26 novembro 2020

009-As Lâmpadas e os pães da proposição - Levítico Lição 09[Pr Afonso Chaves]24nov2020

MP3 PARA DOWNLOADS

LIÇÃO 9 

AS LÂMPADAS E OS PÃES DA PROPOSIÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário.” (Hb 9.2). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 24.1-9 

INTRODUÇÃO O conteúdo do capítulo 24 de Levítico parece tratar de dois assuntos distintos: a liturgia do culto no tabernáculo envolvendo o candelabro e suas sete lâmpadas, bem como a mesa e os pães da proposição; e o juízo determinado por Deus sobre um homem que havia blasfemado. Em nosso estudo desta porção das Escrituras, vamos nos deter principalmente no primeiro assunto, procurando destacar a importância e o significado dessas importantes peças do santuário naquela dispensação de sombras e figuras. 

I – O CANDELABRO E SUAS LÂMPADAS (VV. 1-4) Enquanto o livro de Êxodo apresenta-nos o tabernáculo de um ponto de vista mais estrutural, desde a revelação do seu modelo, passando pela sua construção e finalmente sua edificação ou “montagem” no deserto do Sinai; em Levítico é que encontramos a definição da sua funcionalidade no culto divino. Aprendemos, no estudo da lei das ofertas, das purificações e das solenidades, que o altar de bronze e a pia de bronze eram de uma utilidade constante, tanto para os sacerdotes como para o povo; que o altar de ouro era acessado especialmente no Dia da Expiação – de tal modo que, talvez por isso, o escritor aos Hebreus se refere a esta peça como estando presente no lugar santíssimo, levando em conta mais o seu uso no Dia da Expiação, em preparação para a entrada do sumo sacerdote além do véu, do que a sua posição “ordinária”, por assim dizer, antes do véu. Resta-nos agora considerar o candelabro e a mesa, duas peças cuja funcionalidade e significado têm muito a nos ensinar. O texto começa repetindo a ordem de Deus para que o povo trouxesse azeite puro, para alimentar a luz do candelabro que devia arder continuamente (cf. Ex 25.6; 27.20, 21). Conforme já estudamos em Êxodo, o candelabro consistia de uma única peça de ouro batido com sete lâmpadas (Ex 25.37, 39) e ficava posicionado “ao lado do tabernáculo, para o sul” (Ex 40.24), isto é, à mão esquerda do sacerdote que entrava no lugar santo. O procedimento a ser adotado para o uso desta peça era simples: todos os dias, o sacerdote devia acender as lâmpadas do candelabro ao cair da tarde e cuidar para que permanecessem acesas até a manhã do dia seguinte: “desde a tarde até à manhã” (v. 3; cf. Ex 30.8). E isto é muito significativo, mesmo no seu aspecto ou contexto mais imediato: durante o dia, embora a entrada de luz exterior no santuário fosse vedada pelas grossas camadas de peles e tecidos que cobriam o tabernáculo, a entrada e saída constante dos sacerdotes na realização dos seus serviços provia iluminação, ainda que provisória e precária, para o local de culto; mas, durante a noite, quando nenhum serviço era ministrado, todos estando ausentes e silenciados pelo sono, a luz do candelabro era tanto um testemunho de que Israel não havia abandonado ao Senhor, mas continuavam velando diante da Sua face através desse memorial; como também um sinal de que o santuário não estava em trevas, mas o Senhor ainda estava ali, zelando pelo Seu povo. A simbologia do candelabro como memorial do zelo do povo de Deus para com o Senhor é retomada posteriormente nas Escrituras – e, de modo especialmente notável em Apocalipse (cf. Ap 1.9- 13, 20), onde não um, mas sete castiçais de ouro representam a plenitude das igrejas de Cristo e, numa expressão posterior, os sete espíritos de Deus – isto é, a plenitude do Espírito da graça e da verdade (Ap 4.5), que infunde as igrejas para que, qual lâmpadas acesas, possam, pelo seu testemunho, vigilância e oração, ser luz no mundo e ao mesmo tempo alvo da atenção, memória e cuidado do Senhor (cf. Mt 25.1-13; Lc 12.35). Consideremos ainda que, assim como o sumo sacerdote em relação ao candelabro, aqu’Ele que provê o Espírito – o azeite – para que as igrejas, os cristãos – o candelabro – possa prover luz é Cristo Jesus (cf. Jo 8.12; 12.46; 1 Jo 1.5-7). 

II – A MESA E OS PÃES DA PROPOSIÇÃO (VV. 5-9) O texto trata mais acerca dos pães que deveriam ser preparados e dispostos sobre a mesa do que da mesa propriamente – como no caso anterior, onde se fala mais do azeite e da sua disposição nas lâmpadas do candelabro para que permanecessem acesas. Apenas para fins de recordação, a mesa havia sido fabricada de madeira de acácia e banhada em ouro (cf. Ex 25.23-24) e estava posicionada “ao lado do tabernáculo para o norte” (Ex 40.22), em oposição ao candelabro. O Senhor orienta então a que se preparassem, todos os sábados, doze pães a partir da farinha de trigo, os quais seriam dispostos em duas fileiras sobre a mesa e acompanhados de incenso. Ao que se depreende da brevidade do texto, esse incenso era oferecido como oferta queimada em lugar dos pães que, ao serem substituídos por novos pães no sábado, eram comidos pelos sacerdotes. A referência imediata que encontramos nos pães é a provisão de Deus para o sustento da vida – provisão essa que os israelitas aprenderiam ao longo da sua jornada no deserto (cf. Dt 8.3). Mas aqui há algo que relaciona os pães com o próprio Israel, tanto devido à alusão ao número das doze tribos como também ao fato de que eram oferecidos ao Senhor – por isso eram também chamados de pães da proposição (Ex 25.30). Podemos destacar o aspecto de que, como Jesus é o pão de Deus que dá a vida pelo mundo, o povo de Deus – seja Israel no passado ou a Igreja no presente – participa dessa virtude e condição, tendo sido oferecido a Deus, ainda que substitutivamente no sacrifício de nosso Senhor, tornando-se também como uma oferta de alimento puro e consagrada exclusivamente para uso de Deus Em analogia, assim como somos a luz do mundo, somos também pão para o mundo, a quem devemos alimentar com a Palavra que temos recebido (cf. 1 Co 10.17; 2 Co 5.14; Rm 12.1). 

III – UM CASO DE BLASFÊMIA (VV. 10-23) A parte final e mais extensa do capítulo trata de um caso particular de blasfêmia sobre o qual Moisés aguardou uma decisão direta do Senhor para resolvê-lo; nessa oportunidade, outros casos específicos de transgressões passíveis de punição também são apresentados e normatizados por Deus. Tratava-se do filho de um casamento mestiço entre uma israelita e um egípcio – de fato, havia grande multidão de pessoas estranhas no meio dos israelitas que inclusive os havia acompanhado na saída do Egito (Ex 12.38) e que mais tarde contribuiriam para levar o povo à murmuração e outras formas de rebelião contra o Senhor (Nm 11.4). O texto não explica que tipo de blasfêmia o jovem proferiu, mas parece ter sido em consequência da discussão que havia tido com o israelita. Princípios claros para considerar tal caso digno de uma dura sentença, Moisés e Israel já tinham – seja pelo mandamento de não tomar o nome do Senhor em vão, seja pela jurisprudência em que o crime de amaldiçoar pai e mãe devia ser punido com a morte (Ex 20.7; 21.17). Contudo, como ainda não havia orientação sobre se este caso deveria ser punido pelas mãos do povo ou se o Deus tomaria a causa em Suas próprias mãos, Moisés não permitiu que os ânimos se exaltassem e, com sabedoria, preferiu aguardar a palavra do único e verdadeiro Juiz. Por fim, Deus expressou a Sua vontade, que se tornaria em estatuto para todos os demais casos semelhantes (v. 16, 23). 

CONCLUSÃO A lição de hoje pareceu ser fragmentária em seus assuntos, mas certamente pudemos perceber um fio percorrendo todos os três tópicos: o lugar de destaque e consagração a Deus que a igreja ocupa em Sua presença, simbolizado nas lâmpadas do candelabro e nos pães da proposição, e o Seu zelo em vingar toda e qualquer ofensa que procure diminuir a solenidade dessa consagração ou escandalizar aqueles que procuram viver de acordo com as Suas santas leis.


