mesmo direito à promessa, não de um lugar de habitação neste mundo – que o próprio patriarca não recebeu, tendo peregrinado durante todos os dias da sua vida – mas de uma herança celestial, a saber, a redenção do nosso corpo para a vida eterna em novos céus e nova terra – redenção essa cujo penhor é o Espírito de Deus (cf. Ef 1.13-14; 3.4-6). 

III – A DESCENDÊNCIA DE ABRAÃO Além de lhe prometer uma herança, o Senhor Deus repetidas vezes assegurou a Seu servo que lhe daria uma semente, isto é, um descendente que herdaria a sua benção e que, conforme a progressão da revelação divina, seria não apenas filho seu, mas de Sara, sua esposa até então estéril; e que deste filho se levantaria uma grande nação, em extremo numerosa, com a qual o Senhor estabeleceria o Seu concerto. A esterilidade de sua mulher, bem como o avanço da sua idade até que a promessa se cumprisse, de modo algum afetaram a fé do patriarca nesta promessa, mas, pelo contrário, foi justamente neste particular da sua chamada que ele mais se destacou no seu testemunho de ter agradado a Deus. Lembremos que foi quando assegurado pelo Todo-poderoso de que de seus lombos nasceria o seu herdeiro, e que sua semente seria feita como as estrelas do céu, que ele alcançou aquela fé pela qual foi justificado e tornou-se pai dos crentes (cf. 15.5-6). Depois, no findar da sua jornada de fé, estando já com seu filho Isaque a seu lado, o Senhor ainda o provou, requisitando que o menino fosse oferecido em holocausto. Ao invés de considerar isto um duro golpe contra tudo o que ele esperava, o patriarca vislumbrou o caráter probatório da ordem divina e considerou que o menino poderia depois ser trazido de volta à vida por Deus. Com isto, o patriarca selou sua aprovação diante de Deus (Hb 11.17-19; Tg 2.21-23). Finalizando, é necessário observar que a existência da nação israelita, como descendentes de Abraão e povo eleito de Deus, assim como no caso da herança da terra de Canaã, cumpriu sua finalidade dentro do propósito divino de redenção da humanidade com o nascimento do Salvador Jesus Cristo, nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4.5). Sendo Ele o verdadeiro descendente de Abraão, conforme já observado, aqueles que se unem a Cristo pela fé tornam-se os únicos participantes da benção e da promessa, quer sejam judeus ou gentios. Não que a promessa tenha mudado de escopo; mas através da inclusão dos gentios, ela se cumpre na sua plenitude, e Abrão (pai da altura) torna-se de fato Abraão (pai da multidão) – todas as famílias da terra tornando-se participantes da bênção e da identidade como filhos de Abraão, como israelitas, de fato; e assim, como diz o apóstolo, todo o Israel será salvo (cf. Rm 11.4-7, 25-27). 

CONCLUSÃO Abraão foi chamado por Deus não apenas para ser o pai de uma grande nação e exemplo da graça que opera pela fé; nele temos a figura paterna representada pelo próprio Deus, o Altíssimo e Todo poderoso que se fez pai e benfeitor da humanidade caída ao depositar a redenção e salvação dos homens nas mãos do Seu Unigênito, Cristo Jesus.

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01 março 2022

010-As gerações dos filhos de Noé - Gênesis Lição 10[Pr Afonso Chaves]01mar2022


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LIÇÃO 10 

AS GERAÇÕES DOS FILHOS DE NOÉ E A DISPERSÃO DOS POVOS EM BABEL 

TEXTO ÁUREO: “Estas são as famílias dos filhos de Noé, segundo as suas gerações, em suas nações; e destes foram divididas as nações na terra, depois do dilúvio.” (Gn 10.32) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 11.1-9 

INTRODUÇÃO Finalmente chegamos aos capítulos 10 e 11 de Gênesis, concluindo o que os estudiosos consideram a primeira parte deste livro. Na verdade, não há nenhuma interrupção brusca na narrativa, mas é perceptível que, a partir do final do capítulo 11, a atenção do escritor sagrado se volta para a linhagem de Sem – mais propriamente, para Abrão (ou Abraão) e seus descendentes. Portanto, na lição de hoje estudaremos os dois últimos acontecimentos envolvendo as nações de um modo geral – acontecimentos estes que vão, ao mesmo tempo, estabelecer o cenário adequado para a formação de um povo especial para ser o depositário de bênçãos que, eventualmente, alcançariam todas as nações. 

