07 julho 2021

002-O Juízo é anunciado - Ezequiel Lição 02[Pr Afonso Chaves]06jul2021

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 LIÇÃO 2 

O JUÍZO É ANUNCIADO 

TEXTO ÁUREO: “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra!” (Ez 7.2) 

LEITURA BÍBLICA: EZEQUIEL 6.1-10 

INTRODUÇÃO Durante os primeiros anos do seu ministério, Ezequiel profetizou principalmente acerca do juízo de Deus que se derramaria sobre os judeus que haviam ficado em Jerusalém. Durante esse período, a mensagem do profeta enfoca o terror do cerco, da destruição da cidade e do templo, e do fim do reino de Judá; bem como a gravidade dos pecados cometidos pelo povo e a justiça de um castigo tão severo. Na lição de hoje, veremos a persistência do profeta (ou melhor, do próprio Deus) em incutir essa mensagem de diferentes maneiras e em diferentes ocasiões na mente do povo, a fim de que ninguém se desse por desavisado quando todas estas coisas se cumprissem. 

I – REPRESENTAÇÕES SIMBÓLICAS DO CERCO (CAPÍTULOS 4 E 5) Parte do mistério atribuído ao livro de Ezequiel se deve não apenas ao rico e complexo simbolismo da sua linguagem, mas também ao fato de o profeta muitas vezes participar ativamente da mensagem de Deus, “encenando” de forma enigmática aquilo que estava para acontecer. Era, na verdade, uma forma de chamar a atenção de um povo endurecido que já havia escutado a muitos profetas com indiferença; e, mesmo no caso de Ezequiel, seu ministério peculiar apenas fez dele um profeta agradável de se ouvir e interessante de se observar entre os exilados (cf. Ez 12.6; 33.32). Temos então uma primeira mensagem no capítulo 4, onde o nosso profeta encena o cerco de Jerusalém e as agruras que os seus moradores passariam durante aqueles dias, confinados dentro das muralhas da cidade e sujeitos à escassez de víveres, às doenças e à morte. Notamos, em primeiro lugar, que, de um modo semelhante ao castigo aplicado aos israelitas que murmuraram e tiveram de peregrinar durante quarenta anos no deserto; assim também Deus prolongaria os dias de sofrimento do povo durante o cerco na proporção dos anos em que tanto Judá como Israel haviam pecado (Ez 4.4-6). O profeta aqui assume o lugar dos seus conterrâneos dentro da cidade cercada – praticamente paralisados, impedidos de realizar qualquer coisa enquanto os exércitos caldeus estivessem à volta dos muros de Jerusalém, e sujeitos a um duro racionamento de água e comida – o que, ao invés de arrependimento e clamor a Deus, só produziria desgoto e espanto naqueles corações endurecidos pelo pecado, na expectativa de que algo pior ainda estava por acontecer (versos 16 a 17). No capítulo seguinte, o Senhor continua falando sobre o terrível juízo determinado, mas agora o profeta deve representar o extermínio da própria população, onde parte morreria em consequência da fome e das doenças que assolariam a cidade durante o cerco; outra parte seria morta na tomada e destruição da cidade; e outra, mesmo que sobrevivesse a esses males, não estaria segura, pois, conforme disse o Senhor: “desembainharei a espada atrás deles” (Ez 5.2). De fato, independente da sorte que alcançassem naqueles dias, ninguém poderia se considerar a salvo (cf. verso 4). É interessante notar que há uma importância no fato de Ezequiel encenar esta terrível mensagem raspando seus cabelos e sua barba, assim se expondo diante do povo com uma aparência constrangedora. Ora, Israel havia sido colocado “no meio das nações” (verso 5) – ou seja, para ser notado e engrandecido no seu testemunho de obediência ao Senhor Deus; contudo, a desobediência do povo virou essa posição em seu desfavor, de modo que agora não apenas seriam castigados pelo seu Deus, mas castigados publicamente, e assim humilhados diante de todas as nações. Se não foram capazes de ensinar aos gentios pelo exemplo da obediência, ao menos o fariam pelo castigo da sua desobediência (versos 14 e 15). 

II – AS ABOMINAÇÕES COMETIDAS NOS MONTES DE ISRAEL (CAPÍTULO 6) Israel havia pecado gravemente, em muitas coisas e mais até do que as nações ao seu redor (Ez 5.7); e agora o Senhor destaca uma espécie de pecado particularmente escandaloso, que na verdade acompanhou o povo desde que saíram do Egito e nunca os abandonou – qual seja, o culto público aos falsos deuses (cf. Am 5.25-26). Esse tipo de idolatria arraigou-se de tal forma em Israel que somente um ou outro rei de Judá conseguiu removê-la temporariamente; mas, no final, a prática de sacrificar e queimar incenso nos lugares altos prevaleceu por toda a terra e tornou-se a causa do juízo de que o Senhor fala neste capítulo. A palavra é dirigida aos montes de Israel, aos seus outeiros, ribeiros e vales, porque o povo não era mais capaz de ouvir e atender ao apelo divino – mas a terra ainda poderia servir de testemunha (cf. Dt 4.26). A idolatria de que Deus fala aqui não acontecia secretamente, no recesso dos lares, mas nos lugares mais visíveis da terra, aos olhos de todos. O cerco e toda a matança e destruição que se seguiriam seriam o meio justo e ideal para expor em público a inutilidade dos ídolos – que nada fariam para salvar os judeus quando caíssem ali mesmo, aos pés dos altos e dos bosques, mortos e traspassados pela espada dos caldeus – e ao mesmo tempo para por um fim à prática abominável. Deste modo, se os israelitas não derribaram seus altos enquanto puderam fazê-lo em vida, ao menos, com sua morte, seus ossos profanariam aqueles “santuários”, indiretamente proclamando a indignidade dos falsos deuses que ali habitavam, e assim justificando o Deus de Israel (Ez 6.5-7). 

III – O FIM DA NAÇÃO SE APROXIMA (CAPÍTULO 7) Neste ponto, a mensagem de juízo ganha um tom de urgência e inevitabilidade. Resta pouco tempo para se cumprirem os dias do cerco, está tudo pronto – ou melhor, o mal já está a caminho. E Deus não voltará atrás, como fez em outras ocasiões; tampouco se apiedará enquanto o juízo estiver sendo executado no meio do Seu povo. Como as mensagens de juízo eram recebidas por eles com indiferença, ou, no máximo, como algo a se cumprir num futuro distante, que talvez aquela geração nem sequer presenciaria (cf. Ez 12.27-28); o Senhor está prevenindo aqui contra essa atitude, e aqueles que haviam escapado do cativeiro, os “moradores da terra”, não deviam se gloriar ou derivar qualquer senso de segurança a partir disso. A vida rotineira do israelita que, em outras circunstâncias, ele podia enxergar como aquela felicidade a ser desfrutada debaixo do sol, havia se tornado vazia, e o povo não conseguiria se alegrar com mais nada – seja comprar, vender, trabalhar, casar – uma vez que as calamidades que se abateriam sobre a nação interromperiam todas as atividades ordinárias, pondo um fim à tranquilidade e paz dos israelitas. E, mesmo que estivessem dispostos a lutar por aquilo que amavam, eles não conseguiriam extrair da desobediência a coragem necessária para enfrentar a terrível realidade do exército inimigo: “Todas as mãos se enfraquecerão, e todos os joelhos destilarão águas” (verso 17). Mais assustador ainda é perceber que, naquela hora, nem mesmo a lembrança de Deus serviria para aliviar o sofrimento dos judeus desobedientes, pois o templo, que eles mesmos já haviam profanado com seus ídolos, logo veriam ser profanado pelas mãos de estranhos – sinal até para os mais ímpios dentre o povo de que o Senhor os havia abandonado. E, acerca dessas contaminações do templo, o Senhor também forneceria a Ezequiel uma revelação ainda mais contundente. 

