30 janeiro 2024

005-Repreensão aos reis e profetas de Judá - Jeremias Lição 05[ Pr Afonso Chaves]30jan2024

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LIÇÃO 5 

REPREENSÃO AOS REIS E PROFETAS DE JUDÁ 

TEXTO ÁUREO: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor.” (JEREMIAS 23.1) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 23.1-8 

INTRODUÇÃO Apesar de angustiado pela situação crítica do seu povo, pois seria melhor ser mensageiro de boas novas do que das duras palavras que Judá e Jerusalém precisavam ouvir naquela ocasião; o profeta mantém-se firme e fiel ao seu chamado, ainda que isto lhe custe muita inquietação e mesmo sofrimento físico. E, quanto mais se aproxima o tempo do terrível castigo, mais incisivo torna-se Jeremias tanto em declarar como se dará a assolação do seu povo, como também em apontar, dentre os pecadores, aqueles sobre os quais pesava maior culpa por tamanha desgraça. 

I – O SOFRIMENTO DE JEREMIAS E O DO POVO DE JUDÁ (CC. 20 E 21) A esta altura do seu ministério, Jeremias já havia anunciado diversas mensagens declarando a ruína de Jerusalém e de Judá, bem como apontado as causas dessa destruição nos pecados e na impenitência do povo. Reprovados em sua falsa piedade, privados das suas vãs esperanças e alertados quanto ao terrível castigo que os aguardava, os judeus rapidamente começaram a manifestar sua desaprovação às duras e intransigentes palavras do profeta. E, sendo já alvo de uma conspiração para matá-lo por parte dos seus concidadãos de Anatote, Jeremias agora é confrontado por uma autoridade em Jerusalém – Pasur, uma espécie de líder dos serviços do templo, e também falso profeta – que, incomodado com a palavra de Deus, manda castigar Jeremias e o prende no cepo, para humilhá-lo publicamente. Mas, ao invés de quebrar a determinação do profeta, o que ele consegue é selar a sua própria sorte: como falso profeta que anunciava paz a pecadores, Pasur e seus amigos veriam suas palavras caírem por terra, quando chegassem os dias do cerco da cidade e, ao contrário de paz, tivessem de confrontar, de todos os lados, o terror causado pelos caldeus (20.1-6). No capítulo seguinte, temos um episódio que, ao que tudo indica, ocorreu já nos dias do cerco da cidade, e que revela a lamentável cegueira espiritual do povo mesmo quando as palavras do profeta estavam se cumprindo aos seus olhos. Ao invés de finalmente compreender que estavam sendo castigados por Deus, Zedequias, último rei de Judá, fazia o povo resistir inutilmente a Nabucodonosor, e envia um certo Pasur – não o mesmo do capítulo anterior – para consultar ao Senhor através de Jeremias, na esperança de que Deus ainda operasse “segundo todas as suas maravilhas e o faça retirar-se de nós” (21.1-2). Mais uma vez, o profeta tem de lembra-los que Deus era contrário a Judá e Jerusalém, e a Sua vontade não era livrá-los, e sim entrega-los nas mãos dos seus inimigos: “Porque pus o rosto contra esta cidade para mal e não para bem, diz o Senhor; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele a queimará a fogo”. O próprio rei e aqueles que sobrevivessem às aflições não escapariam ao mesmo destino daqueles que haviam morrido e ainda morreriam durante o cerco (21.3-7, 10). Se realmente desejavam livramento, tudo o que poderiam esperar era ter a própria vida por despojo, mas isto se, ao invés de lutarem, eles se entregassem a Nabucodonosor (21.8-9). 

II – O CASTIGO DA CASA REAL E DOS FALSOS PROFETAS (CC. 22 E 23) No final do capítulo 21, o profeta faz um apelo à casa real, para que exercesse a justiça antes que a fúria do Senhor a consumisse; isto não contradiz a situação crítica e inescapável nos dias do cerco da cidade, mas apenas relembra uma mensagem de Deus dirigida aos reis de Judá num momento anterior. Assim, no capítulo 22, essa mensagem é apresentada de forma mais extensa e contextualizada. Se, ao Lições da Escola Bíblica Dominical 1º Trimestre de 2024 10 invés de oprimirem o povo, os últimos reis de Judá tivessem exercido a justiça, o Senhor os teria estabelecido com honra, e o palácio real (a “casa de cedro”) continuaria sendo sua residência (22.1-4). Porém, como insistiam em distorcer o direito do povo, do mesmo modo que o templo não livraria a cidade da destruição, o palácio de cedro não lhes serviria de abrigo (22.5, 13-16). De fato, Jeoacaz (aqui chamado Salum), filho de Josias, já havia sido levado pelo faraó para o Egito, e ali morreria (22.11-12; cf. 2 Cr 36.1-4). Do mesmo modo seu irmão, Eliaquim (aqui chamado Jeoaquim), instituído no trono pelo mesmo faraó, há pouco havia morrido e, embora tivesse reinado em Jerusalém, ao menos na morte não teria a honra de ser sepultado ali (22.18-19; cf. 2 Cr 36.5-6; 2 Rs 24.1, 6). E, subindo ao trono seu filho, Jeconias (ou Joaquim), tão perverso e vil quanto seus antecessores, não teria sorte melhor, mas antes seu destino já estava selado e terminaria seus dias em Babilônia (22.24-30; cf. 2 Cr 36.9-10). Devido ao seu governo perverso e injusto, os reis de Judá haviam se tornado como pastores que prejudicavam de toda a forma as ovelhas do rebanho de Deus (23.1-2). Mas, após visitar sobre esses maus pastores as suas maldades, o próprio Senhor sairia em busca das ovelhas, e isto faria não através de homens, mas de um renovo justo, um descendente de Davi que reinaria com justiça, e que salvaria todo o povo de Deus – uma clara alusão a Cristo Jesus, o bom e verdadeiro pastor, que deu a Sua vida por todas as ovelhas do rebanho (23.3-6; cf. Ez 34.10-16, 23-24; cf. Jo 10.11, 14-16). “Quanto aos profetas”. Assim prossegue o capítulo 23, agora Jeremias se dirigindo àqueles que, sendo reputados como porta-vozes da vontade de Deus, haviam trazido adultério e maldição sobre a terra, cometendo e incentivando outros a pecarem, e isto não em nome de um falso deus, mas em nome do Senhor (23.9-14). Apressavam-se em falar a visão do seu próprio coração para tranquilizar os pecadores, como se Deus pudesse ser “despistado” pelo simples fato de o pecador demonstrar interesse pela palavra do Senhor, quando esta é apresentada falsamente como se lhe fosse favorável (23.17-24). Enfim, eles haviam se feito, com suas palavras de mentira, um peso mais insuportável do que as próprias palavras de Deus, de modo que, depois de serem castigados, seriam de tal modo desmentidos e reprovados que se lembrariam mais do prejuízo que suas palavras lhes causaram, do que ameaças de castigo que haviam recebido da parte de Deus (23.33-40). 

III – UMA ESPERANÇA PARA OS QUE FORAM LEVADOS CATIVOS (CC. 24 E 25) Após um curto reinado, Jeconias (Joaquim) é levado preso para Babilônia, juntamente com um séquito de príncipes, ferreiros e carpinteiros de Jerusalém. Essa deportação de modo algum humilhou os que ficaram, mas antes gerou neles um falso sentimento de que haviam sido poupados por Deus, além de uma crescente revolta e anseio por resistir ao domínio babilônico, que resultaria na aliança de Zedequias com o Egito. O Senhor então revela a Jeremias, mediante a visão simbólica dos dois cestos de figos, que aqueles que foram levados em cativeiro, embora fossem tão pecadores como os que haviam ficado na terra, seriam alvo da misericórdia e graça de Deus, e eventualmente se converteriam, e então voltariam para a terra de Israel. Por sua vez, os que haviam ficado em Jerusalém morreriam e seriam visitados no seu pecado para nunca mais serem lembrados nem restaurados do cativeiro (24.1-10). O capítulo 25 reforça a esperança de uma restauração, pois aí temos uma carta especialmente dirigida àquela parcela do povo levada em cativeiro antes da queda de Jerusalém. O Senhor confirma o propósito corretivo do cativeiro, e anuncia que o caminho para a restauração do povo seria preparado em setenta anos, quando Babilônia, após ter servido de instrumento para castigar Judá e as nações, beberia ela mesma o cálice das suas abominações, e seria visitada com destruição (25.1-7, 11-13, 27-29). 