I – AS LINHAGENS DE SEM, CAM E JAFÉ (CAPÍTULO 10) Ao contrário do capítulo 5, que apresenta a genealogia de Sete, o capítulo 10 relaciona de forma mais abrangente, e sem informações cronológicas, os descendentes dos três filhos de Noé através de algumas gerações. O objetivo desta genealogia é esclarecer a origem dos diferentes povos que habitaram o mundo antigo, destacando aqueles que deram nome tanto a essas nações como às terras que ocuparam após a dispersão em Babel. É por isto que a relação de cada uma das três grandes linhagens se encerra dizendo que por esses povos foram repartidas as terras segundo suas línguas (vv. 5, 20, 31) – adiantando-se aqui o evento narrado no capítulo seguinte. De um ponto de vista histórico, geográfico e etimológico, podemos fazer as seguintes considerações sobre os nomes citados na genealogia: os descendentes dos filhos de Jafé foram mais numerosos e se espalharam por um território mais amplo que os demais (note-se o detalhe no verso 5, de que por estes se dividiram as ilhas das nações) – território esse que incluía desde o centro da Ásia até o sudeste, leste e centro da Europa. Em termos de história antiga, são os indianos, medos e persas, hititas (ou heteus), gregos e romanos – povos que os estudiosos denominam indo-europeus. Em relação aos filhos de Cam, seus descendentes identificam-se majoritariamente com povos que até hoje habitam o norte da África, a saber: egípcios, líbios e etíopes. A exceção são os cananeus, que ocuparam a mesma região que recebeu o seu nome; e Ninrode, fundador de um reino tanto no sul como no norte da Mesopotâmia (Sinar e Assíria, respectivamente). O texto não fornece detalhes suficientes para julgarmos o mérito deste Ninrode, mas podemos acrescentar que seu nome significa “revoltemo-nos”, e atentar para o fato de que o princípio do seu reinado foi justamente na cidade onde se deu a revolta cuja punição foi eternizada no próprio nome – Babel, isto é, “confusão”. Quanto aos filhos de Sem, seus nomes podem ser facilmente identificados com os povos que habitaram o Oriente Próximo, como os caldeus e assírios na Mesopotâmia, os elamitas ao oriente do rio Tigre, e os arameus na Síria. Sobre a localização de Arfaxade e seus descendentes, o texto é expresso: “E foi a sua habitação desde Messa, indo para Sefar, montanha do Oriente” (v. 30) – provavelmente a região desértica que separa a Mesopotâmia da terra de Canaã e que se estende até a Península Arábica. Alguns destes poderiam ter dado origem aos povos beduínos que até hoje habitam essas terras. Mas um detalhe importante a ser notado aqui é a menção a Pelegue, filho de Éber, em conexão com a repartição da terra, que se deu em seus dias – uma referência clara ao que será narrado a seguir. 

II – A CONFUSÃO DAS LÍNGUAS E A DISPERSÃO DOS POVOS (11.1-9) O texto começa sugerindo que, ainda enquanto estavam na região do Ararate (aqui chamado de Oriente), as famílias dos três filhos de Noé se multiplicaram consideravelmente, tornando-se um povo unido, não apenas por falarem o mesmo idioma, mas por falarem uma mesma coisa. Mas, ao chegarem à região mais baixa de Sinar, no sul da Mesopotâmia, resolveram construir uma cidade e uma torre, com o propósito de fazer para si mesmos um nome e não serem espalhados sobre a face de toda a terra. Esse desejo de se tornarem poderosos certamente está relacionado ao reino de Ninrode, o qual ficou conhecido como poderoso. Depois, a expressão do verso 4 parece catalisar o temor geral do povo em relação ao dilúvio, e o receio de que Deus pudesse destruí-los novamente da mesma forma. Assim, ao invés de confiarem no Criador, que havia prometido não mais destruir a humanidade com as águas do dilúvio, e saírem pela terra a fim de cumprir o mandato de povoá-la e dominá-la, aquela geração preferiu rejeitar os termos do concerto divino e formar um propósito contrário à vontade de Deus, forjando uma falsa paz que não tardaria em ser desmantelada pelo juízo dos céus (cf. 1 Ts 5.3). Deus tudo sabe e tudo vê, não precisando ser informado para realizar a Sua vontade com justiça e sabedoria, portanto, a expressão de Ele desceu para ver o que os filhos dos homens faziam é mais uma mensagem para nós mesmos, denotando a longanimidade divina e a fidelidade à palavra pactuada, não executando o juízo de forma sumária sobre a humanidade, mas apenas de modo a lidar com o pecado, deixando um testemunho à posteridade (vv. 8-9). Aquela geração desejava obter um senso de segurança, mas ao invés de se aproximarem de Deus, se afastaram d’Ele, e assim criaram apenas um pretexto para logo cometerem os mesmos pecados que a geração antediluviana havia cometido na sua indiferença para com o Criador: “e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (v. 6). A fim de por fim àquele propósito perverso, o Senhor Deus resolve confundir a língua daquele povo, ou seja, desfazer o vínculo que os mantinha unidos para a rebelião e desobediência. Como conseqüência natural ao desentendimento e à dificuldade na comunicação de uns com os outros, as famílias se dispersaram, e o nome dado à cidade, Babel, passou a significar “confusão”. 