CONCLUSÃO O ministério de Ezequiel começa com a dura mensagem de um castigo terrível e inexorável, onde tudo o que era mais precioso para os israelitas seria retirado e, por muito pouco, alguns escapariam com suas próprias vidas. Israel havia pecado gravemente e não se arrependera; somente através do sofrimento do cerco e do cativeiro é que descobririam a vaidade dos seus caminhos e que o Senhor é o único Deus, incomparável a qualquer outro ser e mui digno de nossa total e sincera obediência.

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01 julho 2021

001-A Chamada de Ezequiel - Ezequiel Lição 01[Pr Afonso Chaves]29jun2021

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LIÇÃO 1 

A CHAMADA DE EZEQUIEL 

TEXTO ÁUREO: “E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. Então entrou em mim o Espírito, quando ele falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava”. (Ez 2.1-2) 

LEITURA BÍBLICA: EZEQUIEL 1.1-3, 2.2-5, 3.7-9 

INTRODUÇÃO Os três primeiros capítulos do livro de Ezequiel tratam do seu chamado para o ministério profético, incluindo sua visão assombrosa da glória de Deus, sua comissão para falar aos israelitas que estavam no cativeiro e a prevenção de que estes não seriam receptivos à sua mensagem. O objetivo desta primeira lição é estabelecer os fundamentos históricos e espirituais para a compreensão da profecia de Ezequiel. 

I – O CONTEXTO DE EZEQUIEL (CAPÍTULO 1) Ezequiel é um profeta cujo ministério se deu nos primeiros anos do cativeiro de Judá. À semelhança de Jeremias, seu contemporâneo, ele profetizou aos filhos de Israel (representados então pelos descendentes das tribos que formavam o reino do sul e os remanescentes das dez tribos do norte que haviam migrado para lá). Mas, enquanto o filho de Hilquias ministrou entre o povo que havia permanecido em Jerusalém e experimentaria todas as agruras do cerco, e contemplaria a destruição da cidade e do templo, até finalmente debandarem para o Egito; o filho de Buzi foi o porta-voz do Senhor Deus para falar àqueles que, antes de tudo isso acontecer, já haviam sido levados cativos para Babilônia. Isto porque o cativeiro se deu em mais de uma etapa, começando nos tempos do rei Jeoiaquim, quando parte das riquezas do templo e um grupo de jovens da nobreza foram levados para Babilônia. Três meses depois, é a vez do próprio rei – agora Jeoaquim – “como também todos os príncipes, e todos os homens valoroso, dez mil presos, e todos os carpinteiros e ferreiros”, serem levados para se unir aos que já estavam na capital do império caldeu. E somente onze anos depois, sob o reinado de Zedequias, é que Jerusalém e o templo seriam destruídos e o cativeiro se completaria com a última leva de judeus, sobreviventes ao cerco (cf. 2 Cr 36.6-7; Dn 1.1-3; 2 Rs 24.10-16; 25.1-2, 8-11). Ezequiel está entre aqueles que foram levados para o cativeiro no tempo de Jeoaquim, e é justamente naquela circunstância de maior adversidade e desespêro que a palavra do Senhor vem ao sacerdote para enviá-lo aos seus companheiros de aflição. É a primeira mensagem que notamos na visão terrível e gloriosa que se descortina aos olhos do profeta, ali, junto ao rio Quebar: que Deus não era rei apenas em Jerusalém, onde podiam ver a Sua casa e o Seu ungido; mas, onde quer que o Seu povo estivesse, eles sempre O veriam assentado sobre o Seu trono e exercendo a Sua vontade. A visão em si apresenta detalhes difíceis de figurarmos em nossa mente, e que sem dúvida estão cheios de significado; mas, numa palavra, trata-se de uma visão da glória de Deus (cf. verso 28; Ez 8.4). Considerando apenas os elementos mais destacados da visão, o aspecto dos seres viventes – identificados posteriormente como querubins – nos faz pensar no fato de que Deus tem ao Seu dispor os servidores mais poderosos, eficientes e sábios em toda a criação para fazer cumprir os Seus propósitos (Ez 10.20; cf. 2 Sm 22.11; Ap 4.6-8). Quanto às rodas, não há nada claro nesta ou em outras passagens, mas elas reforçam a idéia de “movimento” e “vida” já expressa na menção do espírito animando todas as coisas, e podem também ser referidas à providência divina universal. Nenhum acontecimento neste mundo pode frustrar a vontade de Deus, antes tudo se dá em perfeita harmonia com os Seus propósitos – em outras palavras, o trono da soberania divina como que se move sem dificuldade, e ao mesmo tempo de forma terrível e assombrosa, sobre toda a terra. Mas é a descrição da absoluta excelência, pureza e  magnanimidade do próprio Todo-poderoso que arremata a visão de uma forma tão impressionante que o profeta cai prostrado e pasmo, incapaz de continuar olhando. 

II – A COMISSÃO E A CAPACITAÇÃO DE EZEQUIEL (CAPÍTULO 2) Há uma importante relação das palavras: “Então, entrou em mim o Espírito” com a visão do capítulo anterior, pois, a partir daquele momento, Ezequiel passaria a fazer parte da visão e, assim como os querubins e as rodas, para onde o Espírito fosse, ele iria, e quando o Espírito quisesse falar, ele falaria. Deveria ser motivo de alegria e esperança para os cativos poderem desfrutar da palavra de um profeta de Deus em terra estranha – de fato, um sinal de que não haviam sido abandonados por Deus. Mais ainda, considerando o que o Senhor havia dito sobre eles através de Jeremias, os cativos estavam em melhor situação do que os judeus que haviam ficado em Jerusalém, pois aqueles eventualmente se converteriam e desfrutariam das bênçãos de Deus (cf. Jr 24). Conforme ainda estudaremos, os judeus que haviam ficado na cidade podiam até se considerar privilegiados e menosprezar os que haviam sido levados para Babilônia, mas isto não passava de um orgulho carnal que, juntamente com suas idolatrias, traria sobre eles um juízo retumbante que serviria de importante lição para os cativos. No momento, porém, o Senhor diz que os filhos de Israel – aqueles mesmos que estão no cativeiro – são “as nações rebeldes que se rebelaram contra mim”; são filhos, mas “de semblante duro e obstinados de coração”. Muitos continuavam fomentando sua rebeldia contra o Senhor e não atinavam com o significado de toda aquela desgraça que havia se abatido sobre eles; muitos tinham esperança de um retorno rápido do cativeiro e não imaginavam que algo pior pudesse acontecer – e algo pior, muito pior, ainda aconteceria. Não é de admirar, portanto, que eles ouviriam Ezequiel de mau grado e até com indignação, enquanto não se cumprissem as suas palavras no cerco, e na destruição da cidade e do templo; então, e só então, saberiam que esteve no meio deles um profeta, e este seria o primeiro passo no caminho do arrependimento e da conversão do remanescente que estava no cativeiro. 