CONCLUSÃO Com a perspectiva de que os maiores responsáveis pelas assolações do povo de Deus eram seus reis, profetas e sacerdotes, a destruição de Jerusalém seria uma forma de cortá-los do meio do povo e preparar a terra para que, quando os cativos, convertidos pela graça de Deus, voltassem, não caíssem novamente sob a tirania, a injustiça e o engano de falsos pastores.

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23 janeiro 2024

004-Quando o castigo é a única solução - Jeremias Lição 04[Pr Afonso Chaves]23jan2024

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LIÇÃO 4 

QUANDO O CASTIGO É A ÚNICA SOLUÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Eis que estou forjando mal contra vós e projeto um plano contra vós; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações” (Jr 18.11) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 18.1-10 

INTRODUÇÃO As mensagens que estudaremos nesta lição confirmam o propósito de Deus, já apontado em textos anteriores, de castigar o Seu povo, não obstante todos os esforços para fazê-los se arrependerem dos seus pecados. A condição de Judá era aparentemente irrecuperável, o castigo sendo o único meio de por fim ao desvario da nação. Muitas considerações já feitas no estudo dos primeiros capítulos de Jeremias poderiam ser repetidas, não sem proveito; mas, ao invés disso, procuraremos destacar novos aspectos nessas mensagens que, do mesmo modo, contribuirão para nossa edificação e crescimento no conhecimento de Deus e de nós mesmos. 

I – O ORGULHO E O DESENGANO DE JUDÁ (CC. 13 E 14) No capítulo 13, encontramos o profeta se envolvendo com a mensagem de Deus em um aspecto já conhecido em outros profetas. Jeremias é instruído por Deus a comprar e utilizar um cinto – certamente à vista do povo – e depois levá-lo até o Eufrates e enterrá-lo próximo às águas do rio. Depois de muito tempo, o profeta é ordenado a voltar ao local, desenterra o cinto, e ei-lo apodrecido e imprestável. Então, o Senhor desvenda o significado simbólico e profético desse ato: “Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá” (13.1-9). Assim como um cinto atado aos lombos, Judá havia desfrutado de íntima comunhão e sido muito útil para Deus; mas a desobediência do povo havia transformado o que deveria ser motivo de honra em pretexto para soberba. Nada mais poderia abater essa soberba, senão o cativeiro além do rio Eufrates, onde, reduzidos a nada, veriam como haviam se tornado inúteis para Deus (13.10-11). Uma segunda mensagem ilustra como o povo de Judá estava tão confiado de que o castigo não o alcançaria que a parábola do profeta: “Todo odre se encherá de vinho” é recebida como uma declaração positiva de que Judá teria ainda maior alegria e deleite. Mas aqui o odre se enchendo de vinho aludia ao torpor e embriaguez moral ou espiritual do povo que, como castigo pela sua impenitência, seria ainda maior quanto mais se aproximasse o castigo, de tal modo que, quando chegasse o tempo, os pecadores seriam apanhados como ébrios em uma noite escura (13.12-13, 16). Notemos que, ainda neste capítulo, encontramos apelos ao arrependimento, ao mesmo tempo em que é cada vez maior a desesperança com um povo intrinsecamente maligno: “Pode o etíope mudar a sua pele ou o leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” (13.20-22, 23). A mensagem do capítulo 14 se dá no contexto de uma grande seca que havia se abatido sobre a terra, provocando grande sofrimento tanto a homens como animais pela falta de água e comida. O profeta reconhece o castigo de Deus e não nega os pecados de Judá que haviam atraído tamanha repreensão; mas, comovido com a aflição do seu povo, suplica pela misericórdia do Senhor (14.1-9). O Senhor responde, mas no sentido de que não os socorreria, e seria em vão Jeremias interceder por eles; ao que o profeta alega que o povo era enganado pelos “profetas”, que o faziam acreditar que haveria paz. Nada, porém, justifica o desengano de Judá, pois os profetas não falavam da parte de Deus – sugerindo que o povo podia deduzir que sua condição pecaminosa não resultaria em paz, mas em castigo, enquanto não se arrependessem (14.10-16). Ao invés de interceder, melhor seria que Jeremias se lamentasse sobre a destruição do seu povo, que certamente viria (14.17-22). 

II – APESAR DOS SEUS SOFRIMENTOS, O PROFETA SERÁ GUARDADO (CC. 15 E 16) No capítulo 15, prosseguindo em seu arrazoamento com o Senhor, o profeta tem de se resignar à revelação de que nem mesmo os maiores intercessores do seu povo seriam ouvidos pelo Senhor desta vez; mas com isto ele se lamenta por ter de anunciar uma mensagem tão dura, que o fazia ser hostilizado pelos seus conterrâneos (15.1-3, 10); ao que o Senhor lhe responde que o fortaleceria para enfrentar o tempo da calamidade, e que nesse tempo ele seria buscado pelos seus inimigos para que intercedesse em seu favor (15.11). Em seguida, o profeta indaga sobre sua sorte em meio à assolação do seu povo, e recebe de Deus a garantia de que teria sua vida por despojo, se tão somente se conservasse apartado do mal, e não cedesse a qualquer compromisso com os pecadores (15.15-21). A fim de ilustrar as calamidades que se abateriam sobre a nação, o Senhor mais uma vez toma o profeta e suas ações como exemplo, impondo-lhe restrições particulares – seja para que este não se casasse nem tivesse filhos, em alusão à morte pela espada e pela peste que acometeria os que nascessem na ocasião em que Judá fosse assolada (16.2-4); para que não frequentasse casas de luto, com isto sinalizando a chegada de um tempo em que os mortos não teriam quem os pranteasse, nem os enterrasse (16.5-7); tampouco frequentasse casas de festa e banquete, em sinal de que o Senhor faria cessar todo motivo para alegria e comemoração (16.8-9). 

III – A SOBERANIA DE DEUS SOBRE OS HOMENS (CC.18 E 19) Este capítulo 18 de Jeremias se assemelha em muitos aspectos ao seu paralelo em Ezequiel, pois aqui temos um claro testemunho de que Deus é soberano sobre as Suas criaturas, ao mesmo tempo em que lida com elas de acordo com a justiça (18.1-6). Ilustrando esta lição com a imagem de um oleiro trabalhando sobre o barro, o Senhor compara o Seu poder sobre Israel e sobre todas as nações ao do artesão sobre a sua matéria prima – tanto num caso como no outro, o destino da obra criada (o vaso, ou Israel) depende da vontade e do propósito daquele que a criou (o oleiro, ou Deus). De acordo com a vontade e o propósito de Deus, se o pecador se arrepender e agir em conformidade com a justiça, o vaso preparado para ira, para usar a linguagem paralela do apóstolo, se desfará; mas, caso o homem se desvie da justiça, a obra, ou o vaso para louvor e salvação é que se desfará nas mãos do Oleiro (18.7-10; cf. Rm 9.21-24; 2 Tm 2.19-21). E, de fato, naquela circunstância era Judá que estava sendo preparada como um vaso para ira, mas, caso se arrependesse, certamente essa obra se desfaria, e o povo seria refeito como vaso para louvor (18.11). Contudo, quando passamos para o capítulo 19, a terrível constatação de que o povo que havia escolhido ser vaso para desonra permaneceria nesta condição até o fim é ainda mais clara do que no anterior. Jeremias é ordenado a tomar uma botija de barro e, após anunciar o castigo de Judá e Jerusalém aos ouvidos dos anciãos, a quebrar o vaso aos seus olhos (19.1-10). A imagem e a simbologia do vaso do oleiro sem dúvida são as mesmas aqui; mas o fato de a botija de barro, uma vez quebrada, não poder mais ser refeita, ao contrário do vaso ainda moldável na roda do oleiro, reafirma que a nação já havia desperdiçado todas as oportunidades de arrependimento, e nada mais poderia curá-la do seu coração endurecido pelo pecado, restando apenas seguir até o fim o caminho que havia escolhido (v. 11; cf. Ap 22.11). 