III – AS GERAÇÕES DE SEM ATÉ ABRÃO (11.10-32) A partir deste ponto, o escritor sagrado passa a focar os desdobramentos da linhagem de Sem a partir de seu filho Arfaxade. Isto não significa um abandono das nações, como ocorreu com a descendência de Caim antes do dilúvio; o Senhor estava apenas deixando que cada povo seguisse seu próprio rumo, guiado pelo testemunho da consciência e da criação, até que eventualmente o povo eleito serviria de instrumento para a bênção e salvação de todas as famílias da terra (cf. At 14.15-17; Gn 12.1- 2; Gl 3.8). Assim, temos aqui uma genealogia nos moldes daquela apresentada no capítulo 5, onde é citado apenas o primogênito de cada geração, bem como as datas associadas ao seu nascimento e à sua morte. Isto permite situar o nascimento de Abrão por volta de 292 anos depois do dilúvio, apenas cinqüenta e oito anos antes da morte de Noé. O capítulo se encerra com maiores detalhes sobre as origens de Abrão, antes de apresentar o seu chamado divino. Alguns se incomodam com a aparente liderança de Tera na jornada em direção a Canaã, sendo que Abrão é quem foi chamado. Isto poderia estar relacionado à liderança natural de Tera sobre os filhos, mas o fato é que ele só pode acompanhar Abrão até Harã, e este, sabendo por quem havia sido chamado, não se impediu pelo incidente da morte do pai, mas antes prosseguiu sua viagem para a terra que o Senhor lhe mostraria (cf. At 7.2-4; Hb 11.8). 

CONCLUSÃO Chegamos ao final de mais uma etapa na história da salvação, onde a partir de agora o Senhor Deus começaria a executar o Seu grande e sábio plano para a redenção de toda a humanidade, revelando Sua graça e salvação primeiramente a um povo eleito para que depois as boas novas pudessem ser levadas a todas as nações da terra. 

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22 fevereiro 2022

009-O Concerto de Deus com a Criação- Gênesis Lição 09[Pr Afonso Chaves]22fev2022

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 LIÇÃO 9 

O CONCERTO DE DEUS COM A CRIAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra.” (Gn 9.11) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 9.1-11 

INTRODUÇÃO A terra que se apresentava aos olhos de Noé, de sua família e dos animais que saíram com ele de dentro da arca ainda era a mesma da criação original, com a diferença de que, purificada da geração perversa que a contaminara com violência e corrupção, havia sido como que “renovada” para servir de habitação para as criaturas com as quais Deus estabeleceria um concerto de misericórdia e longanimidade. Veremos nesta lição em que consistiu esse concerto e que propósito o Senhor visava alcançar ao prometer não mais destruir a terra com o dilúvio, mesmo sabendo que a realidade do pecado permanecia e eventualmente se manifestaria como no passado. 