PARA USO DO PROFESSOR
AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


19 novembro 2020

008-As Solenidades do Senhor - Levítico Lição 08[Pr Afonso Chaves]17nov2020

 

MP3 PARA DOWNLOADS

 LIÇÃO 8 

AS SOLENIDADES DO SENHOR 

TEXTO ÁUREO: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As solenidades do Senhor, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades” (Lv 23.2). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 23.1-8 

INTRODUÇÃO Desde a sua saída da terra do Egito – momento representativo da sua libertação e aquisição para o Deus de seus pais – os israelitas aprenderam a considerar os poderosos feitos de Jeová através de solenidades comemorativas como a Páscoa, a Festa dos Asmos e o Sábado – conforme destacado na leitura bíblica. Chegava então o momento oportuno de desvendar outros aspectos do caráter e da obra de Deus na terra em favor de Seu povo, através da instituição de solenidades cujo verdadeiro significado espiritual só pode ser compreendido pela igreja hoje, graças à plena luz do evangelho de Cristo Jesus. 

I – O SÁBADO, A PÁSCOA E A FESTA DOS ASMOS (VV. 3-8) As festas solenes e comemorativas estabelecidas ou confirmadas por Deus neste capítulo têm um lugar vital dentro do propósito didático das instituições levíticas. Sempre foi comum entre os povos comemorar grandes feitos e acontecimentos significativos para a sua história em datas definidas, por meio de ritos ou cerimônias que reencenam, por assim dizer, o passado, mantendo-o vivo na memória dos antigos e incutindo-o nas mentes dos mais jovens. E o Senhor Deus também faz uso desse recurso didático, instituindo “festas” para comemorar eventos ou aspectos de grande importância na realização da redenção do Seu povo – aspectos esses ora visíveis nos próprios fatos históricos, ora aguardando seu pleno cumprimento quando da consumação da salvação eterna. Assim, começamos por considerar, ainda que brevemente, as festas já conhecidas do povo por essa ocasião, a começar pelo sábado. Embora haja evidência da guarda formal do sétimo dia antes mesmo da instituição do mandamento, visto que foi um dia criado para o homem desfrutar nele o descanso em Deus, somente sob o concerto do Sinai foi declarado uma solenidade oficial para todo o povo (cf. Gn 2.1-3; Mc 2.27; Ex 16.23; 20.8-11). O propósito da separação de um dia para Deus era impedir que os israelitas se consumissem numa busca desgastante e vã dos seus próprios interesses todos os dias, e propiciar o encontro da verdadeira felicidade e realização espiritual – ou seja, repouso das fadigas e desventuras da existência terrena na comunhão com Deus. À parte das discussões acerca da necessidade de se observar ou não um dia literal com essa finalidade, consideremos que em Cristo Jesus não apenas já temos encontrado repouso do fardo das nossas vaidades e pecados, mas podemos esperar ter entrada no repouso eterno reservado para os santos – quando somente então desfrutaremos da plenitude de um Sábado que nunca findará (cf. Mt 11.28-30; Mq 2.10; 2 Ts 1.3-7; Hb 4.9-11). Estreitamente interligadas, a páscoa e os asmos eram duas festas que se sucediam no calendário levítico, uma levando à outra. A primeira ocorria “aos catorze do mês, pela tarde” e comemorava a passagem do anjo da morte e o livramento dos primogênitos dos israelitas, graças ao sangue do cordeiro sacrificado. A segunda, começando “aos quinze dias” e estendendo-se por sete dias seguidos, comemorava a libertação do Egito, não mais dependendo do fermento, para uma vida de peregrinação no deserto, sendo o povo sustentado pelo pão asmo, representando a palavra de Deus (cf. Dt 8.1-4). O texto em si não apresenta mais nenhum detalhe, porquanto essas solenidades já haviam sido instituídas (cf. Ex 12), mas acrescenta um elemento importante – que tanto a páscoa como os asmos deveriam ter o mesmo caráter de dias consagrados a Deus que o sábado: “no primeiro dia, tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis” e “ao sétimo dia haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis”. Daí a Escritura fazer referência não apenas ao sábado, mas aos sábados, incluindo sob esta palavra todas as santas convocações, que Israel deveria convocar no seu tempo determinado. Convém notar uma vez mais que é em Cristo Jesus que temos o cumprimento da verdadeira páscoa, aquela em que o Cordeiro de Deus foi sacrificado por nós e agora, livres da corrupção do pecado, vivemos o tempo da nossa peregrinação em direção ao céu na dependência da palavra de Deus, o verdadeiro e puro alimento das nossas almas (1 Co 5.6-13). 

II – AS PRIMÍCIAS, O PENTECOSTES E A FESTA DAS TROMBETAS (VV. 10-25) As próximas solenidades são novas em sua instituição, sendo que as das primícias e do pentecostes começariam a ser observadas somente depois que o povo entrasse na terra de Canaã (v. 10), pois estavam ligadas ao ciclo da semeadura e colheita. Primícias refere-se à primeira parte, ao princípio da colheita, da qual ninguém poderia desfrutar sem antes expressar sua gratidão ao Deus Todo-poderoso que abençoa o trabalho do lavrador e lhe dá o seu sustento (cf. v. 14). A palavra pentecostes significa “cinquenta” em grego e, embora não apareça aqui, nós a encontramos no Novo Testamento (cf. At 2.1) para designar esta solenidade que se comemorava exatamente cinquenta dias após as primícias, quando a colheita já devia estar encerrada. Nessa ocasião, apresentava-se nova oferta ao Senhor, comemorando a superabundância da bênção divina sobre o fruto da terra, para saciar tanto as famílias dos que nela trabalharam como aqueles que não podiam trabalhar pelo seu próprio sustento (cf. v. 22). A partir da celebração e reconhecimento da provisão divina para sustento das almas, um sentido mais pleno se desvendou quando da manifestação do Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo no tempo oportuno da salvação – da colheita das almas – oferecendo-se a Si mesmo, em Sua obra perfeita, como as primícias dos filhos de Deus e depois, concomitante à celebração de Pentecostes, derramou do Seu Espírito sobre a igreja, selando a salvação dos fiéis e através destes propagando a Sua palavra por todo o mundo, até que todo o Seu povo, como uma abundante colheita de trigo, seja recolhido no celeiro de Deus (cf. Jo 4.34-38; At 2.17-21, 32-33, 38-39). Nossas bíblias traduzem como memória de jubilação o que também pode ter o sentido de toque de trombetas, daí a variação na forma como esta solenidade é designada nos estudos bíblicos. Devido a poucas informações, é difícil determinar o seu propósito, embora possa ter sido parecido com o do jubileu (que estudaremos na próxima lição), assinalando o término de uma etapa e o início de uma nova – a crer no calendário judaico atual, o início de um novo ano. Em termos evangélicos, poderia muito bem prefigurar o tempo da graça, onde todos os povos são convocados, como que ao toque de trombetas, a receber o reino de Deus e a sua salvação (compare com Is 27.13; cf. Lc 4.16-21). 

III – O DIA DA EXPIAÇÃO E A FESTA DOS TABERNÁCULOS (VV. 26-44) Já estudamos o rito e o propósito do dia da expiação, mas aqui notamos que o Senhor não esperava que o povo atendesse a esta (e outras comemorações) apenas com sua mera presença física, mas com o coração devidamente preparado para refletir e buscá-l’O em consonância com o motivo da solenidade: “Porque toda alma que, naquele mesmo dia, não se afligir, será extirpada do seu povo”. Não por acaso, o capítulo conclui com a instituição da festa dos tabernáculos, que rememorava por sete dias a peregrinação do povo no deserto – sofrida quando vivenciada por aquela geração, mas que seria recordada de forma alegre e suave, sob a sombra das árvores frondosas da Terra Prometida, em que agora habitavam. Há um sentido profético aqui, pois, em sua habitação final nos céus, o povo de Deus também lembrará do tempo da sua peregrinação neste mundo, mas sob o refrigério das consolações do Cordeiro de Deus – o que lhes permitirá se rejubilarem e entender que todas as aflições desta vida foram compensadas pela glória da eternidade (cf. Zc 14.16-21; Ap 7.9-17; 2 Co 4.17-18). 