CONCLUSÃO A mensagem de Jeremias continua atual para os nossos dias, ilustrando como o pecado pode se arraigar no coração a ponto de cauterizar os sentidos e não permitir que o homem vislumbre o fim para o qual está sendo precipitado, nem perceba a misericórdia e boa vontade de Deus, que o chama até o fim ao arrependimento, pois quer antes que ele viva, e não morra.

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18 janeiro 2024

003-Lamento e reprovação à desobediência - Jeremias 03[Pr Afonso Chaves]16jan2024

 

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LIÇÃO 3 

LAMENTO E REPROVAÇÃO À DESOBEDIÊNCIA 

TEXTO ÁUREO: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.23-24) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 9.1-14 

INTRODUÇÃO Depois de considerar a rebeldia do povo de Judá e o terrível castigo que se abateria sobre a nação, e que de nada adiantaria invocar o nome do Senhor, se não houvesse sincero arrependimento; o profeta apresenta novas razões para temer o pior que estava por vir, pois os pecados de Judá eram grandes e não podiam ficar impunes. Veremos que a consideração desses pecados despertava em Jeremias um profundo sentimento de empatia e compunção pelo povo, mas ao mesmo tempo o horrorizava e fortalecia em seu coração o desejo de que Deus manifestasse logo a Sua justiça. 

I – A SABEDORIA ESTÁ EM CONHECER O SENHOR E OS SEUS CAMINHOS Embora acreditassem que, por terem o templo de Deus entre eles, ao mesmo tempo em que ofereciam incenso à rainha dos céus e passavam seus filhos pelo fogo no vale de Hinom, praticamente às portas de Jerusalém, nutrindo assim uma falsa e ímpia esperança de proteção contra qualquer mal que pudesse se abater sobre eles; o Senhor já havia dito que a terra seria assolada, e todos os lugares que consideravam sagrados seriam profanados (8.1-3). Mas neste capítulo oito queremos chamar a atenção para a tristeza e decepção expressas pelo profeta – num reflexo do próprio desapontamento de Deus pela condição decaída do Seu povo. A contínua apostasia de Judá refletia uma ignorância, uma falta de sabedoria inexplicável, inferior até mesmo ao comportamento instintivo mais básico dos animais: “Cairão os homens e não se tornarão a levantar? Desviar-se-ão e não voltarão?” (8.4-7; cf. Is 1.3; Sl 49.20). Como podia ser este um povo especial dentre todas as nações, a propriedade peculiar do Senhor, que se gloriava em ter a Lei como guia, quando até os mais entendidos entre eles se entregavam às paixões mais vis dentre as nações, e não se envergonhavam de cometer as maiores abominações; e ainda insistiam acreditar e proclamar a paz na desobediência? (8.8-15). A lamentação que significa fraqueza, mas revela uma grave reflexão sobre a situação desesperada de Jerusalém e Judá; ao invés de ele mesmo criar falsas expectativas, Jeremias é realista e não vê motivos para se consolar, ou esperar uma melhora na situação do povo. Usando os argumentos que os pecadores apresentavam para justificar sua falsa segurança (e respondendo também aos que já haviam sido levados em cativeiro), o profeta reafirma que seria em vão esperar que o Senhor protegesse Sua morada (Jerusalém), quando o povo havia introduzido falsos ídolos ali; seria inútil contar com as virtudes e bênçãos proverbiais da terra da promessa, quando eles se haviam feito incuráveis pela sua impenitência, e desprezado toda oportunidade de salvação (8.18-22). O que restava então era chorar pelos mortos, que certamente seriam numerosos, mas até mesmo o profeta se via em dificuldade para isto, pois estava no meio de um povo impenitente que, ao invés de se juntar a ele na sua lamentação e pranto, preferia se deleitar e festejar no pecado (9.1-3, 4-6). Seu desejo, portanto, era se isolar daquele povo, porventura indo às terras já assoladas pelo castigo de Deus, e esperar que, numa situação onde nada mais pudesse mudar a sentença de juízo, alguém reconhecesse a justiça de Deus por ter assolado a terra (9.10, 13-14, 23-24). 

II – JUDÁ TROCOU O SENHOR PELOS ÍDOLOS E QUEBROU A ALIANÇA Aqui o Senhor mostra como o povo de Judá se havia feito incircunciso entregando-se às vaidades e superstições das nações vizinhas, que não conheciam ao Deus vivo que criou os céus e a terra, mas serviam aos ídolos fabricados por suas próprias mãos. Quando chegasse o tempo da visitação sobre as nações, os ídolos se mostrariam inúteis e incapazes de livrá-las, mas o Senhor seria exaltado pelos Seus juízos (10.1-15). E, ao fazer esta denúncia contra os deuses das nações, vemos aqui, ao mesmo tempo que a esperança de uma destruição não completa, uma não menos terrível declaração da gravidade do pecado cometido por Judá, pois o mal vindo do Norte para destruir as nações assolaria todas as suas cidades (10.20-23). Ao que o profeta clama ao Senhor para que castigue o Seu povo com medida, deixando o derramar completo da Sua ira para as nações que não O conhecem nem entendem os Seus caminhos (10.24-25). Uma segunda palavra dirigida a Israel (Judá) chama a atenção de Jeremias para o fato de que, havendo firmado um concerto com os pais, estes foram infiéis ao seu juramento, e não deram ouvidos à voz do Senhor, mas não escaparam ao castigo divino, conforme estabelecido nas próprias palavras do Concerto (11.2-5). O profeta agora é ordenado a lembrar aos seus conterrâneos o teor destas palavras, e o destino dos seus pais desobedientes, e a denunciar a conjuração, isto é, o esquema de traição em que o povo de Judá havia se envolvido, ao se voltarem para os ídolos das nações e quebrantarem o concerto de Deus (11.6-13), o que justificava o terrível castigo que estava prestes a acomete-los, e do qual não escapariam, pois, embora fossem amados por Deus, e plantados para produzir fruto, haviam se desviado de tal forma que seriam como que incendiados (11.15-17). 

III – A CONSPIRAÇÃO CONTRA O PROFETA Jeremias então é informado pelo próprio Deus de uma conspiração contra a sua pessoa, em razão das duras palavras que estava anunciando ao povo, mas o que lhe causa maior consternação é saber que os que desejavam mata-lo eram seus próprios conterrâneos, moradores de Anatote (11.18-23). Isto desperta a indignação do profeta, que não somente clama pelo castigo contra os seus conspiradores – o que o Senhor confirma que fará quando da visitação de Judá e Jerusalém – mas também questiona até quando terá de suportá-los prosperando em seus caminhos e na sua oposição à palavra do Senhor (12.1-2). O profeta estava seguro da sua inocência e sinceridade para com Deus; por certo, era acusado de desejar o mal do seu povo, e a origem divina das suas palavras era questionada no sentido de que não se cumpririam, e ele não veria o fim deles (12.3-5). Mas a resposta do Senhor a Jeremias é que, se isto lhe parecia difícil de suportar por muito tempo, o que ele faria se soubesse que seu próprio pai e irmãos estavam entre os que o aborreciam pelo seu ministério profético, dissimulando seu descontentamento com palavras boas que diziam na presença do profeta? Pois era exatamente este o caso – os da própria família de Jeremias tornando-se seus inimigos, e assim o profeta sendo orientado a não confiar nos homens, pois deles receberia apenas oposição e sofrimento (12.6; Mt 5.11-12; 10.36; 24.9; cf. Mq 7.5). 

CONCLUSÃO Nesta lição aprendemos que nada podemos esperar dos homens, pois, se o pecado não os impede de trair e abandonar o próprio Deus, que só deseja o seu bem e a sua salvação, que constrangimento terão em perseguir aqueles que denunciam os seus caminhos perversos? Esperemos apenas no Senhor, que é aqu’Ele que pode salvar e que, na ira, pode se lembrar da misericórdia.

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09 janeiro 2024

002-Quando o povo recusa a salvação - Jeremias Lição 02 [Pr Afonso Chaves]09jan2024

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LIÇÃO 2 

QUANDO O POVO RECUSA A SALVAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os teus maus pensamentos?” (Jeremias 4.14) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 7.1-16 

INTRODUÇÃO Tendo já introduzido os temas principais da profecia de Jeremias, prosseguiremos aqui considerando como Deus fala através deste profeta sobre a recusa do povo de Judá em aceitar a Sua proposta de reconciliação; sobre a sua obstinação no pecado e na impenitência; sobre o juízo divino, já determinado e do qual de modo algum escapariam se não se arrependessem; e das suas falsas e vãs esperanças. A fim de facilitar a distribuição da lição em tópicos, faremos um estudo mais temático abrangendo os capítulos 4 a 7, ao invés de seguirmos o texto na ordem em que se nos apresenta. 