I – DEUS REFREIA A VIOLÊNCIA (9.1-7) Chamando Noé e seus filhos para fora da arca, o Senhor renova o mandato originalmente expresso ao primeiro casal: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra”. Do mesmo modo que no princípio, os animais já haviam recebido mandato para se multiplicarem (cf. Gn 8.17), e eventualmente encheriam a terra, devendo então ser dominados pela raça humana, cuja mordomia sobre a criação não havia sido revogada. Contudo, agora estamos diante de uma nova realidade, alterada pela Queda, onde esse domínio seria exercido através do temor e pavor que o homem causaria aos animais, e onde ele poderia dispor destes para sua própria alimentação (vv. 2, 3; cf. Gn 1.29-30). Notemos, porém, a exceção feita ao sangue, aqui mencionado pela primeira vez como sinal, ou símbolo da vida, e por isso vedado ao consumo. Posteriormente o Senhor instituirá um procedimento mais detalhado quanto ao uso do sangue, mas por enquanto a ideia é de que o homem, como mordomo, e não senhor da criação, não tem direito de dispor da vida de qualquer outra criatura, exceto para se valer do corpo do animal para os fins aqui definidos pelo verdadeiro Senhor de toda a criação. Ingerir sangue é uma afronta ao direito divino e um desprezo pelo dom da vida, próprio de homens violentos como aqueles que havia antes do dilúvio (cf. Lv 17.10-11; At 15.20). Em seguida, o valor da vida humana é ressaltado sobre a dos animais, a ponto de Deus requer a punição dos animais que derramassem o sangue de algum homem, assim como, a partir de agora, o homicida deveria ser punido da forma mais severa possível: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado”. Este será o precedente tanto para a expressão escrita do mandamento na lei mosaica, como também para o princípio universal entre todos os povos acerca da aplicação da pena capital (cf. Ex 20.13; 21.12; Rm 13.3-4). Aquele que comete homicídio não apenas ofende a Deus por tirar do seu próximo aquilo que somente o Criador pode tirar – a vida; mas também porque, tendo sido o homem feito à imagem de Deus e, portanto, constituído mordomo da criação, matá-lo significa um atentado contra o propósito divino em relação a toda a criação. Não por acaso, Satanás é considerado o primeiro homicida, pois tentou frustrar os desígnios do Criador incitando o primeiro casal ao caminho da morte; e aqueles que andam em suas pisadas também são chamados propriamente de homicidas (Jo 8.44; 1 Jo 2.9; 3.10-12). 

II – O CONCERTO DE DEUS COM TODOS OS SERES VIVENTES (9.8-17) A natureza do concerto que o Criador estabelece com todos aqueles que saíram da arca não está relacionada propriamente com a salvação, como no caso do concerto eterno primeiramente expresso na representação do jardim e da árvore da vida, e depois se manifestaria definitivamente no pacto firmado por Cristo em Sua própria morte sacrificial. No caso, aqui temos uma promessa de preservação da vida na terra, envolvendo Noé e sua família, bem como os animais que saíram da arca, por gerações eternas, quer dizer, enquanto houvesse gerações até o derradeiro fim do mundo. Não quer dizer que o Senhor não continuaria julgando geração após geração, tanto a nível individual como em relação a povos inteiros – como ocorreu, exemplarmente, com Sodoma e Gomorra, e com muitas nações ao longo dos séculos que se seguiram (cf. Is 3.13). Quer dizer apenas que o juízo, enquanto este mundo existir, não voltará a ser universal, seu derramar sendo sempre contido para que as gerações possam se suceder neste mundo, em cumprimento ao mandato original: Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra. O arco nas nuvens é um memorial visível deste concerto e testifica também da longanimidade e paciência de Deus em relação à humanidade pecadora, sobre a qual dispensa Seus juízos em medidas que se só alcançarão a plenitude de toda a humanidade no fim dos tempos, quando se dará a consumação dos céus e da terra (Ap 4.3; 2 Pe 3.7). 