CONCLUSÃO Seguindo o exemplo das Escrituras, façamos da nossa salvação e de cada passo da obra de Deus em nos encaminhar para a eternidade gloriosa no céu os motivos das nossas maiores comemorações, principalmente quando reunidos em igreja para celebrar e cultuar nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.

PARA USO DO PROFESSOR
AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


12 novembro 2020

007-A Santidade do culto levítico - Levítico Lição 07[Pr Afonso Chaves]10nov2020

  

MP3 PARA DOWNLOADS

 LIÇÃO 7 

A SANTIDADE DO CULTO LEVÍTICO 

TEXTO ÁUREO: “Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do Senhor, o pão do seu Deus; portanto serão santos” (Lv 21.6). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 21.1-8 

INTRODUÇÃO Na última lição aprendemos o zelo de Deus com a Sua santidade, as terríveis consequências de profaná-la e o cuidado que Ele requer daqueles que foram chamados para serem dela participantes. O culto levítico proclamava essa santidade de diversas maneiras, e nos capítulos 21 e 22 estudaremos mais um aspecto da didática divina na forma como inculcava essa preciosa lição em Israel através da estrita conduta dos sacerdotes – cuja responsabilidade era não apenas atuarem como mediadores entre Deus e os homens, mas também como arautos das virtudes do Altíssimo, seja por suas palavras ou ações. 

I – A SANTIDADE DO SACERDÓCIO (LV 21) Como já temos estudado, uma das funções dos sacerdotes era a de representar Israel diante do Senhor, intermediando na apresentação das ofertas e ministrando a benção divina ao povo. Além disso, incumbia-lhes ensinar aos israelitas que Deus é santo e que eles deviam reverenciar e guardar essa santidade fazendo distinção entre o santo e o profano em seu dia a dia e abstendo-se dos costumes abomináveis das nações. Restava então orientá-los a demonstrar que eles mesmos estavam, de forma inequívoca, comprometidos em zelar pela santidade divina, conforme o princípio de que aquele que instrui deve fazê-lo não apenas por palavra, mas por obra (vv. 6, 12; cf. 1 Tm 4.12). Sabemos que diversas circunstâncias que implicavam em impureza ritual eram inevitáveis, e em algum momento todo israelita fazia-se impuro. Uma dessas circunstâncias era o contato com o corpo de um morto, mesmo no caso de familiares – caso tocasse, ou mesmo se entrasse numa tenda onde houvesse um morto, o israelita tornava-se impuro por sete dias e não podia entrar em contato com as coisas de Deus até que fosse purificado e expiado (cf. Nm 19.11-12, 14). Esta condição significava algo de mais grave para o sacerdote, porque sua posição social e estima no meio do povo bem poderia acabar constrangendo-o a comparecer o tempo todo a velórios, ficando não apenas sete dias, mas constantemente impedido de cumprir seu ministério no tabernáculo. Daí a proibição de se contaminar pelos mortos, exceto pelos familiares mais chegados (vv. 2, 3) – e, mesmo assim, guardando-se de qualquer demonstração excessiva do seu luto (v. 5). No caso do sumo sacerdote, essa restrição era ainda maior: “Não se chegará a cadáver algum, nem por causa de seu pai, nem por sua mãe, se contaminará” (v. 11). Do mesmo modo, no casamento os sacerdotes deviam se ater ao padrão da moralidade imutável definida por Deus no princípio, e não seguir as normas da conveniência ou permissividade de um coração endurecido: “Não tomarão mulher prostituta ou infame, nem tomarão mulher repudiada de seu marido” (v. 7; cf. vv. 13-15). E, mesmo no que diz respeito à aparência exterior, requeria-se deles nada menos que perfeita conformidade aos padrões da normalidade física. Não se trata de menor consideração da parte de Deus pelos que apresentassem algum “defeito” ou “anomalia”, mas de fazer do sacerdócio uma representação do mediador perfeito necessário, representação essa da qual o aspecto físico era o mais aparente aos israelitas, mas não o único nem o mais importante (cf. Hb 7.26; 1 Sm 16.7). 

II – A SANTIDADE DAS OFERTAS AO SENHOR (LV 22) As ordenanças prescritas neste capítulo ainda dizem respeito especialmente aos sacerdotes, mas estão relacionadas ao trato das coisas santas, a saber, qualquer oferta apresentada pelos filhos de Israel ao Senhor. Devido à sua constante participação nos sacrifícios oferecidos pelo povo e por receberem uma porção de determinados sacrifícios para sustento de suas famílias, os sacerdotes tinham contato direto e constante com as coisas consagradas a Deus e deviam estar ainda mais atentos às leis de purificação do que o israelita comum. Se eles ou seus familiares contraíssem qualquer forma de impureza, deviam se abster dos alimentos oriundos do altar, sob pena de exclusão do meio do povo de Deus; mas podiam comer qualquer alimento de origem comum (vv. 3, 11). Seguem-se então orientações detalhadas sobre os próprios sacrifícios e qualquer sorte de ofertas a serem apresentadas no altar de Deus. O Senhor não aceitaria nada que não fosse sem defeito (v. 20), pois Ele é santo e perfeito, Sua glória e majestade sendo imensuráveis por qualquer medida ou padrão conhecido; seria uma ofensa imaginar que o Criador de todas as coisas, que de nada tem falta e dispõe de tudo e de todos segundo a Sua soberana vontade, se dignaria aceitar uma oferta que não representasse o melhor do que a criatura pudesse oferecer, ao invés daquilo que ela dispensaria de outro modo (cf. Sl 50.10-12; cf. Ml 1.6-9). Em particular no que diz respeito aos animais oferecidos em sacrifício, não podiam apresentar defeito físico, nem mancha na coloração da sua pelagem, o que entendemos significar que o acesso a Deus só podia ser alcançado através de uma oferta perfeita, sem falta nem impureza – tal como aquela que Cristo Jesus ofereceu através de Sua própria vida santa e perfeita (cf. Is 59.2; 1 Pe 1.18-19). 

III – A SANTIDADE DA IGREJA DE CRISTO O que aprendemos com estes capítulos parece sublinhar diferentes aspectos de uma mesma e constante lição que permeia todo o livro de Levítico: Deus é santo e não podemos viver indiferentes a isto – com efeito, a indiferença em relação à santidade de Deus significa rejeitá-la ou, pior ainda, profaná-la, uma vez que, se somos filhos e povo de Deus, sabemos que o Seu apelo a nós é um só: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.13-16). Todos os castigos e bênçãos que alcançaram Israel decorrem da violação ou conformidade a esse apelo, respectivamente; porque o nosso próprio destino eterno não dependeria também da nossa atitude em relação a essa vontade de Deus, de diversas formas tão claramente expressa nas Escrituras? (Mt 5.8; Hb 12.14; 2 Co 6.14-7.1; 1 Ts 4.7, 8). Os sacerdotes haviam sido separados para ocupar uma posição privilegiada no culto divino que o restante de Israel simplesmente não estava preparado para ocupar, pois aquele ainda era o tempo da infância espiritual. O fato é que a igreja hoje é chamada de reino sacerdotal, todos sendo chamados a desfrutar dos altos privilégios do reino dos céus e, ao mesmo tempo, considerar a responsabilidade ainda maior que pesa sobre os ombros ainda do menor membro desse reino (cf. Mt 5.17-20). Por outro lado, embora não sejam sacerdotes em nenhum sentido distintivo dos demais membros da igreja, aqueles que são chamados ao ministério da palavra estão sob uma incumbência de grande responsabilidade – muito lhes foi dado no reino de Deus, portanto, muito lhes será requerido (Mt 25.14-30; Lc 12.48); assim como os filhos de Arão, eles devem zelar pela santidade de Deus não apenas em suas palavras, mas também em suas ações e testemunho, em tudo propondo em si mesmos um padrão que possa ser imitado ou louvado para a glória de Deus (cf. 1 Tm 3.7; 3 Jo 3, 12; At 6.3). 

CONCLUSÃO A santidade pode requerer de muitos uma sofrida renúncia; de outros, uma simples mudança de atitude, ou apenas de pensamento. Mas, como já temos dito mais de uma vez, ela não é mais fruto da conformação a ordenanças exteriores; hoje, é o Senhor Jesus que, pelo Seu Espírito, nos ensina a amar a Deus e tudo o que diz respeito a Ele, especialmente a Sua santidade; e, com muito ou pouco esforço de nossa parte, é a Sua graça que inclina a nos conformar a essa tão clara vontade de Deus para conosco.