I – DEUS AINDA ESTÁ DISPOSTO A PERDOAR Encerramos a lição anterior comentando sobre a disposição de Deus em perdoar e receber o Seu povo de volta, curando-os de suas muitas aflições; mas desde que se convertessem de coração, e não O servissem apenas da boca para fora. Uma verdadeira conversão significaria confessar o Senhor como único Deus e renunciar aos ídolos e seus altares; bem como reconhecer a justiça dos castigos que já haviam padecido pela sua desobediência e rebelião (3.22-25). Quem mais haveria de ganhar por voltar-se para Deus seria o próprio povo, que assim deixaria de “semear entre espinhos”, e evitaria a indignação que, uma vez derramada, seria como fogo que não poderia ser apagado (4.1-4; 6.8). Esta palavra nos lembra que, embora misericordioso e paciente, o Senhor não tem o culpado por inocente e que, sem arrependimento, o pecador não escapará ao castigo (cf. Na 1.2-3). O desejo de Deus é que o ímpio se converta, e viva, e mesmo na circunstância descrita por Jeremias, ainda que tivesse de castigar todo um povo rebelde, o Senhor perdoaria qualquer um deles que praticasse a justiça e buscasse a verdade (5.1-2; cf. Ez 18.4, 23). Contudo, em lugar de uma verdadeira conversão, o que se via entre eles era uma falsa piedade, e uma dureza de coração até diante dos maiores castigos de Deus, e a indiferença para com a Palavra tanto entre os pobres e ignorantes como entre os grandes e entendidos. De fato, todo o povo sabia o que Deus pedia deles, porque os profetas anunciavam e ensinavam a Palavra como atalaias tocando buzinas, de modo que ninguém podia se dar por desavisado; mas eles simplesmente não queriam obedecer (5.3-5; 6.16-17; cf. Mq 6.8). O Senhor antecipa então ao profeta que, apesar de todos os Seus esforços para avisá-lo e desviá-lo do seu caminho mau, o povo de Judá era contumaz e obstinado – não correspondia e não se deixava purificar, nem mesmo considerando que os castigos anteriores deviam ter servido para afastar o pecado de seus corações (6.29-30; cf. Lc 13.6-9; Tg 1.2-4; Hb 12.4-11). O propósito de Deus, já revelado no início da chamada de Jeremias, se confirma: o juízo virá sem falta, e o povo nada fará para mudar essa situação; seria inútil qualquer outro esforço, e o próprio profeta é orientado a não orar mais pelos seus conterrâneos (4.8, 28; 7.16). 

II – O JUÍZO SERÁ TERRÍVEL, MAS JUSTO, E NÃO SERÁ FINAL Ninguém ignorava a ameaça representada pelos caldeus à terra de Judá; e, logo no início do seu ministério, o profeta havia recebido a visão de que o mal sobre o seu povo viria do norte. Considerando então a gravidade dos pecados de Judá e a sua indiferença ante a diligência e insistência de Deus por convertê-los, é dado ao profeta um vislumbre do juízo a ser executado através da poderosa e violenta nação liderada por Nabucodonosor, já despertado com o intento de punir Judá e Jerusalém (4.5-7; 5.15-17; 6.22-24). Restava então somente lamentar pela tragédia que se abateria sobre essa terra, ou evitá-la antes que o exército caldeu chegasse – já que ninguém se arrependia, porventura alguém temeria o Senhor ao menos para atender ao alerta para escapar para longe (6.1-6; cf. Ex 9.20-21). O quadro da assolação do povo de Deus pelas mãos de uma nação ímpia e idólatra lhes parecia incompreensível e vergonhoso; mas, considerando que haviam abandonado o Deus vivo que lhes era tão chegado como nenhum dos ídolos das nações para os quais Judá e Jerusalém haviam se voltado, como puni-los de outra forma, senão entregando-os nas mãos dos seus inimigos, e assim mostrando – inclusive às nações pagãs – que foram destruídos porque abandonaram o Senhor Deus de seus pais (5.5- 9, 19-22; cf. Ez 36.17-20)? É especialmente sobre isto que o profeta se lamenta porque, conhecendo o Senhor, poderiam ter evitado esse juízo, mas, como loucos, fizeram de tudo para merecê-lo (4.19-22). Mas, finalmente, consideremos que, embora determinado, e terrível na sua execução, este juízo não seria final – o propósito de Deus não era fazer de Judá o mesmo que havia feito com as dez tribos do norte (Israel). A assolação seria grande e desesperadora o suficiente para aniquilar qualquer esperança vã de livramento e esmagar toda a presunção e obstinação; mas, ainda assim, não seria final (4.27; 5.10, 18). E, nestas breves palavras, percebemos a indicação de uma revelação ainda a ser desvendada através de Jeremias, mas já conhecida em outros profetas, acerca do remanescente que se converteria ao Senhor e voltaria para a terra após o cativeiro em Babilônia. 

III – AS ILUSÕES E FALSAS ESPERANÇAS DE UM POVO REBELDE Em grande parte responsáveis pela obstinação do povo no pecado, os falsos profetas são aqui denunciados pela primeira vez de uma forma breve, antes de uma acusação mais ampla em um momento posterior da profecia de Jeremias. Primeiramente, ao enganarem o povo com palavras de paz, lançavam descrédito sobre os profetas verdadeiros, que anunciavam a necessidade de arrependimento ante a iminência do juízo, e com isto os falsos profetas levavam o povo a desprezar a palavra de Deus (5.12-14). Mas, como um aspecto do castigo de Deus, esta seria uma forma de trazer ainda maior confusão sobre o povo de Judá e Jerusalém, pois, diante do terror e da espada, os enganadores seriam desmascarados, e os pecadores seriam apanhados na sua malícia (6.13-14; cf. Dt 13.1-5). Outro grande tropeço para que não se convertessem verdadeiramente ao Senhor era a vã esperança de que, por ser a cidade onde se achava a casa de Deus, o lugar que Ele havia para ali fazer habitar o Seu nome, nenhum mal sobreviria a Jerusalém, pois o Senhor jamais destruiria o Seu templo. E, por certo, era ali que, segundo a promessa do próprio Deus, eles haveriam de encontrar perdão, socorro e livramento de quaisquer males; mas quando e se tão somente se convertessem dos seus maus caminhos (7.2-7; cf. 2 Cr 7.12-14). Do contrário, alegar a santidade do templo como proteção contra a impiedade seria um discurso vão, como a tragédia que se abateu sobre o santuário em Siló, nos tempos de Samuel, justamente em razão do pecado dos sacerdotes e do povo (7.12-14; cf. 1 Sm 4.4-11). O Senhor desejava habitar não em uma casa feita por mãos de homens, mas com e no meio do Seu povo; para o que eles precisavam ser santos (Ex 25.8; Lv 20.26). Contudo, queimando incenso à rainha dos céus e sacrificando seus filhos nos altos de Tofete, Judá havia se contaminado e afastado Deus do meio deles; nesta circunstância, o templo servia apenas para alimentar a superstição do povo, e seria inútil para evitar a destruição, da qual inclusive faria parte (7.17-18, 31-34). 

CONCLUSÃO A profecia de Jeremias nos ensina, nos capítulos estudados nesta lição, que o Senhor é longânimo e paciente, e Sua misericórdia se estende além da razão e medida humana, não havendo limites para o quanto Ele pode perdoar. Mas ninguém pode enganar a Deus, pois Ele conhece os corações e sabe quando o arrependimento é verdadeiro e sincero, ou quando consiste apenas de palavras vazias.