III – A DESCENDÊNCIA ELEITA É PRENUNCIADA (9.18-29) A narrativa que segue é de grande importância profética, pois nela são delineados os desígnios gerais de Deus em relação aos três grandes ramos da família humana. Embora muitos sejam tentados a dar maior atenção ao fato de Noé ter se embriagado com o fruto da vinha que plantou e ter se descoberto em sua tenda, entendamos que não é este o foco do texto. Se é verdade que a Escritura jamais legitimaria a embriaguez – antes orientando o sábio e piedoso a evitá-la (Pv 31.4-7; Gl 5.21) – aqui o autor sagrado simplesmente não julga o ato do patriarca. Mesmo sob o efeito embriagante do vinho, Noé havia se retirado para a privacidade de sua tenda onde se despiu, longe da vista de qualquer outra pessoa. Contudo, seu filho Cam, por alguma razão adentrou a tenda de seu pai e, vendo-o naquele estado, não informou, mas antes expôs aquela situação constrangedora em que Noé se encontrava para os seus irmãos do lado de fora. Portanto, o mal do escândalo causado é imputado a Cam, a quem faltou o respeito ao pai e o senso de vergonha que mesmo Noé, na sua embriaguez, demonstrou ter ao refugiar-se na sua tenda. A atitude irreverente de Cam, bem como o cuidado de Sem e Jafé para com o pai, despertaram em Noé o espírito profético, que através do patriarca anuncia o futuro reservado às três grandes famílias que se originariam a partir dos três filhos: “Bendito seja o Senhor, Deus de Sem”, porque entre os seus descendentes seria escolhido Abraão, e dele Israel, no meio de cujo povo nasceria o Salvador. A Jafé caberia primeiramente conquistar a maior parte da terra, através de um grande número de povos descendentes – isto é, gentios; mas finalmente habitaria nas tendas de Sem – uma alusão à entrada das nações no concerto da salvação, graças à reconciliação entre ambos os povos – semitas e gentios – através da cruz de Cristo (cf. Gl 3.8, 16, 26-28). Cam, por sua vez, havia dado causa a uma maldição não sobre si mesmo, mas sobre um de seus filhos, Canaã, cujos descendentes seriam sujeitos não apenas ao poderio militar superior dos descendentes de Jafé, mas também à vitória de Jeová sobre os ídolos que os cananeus serviriam por muito tempo antes de finalmente serem alcançados pelo juízo de Deus através de Israel (cf. Js 3.10). 

CONCLUSÃO O concerto de Deus com Noé e todos os que com ele saíram da arca assinala o princípio de um ciclo contínuo de gerações cujos indivíduos devem encontrar o seu lugar entre a sorte de um dos três filhos de Noé, ao mesmo tempo em que, com a aproximação do fim dos tempos, vai se tornando mais e mais patente quem são aqueles que estão na sorte de Sem, cujo Deus, o Senhor, é bendito eternamente.

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15 fevereiro 2022

008-As águas do dilúvio secaram - Gênesis Lição 08[Pr Afonso Chaves]15fev2022

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LIÇÃO 8 

AS ÁGUAS DO DILÚVIO SECARAM – NOÉ SAI DA ARCA 

TEXTO ÁUREO: “Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como fiz. Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão.” (Gn 8.21-22) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 8.1-14 

INTRODUÇÃO Na lição anterior vimos como o mundo antigo foi destruído pelas águas do dilúvio e como Noé e sua família, assim como os animais que com ele entraram na arca, foram salvos da ira de Deus. Nada mais restava daquela geração ímpia e pecadora, e, num primeiro momento, a visão que se descortinava aos olhos de Noé era a de um mundo completamente vazio, coberto por um abismo de águas que se estendia de todos os lados até o horizonte. Mas veremos como, a partir da devastação em que se encontrava, aquele remanescente presenciou o despontar de um novo mundo para habitar sob as bênçãos e promessas de Deus. 