III – A MENSAGEM DE EZEQUIEL (CAPÍTULO 3) O que o profeta vê na sequência sugere um ministério extenso e marcado por mensagens de juízo e castigo: “um rolo de livro... e ele estava escrito por dentro e por fora, e nele se achavam escritas lamentações, e suspiros, e ais” (Ez 2.10). Com efeito, a ira de Deus não havia se esgotado no cativeiro de parte da população de Jerusalém; a própria visão inicial sugere que Deus traria juízo e destruição desde o norte (era pelo norte que os caldeus adentravam a terra de Israel; cf. Jr 1.14-16; Ez 10.1-2; 43.3). Tal mensagem poderia soar extremamente afrontosa para um povo que se gloriava em ter a casa de Deus no seu meio (cf. Jr 7.4), daí a necessidade de o profeta ser espiritualmente fortalecido para não se abalar com qualquer intimidação da parte do povo. O próprio Ezequiel, como sacerdote que era, havia sido educado para ser compassivo e misericordioso com os fracos e pecadores, e por isso se sente pesaroso com a dura mensagem que precisa entregar. Então Deus abre os olhos do profeta para que ele entenda sua missão não como a de alguém que entrega uma mensagem, indiferente à sorte dos seus ouvintes; mas como a de um atalaia, que não apenas deseja ou zela pela segurança daqueles que dependem da sua atenção no alto da torre de vigia, mas que há de responder com sua própria vida por aqueles que se perderem caso seja negligente em cumprir o seu chamado. 

CONCLUSÃO Ezequiel foi comissionado e capacitado por Deus para falar aos seus conterrâneos num período de grande adversidade. O profeta devia anunciar que Israel sofria em razão dos seus pecados e avisá-los de que o castigo não havia terminado. E, com grande pesar, ele sabia que teria de ver todas estas terríveis coisas se cumprindo primeiro para que aquele povo rebelde se arrependesse e, convertendo-se ao seu Deus, pudesse desfrutar das bênçãos de uma restauração gloriosa

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25 junho 2021

013-Pela obra do Templo, haverá bênçãos e prodígios - Ageu Lição 03[Pr Afonso Chaves]22jun2021


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LIÇÃO 13 

PELA OBRA DO TEMPLO, HAVERÁ BENÇÃOS E PRODÍGIOS 

TEXTO ÁUREO: “Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, te tomarei, ó Zorobabel, filho de Sealtiel, servo meu, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o Senhor dos Exércitos”. (Ageu 2.23) 

LEITURA BÍBLICA: AGEU 2.10-23 

INTRODUÇÃO Um terceiro problema apontado pelo profeta era o da insatisfação do povo. E isso acontecia pela sua falta de entendimento da verdadeira vontade de Deus. Assim, eles faziam a obra de Deus, mas pelas motivações erradas e, por isso, não tinham os resultados esperados. Mas aqui veremos Ageu exortando o povo a respeito da verdadeira motivação que devem ter para servir a Deus. E, mais do que isso, veremos também que o coração do povo necessitava de uma mudança de natureza. 

I – O POVO E TODA SUA OBRA ERAM IMUNDOS (VV. 10-14) De acordo com a Lei Mosaica, a impureza podia ser facilmente transmitida, enquanto o mesmo não acontecia com a santidade. Assim Ageu inicia essa proclamação ao povo, de que durante muitos anos eles foram negligentes em relação à obra de Deus, e agora não consideravam que a gravidade dessa negligência havia feito Deus dizer sobre eles: “diante do meu rosto, imunda é esta nação e toda a obra de suas mãos”. Por isso, tudo aquilo que o povo tocava aos olhos de Deus tornava-se impuro, até as ofertas no altar. E, como tudo o que ofereciam ali era imundo, não era com os rituais que eles cativariam a atenção de Deus. 

II – A PARTIR DAQUELE DIA, DEUS OS ABENÇOARIA (VV. 15-19) Então o povo é levado a considerar os resultados da sua negligência em suas próprias vidas cotidianas, após terem abandonado a obra da Casa de Deus. Este abandono deve ser considerado literalmente, ou seja, deixaram de trabalhar; mas ocorre também quando alguém trabalha sem considerar o real sentido do trabalho. É preciso fazer a obra com entendimento, ou seja, o culto racional cuja principal importância não esteja na aparência, e sim no real significado do que se está fazendo. Preocupados apenas com a obrigação de fazer, Ageu os exorta a considerarem o que haviam colhido com todo o trabalho de suas mãos. As colheitas não foram abundantes como se esperava, e isto porque as mãos de Deus não estavam sobre eles; e mesmo assim eles ainda não perceberam. Não houve quem se voltasse para Deus com verdadeira confiança e dedicação (Am 4.9). O povo é levado a refletir sobre o que estava acontecendo e a reconsiderar o seu conceito de como agradar a Deus. Com certeza não é fazendo a obra por simples obrigação. Mas, mesmo assim, Deus promete abençoar o povo, dizendo: “desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, ponde o vosso coração nestas coisas. Há ainda semente no celeiro? ... mas desde este dia vos abençoarei”. O Senhor promete uma mudança radical para que a Sua palavra se cumpra. 

III – AS FUTURAS BÊNÇÃOS REPRESENTADAS EM ZOROBABEL (VV. 20-23) O Senhor promete fazer algo sobrenatural e espantoso no meio do povo. Deus abalaria, derribaria, tudo aquilo em que o povo depositava sua confiança – de fato, faria tremer céus e terra. A partir desse ponto, a profecia de Ageu aponta para o futuro do povo de Deus e das nações. O juízo de Deus estava determinado sobre todos que não entendessem a sua mensagem. Embora precisassem ainda das figuras físicas, a atenção do povo devia se voltar para o espiritual; aquele que entendesse a mensagem estaria salvo e escaparia desse terrível juízo. O Senhor mostra como faria a sua obra – não mais por meio de um povo duro de coração que por si mesmo não mudaria. O Senhor agiria por uma única Pessoa, o seu Ungido, representado então por Zorobabel. É através d’Ele que o Senhor realizaria uma obra perfeita. Zorobabel é o tipo de Cristo, pois é através d’Ele somente que o coração do homem é mudado para ter entendimento e obedecer aos mandamentos do Senhor (Zc 4.5-10; Mt 1.12-16; Hb 12.22-28).

CONCLUSÃO As insatisfações do povo em relação às bênçãos de Deus sempre são descabidas. Um povo que ainda está apegado ao que é material não pode esperar alcançar bênçãos espirituais. O principal objetivo do trabalho é procurar agradar e agradecer a Deus pelo que Ele já fez, e não pelo que ainda vai fazer. Agindo dessa maneira, atrairemos a atenção de Deus e o Seu favor.

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18 junho 2021

012-Uma grande glória é anunciada - Ageu Lição 02[Pr Afonso Chaves]15jun2021

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LIÇÃO 12 

UMA GRANDE GLÓRIA É ANUNCIADA 

TEXTO ÁUREO: “Ora, pois, esforça-te Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforçai-vos, todo do povo da terra, diz do Senhor, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos.” (Ageu 2.4) 

LEITURA BÍBLICA: AGEU 2.1-9 

INTRODUÇÃO Continuando a considerar os problemas que assolavam o povo de Deus nos tempos de Ageu, veremos que a segunda causa para o abandono da obra de Deus é o desencorajamento do povo. Este se manifestava por conta da pobreza do povo e das lembranças de tempos melhores do que aqueles que estavam vivendo. No entanto, a exortação de Deus era para que olhassem adiante, porque nenhum trabalho para Deus é em vão, mas terá excelentes resultados. 