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02 janeiro 2024

001-O chamado e a mensagem de Jeremias - Jeremias Lição 01[Pr Afonso Chaves]02jan2024

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LIÇÃO 1 

O CHAMADO E A MENSAGEM DE JEREMIAS 

TEXTO ÁUREO: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares” (Jeremias 1.10) 

LEITURA BÍBLICA: JEREMIAS 1.1-19 

INTRODUÇÃO Jeremias é um dos chamados profetas maiores da Bíblia e, assim como Isaías, Ezequiel e Daniel, seu livro contém uma série de mensagens da parte de Deus entregues em momentos e relacionadas a circunstâncias as mais diversas presenciadas pelo profeta durante o seu ministério. Em termos gerais, o teor, ou assunto da profecia de Jeremias não é diferente da de Isaías, Ezequiel e de alguns profetas menores, mas veremos que basta atentarmos para alguns particulares de cada mensagem para captarmos o tom peculiar deste profeta e as lições preciosas que Deus nos deixou através do seu ministério. 

I – O CHAMADO DE JEREMIAS (1.1-19) O nome Jeremias significa “o Senhor exalta”. Ele era filho de Hilquias, de uma família sacerdotal de Anatote, cidade situada a nordeste de Jerusalém, em terras da tribo de Benjamin. Seu ministério se estendeu por aproximadamente quarenta anos, tendo profetizado em Jerusalém desde o décimo terceiro ano do rei Josias até a destruição final da cidade, sob o reinado de Zedequias (1.1-3). Mas, mesmo depois disso, ainda o encontramos entre o povo que fora deixado na terra, e depois disso profetizando contra os judeus que haviam descido ao Egito e levado o profeta, contra a sua vontade, para lá. Ao chamar Jeremias para o seu ministério profético, o Senhor não apenas o incumbe de uma missão, mas revela a própria razão da sua existência, o propósito da sua vinda a este mundo. Portanto, a exclamação: “Ah! Senhor Jeová! Eis que não sei falar; porque sou uma criança”, embora possa significar que Jeremias ainda fosse muito jovem nesta ocasião; de qualquer modo, era inútil como desculpa, pois ele não falaria de acordo com o seu próprio entendimento, mas conforme as palavras de Deus: “Eis que ponho as minhas palavras na tua boca” (1.4-7, 9). E, para que o profeta não se intimidasse pelo teor da mensagem que teria de entregar, ou não temesse desfalecer ante as ameaças dos seus ouvintes, o Senhor lhe assegura Sua proteção, livramento e ainda o fortalece para se manter firme ante a obstinação e violência do seu povo (1.8, 17-19). De fato, Jeremias é notoriamente conhecido por suas dores, tanto em razão da angústia e tristeza que deixa transparecer em sua profecia ante a situação pecaminosa e impenitente da sua geração, como também pelas aflições que padeceu nas mãos dos seus conterrâneos, e ainda pela destruição da cidade de Jerusalém, do Templo e de todo o povo (cf. Jr 43.5-7; Lm 2.20-3.2). Jeremias foi chamado para ser profeta às nações – o que significa os povos de toda aquela terra, mas, em especial, os judeus. As dez tribos do norte com sua capital Samaria não mais existiam, e os babilônios haviam estabelecido um império incontestável em toda a região. Embora o profeta tenha presenciado, no começo da sua chamada, os esforços do piedoso rei Josias para purificar a nação da idolatria e restabelecer o culto a Deus, culminando na reforma do templo e na lei de Moisés sendo reencontrada; a verdade era que o derramar da ira de Deus sobre a nação já estava determinado, e nem mesmo os esforços deste rei impediram que, após sua morte, seus sucessores recaíssem na apostasia e arrastassem após si todo o povo (cf. 2 Cr 34.24-25). Assim, logo de início, o Senhor declara a Jeremias o teor da sua mensagem: a destruição iminente de Judá e Jerusalém pelas mãos dos caldeus. Na primeira visão, a vara de amendoeira simboliza a fidelidade de Deus em cumprir o que foi determinado e anunciado antes, tão certo como se pode esperar a flor e o fruto de uma árvore (cf. Ez 7.10-11). Na segunda, a panela a ferver virada para o norte representa os caldeus, entrando em Canaã pelo norte da terra e se aglomerando em torno de Jerusalém que, qual uma panela a ferver, arderia e se consumiria no fogo do juízo de Deus (cf. Ez 11.3; 24.2-6).  

II – JUDÁ ABANDONOU O SENHOR E SERÁ CASTIGADO (2.1-37) Nesta primeira mensagem, vemos apontada a infidelidade do povo de Judá, ao abandonar o Senhor e se esquecer dos Seus benefícios para se voltar aos falsos deuses. O profeta lembra aos seus conterrâneos como seus pais, tendo sido guiados através de um caminho perigoso e uma terra estéril, foram sustentados e guardados por Deus, e como aquela geração serviu apenas ao Senhor. Mas, depois de introduzidos numa terra farta e segura, quando tinham ainda menos razão para apostatarem, seus filhos logo se entregaram à vaidade, contaminando a herança do Senhor com o culto a Baal (2.1-8). Ao comparar Judá com outras nações, que jamais abandonaram seus deuses, a atitude daquele povo se mostrava ainda mais absurda e insensata – eles haviam deixado a certeza das águas de um manancial pela incerteza de uma cisterna rota, ou com vazamentos; de fato, era como se buscassem seu próprio mau, sua própria destruição (2.10-13, 17-19). Além de que, era uma tremenda ingratidão pagar os benefícios do Senhor com o mal, e esquecer-se daqu’Ele que só desejara e fizera o bem ao Seu povo (2.20, 21, 31-32). E, depois disso, ao ser castigado por Deus, na esperança de levá-lo a considerar o erro dos seus caminhos, o povo de Judá mostrou-se não apenas indisposto a ponderar a causa dos seus sofrimentos, mas ainda calou os profetas que foram enviados para fazê-lo compreender isso; e, na sua confusão, considerou-se injustamente punido e voltou-se para os falsos deuses, como se estes pudessem livrá-lo de suas aflições; portanto, nada mais restava, senão que este povo sofresse o juízo de Deus (2.26-30, 35). 

III – JUDÁ RECUSA SE RECONCILIAR COM O SENHOR (3.1-15) Para que entendessem a gravidade do seu pecado, o profeta aqui compara a contaminação de Judá não com a de uma mulher que, despedida pelo seu próprio marido, se une a outro e assim se torna impura; mas com a daquela que, não tendo sido despedida pelo marido, se prostitui com muitos amantes. Assim, mesmo tendo ainda mais motivos para repudiar Judá, o Senhor estava disposto a receber o Seu povo de volta – ainda que isto fosse, pela comparação do marido que recebe a mulher adúltera, uma situação vergonhosa – se tão somente Judá se arrependesse. É uma tremenda demonstração de misericórdia da parte de Deus, que, no entanto, era estendida a um povo de ouvidos moucos e dura cerviz; pois, apesar de tudo, eles ainda não se envergonhavam da sua prostituição, nem consideravam que Deus poderia livrá-los da miséria em que se achavam, se tão somente se lembrassem de onde haviam caído (3.1-5; cf. Lc 15.17-18). Ainda usando da mesma comparação, o profeta cita Israel – as dez tribos do norte – como uma mulher que, tendo se prostituído como Judá, também fora chamada ao arrependimento pelo seu marido, o Senhor, mas, não tendo dado ouvidos, permaneceu em suas prostituições até ser finalmente repudiada – o que aqui significa a destruição final do reino do norte. Judá devia tomar o caso de Israel como exemplo, mas, ao invés disso, apenas para não receber o mesmo libelo, fingia servir ao Senhor, e assim dissimulava sua infidelidade e aumentava ainda mais suas transgressões (3.6-10). Deste modo, o reino do norte, que havia sido “repudiado” e destruído, parecia menos indigno de ser recebido novamente do que a enganadora e maliciosa Judá, e por certo abraçaria a oferta de reconciliação com Deus se ela lhes fosse apresentada do mesmo modo que havia sido a Judá (3.11-13; Ez 16.46-54, 61-63; cf. Mt 11.20-24). E, se os israelitas se arrependessem, de modo algum o fato de não pertencerem ao reino de Judá os impediria de serem admitidos como filhos de Sião (3.14-15). 