I – AS ÁGUAS DO DILÚVIO COMEÇAM A BAIXAR (8.1-5) Cessada a turbulência das inundações e da chuva de quarenta dias e quarenta noites que causaram o dilúvio, vimos no capítulo anterior que as águas prevaleceram sobre a terra durante mais cento e cinquenta dias. Nesse período, a arca vagou à deriva, e aqueles que se encontravam dentro dela permaneceram fechados sem saber o que se passava do lado de fora. Ao mesmo tempo, esse período corresponde ao princípio do escoamento das águas, pois, de acordo com o texto que ora estudamos, “as águas tornaram de sobre a terra continuamente e, ao cabo de cento e cinquenta dias, as águas minguaram”, isto é, começaram a diminuir. Notemos que a torrente de águas vindas do céu e das fontes subterrâneas poderiam ter continuado a alimentar a inundação, não fosse o fato de que Deus se lembrou de Noé e de todos os que estavam com ele dentro da arca. Na ira, Deus lembrou-se da misericórdia, e assim, satisfeita a justiça divina contra aquela geração que havia corrompido o seu caminho sobre a terra, o Senhor lembrou-se do concerto de salvação feito com o seu servo, e fez passar um vento sobre a terra, e aquietaram-se as águas (cf. Hc 3.2; Lm 3.22; Sl 34.22). Os versos seguintes descrevem o progresso da “estiagem”, ou do escoamento das águas, na medida em que a arca, tendo vagado livremente por regiões desconhecidas, no sétimo mês (isto é, cinco meses após o início do dilúvio), como que ancora nos montes de Ararate, uma cadeia montanhosa atualmente localizada no norte da Mesopotâmia, e de onde posteriormente veremos que as primeiras gerações dos filhos de Noé desceram para habitar o restante do mundo. No décimo mês, diz o texto que apareceram os cumes dos montes, o que é compreensível de um ponto de vista humano, pois, mesmo que o Ararate não seja a maior cadeia de montanhas do mundo, ela se destaca em relação às demais montanhas do Oriente Próximo. 

II – NOÉ ENTENDE QUE AS ÁGUAS DO DILÚVIO SECARAM (8.6-14) Não tendo recebido nenhuma revelação quanto ao tempo de duração do dilúvio, Noé deveria passar por aquele momento de turbação com paciência e esperança na promessa de livramento feita por Deus. Chegaria o momento em que o mesmo Senhor que lhe havia ordenado entrar na arca diria novamente: “Sai da arca”, mas, até lá, o piedoso patriarca aguardaria no interior da embarcação. Desejando compreender a situação e o momento em que se encontrava – ou, em outras palavras, discernir os tempos (cf. Lc 12.56) – Noé procurou sondar o mundo ao seu redor sem abandonar o interior da arca – o que seria necessário, caso desejasse ele mesmo visualizar a situação do lado de fora através da única janela no teto da embarcação. Por isso ele se serve das aves para fazer a averiguação: primeiro um corvo, e depois uma pomba – duas aves que, desde tempos imemoriais, são conhecidas por manterem uma convivência próxima ao homem, não temendo aproximar-se dele. Diz o texto que o corvo ia e voltava continuamente para a arca, durante todo o período em que as águas minguaram até a terra ficar seca; isto quer dizer que, como uma ave carniceira, o corvo certamente encontrava os corpos dos homens e animais mortos durante o dilúvio, e que ainda estavam boiando nas águas, oferecendo à ave um banquete do qual ela poderia se servir livremente, mas sem ter lugar firme para descansar. Isto, porém, não oferecia informação suficiente para Noé, nem permitia visualizar alguma progressão do recesso das águas, pelo que o patriarca envia uma pomba. Primeiro, esta volta para Noé indicando não ter encontrado repouso para os seus pés, como diz o próprio texto. Num segundo voo, ela volta trazendo um ramo de oliveira no bico – o que dá a entender que a vegetação começava a ficar visível; e, na terceira vez em que é enviada para fora da arca, a pomba não volta mais para Noé – indicando que já era possível encontrar terra firme. Compreendendo que o juízo de Deus havia sido executado e que a terra ficaria cada vez mais seca das águas do dilúvio, Noé se permite ele mesmo vislumbrar o horizonte daquele novo mundo removendo a cobertura da arca. Mas notemos a paciência do patriarca e ao mesmo tempo o temor que a devastação do dilúvio teria causado sobre o seu coração, de tal modo que ele ainda aguardou alguns dias até que Deus expressamente o mandasse sair da embarcação (cf. Sl 119.119-120). 