PARA USO DO PROFESSOR

AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


05 novembro 2020

006-As abominações das nações - Levítico Lição 06[Pr Afonso Chaves]03nov2020

MP3 PARA DOWNLOADS

 LIÇÃO 6 

AS ABOMINAÇÕES DAS NAÇÕES 

TEXTO ÁUREO: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 18.3-4). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 18.1-5, 26-30 

INTRODUÇÃO Mais do que uma série de leis abrangendo diversos aspectos da conduta do povo de Israel, os capítulos que ora estudaremos são um testemunho da corrupção social e moral das nações no meio das quais a descendência de Abraão habitaria. O Senhor já lhes havia confiado leis que eram suficientes para instrui-los no caminho da verdadeira justiça e santidade; mas tamanhas eram as trevas da ignorância em que viviam os gentios que se fazia necessário exemplificar e discriminar diversos comportamentos que para aqueles povos bem podiam se passar por normais, mas, para o povo que servia ao Deus vivo e verdadeiro e desfrutava da luz da Sua lei, deviam ser condenados e abominados. 

I – ABOMINAÇÕES NAS RELAÇÕES FAMILIARES E NO CASAMENTO O propósito de Deus nas advertências que encontramos nestes três capítulos de Levítico era conscientizar os israelitas de que muitos costumes e hábitos do povo no meio do qual haviam vivido – os egípcios – e que ainda encontrariam em sua jornada – os cananeus – eram impuros, injustos e, portanto, abomináveis aos olhos do Senhor. Esses povos andavam em seus próprios caminhos, alheios a Deus e rebeldes à Sua vontade expressa até mesmo na natureza e na consciência de cada indivíduo; em consequência disso, haviam sido abandonados às suas próprias paixões, superstições e ídolos, tornando-se ainda mais réprobos e dignos do juízo de Deus que se abateu, primeiramente, sobre o Egito, e logo alcançaria também os cananeus (cf. vv. 24-25; Ex 12.12; Jr 10.2-3; At 14.15-17; Rm 1.21-32). Aqui encontramos uma das razões pelas quais os cananeus seriam expulsos e substituídos pelos hebreus na posse da terra que manava leite e mel. Havia sim a promessa feita a Abraão, mas Deus governa com justiça todos os povos, e os cananeus tiveram sua oportunidade e foram suportados com grande paciência, até que se mostraram completamente indignos da benção divina (cf. Gn 15.13-16). 

Era, portanto, por amor à promessa feita aos pais que eles receberiam aquela terra, mas também agora era sua vez de se mostrarem dignos de tão grande beneficência, através da obediência à vontade divina, tal como revelada nas leis que haviam recebido (Dt 7.6-11). Assim como aqueles povos foram destruídos por tê-las transgredido, os israelitas viveriam se as cumprissem (cf. verso 5). É importante notar que, ao longo do capítulo 18, o Senhor detalha diversas situações envolvendo a relação conjugal – ou melhor, perversões e confusões criadas pelos gentios em torno da instituição divina do casamento. A lei divina, natural para todos os povos, ditava tanto a honra e o pudor no trato com os familiares como também a clareza de propósito do casamento: “Deixará o homem o seu pai e sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne” (Gn 2.24), implicando estas palavras na formação de um núcleo familiar, na união de um homem com uma mulher e na comunhão indissolúvel do casal. Os gentios, pelo contrário, no intuito de satisfazer suas próprias paixões, pouco se importavam com a violação do pudor e buscavam todo tipo de união concebível, não importando com o que essas relações implicassem: expor a nudez de familiares e parentes, bem como uniões incestuosas com os mesmos (vv. 6- 18), uniões com mulheres no seu período de impureza ritual (v. 19), uniões adúlteras (v. 20), uniões homossexuais (v. 22) e bestiais (v. 23). Ao contrário dos casos anteriormente estudados que tornavam o indivíduo impuro, mas que podiam ser expiados, tais uniões implicavam em violação da lei moral de Deus e deviam ser punidas rigorosamente como pecados inexpiáveis (Lv 20.10-21). Por isso são chamadas de “abominações” e são igualmente condenadas como pecado sob a dispensação do evangelho (cf. 1 Co 5.1; 6.10; Gl 5.19-21). 

II – ABOMINAÇÕES E INJUSTIÇAS DIVERSAS No capítulo 19 encontramos proibições e advertências de Deus sobre diversas situações, algumas envolvendo a violação da lei dos mandamentos, outras relacionadas à santidade proclamada nos rituais levíticos, e outras ainda tratando de questões que hoje chamaríamos de “sociais”, pois dizem respeito ao relacionamento dos israelitas uns com os outros em circunstâncias que poderiam envolver injustiça e opressão sobre os mais fracos, caso o Senhor não estabelecesse princípios que favorecessem a prática do amor e da benevolência. Não sendo possível nos delongarmos sobre todos os assuntos discutidos aqui, apontamos apenas alguns, como a advertência contra a idolatria, que podia assumir formas horrendas e cruéis como entre os gentios (Lv 19.4; cf. 18.21, 20.2), e contra adivinhações, encantamentos e qualquer outra prática baseada em superstições relacionadas ao mundo espiritual ou aos mortos (Lv 19.26b, 28, 31). Tais práticas deviam ser abominadas e condenadas da forma mais rígida entre o povo que conhecia aqu’Ele que é o Senhor, o único Deus (Lv 20.2-7). Destacamos ainda que, mais do que simplesmente impor uma norma ética correta, o padrão de conduta social aqui definido por Deus visava incutir no coração do israelita o amor pelo próximo – amor que, na plenitude dos tempos, o Senhor Jesus expressaria novamente na mesma expressão já enunciada em Levítico: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 18). Por fim, em consequência dessas leis, a nascente sociedade israelita desenvolveu um caráter único que a diferenciava de todos os outros povos como uma nação justa, benevolente e piedosa, seja no trato dos seus líderes com o povo, seja no trato de uns com os outros, seja no trato com os estrangeiros. 

III – CRISTO NOS RESGATOU DAS ABOMINAÇÕES DAS NAÇÕES A lição mais importante que podemos extrair destes capítulos para aplicação à igreja atual é a de que, assim como Israel, nós também fomos chamados para ser uma nação que conhece a vontade de Deus e sabe que a Sua vontade não é apenas uma negação dos costumes do mundo, mas a afirmação de uma santidade que nasce no interior, pela graça e o poder assegurados pela obra de nosso Senhor Jesus, e que deve prevalecer sobre o pecado em um modo de vida justo, piedoso e agradável a Deus (Rm 12.1- 3; 1 Pe 4.1-4). As trevas de ignorância e afastamento de Deus em que as nações se encontram mostram-se um abismo cada vez mais profundo que nenhuma instituição, filosofia ou religião humanista consegue diminuir, e o pecado torna-se rapidamente em hábito social aprovado e, depois, incentivado e imposto sobre os incautos e incapazes de discernir o certo do errado. De um modo geral, Israel fracassou em se conformar à santidade divina, aderindo aos costumes dos povos até serem eles mesmos desarraigados da Terra Prometida; e muitos hoje também são induzidos a se conformar com este mundo; contudo, o mandato moral de Deus permanece o mesmo e o Seu propósito finalmente se cumprirá naqueles que perseverarem na obediência e santidade (2 Tm 2.19; Mt 7.24-27; Tt 2.11-14; 1 Pe 2.9-10). 

CONCLUSÃO Servir a Deus não é simplesmente uma negação dos costumes deste mundo; é reconhecer o Seu senhorio sobre a nossa vida, entender Sua vontade boa, santa e agradável, e então viver de acordo com ela, seguros de que este é o único caminho para desenvolvermos uma existência realmente significativa, com um propósito divino que infalivelmente se cumprirá e cujos frutos serão colhidos não apenas na bem-aventurança da comunhão divina neste mundo, mas na eternidade.