CONCLUSÃO O profeta Jeremias foi chamado para arrancar e destruir os pecadores e impenitentes no meio do povo de Deus, anunciando a iminência e certeza do juízo. Mas também para edificar e plantar, na proposta de reconciliação e na esperança da salvação, se tão somente houvesse alguém que confessasse seus pecados, se arrependesse e se voltasse para o Senhor Deus.

ouvidos moucos : diz respeito àquele que não ouve bem

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26 dezembro 2023

014-Defendendo a fé nos tempos modernos - Heresia Lição 14[Pr Afonso Chaves]26dez2023

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 LIÇÃO 14 

DEFENDENDO A FÉ NOS TEMPOS MODERNOS 

TEXTO ÁUREO: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3.15) 

LEITURA BÍBLICA: ATOS 17.22-32 

INTRODUÇÃO Estamos encerrando mais um trimestre de estudos bíblicos, onde procuramos aprofundar nosso conhecimento da sã doutrina a partir da exposição e refutação às heresias, e assim esperamos estar mais prontos e aptos para apontar essas e outras distorções e falsificações do evangelho. Mas queremos, nesta última lição, tratar de outro aspecto do nosso dever de combater pela fé, que é o de argumentar e demonstrar a veracidade do evangelho frente a um mundo que se opõe a Deus e a Cristo, e que, quando não ignora completamente, ridiculariza e rejeita a mensagem cristã sob a acusação de ser “irracional”, “inconsistente” e “obsoleta”. Veremos que o evangelho é a única mensagem racional, evidente e atual para o homem, e que, fora da fé cristã, só resta a ignorância, a credulidade e o retrocesso. 

I – A RACIONALIDADE DA FÉ CRISTÃ Quando dizemos que a fé cristã é racional, significa que ela é tão coerente e conseqüente quanto uma fórmula matemática (1+1=2), e que nada nela implica em contradição, seja na relação de suas afirmações doutrinárias umas com as outras, seja em relação ao que chamaríamos de “razão natural” – isto é, a inclinação do ser humano, mesmo sem uma revelação divina especial ou particular, por ser coerente e conseqüente em seus pensamentos e ações. Ao apresentar o evangelho aos seus conterrâneos judeus, os primeiros cristãos não apenas demonstravam que a sua mensagem era coerente e conseqüente a tudo o que a lei e os profetas ensinavam; mas até disputavam que as Escrituras não poderiam ter se cumprido de nenhuma outra forma, senão na pessoa e na obra “do Jesus que eles anunciavam”; de modo que aqueles que resistiam, não podendo contradizer seus argumentos, revelavam sua irracionalidade, lançando mão de falsas acusações e distorcendo a mensagem dos apóstolos (At 6.8-11; 17.2-5). Por sua vez, quando se achava entre os gentios, Paulo tinha na razão natural o ponto de partida para anunciar a Cristo, apelando para os argumentos de que Deus não pode ser como os homens, porque Ele criou todas as coisas, e todos dependem d’Ele; e que Ele se interessa pelo seu bem, provendo não apenas seu sustento, mas também sua salvação (At 14.15-17; 17.24-31; Rm 1.19-20). Apesar de se jactar de ser o único animal racional, o homem não pode explicar por que ele usa a razão e os outros animais não, à parte do fato de que foi criado por Deus assim, e que a razão é um elemento distintivo da sua natureza porque o torna mais semelhante ao seu Criador. Em outras palavras, a racionalidade é um atributo divino, e quanto mais se aproxima e conhece a Deus, mais racional o homem deve ser em seus pensamentos e ações; ao passo que, quanto mais se afasta do Criador, mais irracional e semelhante aos animais ele se torna, agindo de acordo com os seus instintos naturais (Sl 49.20; 2 Pe 2.12). Isto explica porque o mundo moderno, quanto mais rejeita preconceituosamente a fé cristã, mais perde o senso de coerência e conseqüência entre as idéias e a realidade, tendendo ao relativismo, não apenas moral, mas também intelectual – nenhuma idéia ou conceito podendo mais ser tomado como expressão de uma verdade absoluta, mas tudo podendo ser ressignificado, inclusive as palavras, de acordo com a conveniência e os interesses do momento (Sl 14.1; Rm 1.21-22, 28-32). Ao contrário de ser como um “salto no escuro”, ou um ato de ingênua credulidade naquilo de que não temos certeza, nossa fé se baseia na palavra de um Deus que é perfeitamente racional, pois Ele não se contradiz, não mente nem se arrepende. Há uma equivalência, coerência e conseqüência tal entre a palavra de Deus e a Sua ação, que ela é personificada nas Escrituras – de fato, ela é finalmente revelada, no evangelho, como uma pessoa divina que cumpre toda a vontade de Deus (Nm 23.19; Is 55.11; Jo 1.1-3; cf. Jó 42.2). Deste modo, o fato de esperarmos algo que ainda não se vê em nada contradiz a razão, mas, pelo contrário, é coerente com a razão crer na promessa de um Deus que não pode deixar de cumprir a Sua palavra, sempre tendo cumprido o que prometeu (Tt 1.2; Hb 1.1-3). 

II – AS EVIDÊNCIAS DA FÉ CRISTÃ Considerando a coerência e perfeita harmonia da obra de Deus com os Seus desígnios, nenhum homem, no uso normal da sua razão, poderia negar as evidências divinas presentes na criação, as quais testificam da eternidade, poder, sabedoria e bondade de Deus (Sl 8.3-8); assim como do senso de fragilidade e limitação diante do mundo, que impede o homem de desfrutar e conhecer tudo o que há, e que tanto o instiga a buscar explicação para sua existência além dessa realidade material, como a temer esse além (Ec 3.11; 12.1-7). Embora possam ser sufocadas pela força do pecado, levando o homem a abandonar a própria razão para justificar suas paixões carnais; o evangelho reafirma a suficiência dessas evidências para condenar, tornar indesculpáveis, aqueles que as rejeitam (Rm 1.18; 2.14-16). Mas, quando falamos em evidências da fé cristã, queremos tratar de forma mais específica daquelas que demonstram a veracidade das Escrituras Sagradas, dos acontecimentos nelas narrados, e especialmente dos que dizem respeito ao evangelho. Primeiramente, consideremos como o povo de Israel foi eleito para ser justamente testemunha dos feitos e palavras de Deus até que viesse o próprio Cristo – e, apesar de muitos dos judeus terem sido desobedientes e servido de escândalo para os gentios, a permanência deste povo é uma prova viva da veracidade das Escrituras e da fidelidade de Deus à Sua palavra (Rm 3.1-4; 9.1-5; cf. Is 43.10). Considerando então a vida e o ministério de Jesus, é aí que vamos encontrar a mais abundante evidência, nos inúmeros sinais operados, de que Ele não poderia ser outro, senão o Filho de Deus (Jo 20.30-31); como também no fato de que Seus milagres, Seus discursos e, finalmente, a Sua própria ressurreição, foram vistos e ouvidos não por alguns, mas por centenas e até milhares de pessoas. E destes muito foram nomeados pelo próprio Jesus Suas testemunhas, e este foi o requisito principal para a designação daqueles que, no começo da pregação, ministravam à frente das igrejas (Lc 1.1-4; At 1.1-8, 21-22; cf. 1 Co 15.1-8).

III – A ATUALIDADE DA FÉ CRISTÃ Visto que a fé cristã é perfeitamente compreensível em termos racionais, ou antes a própria racionalidade é definida à luz do evangelho; e visto que esta fé se apóia em sólida e incontestável evidência de que é a solução e a resposta para os problemas e dilemas humanos; rejeitar o evangelho significa abrir mão tanto da razão como da possibilidade de se obter qualquer conhecimento verdadeiro, com conseqüências catastróficas para o indivíduo e a sociedade. A fé cristã, portanto, deve ser apresentada pela igreja como a única mensagem atual e pertinente – todas as ideologias, filosofias e religiões modernas nada mais sendo que os mesmos velhos discursos que só afastam o homem das questões importantes da vida, e o mantêm sob o julgo de uma falsa ciência (1 Tm 6.20; Cl 2.20-23). É verdade que há muita discussão e debates envolvendo a fé cristã e sua relação com temas atuais, mas devemos estar cientes de que, se procurando apresentar a razão da nossa fé com mansidão e temor, o mundo ainda rejeita a nossa mensagem, não é porque nossa argumentação é fraca, e sim devido à operação do erro, que limita o entendimento dos incrédulos e os impede de raciocinar e considerar a evidência da glória de Deus no evangelho, e que, em última análise, brilhará apenas para aqueles que crerem (1 Co 1.18-24; 2 Co 4.3-4). 