I – A PRESENTE CASA ERA COMO NADA EM COMPARAÇÃO À PRIMEIRA (VV. 1-3) Havendo sido lançado os alicerces do templo, os sacerdotes se posicionaram para os trabalhos pertinentes ao culto, assim como os levitas para louvarem a Majestade Santa do Senhor. Então, todo o povo começa a chorar de alegria pela oportunidade que o Senhor lhes havia concedido de voltarem a Jerusalém para O adorarem na Sua casa. Contudo, os mais velhos começam a chorar de tristeza, na comparação do que estavam vendo agora com o que haviam contemplado nos dias passados – a riqueza do templo construído por Salomão e a simplicidade daquele templo (cf. Ed 3.10-13). Aqui vale a pena lembrar a exortação do Pregador: “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque nunca com sabedoria isso perguntarias” (Ec 7.10). Não há possibilidade de mudar o passado, por isso devemos sempre aproveitar as novas oportunidades que o Senhor nos dá a fim de evitarmos os mesmos erros já cometidos. Dessa forma é sempre bom lembrar-se das misericórdias do Senhor (Lm 3.22-24). 

II – EXORTAÇÃO A TRABALHAR EM VISTA DA PROMESSA (VV. 4-7) Um dos principais erros cometidos pelo povo antes do cativeiro havia sido a confiança depositada no templo, pois o edifício era motivo de orgulho para a nação; mas, ao mesmo tempo em que amavam e juravam por aquela casa, eles se esqueceram de Deus. Agora o Senhor estabelece um enorme contraste entre a aparência deste e do primeiro templo para que em sua adoração eles pudessem se voltar apenas para Ele, e não para os ornamentos materiais daquela casa (cf. Je 7.1-4). Com isso também se mostrava ao povo a sua incapacidade e limitações para a realização daquela obra; eles deveriam confiar mais em Deus, que os havia libertado da escravidão e do cativeiro, e que agora forneceria todo o poder e recursos de que precisassem para finalizar aquela grande obra. Ademais, desde que saíram do Egito o Senhor já habitava entre o povo sem a necessidade de qualquer templo, o santuário servindo apenas como um símbolo da Sua presença entre os israelitas (cf. Ex 25.8). O Senhor se fazia presente pelo Seu Espírito, dando-lhes segurança, livramento, providências, de modo que não tivessem falta de nada. Eles deveriam saber que, mais importante do que um templo suntuoso, era a promessa de que Deus habitaria entre eles – promessa da qual haviam se esquecido. 

III – HAVERÁ MAIOR GLÓRIA PARA ESTA CASA (VV. 8-9) O Senhor diz para o povo que a simplicidade daquela casa não era por falta de recursos, afinal os recursos de Deus não se esgotam: “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos”. Com esta afirmativa, o profeta quer dizer que, se fosse da Sua vontade, Deus proveria os recursos necessários para uma construção mais luxuosa até que o primeiro templo, porém, o projeto de Deus era tirar a atenção do povo do aspecto físico das coisas e conduzi-lo ao mais excelente, que é o espiritual. Esta é a mensagem central do livro, daí a importância do contraste entre a primeira e a última casa. É importante notar que o texto não diz: “primeira e segunda casa”, e sim primeira e última. E esta não é uma colocação óbvia e desnecessária. Por “primeira casa”, o texto se refere não apenas ao templo construído por Salomão, mas todas as demais construções físicas designadas como “casa de Deus”, como o tabernáculo e, naquela ocasião, o templo que estava sendo construído por Zorobabel; e depois o de Herodes, que na verdade foi uma ampliação do mesmo. E, por “última casa”, entendemos tratar-se do que seria edificado por Jesus Cristo através da Sua morte e ressurreição – o verdadeiro santuário, não edificado por mãos humanas, e que é a igreja, o Corpo espiritual de Cristo, onde está a verdadeira presença de Deus em Espírito. Tudo o que se identificava, ou que vier a se identificar depois disso, com essa “primeira casa” já foi destruído e não mais existe; a “última casa”, contudo, uma vez levantada, permanecerá de pé para sempre, e não poderá jamais ser destruída, assim como nenhum imundo nela não pisará (cf. Jo 2.19-22; Ap 21.1-3,10). 

CONCLUSÃO O povo de Deus deve sempre andar por fé e não por vista. Nunca deve julgar o agir de Deus por aquilo que observa, pois Ele prometeu que estará presente todos os dias, mesmo havendo dificuldades. E há a promessa ainda maior de que um dia haverá apenas um povo diante do Senhor para sempre. Portanto, não perca a coragem e o ânimo e trabalhe na obra enquanto é dia.

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10 junho 2021

011-O desinteresse do povo pela obra de Deus - Ageu Lição 01[Pr Afonso Chaves]08jun2021

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LIÇÃO 11 

O DESINTERESSE DO POVO PELA OBRA DE DEUS 

TEXTO ÁUREO: “E o Senhor levantou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, príncipe de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e o espírito do resto de todo o povo, e vieram e trabalharam na Casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus”. (Ag 1.14) 

LEITURA BÍBLICA: AGEU 1.1-15 

INTRODUÇÃO Tendo encerrado uma série de lições sobre a epístola aos Gálatas, reservamos o final deste trimestre para estudar ainda o livro do profeta Ageu. Através deste profeta, Deus apontou três principais problemas que estavam acontecendo entre o povo e que também acontecem em todo o tempo no meio do povo de Deus, quais sejam: o desinteresse, o desencorajamento e a insatisfação do povo com as coisas de Deus. Estes temas serão o assunto desta e das próximas lições baseadas em Ageu, assim como veremos as soluções apresentadas por Deus para tais problemas. 

I – PROJETOS PESSOAIS EM DETRIMENTO DOS ESPIRITUAIS (VV. 1-4) O Senhor libertou o povo de Israel do cativeiro com objetivo claro de que a cidade de Jerusalém e o templo fossem reconstruídos. Isso no início ocorre com muito fervor, porém, com a oposição dos inimigos do povo de Deus e as dificuldades próprias da obra, o povo logo se desanima. Conforme as datas apresentadas por Esdras (1.1, 3.1, 2) e Ageu (1.1), a obra fica parada por mais ou menos 17 anos. Os maiores opositores da reconstrução do templo haviam sido os samaritanos, os quais impediram os judeus de terem acesso à madeira necessária para a obra (Ed 4.1-5). Dessa forma, o povo se volta às suas tarefas e projetos pessoais, edificando e adornando suas próprias casas, enquanto os interesses espirituais, representados então pelo templo, ficam para um tempo oportuno no futuro. Observa-se que, por outro lado, não havia a mesma resistência por parte dos samaritanos aos projetos pessoais dos judeus, já que estes conseguem facilmente madeira para as suas casas; o problema dos inimigos do povo de Deus era com a reconstrução do templo. Porém, enquanto os inimigos estão contentes e não oferecem resistência aos projetos pessoais dos judeus, o Senhor não está satisfeito com o Seu povo. A desculpa deles era que ainda não era tempo de edificar o templo. Não havia boas colheitas, bons salários e não havia satisfação no povo. Contudo, o Senhor levanta o profeta para exortá-los quanto ao seu equívoco e a razão das suas misérias. 