PARA USO DO PROFESSOR
AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


28 outubro 2020

005-O Dia da Purificação - Levítico Lição 05[Pr Afonso Chaves]27out2020

MP3 PARA DOWNLOADS

LIÇÃO 5 

O DIA DA EXPIAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor” (Lv 16.30). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 16.11-19 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje, estudaremos o significado do Dia da Expiação. Mais do que uma das várias solenidades comemoradas por Israel, este dia condensa uma mensagem presente em todo o rito levítico, pois nele se proclamava todos os anos, de modo solene e extraordinário, que Israel havia pecado e que Deus havia provido uma expiação pelo pecado. Sendo desnecessário nos demorar nos detalhes do ritual, procuraremos apontar o significado e as implicações da instituição terrena para o antigo Israel e como o propósito de Deus, velado nesta instituição, se cumpre hoje sob o evangelho da graça. 

I – O RITUAL E A INSTITUIÇÃO DO DIA DA EXPIAÇÃO (LV 16) Os capítulos 11 a 15 parecem constituir um parêntese entre o trágico evento relatado no capítulo 10, envolvendo os dois filhos de Arão, e a passagem que agora se nos apresenta. A fim de evitar que a temeridade de Nadabe e Abiú se repetisse, o Senhor já havia ordenado a Arão e seus filhos que não ingerissem vinho nem bebida forte antes de entrarem no santuário – certamente para que pudessem exercer suas funções sacerdotais com toda a sobriedade e cuidado devidos à santidade das coisas de Deus. Mas agora estamos diante de uma orientação sobre quando e como poderia Arão – e somente ele, na condição de sumo sacerdote, entrar no santuário, ou seja, “para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca” (v. 2). Como Nadabe e Abiú haviam trazido fogo estranho “perante a face do Senhor”, isto poderia sugerir uma gravidade ainda maior na transgressão que haviam cometido; mas, seja como for, a imposição de uma limitação ao sacerdócio araônico no seu acesso à presença de Deus dificultaria a ocorrência de uma profanação ainda mais grave, assim como também testemunharia a ineficácia e limitações desse ministério, prenunciando a vinda de um maior e mais perfeito sacerdócio. Pela ordem do texto, primeiro o Senhor prescreve o ritual a ser seguido por Arão quando entrasse no santo dos santos, e depois define uma data anual para esse evento, como um “estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês” (v. 29). Assim, juntamente com a Páscoa, os Asmos, o Sábado e outras festas solenes que ainda seriam instituídas, o Dia da Expiação tornou-se uma das solenidades do Senhor, cujo aspecto “comemorativo”, com a participação de todo o povo, deixaremos para uma análise posterior (no estudo do capítulo 23). Mas, voltando-nos para o rito sacerdotal, a primeira coisa a se observar é que nesse dia, como nos demais, também eram oferecidos sacrifícios de expiação pelo pecado e de holocausto, tanto por Arão, o sacerdote, como pelo povo. Outro aspecto importante é que tanto o sangue da expiação pelos pecados do sacerdote como o da expiação pelos do povo devia ser trazido ao santíssimo (vv. 11-14, 15-16) – o que nos permite afirmar que o sacerdote entrava ali duas vezes, sem contradição com o entendimento de que isto ocorria em uma única ocasião ou evento (cf. Hb 9.6-8). Notemos ainda que, cumprido o rito envolvendo a expiação dos pecados no recinto mais sagrado do Tabernáculo, o sacerdote podia oferecer os sacrifícios de holocausto, tanto por si mesmo como pelo povo, seguindo o rito já instituído para as ofertas ao Senhor (vv. 23-25). 

II – A IMPORTÂNCIA DO SANGUE NA EXPIAÇÃO (LV 17) Em conexão com a instituição de um dia solene para expiação dos pecados, o Senhor estabelece ordenanças gerais quanto à realização de sacrifícios de qualquer natureza e quanto ao uso do sangue pelos filhos de Israel. Naquela dispensação, o tabernáculo representava o local exclusivo onde Jeová vinha se encontrar com Israel para receber adoração e dispensar as bênçãos da comunhão divina. Qualquer israelita que apresentasse sua oferta em outro lugar que não “à porta da tenda da congregação, diante do tabernáculo do Senhor”, estaria incorrendo em apostasia, desviando-se literalmente da presença do Senhor e voltando-se para outros deuses – de fato, demônios – como o faziam os demais povos que sacrificavam aos seus ídolos (v. 7; cf. 1 Co 10.19-20). E notemos que, mesmo quando Israel se dispersou por toda a extensão da terra de Canaã, afastando-se do local do tabernáculo, aqueles que temiam ao Senhor envidaram esforços para cumprir esta lei, ao passo que os ímpios procuraram, conforme suas conveniências, “relaxar” essa lei, mas para sua própria reprovação (cf. 1 Sm 1.3; 2 Cr 11.13-17). Nesta passagem também encontramos pela primeira vez expressa a importância do sangue para a expiação dos pecados – embora essa sua utilidade já estivesse implícita nos sacrifícios oferecidos e aceitos por Deus desde o princípio, conforme já ressaltado em lições anteriores. “Porque a alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (v. 11) é uma palavra que expressa a alma do sistema levítico, que em todos os seus rituais buscava agradar, propiciar ao Deus Todo-poderoso; e apresentava, como reparação à ofensa e como purificação da contaminação causadas pelo pecado, o sangue da vítima inocente, misericordiosamente aceito em lugar da vida do próprio ofensor. Ao mesmo tempo, proibindo o uso do sangue como alimento, essa ordenança reflete o caráter sagrado da vida, que pertence a Deus e sobre a qual somente Ele tem direito de dispor como quiser – esse direito sendo simbolicamente reconhecido no derramar do sangue e cobrindo-o com o pó da terra. 

III – A EXPIAÇÃO DOS NOSSOS PECADOS PELO SANGUE DE CRISTO JESUS Não é necessário muito esforço para vislumbrar no Dia da Expiação uma maravilhosa mensagem acerca da redenção dos nossos pecados no sacrifício de Cristo Jesus. E esse dia não devia ser menos maravilhoso para o israelita daqueles tempos: se a Páscoa apontava para a salvação passada – isto é, o livramento da destruição e do cativeiro – provida pelo sangue de um cordeiro inocente; o Dia da Expiação apontava para a salvação presente e futura, lembrando ao povo que o pecado continuava sendo uma realidade, e apontando anualmente as riquezas da misericórdia e graça de Deus em suportar as iniquidades de Israel e finalmente perdoá-las graças à expiação pelo sangue oferecida nesse dia. Por outro lado, assim como os demais ritos da ordem levítica, o verdadeiro propósito do Dia da Expiação está mais nas verdades espirituais que insinuava, prefigurava e incutia no coração dos fiéis do que por uma real eficácia espiritual. E uma dessas lições é que o acesso a Deus, sob aquele concerto, devia ser restrito e breve – somente o sacerdote, uma vez por ano, como que “levava” o povo até a presença de Deus para serem aceitos, mas logo devia trazê-los de volta para fora, não podendo ali permanecer. Outra lição é que o sangue de animais é ineficaz para expiar os pecados de seres mais valiosos para Deus, a saber, vidas humanas – daí sua repetição diária e em grande número, servindo mais como uma expressão da consciência de pecado por parte do ofertante e um apelo a Deus para que o perdoasse. Tudo isto prenunciava, portanto, a ordem inaugurada por Cristo Jesus que, designado por Deus como nosso sumo sacerdote e nosso sacrifício, cumpriu o rito da expiação, não segundo a ordem levítica, mas segundo a verdade, a realidade das coisas de Deus. Tendo oferecido uma vez, a seu tempo, o Seu próprio sangue na cruz do Calvário, pela ressurreição subiu aos céus e entrou no verdadeiro santuário, e nós com Ele, de tal modo que o véu foi retirado e nós, pela fé, podemos ter entrada e permanência eterna na presença do Pai (cf. Hb 9.6-15, 10.1-14, 19-23). 

CONCLUSÃO Hoje o acesso a Deus está livre e aberto para nós; confiemos na graça e intercessão eficaz de Cristo em nosso favor e, com humildade e ao mesmo tempo ousadia, aproximemo-nos de nosso Pai, que está pronto para nos receber, nos ouvir e nos manter junto de Si sempre.