CONCLUSÃO Não precisamos saber apresentar uma argumentação filosófica formal para defender o evangelho, mas se percebemos o quão racional e verdadeiro é para nós a nossa fé, devemos ser capazes de demonstrar essa fé com a mesma clareza ao incrédulo.

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21 dezembro 2023

013-Outras questões controversas - Heresias Lição 13[Pr Afonso Chaves]19dez2023

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LIÇÃO 13 

OUTRAS QUESTÕES CONTROVERSAS 

TEXTO ÁUREO: “Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pedro 3.16) 

LEITURA BÍBLICA: 2 TIMÓTEO 3.14-17 

INTRODUÇÃO 

Considerando que de modo algum esgotamos as chamadas “questões controversas”, restando ainda inúmeros temas bíblicos que servem a diferentes e até contraditórias interpretações no meio evangélico, e em torno dos quais são erigidos sistemas doutrinários que afetam o entendimento de outros assuntos; prosseguiremos com o tema na presente lição. Desta vez, estudaremos as posições conflitantes com respeito ao dia de descanso, a relação entre Israel e a Igreja e o destino final dos incrédulos, destacando onde se aproximam e onde se afastam das Escrituras Sagradas. 

I – O DIA DE DESCANSO 

A questão do dia de descanso é discutida sob dois aspectos: se o cristão ainda precisa observar um dia de repouso e santificação para Deus; e, em caso positivo, se esse dia é definido por Deus. De um lado estão aqueles que afirmam que a guarda de um dia de repouso pode ser remontada ao princípio, quando o próprio Deus descansou de toda a Sua obra que criara e fizera, abençoando e santificando o sétimo dia; e que, sob o concerto do Sinai, a guarda desse dia, também chamado sábado (que significa “cessação”, “repouso”), foi revelada como um mandamento da lei de Deus e, portanto, possui caráter moral e eterno, assim como os outros mandamentos. Ainda deve, portanto, ser guardado sob a vigência do Novo Testamento, como parte da nossa obediência para com Deus. Uma segunda posição é a daqueles que afirmam que o significado e a observância do sábado teriam sido transferidos para o primeiro dia da semana, por ter sido este o dia da ressurreição de nosso Senhor Jesus, consagrando-o, segundo entendem, como o sábado cristão, chamado posteriormente domingo (que significa “dia do Senhor”). Por fim, há aqueles que, embora sustentem a necessidade de se observar um dia de repouso, basta que este seja um dia qualquer da semana, a definição do sétimo dia para tal sendo apenas um aspecto cerimonial da lei – revogado, portanto, sob o Novo Testamento. É evidente que os sabatistas têm razão quando se apegam ao sétimo dia como aquele definido por Deus para a guarda do sábado e protestam contra a guarda do domingo. Por mais que eventos de importância fundamental para a nossa fé, como a ressurreição de Jesus e o derramamento do Espírito em Pentecostes, tenham de fato ocorrido no primeiro dia da semana (Mc 16.2-9; Jo 20.19), não encontramos nas Escrituras nenhuma indicação de que a mudança do dia de repouso ocorreria ou teria ocorrido em função desses eventos. Os cristãos podiam se reunir tanto no sábado, como no primeiro, como em qualquer outro ou mesmo todos os dias da semana (At 2.46-47; 20.7; Rm 14.5-6; At 15.19-20, 28-29). À posição dos que defendem a guarda de um dia literal de descanso “opõem-se”, por assim dizer, aqueles que consideram que, muito embora as Escrituras consagrem a guarda de um dia regular como o sábado, a lei trouxe à tona uma realidade espiritual mais elevada, não apenas ao formalizar o sétimo dia da semana para este fim, mas ao instituir dias independentes do ciclo semanal para solenidades anuais, santas convocações,que também deveriam ser considerados como sábados (Lv 23.3, 7-8, 10-11, 15-16 e 21, 27 e 32, 35-36, 37-38). Ou seja, o Senhor desejava inculcar fortemente o entendimento de que Ele queria que o Seu povo participasse também do Seu repouso, os sábados servindo tanto de memorial como de convite para esta benção; mas só entrariam nele, de fato, aqueles que cressem e fossem obedientes. Esse repouso representa a mesma aspiração da igreja, uma vez que as Escrituras afirmam que restam alguns que devem entrar nele – entrada essa que obtemos pela fé e obediência em Cristo Jesus, mais seguramente do que pela guarda de um dia (Cl 2.16-17; Hb 4.1-11). 

II – ISRAEL E A IGREJA 

A relação entre Israel e a Igreja é discutida principalmente sob dois aspectos: uns afirmam que Israel continua sendo o povo de Deus em distinção à Igreja e, apesar de sua rejeição majoritária a Jesus, eventualmente a nação se converterá e todas as promessas feitas no passado se cumprirão nela; outros entendem que Israel foi rejeitado por Deus como nação e a Igreja, formada tanto por gentios como judeus é o verdadeiro Israel e, portanto, a depositária de todas as promessas feitas no passado a este povo. Um dos problemas mais críticos nesta discussão está no fato de muitos julgarem Israel e a Igreja como dois povos distintos, esquecendo-se de que Deus possui apenas um povo, formado pelos eleitos, predominantemente judeus sob a Antiga Aliança e predominantemente gentios sob a Nova Aliança – mas sem exclusão de um grupo ou de outro sob qualquer “dispensação”. Tanto a palavra igreja é uma designação cabível para Israel, uma vez que apenas é a forma grega (usada no Novo Testamento) para congregação, ajuntamento ou assembleia (cf. At 7.38); como a igreja de Cristo é chamada propriamente o verdadeiro Israel, uma vez que aos judeus eleitos segundo a graça foram somados os gentios, como estranhos que eram ao Deus verdadeiro e ao Seu povo, mas que pela mesma graça se tornaram membros da família de Deus e coherdeiros com os judeus (Jo 10.16; At 15.14-18; Ef 2.11-19; Rm 11.17-24). Muitos também avaliam desproporcionalmente a rejeição ao evangelho por parte da maioria dos judeus. Este acontecimento não significa que Deus tenha rejeitado o Seu povo, mas sim que nem todo judeu pertence ao povo eleito – de fato, em todo o tempo, apenas uma minoria, um remanescente, é que podia ser contado como verdadeiros filhos de Abraão – aqueles dentre os judeus que o não eram apenas segundo a carne, mas que criam e obedeciam ao Senhor (Rm 2.25-29; 9.6-8, 22-27). Esses que não pertenciam ao remanescente foram os mesmos que rejeitaram o próprio Filho de Deus, ao passo que os eleitos segundo a graça creram no evangelho e assim a oliveira, para usar a figura do apóstolo, manteve alguns galhos intactos, e nem todos foram cortados; e consideremos ainda a previsão de que, antes do fim, muitos deles podem se converter e tornarem a ser enxertados (Jo 8.39-44; Rm 11.1-7). 

III – O DESTINO FINAL DOS INCRÉDULOS 

O destino final dos incrédulos é um tema que dificilmente poderia ser discutido de forma isolada, pois a posição que defende que a condenação final dos perversos será de sofrimento eterno e consciente está atrelada ao falso pressuposto de que o homem possui uma alma imortal, e sobre isto falamos extensamente na lição 4. Partindo então do conhecimento já estabelecido de que o homem é uma alma mortal, que não sobrevive à morte do corpo num estado intermediário, acrescentamos que o salário do pecado é a morte – isto é, a privação da vida (Ez 18.4; Rm 6.23). E, ao passo que para aqueles que morrerem em Cristo resta a esperança da ressurreição para nunca mais morrerem, para os que morreram na incredulidade haverá segunda morte, ou uma ressurreição para a condenação, para a vergonha e o desprezo eternos. De fato, a morte e a sepultura comum não mais existirão, e os mortos que nela se achavam serão aniquilados e sua memória obliterada para sempre (Jo 5.28-29; Dn 12.1-2; Ap 20.11-15; 21.8). 

CONCLUSÃO 

O estudo das questões controversas nos mostra que ainda há muitos assuntos cuja compreensão requer maior amadurecimento por parte daqueles que estudam as Escrituras e defendem determinadas posições, se desejamos um dia chegar a um consenso doutrinário entre as igrejas evangélicas.