II – EXORTAÇÃO PARA O RETORNO À CONSTRUÇÃO (VV. 5-11) Aquele que aguarda um momento ideal para trabalhar para o Senhor nunca prosperará e nunca verá esse tempo chegar. O Senhor exorta o povo a considerar os seus próprios caminhos. Aquilo que faziam estava saindo conforme planejado, ou estava sendo em vão? Conforme a palavra do Senhor, tudo o que faziam era uma ilusão; os resultados não eram os esperados, e isso porque o Senhor havia fechado as janelas do céu e não permitiria que o povo prosperasse. A razão desse castigo estava no abandono da obra de Deus; enquanto o povo construía belas casas, a casa de Deus estava abandonada. Haviam perdido totalmente o objetivo principal de terem sido libertados do cativeiro. O Senhor atrelava a prosperidade do Seu povo ao envolvimento com a Sua obra. Nisto se vê a diferença em homens do passado, como Davi, que ficava incomodado de habitar em um palácio enquanto a arca estava em uma tenda (2 Sm 7.1, 2). Mas o sentimento daqueles judeus era o contrário. O apego do homem a este mundo cega totalmente sua visão. Tanto esforço e trabalho material que não resulta em nada, e o homem não consegue perceber a desgraça espiritual em que se encontra; porém, o Senhor é misericordioso e mostra ao povo onde está o seu erro, concedendo-lhe uma nova oportunidade de trabalhar em Sua seara. 

III – DEUS DESPERTA O POVO PARA O TRABALHO (VV. 12-15) A partir do verso 12, nota-se que é o próprio Deus que reanima, primeiramente os líderes, e depois todo o povo, para o trabalho. Assim como em Esdras lemos que nem todos voltaram do cativeiro, senão aqueles cujo espírito Deus despertou, para este trabalho vale o mesmo princípio. A palavra de Deus surtiu um efeito poderoso na vida dos líderes e do povo – o temor. E, como diz o texto sagrado, eis aqui o princípio da sabedoria. Isso ocorreu após o povo dar ouvidos à voz de Deus e, em consequência, veio o despertamento de Deus sobre todos, que então deixaram os seus próprios interesses e se apegaram aos de Deus. Deus deixa o povo entregue à sua própria sorte por um momento, mostra onde está a sua desgraça e depois revela que Ele próprio é a solução para as ansiedades e aflições humanas – sem Ele tudo é inútil e perdido. É Ele mesmo que envia os profetas e as mensagens de despertamento. Dessa forma vê-se também a importância da pregação da Palavra de Deus no meio do povo, porque é através dela que se inicia todo despertamento e avivamento. 

CONCLUSÃO A principal causa do desinteresse pela obra de Deus se inicia quando os projetos humanos são colocados em primeiro lugar. E esta é uma estratégia do maligno no presente século, ocupar o homem com projetos terrenos para que este não tenha tempo para Deus. Porém, o chamado de Deus para o trabalho é urgente e todo tipo de bênção está reservada para aqueles que se envolvem com a obra de Deus.

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02 junho 2021

010-Últimas exortações e despedida - Gálatas Lição 10[Pr Afonso Chaves]01jun2021

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LIÇÃO 10 

ÚLTIMAS EXORTAÇÕES E DESPEDIDA 

TEXTO ÁUREO: “Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”. (Gl 6.17) 

LEITURA BÍBLICA: GÁLATAS 6.1-18 

INTRODUÇÃO Paulo em suas últimas palavras dessa carta exorta os irmãos a viverem a verdadeira lei de Deus que é o amor. Por esta lei o novo homem deve se apresentar sempre para servir ao seu próximo, e se afastar do seu mundo de aparência que somente leva ao egocentrismo. E por fim destaca que o evangelho da cruz traz marcas de renúncia. 

I – O EVANGELHO É PRATICADO NO SERVIR AO PRÓXIMO (VV. 1-10) Os cristãos têm, sim, uma lei a cumprir – a lei de Cristo, que só podem cumprir sendo guiados pelo Espírito. Essa direção espiritual leva a um serviço mútuo dentro da comunidade em que estão inseridos. Cristo cumpriu a lei morrendo na cruz e deu aos cristãos um novo mandamento: amar ao próximo como a si mesmos, assim como Ele os amou. Dessa maneira, enquanto a antiga lei colocava um fardo de preceitos e regras sobre os irmãos, que os mais fracos não conseguiam cumprir, e assim constantemente acusados pelos mais fortes; a lei de Cristo é diferente – ela alivia o homem deste fardo e recomenda que os espirituais tratem com amor aqueles que porventura forem surpreendidos em alguma falha, considerando-se a si mesmos como também sujeitos às mesmas fraquezas. Cada um deve se examinar para ver se suas obras são boas e então se alegrar em si mesmo, contudo, não deve exigir as mesmas coisas dos outros irmãos; ao contrário, deve ajudá-los. Afinal, aquele que semeia na carne colhe apenas uma coisa: a corrupção; ao passo que o que semeia no espírito ceifará a vida eterna. Portanto, deve-se sempre buscar fazer o bem e principalmente aos domésticos da fé e da família (1 Tm 5.8). 

II – O EVANGELHO NOS SEPARA DO MUNDO DAS APARÊNCIAS (VV. 11-15) Era terrível a estratégia dos judaizantes contra aqueles novos convertidos – convencê-los a se circuncidarem para que evitassem a perseguição da cruz; e com isto ainda poderiam se vangloriar de terem conseguido trazer estes para o judaísmo. Contudo, o evangelho da cruz não compactua com essas dissimulações; não há meio termo para aquele que conhece a Cristo; não há o que esconder. Paulo é enfático em dizer que o mundo está crucificado para o cristão assim como o cristão para o mundo, desta maneira as marcas aparentes na carne não têm sentido algum. O que importa mesmo é ter a vida transformada e livre desses fardos pesados que a religião impõe sobre os seus adeptos. Cristo se manifestou para aliviar o homem e dar descanso para sua alma (Mt 11.28-30). A ideia de mundo para Paulo é de que todo homem tem um propósito para viver. Tanto os judeus – a circuncisão – como os gentios – a incircuncisão – têm no seu mundo um significado; contudo, diz Paulo que em Cristo tanto uma coisa como outra não têm nenhum valor, mas sim ser uma nova criatura (cf. Cl 3.9-11). 

II – O EVANGELHO NOS SEPARA DO MUNDO DAS APARÊNCIAS (VV. 11-15) Era terrível a estratégia dos judaizantes contra aqueles novos convertidos – convencê-los a se circuncidarem para que evitassem a perseguição da cruz; e com isto ainda poderiam se vangloriar de terem conseguido trazer estes para o judaísmo. Contudo, o evangelho da cruz não compactua com essas dissimulações; não há meio termo para aquele que conhece a Cristo; não há o que esconder. Paulo é enfático em dizer que o mundo está crucificado para o cristão assim como o cristão para o mundo, desta maneira as marcas aparentes na carne não têm sentido algum. O que importa mesmo é ter a vida transformada e livre desses fardos pesados que a religião impõe sobre os seus adeptos. Cristo se manifestou para aliviar o homem e dar descanso para sua alma (Mt 11.28-30). A ideia de mundo para Paulo é de que todo homem tem um propósito para viver. Tanto os judeus – a circuncisão – como os gentios – a incircuncisão – têm no seu mundo um significado; contudo, diz Paulo que em Cristo tanto uma coisa como outra não têm nenhum valor, mas sim ser uma nova criatura (cf. Cl 3.9-11). 