PARA USO DO PROFESSOR
AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


21 outubro 2020

004-As Leis de Purificação - Levítico Lição 04[Pr Afonso Chaves]20out2020

MP3 PARA DOWNLOADS

 LIÇÃO 4 

AS LEIS DE PURIFICAÇÃO 

TEXTO ÁUREO: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; e não fez difrença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé” (At 15.8-9). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 11.1-8 

INTRODUÇÃO Avançando no estudo das ordenanças levíticas, na presente lição procuraremos esclarecer o sentido geral das leis de purificação apresentadas nos capítulos 11 a 15. Como temos feito nas lições anteriores, não nos deteremos nos detalhes das proibições e dos ritos, pois o nosso propósito é compreender a mensagem espiritual das formas exteriores – mensagem essa que faz destes capítulos uma porção da Escritura realmente edificante para a igreja atual assim como o foi para o antigo Israel. 

I – A LEI DOS ANIMAIS PUROS E IMPUROS (LV 11) Recordando um conceito já explicado em lições anteriores, através das ordenanças levíticas, o Senhor visava não apenas proclamar a Sua inefável santidade, mas também tornar o povo participante dessa virtude divina. A presente seção do livro de Levítico, em particular, pode ser considerada um verdadeiro compêndio de instrução prática para o povo, pois aqui o Senhor os ensina a diferenciarem o santo do comum e profano através de circunstâncias exteriores que, em si mesmas, são indiferentes, como a alimentação, a concepção, as doenças e até situações consideradas tabus pelos povos antigos; mas, a partir de uma atitude diferenciada em relação a esses hábitos, os israelitas demonstrariam sua separação dentre todos os povos – o que, por sua vez, exaltaria a santidade do Deus de Israel (Lv 11.44-47; Dt 4.8). Começamos então com os critérios definidos pelo Senhor para distinção dos animais puros – aqueles que podiam servir de alimento – e impuros. Essa distinção existia muito tempo antes da lei, e se aplicava principalmente para fins dos sacrifícios e holocaustos oferecidos a Deus (Gn 7.1-2; 8.20; 9.1-4). Muitos questionam se os cristãos deveriam aderir a essa restrição alimentar, como o fazem ainda hoje os judeus – mesmo que apenas para fins de evitar a ingestão de carnes que poderiam trazer mais malefícios do que benefícios para a saúde. Quando a fé em Cristo Jesus começou a crescer entre os gentios – que não seguiam nenhuma restrição alimentar – os crentes de origem judaica se preocuparam com a questão, que foi tratada pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém (At 15.28-29). Ali tão somente se recomendou que os gentios se abstivessem de comer sangue, carnes de animais sufocados e alimentos oferecidos aos ídolos. Uma das razões que poderíamos citar é porque, sob a revelação do evangelho, sabemos que tudo o que Deus criou é bom, nada havendo intrinsecamente mau, e que tanto a pureza como a impureza procedem na verdade do coração, de uma consciência purificada pela fé ou contaminada pelo pecado, respectivamente (cf. Rm 14.1-3, 14 e 20; Tt 1.15; Mt 15.17-20). Outro aspecto a considerar é que a distinção de alimentos sob a ordem levítica era transitória e prefigurava uma realidade espiritual que, juntamente com outras ordenanças rituais, se cumpriria na igreja (Cl 2.16-17). Essa realidade foi revelada a Pedro quando Deus lhe mostrou, no simbolismo dos animais impuros contidos num vaso como um lençol limpo descido do céu, que os gentios, até então estranhos e considerados indignos pelos israelitas de participarem da comunhão divina, haviam sido purificados – ou seja, chamados por Deus ao arrependimento e à vida eterna (At 11.5-10). 

II – A LEI DA MULHER APÓS O PARTO (LV 12) Chegamos ao capítulo mais breve desta seção, mas não menos intrigante. Diferente da lei dos alimentos puros e impuros, onde o israelita era ordenado a seguir a pureza e proibido de se contaminar, aqui temos o primeiro caso em que a fraqueza humana ficaria demonstrada por circunstâncias em que seria impossível ao homem (ou melhor, neste caso, a mulher) não se contaminar. A mulher teria filhos e, visando instruir o Seu povo, o Senhor faz da concepção e da perda de sangue a ela associada um memorial da fraqueza humana, cuja descendência vem ao mundo sob uma condição pecaminosa, ou seja, de impureza (Rm 5.12; Sl 51.5). Em outras palavras, a concepção perpetua a descendência caída e impura dos filhos de Adão. A mulher seria lembrada disto toda vez que concebesse e deveria então oferecer sacrifício pela expiação do pecado em memória da sua impureza ritual, e não porque a concepção fosse intrinsecamente pecaminosa (cf. 1 Tm 2.14-15). Notemos também que esta lição devia ficar profundamente gravada no coração da mãe, ao considerar o confinamento e isolamento do santuário imposto até que ela se purificasse. 

III – A LEI DA LEPRA E DAQUELE QUE TEM FLUXO (LV 13-15) Os capítulos 13 e 14 apresentam uma extensa e detalhada prescrição de como um indivíduo deveria ser examinado e acompanhado na piora ou recuperação da enfermidade visível na carne, chamada na Escritura de lepra. Tratava-se de uma enfermidade bastante agressiva, a ponto de poder contaminar vestes (Lv 13.47) e casas (Lv 14.34-35). Contudo, os critérios definidos por Deus não dispensavam o exame feito pelo sacerdote, ao qual era dada autoridade exclusiva para declarar alguém enfermo ou são; e notemos que o próprio Jesus, tendo curado um leproso, orientou-o a se apresentar ao sacerdote, a fim de obter o testemunho da lei em favor da cura (Mt 8.1-4). Essa enfermidade tornava o seu portador impuro, necessitando este de expiação pelo pecado – se ou quando, porventura, fosse curado – porque demonstravam a tendência persistente do pecado no homem, seu poder de se propagar e contaminar todos os aspectos da vida e, mesmo quando retrocede por um tempo, ser capaz de recrudescer (cf. Mt 26.41; Rm 7.8-11). O capítulo 15 orienta os israelitas sobre como deveriam lidar com vários tipos de fluxo ou fluídos liberados pelo corpo, seja por razões de enfermidade ou por uma reação aparentemente natural do organismo. Seja como for, ou o que quer que diga a medicina moderna sobre tais situações, o fato é que esses fluxos representam a degeneração da natureza humana até em seu funcionamento fisiológico, levando ao esvaimento, ao desperdício de elementos que possuem valor vital (seja a semente ou o sangue), ao passo que deveriam ser preservados no corpo e cumprir sua finalidade. Com isto Deus também nos lembra que, como consequência do pecado, a vida humana está fadada a esvair-se num curto espaço de tempo, como uma rotura num vaso (cf. Gn 3.19; 2 Sm 14.14a; Ec 12.6-8).

CONCLUSÃO Hoje entendemos que a verdadeira santidade não consiste em ordenanças exteriores, pois ela procede de um coração regenerado pelo Espírito de Deus, impondo-se sobre todos os pensamentos e, por consequência, sobre os hábitos e ações do ser humano. Por outro lado, assim como as leis de purificação, nossa luta diária contra o pecado até em nossos pensamentos nos lembra a fragilidade da condição humana e que, não fosse o poder de Deus para renovar a graça em nossos corações e a Sua misericórdia para nos perdoar, seríamos considerados sempre imundos aos Seus olhos.

PARA USO DO PROFESSOR:

AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


14 outubro 2020

003-A Consagração do Sacerdócio - Levítico Lição 03[Pr Afonso Chaves]13out2020

MP3 PARA DOWNLOADS

 LIÇÃO 3 

A CONSAGRAÇÃO DO SACERDÓCIO 

TEXTO ÁUREO: “E santificarei a tenda da congregação e o altar; também santificarei a Arão e seus filhos, para que me administrem o sacerdócio” (Ex 29.44). 

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 8.1-11 

INTRODUÇÃO Na lição de hoje estudaremos outro elemento fundamental do culto a Deus oferecido pelos israelitas, sem o qual não seria possível a realização dos sacrifícios prescritos nos primeiros capítulos de Levítico: o sacerdócio araônico. Veremos que, mais do que um aspecto transitório do primeiro concerto, e mais do que minúcias rituais com significado simbólico, o sacerdócio revela o papel indispensável de um mediador nas relações entre Deus e os homens e a provisão divina para suprir essa necessidade. 