III – DEUS MANDA NOÉ SAIR DA ARCA (8.15-22) Ordenado e ao mesmo tempo encorajado pela palavra de Deus, Noé sai da segurança oferecida pela arca para aquele mundo completamente vazio e desolado, levando consigo apenas sua família e os animais que haviam sido preservados com eles. O mandato divino para os animais se procriarem e encherem a terra é novamente expresso, como no princípio: “povoem abundantemente a terra, e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra”. Noé, por sua vez oferece o primeiro culto solene a Deus naquele novo mundo, sacrificando dos animais limpos e oferecendo-os em holocaustos, numa demonstração de gratidão pelo livramento e sujeição ao propósito do Criador e Senhor dos céus e da terra (Sl 116.12-14, 17). Assim como descansou no sétimo dia em sinal de contentamento pela criação original, agora, ao se agradar do cheiro dos holocaustos, Deus demonstra Sua boa vontade para com o homem e a criação, por assim dizer, renovada. O dilúvio foi um testemunho do juízo inescapável de Deus contra os pecadores, que a seu tempo alcançará a todos, geração após geração, até a eventual consumação do mundo – que certamente ocorrerá. Compreendendo, porém, a fraqueza humana, irrecuperável até a restauração de todas as coisas pelo evangelho, em Cristo Jesus, o Senhor também será paciente, dando amplo testemunho aos homens acerca da Sua bondade e poder, inclusive beneficiando-os com estações e colheitas (cf. At 14.16-17; Sl 104.14-15). 

CONCLUSÃO O dilúvio traz preciosas lições sobre a justiça e a ira de Deus contra o pecado, mas também sobre a Sua misericórdia para com os fiéis. Enquanto andarmos com Deus neste mundo, assim como Noé, podemos descansar na certeza de que, quando o juízo se manifestar, seremos guardados do mal e conservados para finalmente presenciar a Sua misericórdia.

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08 fevereiro 2022

007-O Mundo é destruído pelo dilúvio - Gênesis Lição 07[Pr Afonso Chaves]08fev2022


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 LIÇÃO 7 

O MUNDO É DESTRUÍDO PELO DILÚVIO 

TEXTO ÁUREO: “Assim, foi desfeita toda substância que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca.” (Gn 7.23) 

LEITURA BÍBLICA: GÊNESIS 7.1-12 

INTRODUÇÃO Conforme havia sido anunciado a Noé, e conforme fora testemunhado àquela geração durante os dias em que a arca foi construída, o fim do mundo antigo se aproximava e, chegado o tempo designado por Deus, as águas do dilúvio inundariam a terra e levariam a todos os que não estavam protegidos no interior da arca. Ao mesmo tempo em que esse evento representa o juízo divino contra aquela geração perversa, também indica a misericórdia de Deus para com a Sua criação, e Sua sabedoria e poder em preservar o justo da destruição, para que este não pereça com o ímpio. 

I – PREPARATIVOS FINAIS PARA O DILÚVIO (7.1-9) Se considerarmos que Noé tinha cerca de quinhentos anos quando recebeu a revelação acerca do dilúvio e foi incumbido de construir a arca (cf. Gn 5.32), podemos entender porque o apóstolo Pedro afirma que a “longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca”. O mundo não seria destruído em questão de dias, semanas, meses ou anos; mas ao cabo de aproximadamente cem anos, durante os quais aquela geração recebeu suficiente testemunho acerca da destruição que se aproximava, seja através da fiel pregação de Noé como também através do testemunho visível das obras deste homem e da sua perseverança em construir a arca. Não havia desculpas para aquela geração; a incredulidade e rejeição que fizeram ao testemunho de Deus não seriam perdoados e, no tempo da aflição, eles não encontrariam nenhum socorro em Deus (1 Pe 3.20; 2 Pe 2.5). Concluída a construção da arca, restava apenas que entrassem Noé e sua família, bem como os animais que o Senhor já havia dito que viriam até ele para fossem conservados com vida. Ou seja, Noé não precisaria sair à caça de nenhum animal – o que poderia ser uma tarefa tão difícil, se não ainda mais, do que a de construir a arca. Sua missão seria apenas de acolher e abrigar dentro da “embarcação” os casais que o Senhor traria até ele durante o período final de sete dias definidos para o fim daquele mundo corrompido (cf. v. 9; Gn 6.20). Aqui encontramos os detalhes adicionais de que, das espécies de animais a serem abrigadas no interior da arca, seriam sete casais de animais limpos e um casal de animais impuros. Esta distinção indica que a invocação do nome do Senhor entre as gerações dos filhos de Deus se perpetuou através de um culto baseado em sacrifícios e holocaustos; assim como também indica a prática da santificação dos costumes, pela qual os patriarcas e suas famílias se mantinham puros para Deus e não se contaminavam com os costumes dos descendentes de Caim. 