III – O EVANGELHO TRAZ A MARCA DA RENÚNCIA (VV. 16-18) A mensagem principal de Paulo é de que o novo homem deve se preocupar em viver e andar de acordo com a vontade de Deus. Com isso repousará sobre ele a paz de Deus conquistada por Cristo na cruz, assim como a misericórdia. É de acordo com essa forma de viver que se pode identificar o verdadeiro Israel de Deus. Uma das figuras preferidas de Paulo para se referir à sua própria comunhão com o Senhor Jesus Cristo é a do escravo. Por isso diz para ninguém mais inquietá-lo, pois trazia no corpo a marca de Cristo, assim como os escravos eram marcados com a identificação de seus donos – Paulo usa a mesma linguagem para expressar sua relação com seu Senhor – Cristo (Ez 9.4; Ap 7.2, 3). Por certo, tais marcas não eram de aplausos e tão pouco de aprovação humana, mas de renúncia e de sofrimento por amor ao evangelho. E isto também servia para demonstrar que o ministério e apostolado de Paulo eram incontestáveis (Mt 5.10; 16.24, 25). E assim ele termina sua carta com uma bênção sobre os irmãos. 

CONCLUSÃO O verdadeiro evangelho sempre será exercido sobre a base do amor ao próximo, não importando as diferenças, e a única forma de viver esse amor é pelo Espírito Santo habitando no novo homem e tendo pleno controle de sua vontade. É seguir os passos do nosso Senhor, que renunciou a Si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Que cada um nós verdadeiramente possamos renunciar ao nosso próprio ego e viver mais por aqueles por quem Cristo morreu. Assim cumpriremos a verdadeira lei de Cristo.

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26 maio 2021

009-As obras da carne e o fruto do Espírito. - Gálatas Lição 09[Pr Afonso Chaves]25mai2021

 

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LIÇÃO 9 

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO 

TEXTO ÁUREO: “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”. (Gl 5.16) 

LEITURA BÍBLICA: GÁLATAS 5.16-26 

INTRODUÇÃO O assunto desta lição é a rivalidade que há entre as duas naturezas existentes do homem – a carne e o espírito. Paulo utiliza em sua teologia o termo carne no sentido da natureza pecaminosa do homem, e espírito no sentido da natureza divina, da mente de Cristo, implantada naquele que foi alcançado pela graça de Deus. E uma natureza se opõe à outra para não permitir que o homem faça o que quer. 

I – AS CONCUPISCÊNCIAS DA CARNE (VV. 16-18) O homem possui duas naturezas – a carnal e a espiritual; ele é carnal no sentido de um ser físico, mas também porque é através desta natureza que se manifestam as obras da carne, ou seja, comportamentos desenfreados que não condizem com a nova natureza proposta por Deus pelo Seu Espírito presente no homem. Não há possibilidade de o homem viver de acordo com ambas, pois são de natureza totalmente opostas e incompatíveis. Andar na carne é dar vazão aos desejos e sentimentos naturais do homem que ofendem a santidade de Deus; no entanto, andar no espírito é ser guiado unicamente pela vontade de Deus. Dessa forma Paulo diz aos gálatas que o remédio para as disputas que ocorriam entre eles é andar no espírito, e assim não seriam cumpridas as concupiscências da carne. Esta peleja é comum dentro do homem porque, de acordo com o seu homem interior – o espiritual – ele deseja agradar a Deus, porém, o carnal busca agradar os desejos da natureza humana. Este tema também é tratado por Paulo em Romanos, onde ele afirma que, quando o homem faz o que a sua carne deseja, ele não agrada a Deus, pois, na realidade, é o pecado que habita nele que o leva a desobedecer à vontade de Deus, prevalecendo assim a vontade humana que é sempre má. Ele ainda diz que ha uma lei nesta natureza carnal que batalha contra a lei do seu entendimento, que é espiritual. Mas Paulo dá graças a Deus por Jesus Cristo ter lhe dado poder para vencer a carne – a saber, andando no espírito (Rm 7.17, 20, 23; 8.1, 2) 

II – NATUREZA CARNAL OU ESPIRITUAL (VV. 19-23) A partir do que já foi dito se depreende o prejuízo de retornar às observâncias da lei, pois isto é abandonar o Espírito para andar na carne. E as obras da carne se manifestam: prostituição, que é um termo geral para a imoralidade sexual; impureza, que inclui toda sorte de corrupção sexual; e lascívia, que é uma vida deliberada nestes tipos de pecado. Os pecados na área da religião: idolatria, que além de devoção aos ídolos é também tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus na vida do homem; e heresia e feitiçaria, que são falsas imitações da manifestação de Deus (Ap 9.21; 18.23). Ainda existem os pecados na área dos relacionamentos, que incluem todo tipo de inimizades: porfias, que são disputas por conta de egoísmos; dissensões e facções, que nada mais são que exibição de espírito partidário; invejas, que estão relacionadas com as formas de pecado anteriores, até alcançar o ápice que são os homicídios. Por fim, a falta de controle de coisas que trazem algum prazer carnal. Diz Paulo que quem pratica tais coisas não herdará o Reino de Deus (Ef 2.3). Na contramão de tudo isso está o fruto do Espírito. É interessante notar que, em todos os escritos de Paulo, fruto se encontra no singular para destacar que o Espírito não produz vários frutos no cristão, mas sim a presença do próprio Senhor que é o suficiente para o crente agir segundo toda a vontade de Deus. Dessa maneira, o fruto do Espírito é a própria forma de viver do Senhor Jesus Cristo: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Rm 8.14; Ef 5.1). 

III – O CRISTÃO DEVE SER GUIADO PELO ESPÍRITO (VV. 24-26) Assim Paulo encerra seus argumentos iniciados no verso 15 sobre os problemas causados nas igrejas na Galácia por conta daqueles que estavam retrocedendo à observância da lei, pois este tinha sido o estopim da vida na carne e estava levando os gálatas a julgarem uns aos outros. E a recomendação de Paulo é que andassem guiados pelo Espírito, pois esta é a única forma de não cumprir os desejos carnais. Os cristãos têm que ter uma identidade com a cruz de Cristo, ou seja, crucificar o velho homem com os seus feitos e viver em novidade de vida – o que implica principalmente no amor ao próximo, que é totalmente oposto à vanglória que estava dominando os seus corações. 

CONCLUSÃO Uma vida controlada pela carne aflora num comportamento humano dominado pelo pecado, mas uma vida controlada pelo Espírito demonstra um novo homem criado segundo a imagem de Cristo. No primeiro caso não há preocupação em agradar a Deus, mas a si mesmo; enquanto no segundo se busca a glória de Deus. Esta é a vida que o Senhor nos deu, que tem como principal característica: amar a Deus e ao próximo.

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19 maio 2021

008-A Liberdade Cristã - Gálatas Lição 08[Pr Afonso Chaves]18mai2021

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LIÇÃO 8 

A LIBERDADE CRISTà

TEXTO ÁUREO: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a metervos debaixo do jugo da servidão”._(Gl 5.1) 

LEITURA BÍBLICA: GÁLATAS 5.1-15 

INTRODUÇÃO A partir deste capítulo Paulo passa à lição prática de tudo o que, até aqui, havia instruído na teoria. A verdadeira liberdade está em Cristo e, embora existam opositores ao evangelho da liberdade, estes não devem ser seguidos, porque sua doutrina causa muito mais animosidade entre os irmãos do que o verdadeiro amor que há em Cristo. 