PARA USO DO PROFESSOR

AUTORIA 
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

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14 dezembro 2023

012-Questões controversas - Heresias Lição 12[Pr Afonso Chaves]12dez2023

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LIÇÃO 12 

QUESTÕES CONTROVERSAS 

TEXTO ÁUREO: 

“Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pedro 3.16) 

LEITURA BÍBLICA: 2 PEDRO 3.10-18 

INTRODUÇÃO 

Ao longo da história do Cristianismo, além das heresias, que despertaram os fiéis a combaterem o erro e a compreenderem com maior precisão a sã doutrina, muitas questões também surgiram que, embora tenham suscitado, e ainda despertem discussões acaloradas por parte daqueles que defendem uma ou outra posição, não podem ser consideradas, de imediato, como uma disputa entre heresia e ortodoxia (“sã doutrina”), uma vez que cada uma geralmente se apoia em razões bíblicas, em nada prejudicando o todo da revelação. Mas, como nenhum sistema teológico é perfeito – somente a palavra de Deus é perfeita – é preciso que analisemos cada ponto de uma dada posição, e estejamos prontos a descartar qualquer implicação doutrinária que contrarie a verdade bíblica. 

I – PREDESTINAÇÃO X LIVRE-ARBÍTRIO 

Talvez uma das questões mais calorosamente discutidas entre os cristãos evangélicos seja aquela que trata do poder de escolha do ser humano pela sua salvação. Não está em debate o mérito da salvação, pois todos estão de acordo que o homem não se salva pelas obras, mas pela fé, através da graça assegurada pelo sacrifício expiatório de Cristo Jesus; nem a capacidade de o homem fazer o bem, pois todos também concordam que a corrupção do pecado se estende a todos os aspectos da natureza humana. Mas o que divide as opiniões é se o homem pode escolher livremente ser salvo (livre-arbítrio), ou se essa escolha é de algum modo determinada por Deus (predestinação). Os defensores do livre arbítrio afirmam que Deus teria dado este poder ao homem, e que o chamado do evangelho o capacitaria a aceitar a graça, embora ainda pudesse resisti-la; e que tanto a eleição como a certeza da salvação seriam condicionais, pois Deus não teria predestinado indivíduos, mas sim a vida eterna para aqueles que voluntariamente creem e perseveram até o fim. Assim, alguém que verdadeiramente creu no evangelho e nasceu de novo ainda poderia apostatar e cair completamente da fé, perdendo o seu lugar entre os eleitos. Os defensores da predestinação, por sua vez, entendem que, embora o chamado do evangelho seja dirigido a todos os homens, a graça opera apenas em alguns, capacitando-os a responder irresistivelmente à salvação. Ora, isto está de acordo com o ensino bíblico de que, embora a pregação seja o meio pelo qual Deus comunica Sua graça ao coração do homem, essa comunicação não é indiscriminada a todos os que ouvem o evangelho, mas é Deus quem abre ou mantém endurecidos os corações à operação da Sua graça (Rm 10.16-21; Mt 13.13-15; At 16.14). Esta graça, por sua vez, sempre opera eficazmente, prevalecendo sobre a pecaminosidade do coração para justificar, santificar, levar à obediência da fé, enfim, para salvar (Rm 5.16-21; Ef 2.8). Logo, a concessão da graça a uns e não a outros não pode depender da escolha do indivíduo, porque aí já não seria graça, o dom de Deus ficando condicionado à atitude humana; mas ela depende de Deus, que é livre para escolher aqueles que quiser, de acordo com a Sua soberania (Rm 9.6-16; 11.5-8). Devemos, porém, ter cuidado com uma ideia geralmente associada à defesa da predestinação, de que não importa quais sejam nossos atos; se somos eleitos para a salvação, nenhum pecado nos impediria de entrar no céu. Os que veem nessa doutrina um pretexto para pecar se esquecem de que, primeiro, a certeza da salvação vem da mesma fé que opera a obediência, sem a qual ela é morta – é o Espírito, que habita naqueles que creem e obedecem, que comunica aos nossos corações que somos filhos, destinados à vida. Em segundo lugar, como tanto a fé quanto a obediência são obra da graça de Deus, ser eleito significa não apenas estar predestinado à vida eterna nos céus, mas ser capacitado a trilhar o caminho que leva a este fim, que é o da fé, obediência, sofrimento pelo evangelho e perseverança, de modo que o pecado é um sinal, não de eleição, mas de rejeição, ao passo que a santificação e perseverança na fé é evidência da operação da graça de Deus em nossos corações (Rm 8.9-16; Ef 1.3-6, 11-14; 1 Jo 3.1-10). 

II– CESSACIONISMO X CONTINUISMO DOS DONS ESPIRITUAIS

 Aproximadamente desde o surgimento do movimento pentecostal, no final do século XIX, reacendeu entre os cristãos a questão sobre a atualidade e o significado exato do batismo no Espírito Santo, dos dons espirituais e de ministérios outros além do pastoral (ou presbiteral) e diaconal. Os que defendem a posição cessacionista, embora não neguem que Jesus possa curar e operar milagres em nossos dias, entendem que isto não ocorre com a frequência anunciada pelos pentecostais ou aqueles que defendem a posição de continuidade dos dons, pois esta teria sido uma característica dos tempos apostólicos, quando o evangelho, sendo uma mensagem nova no mundo, precisaria ser confirmado através de muitos sinais e maravilhas; e milagres na atualidade poderiam apenas servir de pretexto para corroborar novas supostas revelações, afastando a igreja das Escrituras Sagradas. Os defensores da continuidade dos dons, por sua vez, entendem que nenhuma Escritura pode ser apontada no sentido de que a operação de sinais e prodígios seria limitada apenas à geração dos apóstolos; mas, pelo contrário, encontramos a promessa de que todo aquele que cresse e invocasse o nome do Senhor Jesus operaria os mesmos sinais (Mc 16.17-20; Jo 14.12). E que, mesmo durante a geração dos apóstolos, os milagres foram operados por muitos outros que deram testemunho do evangelho, em autenticação à mensagem pregada, e não tanto ao mensageiro (At 6.8; Lc 10.1, 17-20; cf. Mt 7.21-23). Ademais, a manifestação dos dons visa também a edificação da igreja, que enquanto estiver neste mundo se reunirá para este fim, até que alcance a perfeição na vinda de Jesus (1 Co 12.1- 11, 28-31; 13.8-10). O que precisamos acrescentar como alerta é que não podemos ignorar que as Escrituras são a nossa regra na busca e uso dos dons, e nelas encontramos que a finalidade dos dons é a edificação da igreja, e não o envaidecimento ou engrandecimento pessoal, muito menos o estabelecimento de uma autoridade extra bíblica (1 Co 14.1, 5-6, 26, 36-37). 

III – MILENARISMO PRESENTE X FUTURO 

Dentre as várias questões de ordem escatológica, a que diz respeito aos mil anos descritos em Apocalipse 20.1-6 é uma das mais conhecidas e que deu origem a várias denominações. Essa discussão gira em torno não apenas da literalidade dos eventos narrados ali, mas também do tempo em que se darão, se antes ou supostamente após a vinda de Cristo. Todos aguardam a vinda do Senhor Jesus e o arrebatamento da igreja, mas alguns entendem que algo mais acontecerá neste mundo após isso, ao passo que aqueles que entendem que os mil anos antecedem a vinda de Jesus veem este evento como aquele que também trará o fim dos céus e da terra que agora existem. E, de fato, as Escrituras nos orientam a olhar para a gloriosa vinda de Cristo como um evento final para os acontecimentos na terra, e o início de uma eternidade para os santos, a ser desvendada em novos céus e nova terra (2 Pe 3.10-13; Mt 24.29-31; 1 Co 15.22-28; 2 Ts 1.6-10). O grande perigo de uma visão escatológica futurista é que diminui a importância da vinda de Cristo, induzindo os indoutos e inconstantes a relegarem uma decisão mais firme pelo evangelho a um suposto período pós-arrebatamento, em uma vã esperança de sobreviverem ao dia do Senhor (Mt 24.36-39; 25.1-13; 1 Ts 5.1-3; Ap 6.12-17). 

CONCLUSÃO 

Embora sejam consideradas controversas, vimos que, de fato, essas questões não são insolúveis, e geralmente têm sido alimentadas mais por um orgulho contencioso do que por uma humilde submissão à clareza e simplicidade das Escrituras.

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