II – O FIM É CHEGADO (7.10-16) Terminado o período final de sete dias designado por Deus, tem início uma grande inundação sobre a terra, quando “se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. Nos primeiros dias da criação, quando a matéria ainda era um abismo de águas, o Todo-poderoso fez uma primeira separação entre águas e águas, criando os céus, e depois como que represou as águas debaixo a fim de que aparecesse a terra seca; como disse Pedro, “pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste” (2 Pe 3.5). Agora, o que Deus estava fazendo era remover essas contenções, essas barreiras, de modo que as águas pudessem voltar livremente ao seu lugar de origem, em uma impressionante inundação que rapidamente afogou todas as criaturas que respiravam e habitavam em terra seca. Além disso, diz o texto que “houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites”, o que por si só é algo impressionante para os padrões climáticos modernos. É importante salientar que, havendo Noé e seus três filhos, sua mulher, as três mulheres de seus filhos, e todos os animais conforme sua espécie entrado na arca, o Senhor fechou a arca por fora, de modo que eles não pudessem mais sair enquanto o juízo não se consumasse sobre aquele mundo, nem ninguém do lado de fora entrar, caso desejasse, ou ante a visão do dilúvio de águas. Isto sem dúvida representa um padrão na providência e misericórdia de Deus ao livrar os Seus da destruição e da ira no último momento (1 Ts 5.9), tornando o mundo ainda mais indesculpável ante o juízo de Deus, pois até o fim se ouvirá o testemunho da verdade pela boca dos fiéis e haverá tempo para o arrependimento; mas, chegado o juízo, será tarde demais (Mt 24.14, 37-39, 42-44). 

III – A EXTENSÃO DA DESTRUIÇÃO CAUSADA PELO DILÚVIO (7.17-24) Pode-se perceber a magnitude do dilúvio em comparação com qualquer inundação já noticiada na história pelo fato de que o volume das águas aumentou continuamente ao longo dos quarenta dias e quarenta noites de chuva, a ponto de prevalecerem excessivamente sobre a terra, cobrindo até os mais altos montes. Mesmo não fazendo ideia da topografia exata do mundo antediluviano, o texto permite afirmar que a terra já tinha as suas planícies, vales e montes. Sabemos que esses diferentes tipos de terreno criam desníveis para a água, que tende a se acumular nos lugares mais profundos. Mas aqui temos a descrição de uma inundação tão colossal que não apenas preencheu todas essas depressões, criando grandes lagos, mas as excedeu até os montes, e os mais altos montes da terra. Isto indica a universalidade do juízo de Deus – não foi uma inundação local, como querem alguns estudiosos; nem houve possibilidade de se escapar à destruição. De fato, como a terra se configurava numa única massa, e não em continentes e ilhas como conhecemos hoje, o mais razoável e natural é entender que, se as águas cobriram os mais altos montes, inevitavelmente cobriram toda a terra, dando ao planeta um aspecto semelhante ao que teve no princípio: sem forma, vazia e tudo o que se via era a face do abismo. Além disso, o propósito de Deus era destruir tudo o que havia no seco, de animais até o homem, de modo que Noé e sua família, e os animais que ele levou consigo na arca, se tornassem os únicos herdeiros de um novo mundo que seria povoado pelos seus descendentes. Consideremos ainda que, passados os quarenta dias e quarenta noites de chuvas torrenciais, o dilúvio não havia terminado. A inundação havia chegado ao seu ápice, e toda a terra se encontrava submersa sob as águas; contudo, levaria um tempo ainda maior para que as águas escoassem e voltassem ao seu lugar de origem e para que a face da terra seca pudesse novamente ser avistada e, finalmente, habitada. O texto deste capítulo se encerra afirmando que as águas prevaleceram sobre a terra durante mais cento e cinquenta dias – período durante o qual a arca permaneceu à deriva, por assim dizer, ora levada pela força dos ventos, ora flutuando sobre as águas na calmaria após a tormenta. 

CONCLUSÃO O dilúvio foi uma das primeiras prefigurações de um juízo da parte de Deus contra os ímpios e, como tal, apresenta elementos que apontam para o caráter do juízo a se realizar no último dia, como o livramento e preservação dos santos e fiéis, a implicação universal sobre todos os seres viventes e a impossibilidade de se recorrer à sentença final, uma vez que todas as oportunidades de arrependimento terão sido oferecidas aos julgados, de modo que ninguém poderá se escusar perante o Justo Juiz de toda a terra.

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