I – A VERDADEIRA LIBERDADE ESTÁ EM CRISTO (VV. 1-6) Uma grande dádiva que Cristo conquistou através da Sua morte na cruz foi a garantia da liberdade para aqueles que creem. O homem estava escravizado pelo pecado e vivia em total ignorância, entenebrecido no entendimento, separado da vida de Deus, os judeus no seu legalismo e os gentios no paganismo; contudo, através de Cristo o homem está livre. Assim Paulo exorta os gálatas a colocarem em prática essa liberdade (Jo 8.31-34; Lc 4.18-21). Porém, os gálatas estavam desprezando a palavra que operara neles esta liberdade e tornando a se submeter ao jugo da servidão. Uma vez que estavam dando atenção aos judaizantes para se circuncidarem, estavam, assim, abandonando a Cristo. Afinal, para os judaizantes a circuncisão era condição para ser salvo; nesse caso, qual era a razão de Cristo na vida dos gálatas? E quem se submete à circuncisão está se submetendo a toda a lei, e não apenas parte dela. E, como já estudado, a justiça é alcançada pelo espírito da fé, e não pela lei. Quem está na lei está sem Cristo, quem está em Cristo está livre da lei. E em Cristo o mais importante não é a circuncisão ou a incircuncisão, mas sim a fé que opera pelo amor. 

II – OS PERTURBADORES SOFRERÃO A CONDENAÇÃO (VV.7-12) Os gálatas estavam caminhando bem, mas foram impedidos de continuar na caminhada da salvação. E a estratégia usada pelos judaizantes não era nova, mas bem antiga – a persuasão a desobedecer a verdade. Para tal, eles apresentavam um novo entendimento, ou um acréscimo que não existe naquilo que o Senhor determinou. Desta mesma forma a serpente enganou Eva no jardim, impedindo o homem de continuar caminhando na presença de Deus (2 Co 11.3). Os irmãos estavam sendo afastados da simplicidade do evangelho para abraçar um outro evangelho de obras, tão complexo que nem mesmo os adeptos dos judaizantes conseguiam suportar. Evidentemente, tal persuasão não provinha de Deus, mas sim daqueles que tinham o propósito de transtornar a obra de Deus. E, infelizmente, um pouco de fermento leveda toda massa (1 Co 5.6-8). Tais perturbadores sofreriam a condenação pela perturbação daqueles que estão em Cristo. Desde o Primeiro Testamento já existiam os tais que se opunham ao querer de Deus e assim inflamavam toda a congregação, como por exemplo: os dez espias, Corá, Datã e Abirão; e no Novo Testamento existiram homens amantes de si mesmos. Por isso Paulo diz que estes tais que se encontravam no meio da congregação deveriam ser cortados (Nm 14.2; 16.1-3; 2 Tm 3.1-9). 

III – A VERDADEIRA LIBERDADE RESULTA EM SERVIR AO PRÓXIMO (VV. 13-15) Não se pode permitir que a libertação dos fiéis em relação à lei ou aos rudimentos do mundo seja ocasião para que deem liberdade à carne. Afinal, embora sejamos livres dessas coisas, somos servos de Deus; e, neste ponto, Paulo destaca a diferença que há entre servir à carne e ao Espírito, assunto que será mais bem desenvolvido na próxima lição. Mas ele já adianta que a carne causa escravidão e a vida no Espírito, liberdade, mas para servir aos irmãos. Enquanto a carne traz consigo egoísmo, a vida no Espirito é altruísta (1 Pe 2.15, 16). A liberdade em Cristo enche o coração de amor; em contrapartida, a vida de escravidão enche o coração de ódio. O legalismo sempre levará seus adeptos a observarem a vida alheia mais até do que as suas próprias, com o propósito de buscar o menor erro na vida do irmão para acusá-lo e corrigi-lo. Porém, a recomendação da lei é amar o próximo como a si mesmo, e isto quer dizer: trabalhar em prol do irmão, e não buscar a sua destruição. 

CONCLUSÃO A essência do evangelho é o amor ao próximo, que é a marca da verdadeira liberdade, e não ocasião para viver em pecado. Devemos permanecer na liberdade com que Cristo nos libertou e buscar incansavelmente o bem-estar dos nossos irmãos, pois assim cumpriremos a lei de Deus, que é amá-l’O sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.

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12 maio 2021

007-Sara e Agar, alegoria dos dois concertos - Gálatas Lição 07[Pr Afonso Chaves]11mai2021

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 LIÇÃO 7 

SARA E AGAR, ALEGORIA DOS DOIS CONCERTOS 

TEXTO ÁUREO: “Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre”._(Gl 4.22) 

LEITURA BÍBLICA: GÁLATAS 4.21-31 

INTRODUÇÃO Antes de passar à exortação prática da vida cristã, Paulo encerra seu argumento sobre a diferença entre a lei e a graça apresentando uma figura incontestável encontrada no Primeiro Testamento que diz respeito ao filho da escrava e ao filho da livre. Ambos provinham de Abraão, contudo, o primeiro era de natureza humana e o outro de natureza espiritual, e como o filho da escrava não pode herdar a promessa com o filho da livre, o apóstolo fecha aí a sua idéia. 

I – OS DOIS FILHOS DE ABRAÃO (VV. 21-24) Embora a carta seja direcionada aos fiéis dentre os gálatas, neste ponto Paulo chama a atenção dos judaizantes para a sua própria demagogia. Pois, sendo defensores da lei, não estavam dando a devida atenção à natureza do Primeiro Testamento, que continha a sombra dos bens futuros e no qual o Senhor apresentava, em figuras, tanto o que é de natureza humana quanto o que é de natureza espiritual. É o caso dos filhos de Abraão. É muito importante notar que o primeiro acontecimento na vida de Abraão é a promessa de Deus de que Ele lhe daria um filho. Em que pese a esterilidade de sua esposa legítima e sua idade avançada, a promessa já estava confirmada por Deus e Abraão creu na promessa. Portanto, na dimensão espiritual, o filho de Abraão prometido por Deus já existia, embora ele ainda não o visse. No entanto, alguns anos à frente, acontece um arranjo humano por parte de Sara para que Abraão tivesse o seu tão desejado filho, porém, este que nasce não é o da promessa de Deus, mas sim “segundo a carne”, isto é, pela vontade humana. Paulo então relaciona esta situação com os dois concertos: a lei e a graça. O concerto do Monte Sinai está representado no filho carnal de Abraão, o filho da escrava – Agar – e, tal como nesta relação, gera filhos para a servidão. 

II – SOMOS FILHOS DA PROMESSA, COMO ISAQUE (VV. 25-28) Conforme se observa em todo o Primeiro Testamento, a Jerusalém terrena, gerada a partir do Monte Sinai, não conseguiu manter-se na observância das leis de Deus e permaneceu em total escravidão, embora o Senhor enviasse os seus profetas para corrigi-los o tempo todo. Contudo, “a Jerusalém que é de cima”, a celestial, a qual é mãe de todos os que creem, é livre – isto é, a igreja sob o Novo Concerto é formada por aqueles que foram gerados pela graça – o que, na alegoria, corresponde também a Sara e ao filho da promessa, Isaque. E é esta Jerusalém que sobressai a todos os montes e outeiros, é dela que sai a Palavra de Deus; é a ela que concorrerão todos os povos para aprenderem diretamente de Deus. Nota-se que aqui também está presente um dualismo entre o natural e o espiritual. Aquele que não é de Deus enxergará apenas o físico e continuará como Ismael – filho da escrava; no entanto, quem é Deus ouvirá a Palavra de Deus e será gerado de novo, do alto; não da vontade do varão, nem da carne, mas de Deus, para ser livre como Isaque (Is 2.2; Jo 1.12, 13; Hb 12.22; Ap 3.12). 