I – A IMPORTÂNCIA DO SACERDÓCIO NO CULTO A DEUS Para compreender o significado transcendente do sacerdócio no culto divino, queremos voltar a um ponto apresentado na lição anterior, a respeito das ofertas sacrificiais. Ali consideramos que a necessidade de propiciar ao Todo-poderoso só pode ser satisfeita através de uma oferta – e, em particular, uma oferta de sangue. Mas aqui avançaremos um pouco mais na compreensão das verdades espirituais desvendadas na instituição do culto levítico para afirmar que, sem um sacerdócio mediador, nenhuma oferta dos homens seria aceita por Deus. Ora, o Senhor desejava aproximar mais os Seus filhos de Si do que o fez em relação aos pais, e não afastá-los, conforme expresso nos termos do concerto no Sinai: “e vós me sereis reino sacerdotal e povo santo” (Ex 19.5-6). Mas lembremos que os termos desse mesmo concerto incluíam uma condição que os israelitas dificilmente cumpririam, e que serviria mais para conscientizá-los da sua própria pecaminosidade. Eis porque o culto levítico era indispensável à manutenção da comunhão de Israel com Deus: nele tinham as ofertas pelas quais o Senhor, ofendido pelo pecado, seria propiciado; e agora, conforme estudaremos, teriam também o sacerdócio, pelo qual as ofertas poderiam ser apresentadas e aceitas por Deus. Em resumo, o sacerdote era um representante do povo de Deus, um homem especialmente e divinamente designado para apresentar-se diante da santidade divina em tal condição que pudesse ser recebido, em sua justiça e santidade própria, como um fiador dos seus representados pecadores, e as ofertas destes então aceitas e a graça dispensada em favor deles. Era uma honra, de fato, que fazia do sacerdote uma espécie de salvador da nação, pois graças ao seu constante e fiel serviço a paz com Deus era preservada para o benefício de todos; mas também era uma grande responsabilidade, pois o sacerdote devia compadecer-se ternamente dos pecadores, haja vista que os ofícios propiciatórios deviam ser repetidos diariamente – como se todos os dias ele tivesse de voltar até Deus para apaziguá-lo em relação ao povo sempre ofensor. E, se não podia ser ele mesmo diferente dos seus irmãos, devia pautar sua vida em um rigoroso rito que prescrevia seus movimentos, sua alimentação e as vestes que deveria portar como um simbolismo da santidade e justiça que Deus requeria do povo para sua aceitação (cf. Hb 5.1-3; Ex 28.1- 2, 12, 29, 40-41, 43). 

II – A CONSAGRAÇÃO DE ARÃO E SEUS FILHOS AO SACERDÓCIO (LV 8-11) Arão e seus filhos já haviam sido designados por Deus para o ofício sacerdotal por ocasião dos primeiros quarenta dias e noites que Moisés havia passado no monte Sinai, onde recebeu as ordenanças quanto à construção do tabernáculo. Edificado, pois, o santuário e estabelecida a lei das ofertas, o próximo passo no estabelecimento do culto divino é a investidura de Arão e seus filhos no ofício divino, habilitando-os a cumprirem as funções sacerdotais. O ritual da consagração seria presidido por Moisés e se resume na lavagem com água de Arão e seus filhos, depois vestidos com as vestes santas – sendo que Arão, em particular, é ungido e vestido com os ornamentos do sumo sacerdote – e então oferecidos os seguintes sacrifícios: expiação do pecado, holocausto, sacrifício pacífico e a oferta das consagrações. Em seguida, os sacerdotes são aspergidos com o sangue das ofertas e isolados por sete dias no tabernáculo, para sua consagração (Lv 8.1-7, 33-36). Findos os sete dias, Arão e seus filhos passam a exercer oficialmente o ofício sacerdotal. Moisés, conforme ordenado pelo Senhor, orienta-os sobre como deveriam executar suas funções diárias naquele primeiro dia, e dali pelos séculos adiante, ao longo de muitas gerações dos descendentes de Arão. Deveriam primeiramente realizar sacrifícios em seu próprio favor, antes de realizá-los pelo povo, pois eram por natureza igualmente pecadores. E somente aqui se determina uma ordem específica na apresentação das ofertas: expiação pelo pecado era a primeira, pois o pecado não nos permite ser aceitos por Deus (Is 59.1-3, 11-12); holocausto devia ser oferecida depois, pois o pecado havia sido expiado e o ofertante se entregar inteiramente a Deus; e em seguida as ofertas que celebravam de diferentes maneiras a comunhão e alegria com Deus, como a oferta de manjares e o sacrifício pacífico. Notemos ainda que, depois de expiados e consagrados separadamente do povo, os sacerdotes se uniam a toda a nação nas demais ofertas. O agrado divino em relação ao fiel cumprimento do ritual levítico se manifesta então através da glória visível do Senhor enchendo o tabernáculo (Lv 9.23-24). Contudo, esse tempo ainda terminaria de forma lamentável. Presumindo que a visível satisfação de Deus fosse pretexto para liberdade de agir segundo sua própria vontade, Nabade e Abiú, agindo em desacordo com o rito e introduzindo um elemento de fora do santuário – brasas que a Escritura denomina “fogo estranho” (cf. Lv 16.12). A reprovação divina se manifesta imediatamente, ambos sendo consumidos pelo fogo do Senhor, e Arão e os demais sacerdotes sendo repreendidos e exortados quanto à santidade e gravidade do seu ofício. 

III – CRISTO JESUS, NOSSO SUMO SACERDOTE Assim como em relação aos sacrifícios, o propósito do sacerdócio araônico era encerrar, sob a forma de um ofício ministrado por homens fracos e limitados, o papel indispensável do mediador entre Deus e os homens que se cumpre única e perfeitamente na pessoa de Cristo Jesus (1 Tm 2.5). Ele foi, de fato, tomado dentre os homens, assim como Arão e seus filhos, e em tudo feito semelhante a nós, e por isso conhece nossas aflições e pode ser nosso representante (Hb 2.16-18). Ao mesmo tempo, por ser o Filho de Deus, não esteve sujeito à contaminação do pecado, e pela Sua obediência perfeita, pode comparecer diante do Pai e ser aceito em nosso lugar, como nosso fiador (Hb 7.18-22). Através da ressurreição, Jesus entrou uma vez na presença do Pai, realizando a nossa propiciação, e ali permanece eternamente, assegurando nossa eterna aceitação diante de Deus e, mais ainda, o nosso próprio acesso ao céu, o verdadeiro santuário, através d’Ele (Hb 7.23-28; 9.11-15, 24-28). Deste modo se cumpre o propósito de Deus manifesto já no Sinai, mas cuja realização foi limitada naquele tempo pela imaturidade do povo; agora, identificados e apoiados na obra sacerdotal perfeita de Cristo, nós nos tornamos um sacerdócio real, e nossas vidas e serviço são aceitos por Deus como sacrifícios de louvores (cf. 1 Pe 2.4-5, 9-10). 

CONCLUSÃO Mais uma vez aprendemos uma grande verdade espiritual revelada no livro de Levítico, sem a qual não poderíamos conceber a nossa salvação. Jesus Cristo é o nosso único Sacrifício e também nosso sumo Sacerdote – todo o mérito pertence a Ele, pois Ele fez tudo o que era necessário para que pudéssemos ser aceitos de novo pelo Pai. Sejamos gratos e felizes com tão grande privilégio, oferecendo, como sacerdotes que agora somos, sacrifícios de louvor sinceros e puros a Deus.

PARA USO DOS PROFESSORES

AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS


08 outubro 2020

002-Ofertas ao Senhor - Levítico Lição 02[Pr Afonso Chaves]06out2020

MP3 PARA DOWNLOADS

LIÇÃO 2 

OFERTAS AO SENHOR 

TEXTO ÁUREO: “Esta é a lei do holocausto, e da oferta de manjares, e da expiação do pecado, e da expiação da culpa, e da oferta das consagrações, e do sacrifício pacífico, que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em que ordenou aos filhos de Israel que oferecessem as suas ofertas ao Senhor, no deserto do Sinai.” (Lv 7.37-38).