III – PERSEGUIÇÃO DOS CARNAIS CONTRA OS ESPIRITUAIS (VV. 29-31) Mais uma vez Paulo qualifica aqueles judaizantes que perturbavam as igrejas, agora, como perseguidores do evangelho, relacionando isto também com o fato de que o filho da escrava perseguia e zombava do filho da livre. Este é o enredo do Primeiro Testamento: a perseguição infligida aos que tinham a promessa de Deus. Isso é visto na vida de Jacó, assim como na de José etc.; tal perseguição era causada pela inveja que se tinha daquele que era possuidor da promessa. Esta perseguição alcança, portanto, o Novo Testamento, como a realidade da batalha entre aquele que é carnal e o que é espiritual. Ela se estabelece então entre os gentios, que agora são considerados como filhos, e isso desperta o ciúme e a inveja do filho mais velho – os judeus. Tal situação é bem esclarecida por Jesus na parábola dos dois filhos (Lc 15.25-32). Esta palavra de Paulo aos gálatas tinha o objetivo de fazê-los refletir sobre estas duas situações. De que lado estavam os judaizantes, perturbadores do evangelho, e de que lado eles – os gálatas – deveriam permanecer, uma vez que eram filhos, não da escrava, mas da livre. 

CONCLUSÃO Paulo toma como alegoria os dois filhos de Abraão para esclarecer ao gálatas que a perseguição que estavam sofrendo por parte dos judaizantes já estava prevista por Deus. Bastava eles observarem a natureza dos dois filhos – Ismael e Isaque – e aplicar isso no tempo presente. Assim como aquele que nasceu por um ajuste humano não herdou as promessas, assim também acontece hoje, pois apenas aqueles que são da promessa tomarão posse da herança. Tal situação causa a perseguição entre os que são carnais e os espirituais. Contudo, os gálatas deviam permanecer como os espirituais.

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06 maio 2021

006-De escravos a filhos de Deus - Gálatas Lição 06[Pr Afonso Chaves]04mai2021

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LIÇÃO 6 

DE ESCRAVOS A FILHOS DE DEUS 

TEXTO ÁUREO: “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo”. (Gl 4.7) 

LEITURA BÍBLICA: GÁLATAS 4.1-20 

INTRODUÇÃO Nesta lição será abordada outra figura utilizada por Paulo para explicar a razão do período em que a lei esteve vigente – a figura do herdeiro que, enquanto menino, em nada difere do escravo, necessitando por isso de tutor. Mas, assim como o menino passa a ser filho e herdeiro quando torna-se adulto, com a chegada da plenitude dos tempos, aquele que tem fé também se torna herdeiro da promessa. E assim a lição termina com a exortação sobre o erro de o filho tornar a se submeter a velhos rudimentos de servo. 

I – HERDEIROS, MAS AINDA SERVOS (VV. 1-5) O centro do argumento de Paulo está na figura do escravo e do filho. Ele explica que o herdeiro, enquanto menino, não tem direito legal sobre a herança e, no tocante aos bens do senhor da casa, está na mesma relação que o escravo, sem liberdade total para administrar a herança, embora seja senhor. Pior ainda, ele está debaixo de tutores (guardiões) e curadores (administradores) até tornar-se capaz de possuir a herança, no tempo predeterminado pelo pai. Dessa forma estavam os judeus sob a lei e os gentios sob os primeiros rudimentos do mundo. Tanto um grupo como o outro buscavam em seus esforços alcançar a herança, pois, ainda que os gentios não tinham as mesmas leis dos judeus, eles tinham os seus meios pelos quais pensavam agradar a Deus. Assim todos estavam na ignorância, debaixo de servidão, até que chegasse a plenitude dos tempos (Rm 2.11, 12). Esse termo, muito utilizado por Paulo, quer dizer o “tempo predeterminado por Deus” para que se manifestasse a posteridade de Abraão, o mistério de Deus que estava oculto e que foi revelado em Cristo. É neste tempo que o “menino” atinge a sua maturidade e já não precisa mais de tutores e curadores, ou seja, é quando o homem foi remido da escravidão da lei para assumir a posição de herdeiro. Com a manifestação do Senhor Jesus Cristo, Sua morte e ressurreição, foi efetuada a eterna redenção – todos que estavam debaixo de transgressão, tanto judeus quanto gentios, foram resgatados e remidos para receberem a adoção de filhos (Jo 1.11-13). 

II – O ESPÍRITO SANTO É O PENHOR DA NOSSA HERANÇA (VV. 6-8) Humanamente falando, atinge-se a maioridade após os dezoito anos e assim se alcança uma maior liberdade; espiritualmente, a maioridade é alcançada quando se recebe o Espírito do Filho de Deus. A partir desse momento o menino alcança um novo status dentro da família – o de filho. É quando o filho recebe o penhor da herança, pois ainda não pode tomar posse da sua totalidade (Ef 1.13, 14). A figura do penhor, no contexto de Paulo, não era apenas garantia, mas também era uma pequena demonstração do que se receberia no futuro, no caso de alguma negociação. Dessa forma, o Espírito é dado àquele que alcança status de filho, para que este tenha a garantia da herança e já usufrua de parte dela; e, se uma parte já é excelente, imagine a totalidade. Este é o propósito de Paulo: mostrar que, embora ainda estivessem na carne, eles já podiam usufruir do que o Senhor foi preparar para nós. Quanto aos gálatas, diz Paulo, antes de alcançarem a maturidade, os que dentre eles eram judeus estavam sob a lei, e os gentios serviam os que por natureza não eram deuses; ou seja, andavam em total cegueira espiritual. Debaixo dessa escravidão, eles seguiam os desejos do próprio coração e a condição deles era de filhos da ira, até que chegasse a plenitude dos tempos (Ef 2.2, 3). 

III – NÃO SE DEVE VOLTAR AOS VELHOS RUDIMENTOS (VV. 9-20) Então, Paulo mostra aos gálatas que houve uma progressão em suas vidas – da escravidão para a liberdade – e que, abraçando as obras da lei, eles estavam submetendo-se novamente à escravidão. E o apóstolo destaca que não foram eles que conheceram a Deus, antes eles foram conhecidos de Deus, ou seja, toda a obra realizada se iniciou em Deus (Is 61.1-3). Vivendo no paganismo não conheceram a Deus, contudo o legalismo também não levava ao verdadeiro conhecimento de Deus, embora dissessem ser filhos de Abraão, mas esse era apenas um conhecimento intelectual. Enquanto o verdadeiro evangelho, este sim, leva ao verdadeiro conhecimento de Deus, uma vez que é Deus que se revela nele ao homem através de Seu Filho – este é um conhecimento relacional. A partir do verso 10, Paulo deixa o seu argumento para fazer um apelo pessoal aos gálatas, quanto ao seu trabalho entre eles, pois não acreditava ter trabalhado em vão. E que, dizendo a eles a verdade a respeito dos judaizantes, não estava se fazendo inimigo dos gálatas, antes era um cuidado tal como de um pai para com o filho. Ele utiliza a metáfora das dores de parto para transmitir o seu sentimento e o seu esforço para ensiná-los até que Cristo fosse formado neles – em outras palavras, até que alcançassem a maturidade espiritual. 

CONCLUSÃO A presente lição mostrou que tanto os que estão debaixo da lei quanto os que estão debaixo do paganismo estão em servidão até ao tempo predeterminado pelo Pai. A verdadeira liberdade é alcançada a partir do reconhecimento do Pai, que coloca o “menino” em um novo status na sua família – o de filho e, portanto, herdeiro. E, uma vez nessa condição, não se deve retornar aos velhos preceitos e rudimentos, submetendo-se novamente à escravidão.

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