LEITURA BÍBLICA: LEVÍTICO 1.1-9 

INTRODUÇÃO Conforme ressaltamos na lição anterior, o conteúdo do livro de Levítico é do maior interesse de todo o povo de Deus, pois trata de como poderiam se aproximar do Senhor e ser aceitos por Ele, a despeito das suas muitas transgressões e incapacidade de atender aos ditames da justiça divina. Em harmonia com este princípio, os primeiros sete capítulos de Levítico registram as orientações divinas para que qualquer um dos israelitas pudesse oferecer um culto agradável a Deus, em harmonia com a Sua boa, santa e perfeita vontade. 

I – A IMPORTÂNCIA E A NATUREZA DAS OFERTAS NO CULTO A DEUS Considerando o fato de que todos pecaram e tornaram-se, por natureza, inimigos de Deus, afastando-se d’Ele e privando-se da glória da comunhão com o Criador; a tentativa de o homem aproximar-se de Deus para cultuá-l’O sempre implicou, antes de tudo, no reconhecimento do seu próprio estado e no desejo de fazer as pazes com Ele e agradá-l’O, o que nas Escrituras é chamado de propiciação. Conscientes dessa necessidade, todos aqueles que no passado desejaram e de fato alcançaram o favor do Todo-poderoso se apresentaram diante d’Ele com uma oferta, algo que lhes era próprio e de que voluntariamente abriram mão para oferecer como um presente a Deus. Mais do que isso, porém, tais homens também discerniram que um tipo de oferta comprazia especialmente – para não dizer exclusivamente – a Deus: as ofertas de sangue, isto é, de animais limpos que eram imolados e cujo sangue era derramado em terra e o corpo, ou partes do corpo da vítima, consumidas pelo fogo – tudo realizado cerimonialmente diante do Senhor (cf. Gn 4.1-5; 8.20-21; Hb 11.4). Assim, podemos dizer que Deus se agrada do culto em que nada menos que a própria vida – o dom mais valioso que Ele nos concedeu – Lhe é ofertada, em reconhecimento de que Ele é o seu legítimo dono (Ec 12.7). E, conforme explicamos na lição anterior, na Sua misericordiosa provisão para com os homens, o Criador se dispôs a aceitar, em lugar do próprio ofertante que busca o favor divino, a vida de uma criatura inocente, graças ao simbolismo do sangue. O que o Senhor faz em Levítico, então, é simplesmente regulamentar e desvendar maiores detalhes de uma ordem de culto já existente desde o princípio e que, em essência, se manteria até o fim dos tempos. Se antes qualquer lugar podia ser assinalado por alguma teofania (manifestação ou aparição divina) que legitimava a edificação de um altar para o oferecimento de sacrifícios a Deus (cf. Gn 12.7; 22.2, 13-14, etc.), agora o santuário se tornava o único lugar de culto – fora dali, qualquer oferta seria considerada sacrifício a demônios (Lv 17.7-9). Se antes o ritual era simples, agora a necessidade de incutir o senso da santidade e do sentido espiritual do ato em um povo duro de coração que poderia desprezar as coisas mais simples exigia uma liturgia complexa, com minúcias que até hoje temos dificuldade em compreender perfeitamente. E, justamente por isso, o papel de ofertante e sacerdote, que antes parecia confundir-se em um só indivíduo, agora precisa ser diferenciado e o sacerdócio incumbido a homens especialmente designados para a pesada tarefa de cumprir, ensinar e conduzir o povo de Deus na realização exata do culto levítico (Ex 28.1; Hb 5.1-4). 

II – AS ESPÉCIES DE OFERTAS AO SENHOR Os primeiros sete capítulos de Levítico apresentam os diferentes tipos de ofertas que poderiam ser oferecidas ao Senhor e o ritual a ser seguido em cada uma delas. Pela ordem do texto, são elas: holocausto (c. 1), oferta de manjares (c. 2), sacrifício pacífico (c. 3), sacrifício de expiação do pecado (4.1-5.13), sacrifício de expiação da culpa (5.14-6.7) e oferta das consagrações (6.19-23). Notemos que as ofertas deveriam ser voluntárias: “Quando algum de vós oferecer oferta ao Senhor... a oferecerá de sua própria vontade, perante o Senhor” (1.2-3), com exceção da oferta das consagrações, que deveria ser oferecida apenas pelos filhos de Arão, por ocasião da sua consagração ao sacerdócio, e que por isso estudaremos na próxima lição. Notemos ainda que, com exceção da oferta de manjares, as demais ofertas consistiam em sacrifícios de sangue, “de gado, de vacas e de ovelhas”. O texto apresenta em primeiro lugar o holocausto, uma oferta em que a vítima, depois de imolada e ter seu sangue derramado perante o Senhor, era completamente queimada no altar de bronze (1.5-9), que ficava à porta do santuário e era chamado também de altar do holocausto (cf. Ex 40.6); significava a entrega total e voluntária do ofertante. A oferta de manjares consistia em cereais e seus derivados (farinhas, bolos, pães), sem fermento e acompanhada de azeite e incenso; estes elementos e parte dos cereais eram queimados no altar do holocausto, significando o reconhecimento de que Deus não apenas dá a vida, mas também o seu sustento (Sl 104.14-15, 27-28). O sacrifício pacífico podia ter diferentes finalidades e variações no seu rito, mas, em essência, constava da morte de um animal, cujos órgãos, gordura e sangue eram queimados sobre o altar, e o restante dividido entre o ofertante e o sacerdote, expressando, na simbologia de uma refeição onde todos são feitos participantes, a comunhão entre Deus e o homem. Os sacrifícios de expiação do pecado e expiação da culpa abrangem diferentes modalidades de transgressão contra a lei de Deus, seja no aspecto ritual, civil ou moral, bem como o pecado no seu aspecto geral. Em alguns casos, a vítima sacrificial era totalmente queimada – em parte sobre o altar, em parte fora do arraial; em outros casos, somente parte era queimada e o restante pertencia ao sacerdote. 

III – CRISTO JESUS, A OFERTA PERFEITA Sob a provisão do culto levítico, especificamente nas suas diferentes ofertas, Deus revelou de forma didática aspectos da obra que havia proposto para redimir o homem do pecado e trazê-lo de volta à plena fruição da graça e da comunhão divina. Contudo, devido às suas limitações, essa dispensação se mostrou inadequada ou insuficiente para realizar plenamente o elevado propósito da redenção; nem mesmo a repetição diária dos sacrifícios conseguiu fazer do culto levítico algo mais que uma sombra transitória e imperfeita de uma provisão espiritual que só poderia ser feita em Cristo Jesus, através da Sua obra sacerdotal e sacrificial consumada no Calvário (Hb 10.1-4, 10-14). Assim, enquanto o israelita precisava recorrer à diferentes ofertas para atender às suas demandas espirituais, nós precisamos tão somente nos voltar para o Filho de Deus e encontraremos nele a expiação de nossos pecados e culpas (Jo 1.29; Hb 1.3; 1 Jo 2.2), o nosso holocausto pelo qual todos nós fomos consagrados ao Pai (2 Co 5.14-15), o nosso sacrifício pacífico pelo qual alcançamos a paz com Deus e de uns com os outros (Rm 5.1, 9-11; Ef 2.13-18); e a nossa ação de graças a Deus por todas as coisas, sabendo que, se Ele não nos negou Seu próprio Filho, como nos negaria as demais coisas necessárias para o nosso bem? (Rm 8.28-32). 

CONCLUSÃO Hoje não mais sacrificamos a Deus a fim de agradá-l’O, pois o sacrifício único e perfeito de Cristo não precisa nem pode ser repetido. Mas devemos nos lembrar de que Ele é o nosso sacrifício, de modo que n’Ele todos nós fomos oferecidos a Deus e essa oferta foi aceita eternamente.  

PARA USO DO PROFESSOR
AUTORIA
Comissão da Escola Bíblica Dominical das Assembleias de Deus Ministério Guaratinguetá-SP.

APOIO
Rede Grata Nova de Evangelização
Rádio Net Grata Nova
Fundada em 29 março de 2009 por Moisés Moreira



Baixe o aplicativo Rádiosnet e ouça nossa rádio no celular onde você estiver 
https://www.radios.com.br/aovivo/radio-net-grata-nova/16059
https://www.radios.com.br/

INSCREVA-SE EM NOSSO CANAL E DIVULGUE-O PARA OS SEUS AMIGOS E IRMÃOS